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terça-feira, 10 de julho de 2007

Mais de um terço dos portugueses com risco elevado de acidente cardiovascular


A maior causa de morte em Portugal


Lisboa - A Associação Nacional das Farmácias, ANF, concluiu, durante a Campanha de Identificação de Suspeitos de Risco Cardiovascular, que 34 por cento dos indivíduos avaliados com idades entre os 35 e os 65 anos apresenta um elevado risco de ter um evento cardiovascular fatal nos 10 anos seguintes. Os acidentes cardiovasculares são a maior causa de morte em Portugal.
Esta iniciativa, realizada em Novembro de 2005, e cujos resultados são agora divulgados, avaliou cerca de 40 mil pessoas, em farmácias de todo o país, tendo sido realizadas 160 mil medições de parâmetros (peso, altura, pressão arterial, glicemia, colesterol total e triglicerídeos).

No entanto, estes dados devem ser tidos como conservadores, já que o risco cardiovascular total pode ser superior, tendo em conta que os indivíduos diabéticos (13 por cento dos que foram avaliados nesta campanha) apresentam sempre um risco cardiocerebrovascular elevado, independentemente dos valores relativos aos restantes factores de risco.

A maioria das pessoas avaliadas (63,2 por cento) era do sexo feminino, não fumava (89,9 por cento) e tinha uma idade média de 59,1 anos. Cerca de 43 por cento estava medicada para a hipertensão, 13 por cento para a diabetes, e 28 por cento para a dislipidémia (colesterol e/ou triglicerídeos elevados).

Durante esta campanha, os farmacêuticos identificaram 45,9 por cento de indivíduos suspeitos de sofrerem de hipertensão e de pré-hipertensão, ou seja, com valores superiores aos de referência, ou considerados ideais, respectivamente, mas que ainda não tinham sido diagnosticados ou sequer medicados. Destes, 17 por cento foram encaminhados para o médico assistente, tendo sido dado início a terapêutica prescrita pelo médico em 12,3 por cento dos casos.

Foram, ainda, identificados 3,6 por cento de suspeitos de diabetes, dos quais 37 por cento foram reportados para o médico assistente. Houve início de terapêutica em 10,7 por cento destes casos reportados.

Fonte: (c) PNN Portuguese News Network - 2007-05-13 16:58:56


A Dieta do Mediterrâneo e o Risco Cardiovascular

Tiago Fagundes - 22/06/2007 00:21

Alto teor de gordura, ingestão elevada de verduras, castanhas e bastante peixe. A dieta do Mediterrâneo ganhou este nome a partir das observações de Ancel Keys, diante da longevidade dos habitantes da Ilha grega de Creta, nos anos 50, como parte do estudo “Seven Country ”.

Os cretenses apresentavam baixos índices de doença ateroesclerótica coronariana (DAC) e também de alguns tipos de cânceres. As causas desses bons índices de saúde foram creditadas aos hábitos de vida e, principalmente, à qualidade da alimentação usada por esses povos, que assim como em outros paises da região do mar Mediterrâneo, é composta basicamente por:
  • vegetais (frutas, legumes, verduras, cereais integrais e nozes);
  • azeite de oliva como principal fonte de gordura;
  • peixes e aves em moderada quantidade;
  • pequeno consumo de carne vermelha;
  • ingestão moderada de vinho, principalmente durante as refeições.
piramide dieta mediterrânea
Essas observações foram tema de vários estudos e publicações em importantes revistas médicas no decorrer dos anos e, com o tempo, a evidência de uma menor taxa de mortalidade por DAC e de alguns tipos de cânceres como conseqüência desta dieta se consolidou.

O azeite de oliva é composto basicamente por gorduras monoinsaturadas e possui grande quantidade de substâncias fenólicas antioxidantes (principalmente o azeite virgem). Já as nozes são uma fonte rica de nutrientes e antioxidantes fitoquímicos.

Apesar do conhecimento de que o provável efeito da Dieta do Mediterrâneo Tradicional (DMT) na longevidade e na diminuição da mortalidade por doenças cardíacas seja conseqüência de sua rica quantidade de substâncias antioxidantes, nenhum estudo até o presente momento havia mostrado essa relação.

