Qr Code do blog

Qr Code do blog
Qr Code do blog

Rss

Contacto

Blog Archive

Followers

Follow by Email

Add me on Facebook

NutriViva Tv



Total de visualizações de página

sábado, 26 de abril de 2008

Escaravelhos libertam mais carbono que fogos

Uma infestação de escaravelhos pode converter largas áreas da floresta canadiana em produtoras de carbono em vez de sumidouros de carbono, sugere um novo estudo agora conhecido.

Estimulados pelos Invernos cada vez mais amenos, os escaravelhos dos pinheiros da montanha têm vindo a dizimar as coníferas da Colúmbia Britânica, matando árvores numa zona que se estima atinja entre 74 e 94 mil quilómetros quadrados de floresta.

“Isto são números gigantescos devidos a um insecto minúsculo", diz Werner Kurz, dos Recursos Naturais do Canadá em Victoria, que liderou o estudo. A infestação tem tido um impacto imenso na industria madeireira e na ecologia da região, tornando vastas zonas de floresta castanhas avermelhadas em vez de verdes.

Para avaliar o efeito do alastrar da praga no ciclo do carbono da região, Kurz criou um modelo do 'orçamento' de carbono disponível para 374 mil quilómetros quadrados de pinhal localizado entre as montanhas Rochosas canadianas e as cordilheiras costeiras. A equipa estimou que 270 megatoneladas de carbono desaparecerão da região entre 2000 e 2020 à medida que o escaravelho mata as árvores, relatam eles na última edição da revista Nature.

Parte deste carbono desaparece da floresta mas permanece armazenado na madeira, à medida que as árvores são cortadas numa tentativa de manter o valor da madeira mas muito mais é perdido para a atmosfera sob a forma do gás de efeito de estufa dióxido de carbono, com o apodrecimento das árvores mortas.

Já tinha sido proposto anteriormente que os níveis mais elevados de dióxido de carbono, aquecimento global e poluição por azoto podiam aumentar a quantidade de carbono que as florestas armazenavam por estimular o crescimento, mas Kurz diz que os impactos negativos têm que ser considerados nos modelos climáticos. "Não devemos estar apenas a ter em conta os impactos benéficos e a ignorar os impactos negativos que derivam dos mesmos processos."

No modelo proposto pela equipa, um pinhal intocado pelos escaravelhos mas com uma quantidade normal de abate de árvores funciona como um ligeiro sumidouro de carbono, absorvendo mais dióxido de carbono do que perde (tanto como dióxido de carbono como em madeira).

A única excepção a esta situação é quando um fogo converte a floresta numa fonte de carbono, como aconteceu em 2003. Mas os escaravelhos têm um efeito ainda maior, não seu pior ano libertaram mais 50% de carbono do que os fogos de 2003, e estão em acção numa escala de tempo superior, situação agravada pelo aumento da taxa de corte de madeira.

A plantação e o crescimento natural de novas árvores significa que as perdas de carbono se reduzem com o abrandar da infestação mas nos 20 anos do modelo não existia renovação da floresta suficiente para compensar as perdas.

"Certamente é um bom esboço inicial do que podemos esperar", diz Art Fredeen, que estuda os efeitos da gestão da floresta e o equilíbrio de carbono na Universidade do Norte da Colúmbia Britânica em Prince George, mas que não esteve envolvido no estudo.
Os madeireiros têm corrido a salvar madeira das florestas devastadas como parte da política da província de tentar mitigar o custo da perda deste precioso recursos mas nem todas as árvores estão em perfeita condição para aproveitamento da madeira.

Os escaravelhos são portadores de um fungo azul que descolora a madeira, baixando o seu valor. Kurz e outros investigadores já sugeriram que as árvores moribundas sejam usadas como lenha, o que poderia ajudar a manter o seu valor mas contribuiria para maiores emissões de dióxido de carbono.

Fredeen pensa que o abate na tentativa de salvar árvores também pode estar a contribuir para o aumento das emissões de dióxido de carbono, pois perturba a vida vegetal do chão da floresta. “Temos todos estes arbustos, musgos, líquenes, ou seja, uma superfície fotossintética muito grande que não é afectada pelo escaravelho do pinheiro de montanha. Quando cortamos tudo, claro que tudo isto é removido."

Estações de medição de dióxido de carbono localizadas nas zonas infestadas mostraram, no seu primeiro ano, um aumento de seis vezes na libertação de carbono nas áreas cortadas, em comparação com áreas infestadas onde as árvores ficaram a apodrecer, diz Fredeen.

Ainda que os escaravelhos sejam nativos da região, espalharam-se para norte e para altitudes mais elevadas com os Invernos mais amenos das últimas décadas. Temperaturas abaixo de -40 °C durante várias noites seguidas matam as larvas mas esses períodos de frio intenso são cada vez mais raros.

Mesmo que as alterações climáticas tragam Invernos ainda mais quentes à região, os peritos pensam que a infestação já atingiu o seu máximo. Os escaravelhos dos pinheiros de montanha apenas se conseguem reproduzir nas árvores maiores, que eram abundantes graças a surtos de crescimento após fogos violentos terem percorrido a zona oeste da América do Norte há 80 a 140 anos.

Muito em breve, 80 a 90% dessas grandes árvores terão desaparecido, diz Kurz: “O escaravelho mais devorar tudo até não ter lar e alimento e a sua população, eventualmente, vai entrar em colapso."

Fonte: Simbiotica

Saber mais:

Qual é realmente o custo ecológico dos fogos?

Aquecimento global vai reduzir o crescimento vegetal nas florestas tropicais

Arrefecimento da Terra associado à destruição total das florestas

Trabalhador rural é o mais atingido por contaminação

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Se os novos dados sobre contaminação de alimentos por agrotóxicos, divulgados hoje (23) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária preocupam os consumidores, o perigo é ainda maior para quem trabalha nas lavouras. O risco de toxicidade para os trabalhadores rurais é apontado no relatório do Programa Nacional de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) e reconhecido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag).

“O produtor é quem se contamina primeiro”, afirma o secretário de assalariados da Contag, Antônio Lucas. Segundo ele é grande freqüência de casos de contaminação por agrotóxicos recebidos em sindicatos e associações de trabalhadores de todo o país. “E não é só no caso de hortaliças. A gente encontra na cana-de-açúcar e em outras lavouras, principalmente durante o plantio e na preparação para a colheita”, acrescenta.

De acordo com o relatório da Anvisa, o uso de práticas agrícolas incorretas e o desrespeito à legislação são os principais agravantes para a saúde do trabalhador. “Os trabalhadores com menos recursos financeiros e menor nível de instrução geralmente utilizam equipamentos de aplicação manual, pouco ou nenhum tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI), ficando mais expostos às intoxicações agudas e crônicas por eles causados”, mostra o documento.

O representante da Contag argumenta que a responsabilidade da proteção da saúde do agricultor cabe ao patrão, mas reconhece que nem sempre as convenções trabalhistas chegam às lavouras. “A lei obriga o treinamento, os Equipamentos de Proteção Individual e a realização de exames médicos periódicos. Têm previsão legal e multa para quem não cumprir, mas a gente sabe que a realidade do Brasil é complicada”

No caso de tomate, alface e morango, produtos que apresentaram os maiores índices de contaminação em 2007, Lucas reconhece que uma parte significativa da produção vem de pequenas propriedades. Nesses casos, a estratégia da Contag é orientar os produtores para a adoção de novas técnicas agrícolas, como a utilização de defensivos alternativos e a produção orgânica.

“Mas isso é complicado pelo seguinte: você faz uma campanha e diz que isso [o agrotóxico] é proibido e que não se pode usar esses produtos. A pergunta é sempre a seguinte: o que nós devemos usar no lugar do veneno?”, relata Lucas, ao questionar a falta de incentivos e políticas públicas para orientar e facilitar o acesso do pequeno produtor a técnicas alternativas aos agrotóxicos químicos.

O coordenador do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Francisco Caporal, admite “algumas carências em alguns cultivos, no sentido da substituição de insumos tradicionais, agrotóxicos, por outros tipos de controle”, mas argumenta que já existem experiências de produção orgânica em quase todos os cultivos

“Estamos capacitando técnicos e produtores para que possam fazer uma transição de sistemas tradicionais para agricultura de base ecológica e as experiências se multiplicam no Brasil inteiro”, afirma Caporal.

