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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Combinações Alimentares

Antes uma reflexão

Cada vez que leio algum artigo sobre combinação de alimentos fico bastante desnorteada, pois do meio para o final das proibições já estou confusa e não sei mais o que pensar ou fazer. Muitos destes trabalhos são escritos por médicos e nutricionistas de peso e respeito. Como química, até entendo a maioria das fundamentações. Porém tenho algumas questões a serem colocadas, na defesa da praticidade e da maior liberdade para as escolhas alimentares:

1) Quando uma pessoa está por demais intoxicada, é real: o organismo não administra mais nada. Sabotagens estão proibidas e os sintomas e doenças começam a acontecer, sinalizando total estado de alerta. Neste caso, seguir tais recomendações médicas é um recurso indicado, até que o organismo tenha mais espaço e recursos endógenos para digerir os alimentos, a sua vida, a si mesmo e as suas relações.

2) Quando a pessoa tem hábitos alimentares saudáveis, fazendo uso mínimo de alimentos que desativam e matam a vida (como é o caso dos doces, refinados e processados), fazendo uso massivo (> que 50%) de alimentos crus e vivos, além de hábitos desintoxicantes, etc., seu organismo está muito mais preparado (numa boa, com folgas) para muitas das combinações alimentares que muitos autores condenam. Exemplo: frutas com legumes e hortaliças. Dentre as receitas que sugiro no meu livro Alimentação Desintoxicantes, em muitas delas faço uso desta combinação. Porque depois da fase inicial de desintoxicação, que pode durar de 1 semana a 1 mês, tais coquetéis são muito bem aceitos pelo organismo.

3) Assim como não se deve superproteger uma criança, inclusive de bactérias e vírus, não se deve superproteger nenhum sistema metabólico. O que desejo expor é que não é possível oferecer ao nosso sistema digestivo ZERO de estresse metabólico. Ele precisa ter flexibilidade, capacidade adaptativa e desenvolver inteligências. Existem alimentos da natureza, que contém em sua composição alguma das proibidas combinações, como batatas amiláceas que são doces, frutas que são gordurosas e protéicas. Deixamos de comê-las? Minha opinião: jamais, desde que com moderação. Aliás, moderação em tudo na vida!

Estas combinações são bem razoáveis

Com o objetivo de facilitar a digestão, a combinação dos alimentos vem se tornado uma prática mais e mais aceita como uma necessidade. A idéia é que para recebermos a energia dos alimentos não precisamos depois gastá-la para digeri-los. No final da refeição nos sentiremos mais leve, com ganho de energia para continuarmos nossos movimentos diários.

Apresento a seguir um estudo de Ann Wigmore, adaptado por Ana Branco.

Sementes Germinadas e Brotos - Com o processo da germinação as sementes tornam-se neutras. Percebam a magia: combinam com todos os alimentos. Dê preferência a combinação das sementes oleaginosas com as frutas pois, com sua elevada riqueza em enzimas, facilitam, com folga, todo o processo de digestão e excreção.

Hortaliças - As verduras, legumes, raízes, flores e ervas combinam-se entre si. Abacate, maçã e limão são as frutas que melhor acompanham as hortaliças.

Frutas Doces - Banana, caqui, figo, jaca, tâmara, uva moscatel, fruta do conde e frutas secas em geral, combinam-se entre si.

Frutas Cítricas e Sub-cítricas - Maçã, uva, pêra, ameixa, abacaxi, tangerina, laranja, manga, graviola. maracujá, goiaba e kiwi são exemplos de frutas que se combinam entre si.

Frutas Neutras - Abacate, mamão e limão são frutas que combinam com todas as outras frutas e o abacate e limão também com as hortaliças.

Melão e Melancia - Devem ser consumidos sozinhas, com limão ou ervas frescas e digestivas como o hortelã e o funcho.

Combinações inadequadas

As limitações abaixo são difíceis de praticar, mas são úteis no momento de uma doença mais crônica ou grave. Até mesmo para se fazer um estudo de alergias e diagnósticos.

O texto a seguir é da amiga e nutricionista Fátima Pinsard.

