s níveis de dióxido de enxofre previstos na lei - 500 microgramas por metro cúbico (e não miligramas, como foi avançado anteriormente) -, foram ontem ultrapassados na Amoníaco de Portugal. "Esta situação observou-se entre as 1h00 e as 4h00 e entre as 14h00 e as 17h00, tendo-se registado, respectivamente, em cada um destes períodos, as concentrações médias horárias máximas de 758 microgramas por metro cúbico e de 1.545 microgramas por metro cúbico", refere um comunicado.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) entendeu adoptar medidas cautelares, por considerar que existem riscos para a saúde humana.

A laboração fica suspensa "até que sejam adoptadas as necessárias medidas correctivas", adianta o Ministério. A autoridade regional de saúde foi, entretanto, informada da situação.

Câmara pede reunião de emergência

A Câmara do Barreiro vai solicitar hoje uma reunião de emergência à Amoníaco de Portugal. "A qualidade do ar é competência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional mas vamos solicitar, logo pela manhã, uma reunião de emergência para percebermos a matéria. Os limites legais já foram ultrapassados várias vezes mas, desta vez, parece que se agravou demais - mas a situação não me surpreende totalmente", disse o vereador responsável pelo Ambiente, Bruno Vitorino.

Por outro lado, a autarquia está preocupada com a necessidade acautelar os postos de trabalho dos cerca de 250 funcionários da empresa.

De acordo com o presidente da Junta de Freguesia do Lavradio, onde está localizada a empresa, o alegado encerramento da Unidade de Tratamento de Gases da Amoníaco de Portugal está na origem dos elevados valores de dióxido de enxofre.

”Foi encerrada a Unidade de Tratamento de Gases para ser reparada e quando a empresa continua a laborar sem esta unidade é normal que os valores sejam tão elevados", Adolfo Lopo, em declarações à Agência Lusa.

Perigo para a saúde pública

No entender da Quercus, a situação na unidade de produção de amoníaco é "um caso grave de saúde pública". Segundo Susana Fonseca, da associações ambientalista, os 500 microgramas por metro cúbico representam um limiar de alerta para a saúde "nunca ultrapassado em Portugal, pelo menos que a Quercus tenha conhecimento".

Os asmáticos e outras pessoas com doenças do sistema respiratório são as mais afectadas com a concentração do dióxido de enxofre, um poluente causador de chuvas ácidas e típido das zonas industriais, "mas que, à escala europeia, já está ultrapassado", nas palavras de Susana Fonseca.

No final da semana passada, um grupo de cidadãos recolheu mais de 1.500 assinaturas para garantir que a fábrica Amoníacos de Portugal labore de acordo com as regras ambientais, evitando os alegados danos que provoca na qualidade de vida da população.

Fonte: Lusa
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