Além da atuação mais presente das equipes de assistência técnica e da liderança dos agricultores, Caporal defende a informação como uma das ferramentas para evitar prejuízos à saúde com os resíduos de agrotóxicos.

“Precisamos de um trabalho de conscientização de agricultores sobre os efeitos nocivos dos pesticidas agrícolas. E também esclarecer os consumidores da necessidade de escolher produtos com menor possibilidade de contaminação e isso já é possível nas feiras, nas Ceasas, supermercados”.

Fonte: Agência Brasil

Alimento primordial


sunburger.jpgAutor: Dr. George Guimarães

O crudivorismo é um movimento que prega o consumo de alimentos estritamente crus, mas nem por isso deixa de contar com uma culinária gourmet

As pessoas que seguem esse movimento podem se alimentar de forma muito simples, consumindo frutas, castanhas, vegetais frescos, grãos germinados, etc. As cozinhas abrem mão do forno e do fogão, mas, em contrapartida, estão devidamente equipadas com desidratadores e processadores de alimentos. É uma culinária que exige muita criatividade.

Em restaurantes crudívoros, os chefs transformam alimentos crus em tortas, bolos, espaguetes e hambúrgueres. É dessa nova tendência que vamos falar, com um passeio pelo sofisticado mundo crudívoro de Nova Iorque, atualmente o principal centro de difusão dessa idéia e que já conta com 7 restaurantes que servem estritamente preparações sem o uso de calor.

Como tudo começou

O movimento crudívoro teve início em 1840, quando Sylvester Graham recomendava o consumo de alimentos crus como a dieta ideal. Em 1979, Aris La Tham -- precursor moderno do movimento -- inaugurou o restaurante Sunfire Foods, no bairro do Bronx, em Nova Iorque, e revolucionou o preparo de alimentos crus.

A primeira expansão, no entanto, aconteceu em San Diego, na Califórnia, com o surgimento de restaurantes especializados em preparações sem o uso de calor. Lá também começaram os encontros de grupos crudívoros e surgiram até grupos de apoio aos adeptos dessa alimentação. O movimento espalhou-se por Massachussets, Texas, Flórida e, especialmente, pela cidade de San Francisco. Curiosamente ou não, o movimento firmou-se em Nova Iorque nos anos 1999 e 2000. Na Europa também há interesse nessa filosofia alimentar, mas nada como o que acontece nos EUA.

Restaurantes em Nova Iorque

Nas preparações crudívoras a criatividade dos chefs é colocada à prova, porque não estamos falando de saladas bem decoradas, mas de bolos, tortas, massas, e tudo o mais que se possa inventar nessa modalidade culinária.

No restaurante David Jubb, os pratos mais pedidos são: David Jubb's Smoothie, de leite de amêndoas cruas, acrescido de amoras e adoçado com néctar de cacto. O Vegetable Raw Burguer é um sanduíche feito de massa de sementes cruas moídas com tomate seco, camadas de alface, cenoura ralada, patê de azeitonas e tomate fresco.

Sun Burger, do Quintessence No Quintessence, que tem 3 lojas em Manhattan, o sucesso é o Sun Burger. O pão é de grãos germinados triturados e cozidos ao sol e o hambúrguer é uma mistura de castanhas-do-pará e polpa de cenoura, catchup cru e maionese elaborada com leite de avelãs, óleo vegetal prensado a frio e sementes de mostarda. O segundo mais pedido é o espaguete de abobrinha crua (cortada em tiras finas, imitando a massa) com tomates crus e molho verde. De sobremesa uma mousse de alfarroba coberta com glacê de coco e amoras.
Mousse de Alfarroba (fruto semelhante ao cacau)

No Bonobo's, o destaque é para os sorvetes de frutas com castanhas.

O Green Paradise oferece a seus clientes deliciosos quiches crus. A crosta é feita de sementes moídas e o recheio cremoso é preparado com vegetais desidratados.

Em Nova Iorque há lojas especializadas para o consumidor crudívoro em que o adepto encontra as matérias-primas necessárias para o preparo das delícias cruas. E também equipamentos, como os desidratadores para secar frutas.

O movimento nos Estados Unidos

Nova Iorque é o centro do movimento, mas muitas coisas interessantes acontecem por todo o país. Em Washington, há uma padaria que vende pães, doces, bolos e balas, preparados sem utilização de calor que exceda a 45 oC. O livro Raw, do chef crudívoro Juliano, que tem um restaurante de sucesso em San Francisco, inspira receitas em restaurantes crudívoros do país. Pelos EUA, existem ainda spas e clínicas de tratamento que têm na dieta crudívora o principal motivo para o sucesso terapêutico de seus pacientes.

E no Brasil?

No Brasil, o movimento ainda tem poucos integrantes, mas já existem grupos que seguem a alimentação crudívora, como é o caso dos higienistas e essênios. Quem já experimentou as delícias da cozinha crudívora sabe a diferença de sabor e a vitalidade que os pratos proporcionam.
Comercialmente, em todo o mundo, é uma culinária que faz sucesso tanto entre adeptos quanto entre curiosos, e estou certo de que não seria diferente no Brasil.



Na foto, Frédéric, Higa (responsável pela nova edição), eu e Thiago.

Sucos Verdes: uma Revolução


mail.google.com.jpg Verduras, ou folhas verdes comestíveis, são alimentos maravilhosos. Farta e segura fonte de minerais como cálcio, magnésio, fósforo, potássio, vitaminas diversas, aminoácidos, enzimas e muita vitalidade, a ingestão de folhas verdes traz consigo uma série de benefícios.

Coletoras naturais da luz solar, as folhas verdes quando ingeridas liberam na corrente sanguínea uma substância que denominamos Clorofila, esta magnífica molécula verde que é o sangue do reino vegetal. É algo fascinante perceber a semelhança da molécula da clorofila com a molécula da hemoglobina. Apenas uma ligação química as diferencia.

Os verdes podem ser vistos como luz do sol comestível, já que é na Clorofila que colore suas folhas a responsável por capturar e processar a energia que é irradiada do astro-rei. Clorofila é luz líquida! Consumir Clorofila regularmente é como banhar os órgãos internos em luz solar, vivificando e renovando todo o sistema. É como abrir as janelas da casa num dia ensolarado. Não torna o ambiente mais agradável?

Clorofila é a fonte primária de alimentação dos animais herbívoros. Observe os cavalos, as vacas e os elefantes que não comem carne, não bebem leite (depois da infância), não comem ovos, não comem soja (naturalmente) nem feijões de qualquer tipo e no entanto apresentam notável corpulência e massa muscular. Comem, e muito, capim. E o que existe no capim? Minerais, aminoácidos e... Clorofila!

Se não como carne, nem soja, nem leite, nem ovos, onde posso conseguir as proteínas que meu corpo necessita?

Aprendemos nas aulas de ciência que as proteínas são compostas por diversos aminoácidos, assim como um jardim é composto de diversas flores. Os aminoácidos são, assim, os precursores das proteínas.

É surpreendente o quanto pouco se conhece o fato de que os verdes figuram entre as melhores e mais completas fontes de aminoácidos biodisponíveis. Isto significa que o consumo de uma quantidade e variedade apropriada de verduras fornece os tijolinhos necessários para a síntese de qualquer proteína que o corpo necessite, sem que para isto seja preciso intoxicar a corrente sanguínea com substâncias impróprias como os antinutrientes da soja, os antibióticos e hormônios artificiais e naturais presentes na carne e no leite e outras muitas substâncias que causam ao organismo dificuldades desnecessárias. Confira na tabela abaixo a quantidade de alguns aminoácidos disponíveis na couve versus a necessidade diária de um adulto:

AMINOÁCIDOS Necessidade diária de um adulto Conteúdo em 500 g de Couve (crua)
Histidina 560 313
Isoleucina 700 895
Leucina 980 1051
Lisina 840 895
Methionina + Cistina 840 345
Fenilalanina + Tirosina 980 1298
Treonina 490 668
Triptofano 245 182
Valina 700 820

Fonte: FDA - Food and Drug Administration - USA

Basta uma breve análise dos dados nutricionais das verduras para uma compreensão precisa do potencial nutritivo dos verdes. É interessante constatar que os aminoácidos que faltam ou existem em menos quantidade em algumas folhas estão presentes em outras. Uma forma que a Inteligência da Natureza formulou para que prestemos atenção à necessidade de alternar as verduras que comemos e experimentar um pouco da imensa diversidade da Criatividade Natural. A multiplicidade da Mãe Terra e toda a variedade de espécies que esta expressa é certamente muito mais interessante que a monocultura.

