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sexta-feira, 27 de abril de 2007

Só a 'mãe natureza' é que sabe fertilizar o oceano

As explosões de algas criadas pelo bombear de nutrientes para o oceano retirar pelo menos 10 vezes mais dióxido de carbono (CO2) da atmosfera do que anteriormente se pensava mas a descoberta não forneceu qualquer apoio aos controversos esquemas para encorajar essas explosões como forma de reduzir o aquecimento global, alertam os autores.

A conclusão surge da análise de uma dessas explosões de algas, que acontece todos os anos perto de Kerguelen, um arquipélago a meio caminho entre a África do Sul e a Austrália.

A mistura vertical natural do oceano na zona fornece de forma regular ferro e outros nutrientes dos sedimentos do fundo para as águas superficiais, estimulando o crescimento do fitoplâncton. Este crescimento converte o carbono do ar (sob a forma de CO2) em matéria orgânica, reduzindo a quantidade de gazes de efeito de estufa na atmosfera e aliviando o aquecimento global.

Stephane Blain, um oceanógrafo químico do Oceanography and Biogeochemistry Laboratory de Marselha, liderou uma equipa internacional com 47 membros na investigação desta explosão de algas no início de 2005. Os seus resultados mostram que a capacidade destas explosões em absorver CO2, e em transportar esse carbono para o fundo do oceano quando os organismos morrem, é muito maior do que os estudos de campo anteriores tinham sugerido.

Cada átomo de ferro fornecido pelo fundo retirou mais de 100 mil átomos de carbono da atmosfera ao estimular o crescimento de plâncton durante a explosão sazonal, relatam os investigadores na última edição da revista Nature.

Em 12 experiências anteriores, desenvolvidas desde 1993, durante as quais os cientistas tinham 'fertilizado' artificialmente pequenas áreas do oceano com nutrientes ricos em ferro, a quantidade observada de carbono exportado para as profundezas do oceano por quantidade de ferro fornecido tinha sido na ordem das dez vezes menos.

A falta de ferro limita a produtividade biológica e a absorção de carbono em um terço dos oceanos mundiais, particularmente no oceano Antárctico.

Há muito que os cientistas propuseram que 'fertilizar' essas zonas do oceano com ferro extra poderia fornecer um meio amigo do ambiente de reduzir o teor de CO2 na atmosfera. Esta noção foi a base para a realização das muitas experiências em que os investigadores tentaram adicionar ferro a pequenas zonas do oceano.

Para além das preocupações associadas com a 'engenharia geológica' e os impactos que este procedimento poderia ter sobre os ecossistemas, estas experiências tiveram variados problemas logísticos.

Muitas vezes o ferro não é o único nutriente em falta na água e muito do ferro despejado no mar oxida antes de ser utilizado pelo fitoplâncton. Estima-se que 80 a 95% do ferro nestas experiências foi 'perdido', frequentemente porque simplesmente flutua para longe ou se afunda no oceano antes que os organismos que vivem perto da superfície o possam usar.

Os investigadores estimam que despejar grandes quantidades de ferro para grandes zonas do oceano não irá absorver mais de 3% do CO2 resultante das emissões anuais devidas à queima de combustíveis fósseis.

O estudo de Blain mostra que a mãe natureza é capaz de fazer muito melhor na fertilização do oceano que a Humanidade. A taxa a que o CO2 é absorvido parece ser tão grande em Kerguelen porque o ferro está a ser fornecido lentamente e de forma contínua, e porque o ecossistema é rico noutros ingredientes biológicos e químicos necessários para a explosão de algas.

"O que a equipa observou é provavelmente a eficiência óptima alcançável na exportação de carbono", diz Ulf Riebesell, um oceanógrafo do Leibniz Institute of Marine Sciences (IFM-GEOMAR) de Kiel, que tem estado envolvido num dos estudos anteriores de fertilização do oceano. "Não conseguimos, pura e simplesmente, atingir a eficiência da natureza, é por isso que fazer engenharia geológica no oceano não funciona."

Os resultados também fornecem informações valiosas para estudos do passado e futuro das alterações climáticas. Há muito que se pensa que um aumento do fluxo de poeiras ricas em ferro de zonas secas em terra nos períodos frios pode ter levado os níveis de CO2 atmosférico a descer drasticamente. O novo estudo apoia a ideia de que este efeito contribuiu para cerca de um terço da queda do CO2 atmosférico durante as eras glaciais passadas.

Saber mais:

Kerguelen Ocean and Plateau compared study (KEOPS)

Southern Ocean Iron Experiment

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

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