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terça-feira, 6 de maio de 2008

Número de células de gordura permanece constante ao longo da vida

O número de células de gordura no nosso corpo permanece constante ao longo da vida adulta, revela um novo estudo. A descoberta sugere que o processo de ganho de peso pode ser fundamentalmente diferente em adultos e em crianças.

Os adultos que ganham ou perdem peso devem faze-lo através de alterações do tamanho das células de gordura, chamadas adipócitos, e que constituem os depósitos de gordura no corpo. Já as crianças, pelo contrário, acumulam mais gordura aumentando o número total destas células no corpo.

Isto pode significar que as pessoas que engordaram durante a infância podem ter mais dificuldade em alterar o seu peso mais tarde na vida do que as que apenas engordaram em adultas, sugere Kirsty Spalding, do Instituto Karolinska de Estocolmo, Suécia, que liderou este novo estudo.

Ainda que o número de adipócitos permaneça constante na fase adulta, Spalding e a sua equipa descobriram que não são sempre as mesmas células. Há um processo dinâmico de morte celular e renovação.

Spalding e a sua equipa recolheram biopsias de gordura da barriga de 687 pessoas, tanto magras como obesas, e registaram o número e a dimensão dos adipócitos, bem como a idade, sexo e índice de massa corporal.

Combinados com dados semelhantes recolhidos anteriormente em crianças, estes revelaram que o número médio de células de gordura aumenta até por volta dos 20 anos e depois permanece relativamente constante, estando fortemente associada ao índice de massa corporal.

Os investigadores também mediram 20 pessoas obesas e realizaram a operação de colocação de uma banda gástrica para reduzir a ingestão de alimento.

Quando Spalding mediu estes voluntários novamente, dois anos após o procedimento, descobriu que não havia uma redução do número de células de gordura: os voluntários ainda tinham mais de 80 mil milhões de células de gordura no corpo, apesar de terem perdido uma média de 18% do peso corporal. Era o volume de cada célula de gordura individualmente que se tinha reduzido e não o seu número.

Ainda assim, as células de gordura estão constantemente a morrer e a ser substituídas, mesmo nos adultos, revela Spalding. Chegaram a essa conclusão estudando gordura extraída durante procedimentos de lipoaspiração em 35 pessoas que viveram o período de testes nucleares da Guerra Fria, de 1955 a 1963, quando a atmosfera esteve mais radioactiva que o normal. Alimentos cultivados e ingeridos durante este período apresentavam níveis elevados do isótopo carbono-14.

Menos células de gordura apresentavam uma dose elevada de carbono-14 do que seria de esperar se estas células nunca fossem substituídas, relata a equipa na última edição da revista Nature. Isto revela que as células foram mudando ao longo das décadas.

Se os biólogos conseguirem perceber exactamente como funciona esta substituição dos adipócitos e de que forma é regulada, pode ser possível criar medicamentos que interfiram com o processo e potencialmente ajudar as pessoas a manter o peso ideal depois de terem emagrecido.

Spalding considera que um tratamento desses seria melhor aplicado a pessoas que já tivessem perdido peso de forma acentuada, como as que se sujeitam a cirurgia gástrica. "Temos que ser realmente cautelosos com a aplicação de uma coisa destas."

"Seria muito perigoso dar estes medicamentos a pessoas ainda muito obesas", acrescenta Spalding. Cortar o número de células de gordura quando as pessoas ainda apresentam um grande volume de gordura colocaria um esforço superior nos adipócitos restantes, levando a complicações metabólicas, como a diabetes, explica ela.

"Não me parece que vá ser tão simples como tomar um comprimido, perder o peso e problema resolvido", acrescenta ela.

Talvez mais importante, diz Spalding, seja a confirmação de que as células de gordura podem proliferar durante a infância mas não na fase adulta. Os factores por trás desta situação provavelmente são tanto genéticos como dietéticos, diz ela.

Assim, ainda que a obesidade tenha tendência para ser uma característica de família, evitar engordar quando jovem vai ajudar a estabelecer um número de células de gordura saudável para toda a vida. "A melhor mensagem que podemos retirar disto é que as pessoas com filhos devem garantir que eles têm um estilo de vida saudável", diz Spalding.

Fontes: Simbiotica Newsletter
Karolinska Institute

Fazer dieta não reduz número de células de gordura, diz estudo - BBC Brasil

homem acima do peso
Fazer dieta não diminui número de células de gordura
Uma pesquisa realizada por especialistas suecos aponta que fazer dieta não diminui o número de células de gordura do corpo humano.

Os especialistas, da Universidade Karolinska, dizem que a quantidade de células de gordura – adipócitos – é definida durante a adolescência e permanece invariável pelo resto da vida, mesmo que a pessoa venha a desenvolver obesidade no futuro.

Os pesquisadores fizeram uma experiência com centenas de crianças, adolescentes e adultos e descobriram que as células de gordura se multiplicavam durante a infância, mas que uma vez atingida a idade adulta, o número continuava o mesmo.

Durante os testes, eles retiraram amostras de gordura de alguns pacientes que se preparavam para se submeter à cirurgia de redução do estômago, um dos últimos recursos utilizados pela medicina moderna na luta contra a obesidade.

Depois que os pacientes emagreceram, os cientistas retiraram uma nova amostra de gordura para averigüar se a quantidade de adipócitos havia reduzido.

Eles perceberam, então, que as células de gordura não haviam diminuído em quantidade, mas no tamanho.

Na avaliação do coordenador da pesquisa, Kirsty Spalding, o estudo representa uma má notícia para quem vive fazendo dietas.

“Isso explica por que é tão difícil perder peso e manter os quilos a menos, porque as células de gordura não estão indo a lugar nenhum. Elas ficam ali, pedindo mais comida”, explicou ele.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Nature.

Obesidade: prevenção só é eficaz se iniciada na infância

Notícia Revista Veja.com - Ciência e saúde: Ciência
Pesquisa: por que é difícil manter o peso
05 de Maio de 2008 | 08:27

O efeito sanfona e a dificuldade para manter o peso depois de uma dieta bem-sucedida podem ser explicados pelo número de células adiposas que é definido na infância. Um estudo publicado na revista científica britânica Nature indica que o número total de células de gordura no corpo é estável e a produção de outras novas é compensada pela destruição das que morrem.

Todos os anos, ocorre uma renovação de 10% dessas células. Assim, quando se perde peso na idade adulta, apenas a massa das células é reduzida. Não há diminuição no número de células adiposas. E quando o tecido é renovado, a tendência é readquirir a massa anterior à dieta. Isso explica, segundo os cientistas, "ao menos parcialmente, porque é tão difícil manter o peso alcançado depois de emagrecer".

Os pesquisadores do Instituto Karolinska de Estocolmo (Suécia) estudaram tecidos procedentes de lipoaspirações e de reconstruções abdominais. Eles concluíram que, depois da infância, o número de células adiposas permanece constante. O estudo confirma as estatísticas que demonstram que a maior parte dos adultos obesos já o eram na infância. Só 10% das crianças com peso normal convertem-se em obesos. Mais de 75% das crianças obesas conservam esta condição na idade adulta.

Para os cientistas, estes dados tornam possível a definição de novas linhas de tratamento para a obesidade. Adotar medidas desde a infância para frear a renovação de células adiposas mortas podeser uma alternativa eficaz.

Fonte: veja.com

Fonte da imagem: http://www.femhealth.com/images/graphics/child249x267.jpg

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