Fornecer ao corpo os aminoácidos ao invés de proteínas completas (presentes na carne, no leite, nos ovos, etc.) é como construir a partir de tijolos ao invés de ter que primeiro demolir uma casa para depois utilizar seus tijolos na construção. Simplificamos o trabalho do organismo, evitamos a geração de subprodutos desnecessários e economizamos energia que seria gasta com a digestão. E para onde vai esta energia economizada? Para a faculdade de pensar, para a sensibilidade dos sentidos, para o processo de desintoxicação do organismo...

A Clorofila como um agente de desintoxicação do corpo humano

Desde tempos antigos a Clorofila é tratada como um "agente miraculoso de cura". Foi provado que a Clorofila é grande auxiliar no tratamento de câncer1 e arteriosclerose2. Abundante pesquisa científica nos mostra que dificilmente existe alguma doença que não pode ser ajudada através da ingestão de clorofila.

A composição elementar das folhas verdes as coloca entre os alimentos mais alcalinizantes do planeta. Para quem não sabe, o sangue humano é naturalmente alcalino e estar nesta condição significa sentir-se como um peixe dentro da água. Um agradável conforto se instala, a respiração se torna longa e contínua, os pensamentos se acalmam, as emoções se suavizam. Quando a corrente sanguínea está alcalinizada é muito difícil de fungos, parasitas, bactérias patogênicas e tumores se desenvolverem. Isto significa que a imunologia e a alcalinidade sanguínea estão intimamente ligadas. Algo a se considerar nos dias de hoje onde as pessoas acidifcam seu sangue a cada refeição açucarada e mal combinada, a cada noite mal dormida, a cada discussão, a cada má notícia recebida.

São diversas as suas ações do reestabelecimento da saúde promovido pela Clorofila. Além da nutrição excelente, esta molécula carrega consigo quantidades significativas de oxigênio. O oxigênio nutre as bactérias benéficas dos intestinos e é letal para fungos, bactérias, tumores e células cancerosas. Este fato por si ressalta a importância das verduras para a construção, manutenção e regeneração da boa saúde.

Como se não fosse suficiente, é possível ainda citar diversos outros benefícios das muitas qualidades desta substância extraordinária: melhoramento da qualidade e da contagem de células sanguíneas, ajuda na prevenção do câncer, prevenção e tratamento da anemia, remove toxinas da corrente sanguínea, ajuda a purificar o fígado, regula a menstruação, melhora a qualidade do leite materno, acelera a cicatrização (pode ser aplicada topicamente também), elimina odores corporais (chulé, etc.) limpa os dentes e a estrutura da gengiva, elimina mau hálito, alivia problemas de garganta, ajuda a tratar inflamações e a remover muco e catarro, torna a visão mais nítida, alivia hemorróidas, alivia dores e fortalece todo o sistema imunológico.

Parece propaganda de algum produto milagroso, é na verdade é. A diferença é que não estou tentando vender nada, mas simplesmente disponibilizar o conhecimento do tesouro que temos espalhado em nosso planeta, crescendo incessantemente por toda parte e em diversas formas, tão acessível e tão necessário para esta civilização que sofre por pura falta de saber.

Muito interessante, mas o que fazer se não gosto de verduras?

Tudo bem, verduras decerto não são, à primeira vista, as mais atraentes opções disponíveis ao paladar. Tem gente que detesta, tem gente que gosta, mas uma coisa é fato: quase ninguém ingere uma quantidade significativa destes vegetais.

Observando minha infância relembro meus momentos de sofrimento diante da possibilidade de comer verduras. Tremia só de pensar na hora do almoço. Quando encontrava qualquer verdinho dentro da sopa passava minutos “pescando” com a colher até que não restasse um único. Só aí podia comer com tranqüilidade. Entendo como se sentem as crianças "fresquinhas"...

A dieta moderna, repleta de estimulantes de paladar como açúcar, frituras salgadas e molhos temperados torna difícil a tarefa de apreciar sabores suaves e diferentes, como o levemente amargo dos vegetais. Quantas pessoas trocariam uma pizza por um prato cheio de rúcula? Assim sendo, temos uma dificuldade natural para comer uma quantidade significativa de folhas verdes.

Mesmo aquelas pessoas que afirmam comer “bastante salada” possivelmente se enquadram no perfil de pessoas que poderiam se beneficiar de uma ingestão maior de verdes. Afinal, muitas vezes o termo “bastante salada” se refere a um prato com duas folhas de alface, quatro de rúcula, cenoura ralada e duas fatias de tomate. Como se pode observar, quase nada de folhas verdes. Estima-se através de análises do FDA americano que uma quantidade diária significativa de folhas verdes por pessoa seria algo como um molho de salsinha, ou seis folhas de couve.

Foi constatado através de várias pesquisas que o homem tradicionalmente come pouca quantidade de verdes em sua dieta. Talvez pelo sabor pouco atraente. Pior: a maioria das pessoas não mastiga suficientemente as verduras para que todos os nutrientes sejam liberados para uso do organismo.

Neste ponto é perceptível a necessidade de uma alternativa viável para se usufruir dos inúmeros benefícios destes notáveis alimentos de uma maneira condizente com a necessidade atual das pessoas: rapidez, praticidade, economia e sabor agradável.

A Revolução dos Sucos Verdes

Sou plenamente a favor do uso da tecnologia a serviço do homem, desde que esta esteja harmonizada com a Natureza. Hoje já temos possibilidades reais de transformar a relação atual de que desenvolvimento tecnológico significa destruição ecológica. Energia magnética, limpa e sem custo, biocombustível, bioconstrução, reciclagem, bioplástico, ecovilas, todos estes mecanismos fazem parte de um possível futuro do desenvolvimento humano neste planeta.

Dentro deste contexto de tecnologias bem utilizadas, a sugestão é começar com algo já disponível e existente em grande parte dos lares: o liquidificador. Este equipamento (ainda) barulhento é, na minha compreensão, subutilizado pela maioria das pessoas. Com este simples aparelho e um pouquinho de conhecimento é possível criar inúmeros pratos utilizando somente ingredientes saudáveis. Pães e bolos naturais, leite e queijos de sementes, molhos deliciosos e o protagonista deste artigo: o suco verde.

O suco verde é algo especial por uma série de motivos. Seu preparo é rápido e fácil, seu custo é baixo e o fato de ser batido dispensa o tempo de mastigar (não que alguém mastigue devidamente hoje em dia) necessário para quebrar a estrutura da planta e deixar os nutrientes acessíveis, facilitando a assimilação dos mesmos. Além disso, tem a virtude de tornar o sabor das verduras acessível para qualquer um, até mesmo crianças "fresquinhas". O segredo? A combinação de folhas verdes com frutas.

Muitas pessoas intuitivamente ou por conhecimento compreendem que vegetais e frutas não se combinam em termos digestivos. Isto se dá em muitos casos (experimente comer melancia com cenoura e veja como o seu estômago reage), mas recentemente foi observado que frutas e folhas combinam entre si muito bem. Chimpanzés dão prova disto ao comer sanduíches de bananas enroladas em folhas de alface.

Surpreendo-me sempre com as combinações de sabor que surgem experimentando diversas misturas. Manga, banana e salsão. Pêra com folhas de beterraba. Maçã, couve e hortelã. As possibilidades são muitas, mas não quero deixar de expressar minha mais deliciosa preferência: manga e coentro.

É tudo muito simples: um pouco de água no fundo do liquidificador, as frutas, as folhas, bater, servir, beber. Quanto mais fresco melhor. Caso seja possível usar água de coco verde (fresca, não aquelas de caixinha) no lugar da água comum, considere-se um ser afortunado.

As frutas devem estar sempre bem maduras e, sempre que possível, recém colhidas, assim como as folhas. Quanto mais próximas de seu local de cultivo mais vitalidade trazem consigo.