O valor nutritivo de um alimento não está na sua composição química, mas no seu grau de digestibilidade. Mesmo com alimentos naturais, boa mastigação e lenta deglutição, não está completamente assegurado o êxito do processo digestivo, pois há alimentos que misturados com outros produzem má combinação, dando lugar a subprodutos tóxicos.

Para evitar os inconvenientes das más combinações, a melhor regra será simplificar as refeições e usar sua intuição. A quantidade é outro fator que intervém na digestão. Comer sem fome ou em excesso são fatores desequilibrantes na digestão, pois o corpo não assimila o excesso.

Evite líquidos durante as refeições, principalmente os que contém açúcares, pois estes desencadeiam a fermentação. Os líquidos apressam a deglutição antes de completar a mastigação e a ensalivação dos alimentos impedindo também a ação do suco gástrico até que sejam absorvidos. As bebidas geladas ou muito quentes alteram a temperatura da massa alimentar no estômago, cuja digestão fica interrompida até que seja atingida novamente a temperatura natural do corpo (37 graus C).

1. Evite ingerir mais de dois alimentos amiláceos na mesma refeição, pois cada um tem um tempo digestivo. Isto provoca fermentação (gases e arrotos) e acidifica o estômago. Exemplo: macarrão + batata + pão.

2. Evite ingerir alimentos ácidos e amidos na mesma refeição. A digestão dos amidos começa na boca pela ação da ptialina, que os transforma em maltose (tipo de açúcar). A ptialina só atua em meio alcalino. A presença de ácidos danificam esta enzima favorecendo sua fermentação. Exemplo: macarrão com molho de tomate.

3. Evite ingerir amidos e açúcares na mesma refeição. A digestão dos amidos começa na boca e prossegue, em condições apropriadas, no estômago. Os açúcares não são digeridos nem na boca nem no estômago, a sua digestão se dá no intestino delgado. Quando consumimos isoladamente, passam rapidamente do estômago ao intestino. Quando consumidos juntos, ficam retidos no estômago aguardando a digestão destes. Como os açúcares têm a tendência à fermentação rápida, nas condições de calor e umidade existentes no estômago, a combinação amido e açúcares produz fermentação ácida. Exemplos: arroz doce, bolos e pães doce.

4. Evite ingerir duas proteínas concentradas na mesma refeição. Para uma digestão eficiente, cada proteína exige sucos gástricos de composições diferentes, além de tempos distintos. Exemplo: enquanto o suco gástrico necessário à digestão da carne tem seu pH máximo no início da digestão, o suco gástrico necessário à digestão do leite terá seu pH máximo no final. Exemplos: carne com leite, carne com ovos ou leite com nozes.

5. Evite ingerir proteínas e ácidos na mesma refeição. O início da digestão das proteínas se dá no estômago em presença da enzima pepsina que atua em meio ácido. A ingestão de ácidos em excesso irá inibir a ação desta enzima.

6. Evite ingerir proteínas com gorduras. A presença das gorduras nos alimentos diminui a atividade da secreção gástrica, além de baixar a quantidade de ácido clorídrico e pepsina no suco gástrico, atrasando a digestão das proteínas.

7. Evite ingerir leite com frutas ácidas. Quando o leite entra no estômago, ele coalha, envolvendo as partículas dos outros alimentos, isolando-os do suco gástrico.

8. Evite ingerir sobremesas (doces e sorvetes). Elas já constituem um excesso sobre a alimentação, sobrecarregando a capacidade digestiva. Além disso, geralmente são açucaradas, o que leva aos transtornos anteriormente mencionados.

9. Evite ingerir frutas oleaginosas com frutas doces na mesma refeição porque a gordura ao se misturar com o açúcar produz fermentação alcoólica.

10. Evite ingerir frutas ácidas com amido, pois os ácidos, impedem a natural digestão dos amidos, causando fermentação ácida.

Fontes: site Ana Branco - texto Fátima Pinsard - Alimentação Desintoxicante (Conceição Trucom - Editora Alaúde).

Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citada a autora e a fonte.

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