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quarta-feira, 11 de julho de 2007

Caça à baleia levou pinguins a comer krill

Antigos fragmentos de casca de ovo revelaram que os pinguins de Adélie da Antárctida alteraram a sua dieta de peixe para krill por volta da mesma altura em que o Homem começou a caçar focas e baleias.

A descoberta sugere que quando o Homem removeu os principais predadores do krill, os pinguins passaram a explorar o excesso destes pequenos camarões.

Steven Emslie, da Universidade da Carolina do Norte em Wilmington, e William Patterson, da Universidade de Saskatchewan em Saskatoon, analisaram mais de 220 cascas de ovo fossilizadas, com idades entre os 100 e os 38 mil anos, e compararam-nas com amostras recolhidas em ninhos modernos.

Ao comparar a proporção de certas formas de carbono e azoto nas cascas com as proporções que se encontram no peixe e no krill, os investigadores ficaram a saber o que as aves andaram a comer.

Emslie esperava encontrar diferenças na dieta que correspondessem às alterações climáticas mas, em vez disso, o menu dos pinguins continuou rico em peixe até há cerca de 200 anos, quando as aves passaram a comer krill.

O recente aquecimento global e o aumento das capturas de krill reduziu os stocks deste pequeno camarão e pode estar a contribuir para o declínio das populações de pinguim de Adélie na Península Antárctica, diz Emslie.

De 1793 a 1807, estima-se que 3,2 milhões de focas foram capturadas no Oceano Antárctico. A resultante quebra drástica na população de focas, incluindo na foca peluda antárctica Arctocephalus gazella, que se alimentava principalmente de krill, levou ao colapso da industria.

A caça à baleia arrancou na década de 1800 e continuou até meados do século XX, eventualmente destruindo as populações de baleias em mais de 90%. Estima-se que a captura combinada de focas e baleias tenha resultado em mais de 150 milhões de toneladas extra de krill por ano.

O krill é um alimento muito atractivo para os pinguins porque é extremamente rico em proteínas e se deslocam em cardume. "As aves podem capturar grande quantidade de presas ricas em energia em pouco tempo", explica Emslie.

"Esta situação implica uma resposta de dieta imensa por parte dos pinguins, relativamente a uma alteração no seu ambiente", diz Keith Hobson, do Serviço Canadiano da Vida Selvagem em Saskatchewan, "Mas as razões por trás desta alteração são menos claras."

"A abundância de um item alimentar secundário não explicam necessariamente esta situação, a não ser que seja acompanhado pela redução do peixe", diz Hobson. "Porque razão interessaria que o krill se tivesse tornado mais abundante para um predador que anteriormente já fazia ovos a partir de peixe com toda a facilidade?"

A alteração pode ser explicada por um aumento nas pescas, diz David Ainley, da consultora ecológica californiana H. T. Harvey & Associates. "Não só as focas e as baleias desapareceram mas também houve capturas maciças de peixe nos mares da Escócia e da região da Península Antárctica no Oceano Antárctico ao mesmo tempo. "Muitos destes peixes comiam krill, logo a sua remoção ainda teria aumentado mais a disponibilidade de krill."

"A sua flexibilidade de dieta demonstra que os pinguins têm grande capacidade para se ajustar a grandes alterações ecológicas mas não significa que eles sejam capazes de sobreviver às alterações que se avizinham", diz Hobson. "Continuo pessimista em relação à forma como poderão lidar com as alterações climáticas."

Saber mais:

Penguin Science


Declínio de pinguins relacionado com o aquecimento global?

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

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