Muito importante, diria até fundamental é a preferência por hortaliças orgânicas, de preferências cultivadas por produtores que cuidem de uma boa remineralização do solo. Hortaliças banhadas com agrotóxicos (agro – tóxicos = venenos da agricultura) e cultivadas com adubos químicos, além de poluir a corrente sanguínea daqueles que delas se alimentam dificilmente trazem dentro de si todos os minerais e elementos promotores de saúde que esperamos estar ingerindo quando comemos vegetais.

Viajando pela Califórnia pude me maravilhar com a grande variedade de verduras disponíveis nos mercados orgânicos. Quatro tipos de couve, cinco de acelga, três de salsa, dezenas de alfaces diferentes . Lá aprendi que as folhas da beterraba não devem ser jogadas fora, mas priorizadas sobre a raiz pois chegam a ter uma concentração de até 600 vezes mais nutrientes do que esta. Foi também lá que vi alguns produtores especializados no fornecimento de ervas daninhas comestíveis, deliciosas e ainda mais nutritivas do que as hortaliças tradicionais. Somando-se os diversos tipos de brotos era realmente de causar espanto a enorme diversidade de verduras em seus muitos subtons de cor que agraciavam as bancas de produtores orgânicos. Bem diferente da mesmice da oferta de nosso país. Será porque não temos um bom solo? Será porque as sementes são muito caras? Nada disso. A única coisa que nos falta é interesse para conhecer e valorizar estes tesouros vivos do reino vegetal e incentivar os produtores através de nosso poder de compra. Simples assim.

A Transformação da Saúde

Com algum tempo de sucos verdes diariamente em sua dieta você pode começar a experienciar alguns pequenos “milagres”. Um exemplo. Das verduras se obtém farto suprimento de magnésio, mineral responsável pelo bom funcionamento do coração, o relaxamento das artérias e de todo o organismo. Quando se ingere uma quantidade satisfatória deste mineral é possível observar uma tendência à tranqüilidade, à ausência de stress, à boa circulação sanguínea. A flexibilidade aumenta em nível físico e em nível mental.

O corpo tem uma inteligência própria. Muitas vezes os desejos por determinado alimentos se relacionam com suas necessidades. Grande parte dos casos de pessoas viciadas em chocolate, por exemplo, relaciona-se à deficiência de magnésio (o cacau é rico em magnésio). O que acontece quando o corpo reconhece os sucos de folhas verdes como fonte pura, superior e sem efeitos colaterais deste mineral? Isso mesmo: aquela vontadezinha quase incontrolável por uma barra de chocolate em determinados momentos pode se transformar num saudável salivar por um maço de salsas. Parece impossível, mas aconteceu comigo, um ex-chocólatra devorador de barras enormes que hoje olha para o chocolate como alguém olha para um pedaço de madeira. Ou melhor dizendo, como um adolescente que olha para o brinquedo que gostava muito quando era criança e percebe que cresceu.

Assim é a inteligência do corpo, este brilhante veículo biológico projetado pela maior de todas as inteligências: a Natureza. Dê ao corpo o combustível ideal e perceba sua disposição em manifestar sua programação original: Saúde.

Percebo hoje que na muitas vezes difícil tarefa de mudança de hábitos alimentares é mais fácil para as pessoas acrescentar do que retirar. Talvez a mais incrível conseqüência da inclusão dos sucos verdes na alimentação diária seja a transformação automática dos hábitos alimentares. Sim, pois ao nutrir, alcalinizar e oxigenar o organismo, os fungos e parasitas vão perdendo seu lugar cativo e seu poder de sugerir ao corpo que se alimente com aquilo que os alimenta: açúcar, alimentos refinados e outras inconveniências. É assim com os "miraculosos" sucos verdes: acrescente-os em sua dieta e observe, sem esforço, os maus hábitos caírem por terra e os bons hábitos chegando naturalmente. Você consegue imaginar o valor desta ferramenta?

Mais fácil do que imaginar é praticar. Comece amanhã mesmo se lhe interessar. Esta é uma proposta de revolução ecológica que começa dentro de cada um. É um movimento suave em busca da evolução de toda a humanidade. Simples, econômico, agradável e praticável. Associe a cor verde com a Saúde e logo perceba os bons frutos desta sabedoria se manifestando em sua vida. E viva!

Preparando os Sucos Verdes

Os sucos verdes podem ser elaborados utilizando-se água de coco ou água comum. Dividem-se em dois tipos, os cremosos e os tipo néctar.

Néctar (recomenda-se coar e consumir em menos de 10 minutos) :

Ex:

  • Água de coco, Maçã, Couve (ou folhas de Brócolis) e Hortelã
Cremosos (não é preciso peneirar):

Ex:

  • Manga e Coentro
  • Manga e Rúcula
  • Manga e Manjericão
  • Manga, Pêssego e Salsinha
  • Maçã, Manga e Babosa (um pouco do gel transparente que reside no interior da folha)
  • Banana, Morango e Alface
  • Banana, Manga e Salsão (talo e folhas)
  • Banana, salsão e amoras
  • Uvas rosadas (sem sementes), Alface e Banana
  • Pêssego e Acelga (folhas verde-escuras)
  • Pêras (maduras), Hortelã e Couve
  • Kiwis (bem maduros), Banana e Salsão
  • Experimente um levemente salgado (como uma sopa fresca):
  • Alface, Manjericão, Limão, Abacate, Cebolinha e Salsão

Dicas importantes:

  1. As quantidades de frutas, folhas e água não foram fornecidas para que você possa ajusta-las de acordo com seu gosto. No princípio é comum que você comece bebendo um suco verde claro e gradualmente sinta-se inclinado para ir colocando mais e mais folhas verde-escuras conforme seu paladar se ajusta. É bom ir devagar nas mudanças. A Natureza não dá saltos.
  2. Experimente substituir a sua refeição matinal por uma generosa quantidade de um suco verde bem saboroso por quinze dias e perceba o que acontece com seu corpo.
  3. Fresco é sempre melhor, mas os sucos mais encorpados (cremosos) podem ser armazenados por até dois dias em temperaturas frias.
  4. Você pode experimentar passar um dia tomando apenas sucos verdes para descansar o aparelho digestivo e possibilitar uma desintoxicação do organismo. Se sentir-se confortável com isto pode estender seu experimento para dois, três, quatro dias...
  5. Lembre-se sempre de que as possibilidades de misturas são quase infinitas. Evite apenas misturar melancia e melões com folhas. Se você sentiu que alguma mistura não lhe caiu bem, tente outras misturas. Cada organismo funciona de uma forma e muitas vezes o que é ótimo para alguém não serve para você.
  6. Uma colher de sobremesa de óleo de linhaça no suco garante inúmeros benefícios extra e fornece os preciosos e raros ômega-3. Óleo ou leite de coco natural (não o industrializado) também é uma excelente inclusão para multiplicar o fator de nutrição do suco e transformá-lo em nutrição completa.
  7. É sempre bom enfatizar a importância de rotacionar os verdes para garantir uma nutrição completa. Além disso, cada verdura possui um tipo de alcalóide, substância que limita o consumo repetido de uma mesma folha e não devem ser consumidos com frequência. Caso contrário, com cinco dias seguidos de suco de couve o corpo acumula uma certa quantidade deste alcalóide e você não vai nem conseguir olhar para uma folha de couve por um bom tempo. Deslumbrante a Sabedoria da Natureza, não é mesmo?

Flavio Passos
www.terradourada.org

Bibliografia:

Green for Life, Victoria Boutenko, Raw Family Publishing

Estudos citados:

1 – Chermonowsky, S. et. Al. “Efeito da Clorofila Dietética na Mutagênese e Crescimento das células Tumorais”, 79:313-322, 1999

2 – Efeito da Cuprofilina em Experimentos com a Arteriosclerose. Romênia, Instituto de Saúde Pública e Pesquisa Médica, 1995

Fast-food do cajueiro

Nota: (Luís Guerreiro) Embora não seja alimento vivo pode ser uma alternativa para vegetarianos à procura de alternativas...

caju.jpg

Uma pesquisa realizada na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) testou hambúrgueres à base de caju como alternativa para possibilitar o consumo fora do período de safra e aproveitar o excedente de produção.

Os testes mostraram que os hambúrgueres feitos com caju apresentam menores teores de gordura quando comparados a produtos similares à base de soja e de carne, disponíveis no mercado. Além disso, o produto obteve boa avaliação no teste de aceitação sensorial.

