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terça-feira, 24 de abril de 2007

Soja avança para o norte e destrói entorno do Território Indígena Krahô


Desde que a soja foi introduzida ao norte do Tocantins, o povo Krahô e pequenos produtores rurais da região vivem dias de tensão e incerteza. A região de aproximadamente 700 km de fronteira entre o Cerrado e a Floresta Amazônica, conhecida por abrigar cabeceiras e nascentes de rios que formam uma das três grandes bacias hidrográficas do Brasil (Amazônica), uma grande variedade de frutas nativas e animais silvestres está sendo transformada em um verdadeiro deserto. Estudos de impacto ambiental alertam que em pouco tempo essa área, uma das maiores biodiversidades do planeta, pode se tornar inóspita, e já traz sérios problemas ao povo indígena Krahô, que vive tradicionalmente da coleta de frutos, caça e pesca.

A chegada de grandes produtores de soja aos municípios de Goiatins, Campos Lindos, Recursolândia, Santa Maria do Tocantins, Pedro Afonso e Itacajá, vindos do sul do Brasil e do exterior, vem mudando numa velocidade assustadora a relação homem-natureza nessas áreas. Posseiros, pequenos agricultores que há mais de 70 anos utilizam os recursos da terra de forma não-predatória, estão pressionados, desesperados, sendo obrigados a trocar a vida rural pelas periferias das grandes cidades para não serem vítimas dos agrotóxicos utilizados na produção da soja.

Hoje, enormes plantações do cereal chegaram aos quintais das casas desses agricultores, aos portões das escolas de seus filhos, contaminando o ar, a terra e a água dos rios. Quando escutam o barulho do avião borrifador, adultos e crianças fecham as janelas e portas, trancam-se dentro de casa, antes que o agrotóxico contamine tudo. Na safra anterior, o envenenamento matou uma criança com um ano de idade, logo após o avião ter sobrevoado sua residência, na comunidade Vão Grande (Serra do Centro); e um adulto, Sr. Inácio Brandão Lopes, de 40 anos, que não conseguiu escapar do veneno, na mesma região (casos denunciados ao Ministério Público). Com a safra atual, a tendência é aumentar o número de mortes.

A maioria desses pequenos produtores está ilhada, desestimulada e impotente para ajudar a conter a devastação da área que sempre proveu sua subsistência. Outros, ainda acreditam que a resistência é possível e necessária. Estes habitam regiões acidentadas, pequenos morros e platôs de rocha, inviáveis para o agronegócio. E clamam por socorro. Pedem auxílio ao Governo, ONGs, sociedade civil em geral e demais responsáveis pelas questões fundiárias e ambientais do País.

Por meio deste vídeo-denúncia, o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), pequenos produtores, povo indígena Krahô e associações locais querem chamar a atenção da opinião pública e principalmente dos agentes públicos para a urgente necessidade de se colocar essa discussão em pauta. Pois, o avanço da fronteira do agronegócio tem modificado a estrutura fundiária e ambiental do entorno de inúmeros grupos indígenas que vivem no cerrado brasileiro, chegando também ao entorno das terras indígenas Kanela, no centro-oeste maranhense. É necessário unir imediatamente forças e canalizá-las na busca de alternativas para esta triste realidade. Caso contrário, os povos indígenas do Tocantins e Maranhão estarão fadados ao confinamento dentro de seus Territórios.

A permanência de pequenos proprietários na área de entorno do território indígena Krahô é de extrema importância para a sobrevivência deste povo. São esses pequenos agricultores que formam um corredor de proteção natural do povo Krahô e promovem o aproveitamento, manejo e extrativismo responsável dos recursos naturais do cerrado. Por meio de projetos desenvolvidos naquela área, durante anos de trabalho conjunto, estão sendo criadas alternativas econômicas e de geração de emprego e renda para índios e pequenos produtores, contribuindo para a conservação daquele ambiente e para a construção de um novo modelo de desenvolvimento, não-predatório e sustentável.
Veja no mapa abaixo a localização exata da área indígena Krahô:

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