O stress oxidativo está relacionado ao aumento da incidência de doenças cardiovasculares, alguns tipos de cânceres e desordens neurodegenerativas, sendo que um dos seus marcadores é o LDL oxidado, cuja presença tem uma grande relação com DAC.

A oxidação dos lípides e apoproteínas presentes no LDL torna-o mais apto a entrar no sistema monócito-macrófago das paredes dos vasos, iniciando o processo de ateroesclerose e sua concentração plasmática é diretamente proporcional ao LDL-colesterol (“colesterol ruim”) e inversamente proporcional ao HDL (“o bom”).

Foi publicado neste mês, no “Archives of Internal Medicine”, um trabalho mostrando o efeito da DMT na oxidação das lipoproteínas.

Trata-se de um estudo controlado, multicêntrico e randomizado (PREDIMED – Prevención con Dieta Mediterránea), com objetivo de avaliar o efeito da dieta na prevenção primária de DAC, em que pacientes de alto risco cardíaco foram divididos em três grupos, de acordo com a dieta e seguidos por três meses.
  1. DMT suplementado com azeite de oliva virgem (1 litro por semana).
  2. DMT suplementado por nozes (30g por dia – 15g de nozes, 7,5g de avelã e 7,5g de amêndoas).
  3. Dieta com baixo teor de gorduras.

Os grupos submetidos à DMT receberam as seguintes orientações:
  • Usar azeite de oliva para cozinhar e temperar;
  • Aumentar o consumo de vegetais, nozes e peixes;
  • Consumir carne branca ao invés de carne vermelha processada;
  • Preparar molhos caseiros cozinhando tomate, cebola, alho e ervas aromáticas para temperar arroz, massas e outros pratos;
  • Para os usuários de álcool, foi orientado o consumo de vinho tinto em quantidade moderada (preferencialmente às refeições).
Este grupo recebeu azeite e nozes com fartura. Nenhuma restrição calórica foi recomendada.

O grupo submetido à dieta hipolipídica recebeu orientações para diminuir todos os tipos de gorduras alimentares, especialmente alimentos ricos em gordura saturada e em colesterol. As recomendações dietéticas seguiram os protocolos da American Heart Association.

Durante o seguimento do Estudo, substâncias que refletem o consumo de azeite e nozes foram dosadas no sangue e na urina para avaliar a aderência à dieta orientada.

Resultados:
  • Houve uma boa aderência dos grupos às dietas propostas.
  • Atividade física praticada pelos subgrupos não modificou durante o período de intervenção. Uma redução da ingestão de calorias foi observada no grupo da DM + azeite e no grupo da dieta hipolipídica.
  • “Status oxidativo”: Quando comparados os grupos submetidos à DMT com o grupo submetido à dieta hipolipídica, houve redução do LDL oxidado nos grupos submetidos à DMT, alcançando significância (p = 0.02) no grupo da DMT + azeite.
  • Índice de Massa Corporal (IMC) e perímetro da cintura abdominal não mudaram nos três grupos. Pressão sistólica (p = 0.008) e diastólica (p = 0.03) diminuiu nos dois grupos submetidos à DMT.
  • No grupo da DMT + nozes houve redução dos triglicérides (p = 0.04) e aumento no HDL (p = 0.03). O colesterol total e as taxas de Colesterol total/HDL e LDL/HDL diminuíram nos grupos submetidos à DMT quando comparados ao grupo submetido à dieta hipolipídica (p < 0.05).
Apesar da suplementação de vitaminas antioxidantes não evidenciar melhora no desenvolvimento da DAC, como discutido em recente coluna do Observatório Científico, alguns estudos como o INTERHEART mostraram diminuição da formação ateroesclerótica nos vasos sanguíneos relacionada ao alto consumo de substâncias antioxidantes provenientes da alimentação (provável efeito protetor).DMT

Uma explicação plausível para este paradoxo é a diferença existente entre a ingestão ao longo da vida de uma complexa mistura de compostos antioxidantes, contida nos alimentos saudáveis comparados às grandes doses de suplementos antioxidantes consumida por tempos determinados.

Enfim, é o hábito alimentar saudável que realmente faz a diferença. Peixes, aves, frutas, verduras, legumes e azeite: gesto saudável e comida gostosa!

Fonte: http://www.diabetes.org.br

Leia mais em:
Arch Intern Med 2007; 167:1195-1203.
New England Journal of Medicine 2003;348:2595-2596.

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