De acordo com a autora da pesquisa, Janice Ribeiro Lima, um dos objetivos do estudo era sugerir estratégias para estimular a
comercialização do caju, uma vez que cerca de 88% da produção é perdida anualmente. O pedúnculo, que corresponde a 90% do fruto, é desperdiçado devido ao curto período de safra, à reduzida estabilidade pós-colheita e à pequena capacidade de absorção da indústria.

"O hambúrguer pode ser elaborado no período de safra e consumido no restante do ano, quando o caju não está disponível", disse Janice à Agência FAPESP. O estudo, realizado pela Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza, foi publicado na Revista Ciência e Agrotecnologia.

Segundo a pesquisadora da Embrapa, a agroindústria de caju do Nordeste tem relevante importância socioeconômica: ela explora 700 mil hectares de cajueiros, mobiliza cerca de 280 mil pessoas no campo e produz 200 mil toneladas de castanha e 2 milhões de toneladas de pedúnculo por ano. Desse total, 60% da produção vêm da agricultura familiar.

A elaboração dos hambúrgueres foi feita a partir da carne de caju liquidificada. Depois de peneirada, a fim de adquirir uma fibra
enxuta, a carne de caju foi refogada com outros ingredientes (cebola, pimentão, alho, tomate, tempero comercial e cheiro-verde) e misturada com farinha de trigo.

Para os testes comparativos, foram utilizados quatro tipos de hambúrgueres de marcas nacionais. Dessas amostras, uma era à base de carne bovina e três de proteína vegetal. Os hambúrgueres de caju apresentaram baixo teor de proteína, mas, de acordo com a pesquisadora, esse resultado já era esperado.

"A falta de proteínas na composição poderá ser corrigida, no futuro, com incorporação de outros ingredientes à formulação básica, como a proteína de soja. A elaboração de novas formulações, com a utilização de outros temperos, pode melhorar as características nutricionais e sensoriais do produto", explicou.

Em contrapartida, o teor de gordura foi inferior e o de carboidratos maior em relação aos produtos comerciais, tornando o hambúrguer de caju uma boa alternativa de alimentação para as pessoas que não ingerem derivados de carne ou que buscam produtos menos calóricos.

"Trata-se de um produto vegetal que apresenta fibras, sais minerais e vitamina C em sua composição. A principal desvantagem é que o produto deve ser conservado congelado", disse Janice.

Na merenda escolar

Os testes de aceitação sensorial foram realizados por 50 provadores não treinados. Foi utilizada uma escala hedônica, com nove pontos, variando de "desgostei muitíssimo" (nota 1) a "gostei muitíssimo" (nota 9).

A média de aceitação do hambúrguer composto com caju foi de seis pontos, de acordo com os resultados – o que é considerado um padrão aceitável. A incorporação de temperos da culinária local e o hábito de consumo podem melhorar esse nível, segundo a pesquisadora.

O pH também foi inferior ao dos hambúrgueres comerciais, acidez maior que pode ter influenciado de forma negativa a aceitação sensorial do produto. "Os consumidores tendem a rejeitar novas formulações que pretendem substituir produtos tradicionais existentes no mercado. Por isso, é importante salientar que com o hambúrguer de caju não se pretende substituir o hambúrguer tradicional, mas sim fornecer uma nova alternativa de alimento à população", explicou.

De acordo com Janice, a pesquisa dá um exemplo de como produtos locais, que muitas vezes são subutilizados, podem ser transformados para se tornar uma fonte de alimentação. "É importante procurar novas formas de utilização e consumo dos alimentos, de maneira a evitar o desperdício", destacou.

A pesquisadora da Embrapa sugere que o produto seja incluído na merenda escolar da rede pública. "Além disso, seria interessante incentivar a criação de pequenas unidades de produção, que seriam uma nova alternativa para geração de emprego e renda na região, valorizando um produto tipicamente regional", disse.

Por Alex Sander Alcântara

Fonte: http://www.agencia.fap
esp.br/boletim_dentro.php?id=8727

Conheça as principais correntes de alimentos sem agrotóxicos

São Paulo - Saiba como começou cada uma das principais correntes que defendem a produção de produtos orgânicos:

Paulo Montoia
Repórter da Agência Brasil


Orgânica
- Corrente dominante na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, formulada na Inglaterra por Albert Howard, sobre os métodos naturais de agricultura e criações utilizados na Índia, a partir de 1905. Procura preservar tudo no meio ambiente, inclusive os insetos.Trabalha com cultivos integrados, adubos compostados, estercos animais e compostos minerais. Ela utiliza rotineiramente caldos vegetais para combater pragas, mas permite o uso de remédios e outras substâncias químicas, para combater tanto pragas quanto doenças, sob acompanhamento, quando necessário para salvar as plantas e os animais. Possui associações certificadoras em alguns estados do país, com ou sem reconhecimento de certificadoras internacionais, como as de São Paulo (AAO), do Rio de Janeiro (Abio), de Santa Catarina (Aorgânica) e do Paraná (Aaopa).

Biodinâmica - Formulada a partir de 1924 na Alemanha pelo austríaco Rudolf Steiner, criador da Antroposofia. Define como tese que a terra é um organismo vivo que possui forças imateriais. A Biodinâmica utiliza nos cultivos compostos líqüidos feitos com ervas, esterco e sílica e preconiza que estes equilibram solos, plantas e animais entre si. Possui um selo internacional de certificação própria, da Demeter. No Brasil, sua certificadora é o Instituto Biodinâmico, com sede em Botucatu, SP.

Bio-orgânica ou Biológica – Escola que surgiu na Suíça, na década de 1950, pelo agricultor Hans Müller (austríaco) e por sua mulher, Maria Müller. É forte na Alemanha e na Suíça e sua base inicial é a proposta de agricultura biodinâmica alemã, complementada posteriormente pelos estudos e avanços em microbiologia do solo.

Natural – Foi formulada pelo filósofo Mokiti Okada, fundador da Igreja Messiânica Mundial na decada de 1930, no Japão. Ela considera o solo um organismo vivo e a água um elemento essencial do ciclo da natureza. Essa corrente recicla os recursos naturais, produz seus próprios adubos e proíbe o uso de qualquer tipo de esterco. No Brasil, é impulsionada pela Fundação Mokiti Okada, certificadora fundada em 1971, e pela Korin Agricultura Natural Ltda., maior produtora de “frangos verdes”, ou seja, criados de forma mais saudável.

Permacultura – Corrente que defende culturas permanentes, autosustentáveis e integradas ao meio ambiente, criada na Austrália nos anos de 1970 pelo biólogo Bill Mollison. Propõe que o agricultor produza todos os materiais de que necessita, dos insumos da terra à energia. O Brasil é um dos maiores campos de aplicação de permacultura no mundo, com experimentos e entidades nos diferentes ecossistemas, com institutos de Permacultura ou de Permacultura e Ecovilas no Cerrado (Ecocentro-Ipec), Mata Atlãntica (Ipema), Rio Grande do Sul (Ipers), Amazônia (Ipapermacultura).


VÍDEOS





Produzidos sem agrotóxicos, os produtos orgânicos são mais saudáveis, mas ainda poucos consumidos no país. Campanha quer despertar o interesse sobre esses alimentos.



Fonte: Agência Brasil

BOLETIM DA SAMARA FOUNDATION - Abril de 2008

"Durante estes tempos intensos as pessoas têm-me perguntado como tocar e expandir a alegria que elas sabem que é a sua essência mas que isso é normalmente coberto pelo mundano e as suas exigêncies nos tempos que correm.

Eu respondi a isto várias vezes simplesmente através do seguinte:

Que a alegria não é estática, ou um lugar, ou inclusivé um objectivo mas em vez disso, tal com a música ou a arte, é multi-facetada, que não se pode conter e é expansiva.

A maneira de experenciarmos a alegria é única para cada indivíduo, apesar disso o centro da alegria é uma experiência partilhada que nos torna seres humanos e parte de uma aventura viva da qual podemos participar.

Simplesmente dito, alegria é apenas entendida através da expansão da consciência. Isto aconteçe quando vislumbramos o que quer dizer ser expansivo.

A maior parte de nós, devido a mil e uma razões, focalizamo-nos na carência, limitações e problemas. Esta carência, limitações e problemas são tão reais que exigem toda a nossa atenção e deste espaço nós lutamos para encontrar a alegria real de cada momento.

Muitos sentem que por resolver o que parece ser um bloqueio ou um obstáculo para a sua enpansão que então depois a expansão acontecerá milagrosamente. Eu vejo-o de maneira diferente.

O que queremos é o que necessitamos de ser.

Um carvalho começa como uma bolota mas não dúvida que irá realizar o seu destino como uma árvore.

Muitos de nós nem acreditam que as possibilidades e o potencial são reais à medida que a nossa expansão é sabotada pela nossa experiência e prende-nos à lama do nosso dia-a-dia.

O céu, a luz, as lindas estrelas parecem vir de um mundo diferente e parece totalmente fora do nosso alcançe. Isto conduz a depressão porque continuamos sem acreditar no nosso destino ou inclusivé vemos a luz.

Um dos mais importantes passos para o re-acordar o que realmente somos é estarmos ao serviço da humanidade.

Estar ao serviço da humanidade em vez de ao serviço das nossas necessidades percebidas como tal, lembramo-nos nas nossas acções do verdadeiro significado do amor.

O amor é expansivo. À medida que expandimos com este serviço também a nossa focalização expande libertando a nossa ligação à lama para que possamos estar harmoniosamente em conexão com o Universo.

Não é uma viagem dificil se colocarmos isto em acção mas parece impossível quando usamos a situação presente contraída como uma limitação para o que é possível e daí a razão pela qual muitos de nós não nos podemos expandir.

Eu peço-lhe fortemente para que durante estes tempos intensos não se focalize eu si próprio(a) ou nos seus(suas) necessidades, ou problemas, ou carência de alegria, ou no que pudesse ser melhor. Não importa o quão presente eles possam parecer, por favor focalize-se no que quer dizer servir os outros e o aspecto divino do que é a essência deles.

À medida que comecamos a ver a luz em todos os seres não existe dúvida na minha mente que a luz que existe dentro irá ajudar a bolota que existe em cada um de nós a elevar-se e a abrir-se a esta nova e linda experiência expansiva e daí abrir-se à alegria da vida.

Isto é o que é pedido de nós durante este tempo especial da primavera e nos meses seguintes.

Depende de cada um de nós colocar isto em prática em vez de apenas meditar na beleza das minhas palavras.

O mundo necessita de mais árvores."

Tony Samara
(Março de 2008)

* * *


Caros Amigos

Estamos a re-enviar o recente boletim relacionado com o Equinócio da Primavera porque muitas pessoas indicaram que não o receberam e o Tony gostaria de clarificar algumas coisas que as pessoas perguntaram e que surgiram devido à sua interessante mensagem.

As palavras do Tony inspiram-nos a trazermos ao de cima as mudanças nas nossas vidas através de meios práticos. Tal como foi explicado em muitos discursos espirituais, transformação é meditação bem como as acções práticas do dia-a-dia.

Tivemos muitas questões sobre o que estas acções possam ser.

Esta é uma questão dificil de responder pois depende das circunstâncias de cada indivíduo. Mas para clarificar, cozinhar uma refeição para si mesmo(a) é nutrir e uma coisa maravilhosa de se fazer. Cozinhar uma refeição para alguém que não conhece, ie um(a) idoso(a) ou um vizinho doente, é trabalho espiritual.

Estando ao serviço de uma forma altruísta para com os outros voçê toca o coração da humanidade.

Acções práticas direccionadas para ganhos pessoais são óptimas mas isto é o que já fazemos em demasia, usualmente esperando que isso nos traga felicidade permanente.

A radical declaração do Tony é para que façamos menos por nós próprios e mais para os outros para que realizemos a unidade do amor.

Existem muitas coisas maravilhosas que podemos fazer. A Samara Foundation preparou muitos projectos práticos que necessitam da sua ajuda.

Por favor leia acerca do projecto da floresta em http://www.tonysamara.org/obw/forests.html

Por favor leia acerca do projecto theriaca em http://www.tonysamara.org/obw/teas.html

Temos muitos outros projectos que requerem as suas habilidades e o seu tempo para que possamos continuar a servir a todos. Desde a tradução dos projectos em muitas línguas a organizar eventos em novas localizações, ajudar com as logísticas para a realização de vários eventos, promovendo os vários eventos, organizando meditações/grupos/encontros de suporte, fazendo com que livros e cds estejam disponíveis aos que não podem participar nos muitos programas organizados, ajudando a escrever folhetos, ajudando com música para os vários cds, ajudando com os projectos de filmagem, trazendo novas e creativas ideias para novos e creativos projectos para que a Samara Foundation possa os realizar e claro doações para ajudar que todos estes projectos se tornem uma realidade.

"Seviço à humanidade é um presente fantástico neste aparente mundo de hoje centrado em si mesmo. Podemos aprender que o mundo não se centra em volta de nós próprios, das nossas necessidades, das nossas crenças, ou mesmo dos nossos pensamentos ou palavras, mas em vez disso centra-se em volta do amor, centra-se em volta da nossa expansão para além do ego e na direcção de um espaço onde crescimento espiritual, compaixão, cooperação e o dar focalizado nos outros, no mundo, na mãe natureza, na bondade universal representa o coração da existência. O significado criativo da existência ajuda-nos a nutrir as nossas necessidades, crenças e pensamentos de um espaço que transcende limitações, dependências e expectativas num sentido prático e filosófico.

Num sentido prático temos de observar a mente e o ego para evitar os jogos que são tão frequentemente criados para justificar as nossas acções. Se trabalhar num jardim e se os nossos esforços e tempo despendido forem simplesmente para satisfazer as nossas necessidades egoístas, então contornamos muito e perdemos a beleza de partilhar os nossos esforços com tudo o que está presente e vivo. Se plantarmos árvores como um presente para a humanidade então essas árvores florescem. Se as plantarmos simplesmente para satisfazer as nossas necessidades então não teremos uma floresta mas em vez disso teremos uma extensão ou um retrato das nossas necessidades no jardim carienciando vida e magia que é tão natural para com este mundo.

Da mesma forma, se qualquer outra acção ou trabalho prático que empreendemos fôr simplesmente para satisfazer as nossas necessidades e se seguramente nos esquecermos da beleza do mundo e de ser uma parte integral desta beleza, então o nosso trabalho torna-se egocêntrico e o seu objectivo satisfaz as suas crenças, necessidades, egos e pensamentos. Ser e confiar que as suas acções reais e altruístas são uma expressão de beleza então essas crenças, necessidades, pensamentos e aspectos egocêntricos tornam-se superfluous e entramos numa vivacidade e magia que é o nosso direito de nascença.

Isto é o que torna as pessoas notáveis e dá significado à nossa vida bem como dá esperança para a humanidade."

Tony Samara
(23 de Abril de 2008)

* * *


Recebemos centenas de emails por semana de todos e o Tony fez um ponto assente no passado de responder a cada um pessoalmente. Esta é uma muito importante parte do seu trabalho porque ele sente que o amor é andar no caminho juntos. Ele continuará a responder a todos mas muito em breve irá responder para além das simples palavras escritas, pois em breve ele começará a sua frenética programação de viagens.

Quando escreve as suas questões ao Tony poderá sentir que elas tornam-se respondidas duma maneira porfunda e subtil para além de palavras escritas. Esta é a maneira pela qual o Tony irá começar a trabalhar com cada um de nós. O Tony irá ler todos os emails que lhe são enviados e responderá directamente para o seu coração.

* * *


Gostariamos ainda de recordar que é sempre possível estar com o Tony e receber dele discursos pessoais nos muitos retiros e programas organizados para ele por todo o mundo. Em baixo encontrará mencionados dois retiros de limpeza que irão acontecer em breve mas por favor visite a nossa página de internet http://www.tonysamara.org para as actualizações mais recentes dos quais há muitos novos programas desde o nosso último boletim informativo.

22 - 25 Maio 2008 Retiro de purificação e de desintoxicação Algarve, Portugal
4 - 6 Julho 2008 Retiro de purificação e de desintoxicação Chieming, Alemanha

Tenha em atenção também à mudança de datas do seguinte programa:

5 - 6 Abril 2008 Dias de purificação Ljubljana, Eslovénia (anteriormente a 29-30 de Março 2008)

Este evento é agora apenas 1 dia no dia 6 de Abril mas dois dias adicionais foram já confirmados para 31 de Maio e 1 de Junho 2008.

Também vai haver um formidável evento de 2 dias em St. Polten, Austria 3-4 de Maio 2008.

* * *


Também gostariamos de lhe informar que editoras na Alemanha, Portugal e Croácia estão a trabalhar diligentemente no livro do Tony 'A SHAMAN'S WISDOM' e esperamos que isto seja realizado antes do verão de 2008!!! Isto são óptimas noticias para as muitas pessoas que não lêm Françês.

* * *


Se não puder assistir a estes programas, lembre-se que pode usufruir dos conhecimentos, da sabedoria e das meditações de Tony Samara consultando o site http://www.tonysamara.org na página relativa aos produtos, para fazer o download de um dos CD's ou do livro em formato electrónico.

* * *


Agradecemos o seu apoio e o seu amor enquanto continuamos a expandir este lindíssimo trabalho no mundo em que vivemos.

Com Amor,

A Samara Foundation


****** Obrigado a todos pelo apoio que dão a este trabalho re-enviando este boletim aos vossos amigos e incluindo-o nos vossos sites.

Contactos:

Website: http://www.tonysamara.org e http://www.ourbeautifulworld.org
e-mail: info@tonysamara.org
Correio (
Novo Endereço): Tony Samara, Apartado 293, 8150-909 São Brás de Alportel, Portugal

O PRIMEIRO AMOR

O PRIMEIRO AMOR

The First Love

Ângela Maria Amâncio de Ávila

Psicóloga - Consultora em Aleitamento Materno pelo IBLCE

angeladeavila@yahoo.com.br

Este artigo mostra que o ser humano ao nascer precisa se apegar e receber cuidado afetuoso e sustentador dispensado por um adulto comprometido com a satisfação de suas necessidades essenciais à sua sobrevivência, desenvolvimento posterior e constituição psíquica. Convoca os profissionais da saúde, da educação e do sistema legal a repensarem suas condutas de modo que não sejam perniciosas, mas facilitadoras do vínculo mãe-filho, o protótipo de todas as formas de relacionar e amar.

ABSTRACT: This paper shows that new-born babies need to establish attachment and receive affectionate and supportive care from an adult sensitive who have the commitment to meet the child’s essential needs related to survival, future development and formation of a psychological base. This paper calls on those professionals linked to health, education and legal areas to rethink their behavior so as to facilitate the mother-child relationship, the basis of all manifestations of love, rather than harming this link.

Nossa sociedade está organizada de forma que o nascimento, a educação e o cuidado dos filhos estão cada vez mais a cargo de profissionais, subestimando-se a riqueza de uma das tarefas mais importantes na vida: ser mãe e ser pai.

O presente artigo visa mostrar que o ser humano recém-nascido precisa se apegar e receber cuidado afetuoso e sustentador dispensado pela mãe ou outro substituto sensível e comprometido com a satisfação de suas necessidades essenciais à sua sobrevivência, desenvolvimento posterior e constituição psíquica. Convoca os profissionais da saúde, da educação, do sistema legal e outros que atuam no trabalho com famílias a repensarem suas condutas de modo que não sejam perniciosas, mas facilitadoras e promotoras do vínculo mãe-filho, o protótipo de todas as formas de relacionar e amar.

Afirma também que as configurações atuais do indivíduo, de sentimentos, relações e a forma deste de lidar com a desconfiança, o sofrimento, o desconhecido, as frustrações, os conflitos e prazeres, precedem de padrões passados de experiências.

MATERIAL E MÉTODOS: A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste trabalho inclui levantamento bibliográfico em livros e artigos que enfocam o tema.

RESULTADOS: Face ao exposto espero contribuir para o desencadeamento de reflexões e propostas criativas no âmbito da educação, do ensino e da saúde pública que valorizem o cuidado infantil preventivo, provedor e humanizante.

DISCUSSÃO:

Amor correspondido: necessidade absoluta - Nós seres humanos, nascemos ligados e desejamos estar ligados não mais fisiologicamente, mas sim pelas relações, afetos e sentimentos que nos identificam e legitimam (COUTINHO,2004 ).

O vínculo entre mãe e bebê é o protótipo de todas as formas de amar. (ODENT, 2000).

O flamante brilho do novo pode se tornar opaco quando aparece algum problema, assim, convém levarmos em conta que o brilho não depende da maciez da pele do bebê, nem da quantidade e qualidade de cromossomos que suas células contêm, nem da correta construção de seu sistema nervoso, mas dos olhos que o miram carregados (ou não) de libido e esperanças de futuro (CORIAT, 1996).

Quando olho, sou visto, logo, existo. Posso agora me permitir olhar e ver (WINNICOTT, 1975).

Os bebês memorizam o cheiro da mãe, avaliam seus olhares, seu calor, seu tom de voz e são refinadamente sensíveis aos sinais de compromisso materno. A mãe é convocada a garantir de fora o que antes garantia em seu ventre. O bebê passa de “hóspede de seu corpo” para “hóspede de seus braços”, e já é capaz de detectar se a mãe o aceita, o recusa ou delega a função maternante.

Segundo Bowlby (1969), todos os primatas nascem programados para formar um poderoso vínculo emocional com a mãe ou outra figura de apego primário com quem o bebê se esforça por permanecer perto o tempo todo formando um modelo sobre o que procurar e esperar das relações de acordo com que seus próprios sentimentos iniciais são retribuídos.

Um adulto que teve bons relacionamentos na sua vida, que sentiu o gosto doce do mel da correspondência e da ambrosia da reciprocidade, tende para o desinvestimento daquilo que não deu e para o reinvestimento daquilo que pode ser que (MASCARENHAS, 2007).

Loucuras de amor - Para ser capaz de amar a pessoa deve ter experimentado o amor, e é nesses termos que Winnicott (1996), fala da riqueza da amamentação ao seio quando esta ocorre satisfatoriamente. O autor relata que o bebê humano recém-nascido no seu desamparo e dependência quase absoluta, necessita de ser visto e ouvido. O bebê come amor como se comida fosse, e também a sensação de estar rodeado, contido, visto e seguro e o que ele bota para dentro não apenas leite, mas tudo aquilo que é engolido durante o dia, o modo como dá sentido ao seu mundo; tudo é trazido para dentro de si como material para sonhar.

O leite humano é o único alimento perfeito e adequado à nutrição e ao desenvolvimento do recém-nascido, mas quando a mãe é impedida de amamentar ao seio, o que importa é que ela possa propiciar à criança gratificação com outra alimentação, pois o que vai contar é a sua atitude global de maternagem.

A amamentação satisfatória ao seio, não só facilita a constatação da sobrevivência da mãe acolhendo a agressividade do bebê sem retaliar, mas inclui também o fomento de condições para a experiência mais rica possível, com resultados a longo prazo na profundidade e valor crescentes do caráter e personalidade do indivíduo (WINNICOTT, 1982).

Para Bowlby (1979), a “louca” adoração materna ajuda o bebê a tornar-se alguém que possui suficiente auto-respeito e autoconfiança capaz de amar outras pessoas.

Do vínculo fisiológico rumo à constituição psíquica do indivíduo e à construção do ser social - Os primeiros intercâmbios afetivos cuidador-bebê asseguram não só a sua sobrevivência biológica, mas contribuem também para o desenvolvimento dos setores somáticos e psíquicos de sua personalidade.

O prazer da lembrança do momento da satisfação e a capacidade de reproduzi-lo estrutura a experiência auto-erótica do bebê, inaugura a vida de fantasia, e, assim a sua vida psíquica e funcionamento da organização psicossomática.

Bion, Aulagnier e Winnicott (2005), mencionam que as funções da mãe são acolher, delimitar e apresentar o bebê a si mesmo e ao mundo, suportar e sobreviver aos seus ataques e sustentar o processo de ilusão e desilusão.

A mãe ou cuidador devotado, que alivia as tensões do bebê, alimentando-o, hidratando-o, oferecendo cuidados de higiene e saúde, segurando-o ao colo para consolá-lo e falando com ele para acalmá-lo, está assentando, sem que o saiba, as primeiras bases da saúde mental do indivíduo., alimentando-o, hidratando-o, oferecendo cuidados de higiene e sae empatia em relaçonv_______________________________

Encontro pleno: o bem amado - Apegos seguros no começo da vida têm efeitos duradouros, não tanto em temperamentos ou capacidade cognitiva, quanto no grau de empatia em relação a outros. Bebês solidamente apegados convertem-se em escolares socialmente estáveis que amadurecem e formam, como adultos, apegos estáveis e criam filhos dotados de sentimentos estáveis, ao passo que os apegos precários geram mais apegos precários e instáveis.

A angústia impensável é mantida à distância por essa função vitalmente importante da mãe ou cuidador, que é sua capacidade de colocar-se no lugar do bebê e saber o que ele necessita (WINNICOTT, 1962).

O bom vínculo mãe-filho fica evidente pela forma que a genitora carrega seu bebê com segurança e prazer, confortando-o, tocando-o, olhando-o na face, sorrindo e falando, aconchegando-o e acariciando-o.

As pessoas que não se desapontaram enquanto bebês, foram cuidadas satisfatoriamente e tiveram um encontro pleno com o cuidador, saem da situação de desamparo solidamente apegadas e adquirem confiança básica em si mesmas e no mundo. Estas tendem a se tornar adultos seguros, espontâneos e prontos para envolverem-se em relações pessoais inteiras e gratificantes, usufruindo de uma existência rica e criativa.

Desencontro: o mal amado - Se o recém-nascido é afetado por traumas de privação afetiva por apegos precários nesta fase de dependência quase absoluta, poderá ter seu desenvolvimento deturpado e seu psiquismo fragilizado ou fraturado, o que poderá levar a quadros psicopatológicos graves, como psicoses, personalidades anti-sociais, narcisistas e somatizadoras. Bebês frustrados pelo cuidador por falhas afetivas sentem diante do desencontro, raiva, desconforto, desespero, pânico e horror ao vazio, chegando a uma angústia que ainda não conseguem processar. Se esta falha não for corrigida, estes bebês sofrem privação afetiva e, ressentidos como resultado do golpe do desamparo, podem apresentar atraso motor, apatia, passividade, inexpressão facial, distúrbios do desenvolvimento cognitivo e emocional, destrutividade, depressão, alta incidência de doenças infecciosas graves e maior risco de mortalidade. Estas crianças podem desenvolver um desprendimento emocional auto-protetor, e como recurso de auto-estimulação podem embalar-se de um lado para o outro, sugar o dedo, e até mesmo bater com a cabeça, ter sono agitado, chorar muito e como adolescentes se tornarem rebeldes. Bebês privados de afeto tendem a se tornar adultos herméticos, inseguros, frios, desconfiados, solitários, com dificuldades de se apegar, de aceitar ajuda dos outros, sujeitos a distúrbios psicossomáticos e à superficialidade. São os “certinhos” aparentemente estáveis profissional e socialmente, mas desinteressados da vida subjetiva, centrando-se nas conquistas materiais e na intelectualização, mas com grandes dificuldades nas relações afetivas e situações que exigem espontaneidade e criatividade.

Os filmes e estudos de René Spitz (1988), revelaram como o cuidado sustentador e afetivo é decisivo para o desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual das crianças e as terríveis conseqüências deletérias do cuidado institucional que satisfaz apenas necessidades biológicas e materiais infantis.

Frustração oral não significa forçosamente que a criança não tenha recebido o seio ou que a quantidade de leite não tenha sido suficiente. A mãe pode administrar outro alimento artificial ao bebê e tê-lo em seus braços transmitindo seu amor, se permitir estar bem próximo dele quando necessita, e isto pode significar menor frustração oral do que o seio dado friamente ou contrariando o ritmo e desejo do bebê.

O importante é a qualidade da assistência à criança onde mãe ou cuidador é solícito e oferece não só alimento, mas também conforto, segurança e sabe quando, gradativa e progressivamente, retardar a satisfação das necessidades da criança até que ela perceba que pode viver sem a dependência dos cuidados maternos.

Bowlby (1989), médico psicanalista britânico, pai da etologia humana e da psicologia evolutiva do século XIX, exemplifica com a doença de Darwin as conseqüências da prematura privação materna. Darwin, o maior biólogo de todos os tempos, perdeu a mãe aos oito anos e não lhe foi permitido manifestar a dor de forma que pudesse enfrentar o abandono e o desespero pela perda desta. Não tendo tido figura substituta satisfatória, tornou-se deprimido, inseguro, frio, apático, evitava obrigações sociais, tinha horror ao ócio, era viciado em trabalho e obstinado em fazer ciência. Padecia de dores de cabeça crônicas, síndrome de ansiedade exacerbada, com sensações de desmaios, vertigens, cabeça atordoada, gritos histéricos, pruridos, náuseas, vômitos.

Amor à primeira vista e a doce ilusão de sermos uma pessoa só - As defesas imunológicas são transmitidas de mãe para feto através da placenta e, após o nascimento, o bebê as absorve no colostro e leite materno. Qual celular equivalente de uma farmácia, as glândulas mamárias da mãe secretam imunoglobulinas que funcionam como prescrições especializadas (HRDY, 2001).

Daí a importância de manter o bebê cujo sistema imunológico ainda é frágil e sua mãe em contato com sua família. Isto porque tem na sua pele do interior das narinas colonização pelas mesmas linhagens de bactérias de sua mãe, o que reduz a oportunidade para algumas infectarem mais tarde essas áreas e germes intestinais e outros transmitidos pela mãe o leite dela fornece defesas, como se ocorresse a uma transfusão imunológica de mãe para filho.

O tempo que a mãe e filho ficam juntos após o parto estimula o desejo desta de se vincular e o relacionamento emerge; diminuindo a probabilidade de distanciamento ou abandono.

Têm-se acumulado evidências de que no pós-parto imediato as mães e filhos ajustam-se fisiologicamente e emocionalmente, respondendo um ao outro em níveis sensoriais e sociais, que servem para manter o par unido.

EIBL e EIBESFELDT (1989), estudando diferentes culturas, demonstraram os efeitos duradouros da experiência inicial, fase sensível imediatamente após o parto, onde um contato intensificado mãe-filho aumenta a prontidão de aceitação desta mãe, o ajustamento da díade e a prontidão interacional do bebê, o que facilita o desenvolvimento do apego.

Anderson, Moore e Bergman (2003), demonstraram que o contato precoce mãe e filho não só aumenta a chance da ocorrência da prática e duração da amamentação, mas também controla a regulação da temperatura e da taxa de glicose sanguínea do bebê, reduz o do choro deste e melhora os escores e comportamento afetivo materno.

HINDE, ornitólogo (1969), comprovou mudanças fisiológicas mensuráveis em filhotes separados de suas mães em seus padrões de sono e ritmos cardíacos e também elevados níveis de cortisol, com resultado da mobilização de recursos somáticos para enfrentarem os desafios do estresse.

A primeira vez - Os níveis de prolactina estão altos, a sujeição emocional começou ajudada e instigada por esse redutor da inibição, indutor da filiação e calmante surto de oxitocina. Ao primeiro grito de fome, a mãe lactante reconhece imediatamente o choro do seu próprio bebê e secreções tépidas gotejam de suas mamas, como se ela fosse algum ornitorrinco que nada mais deseja senão escavar uma toca em algum lugar e deixar seu filhote ficar mamando por quanto tempo lhe aprouver. Cada momento de proximidade reforça a esperança de que haja um seguinte, aumentando a probabilidade de que a mãe permaneça acessível para receber os adoráveis sinais emitidos pelo neonato, assegurando gradualmente o apego da mãe à cada vez mais familiar criatura aninhada contra ela. Saciado, entorpecido pelo calor e uma pitada de oxitocina misturada ao leite da mãe, o bebê aconchega-se, sossegado, ao corpo materno; o confortável relacionamento entre ambos alimenta-se a si mesmo até converter-se em amor.

...se aninha contra o seio de quem cuida dele, senhor de seu império galáctico, e cai serenamente no sono.

Enquanto o bebê mama, o intenso alívio é sentido pela mãe por causa da pressão do leite que se acumula nas glândulas. O bebê, ao mamar na extremidade receptora desse reflexo de descarga, gera sensações agradáveis que tocam as raias do erótico e com ele se combinam (HRDY, 2001).

O leite da mãe não flui como uma excreção; é uma resposta a um estímulo, e este estímulo é a visão, o cheiro e o tato de seu bebê, e o choro do bebê, que expressa necessidade. É tudo uma coisa só: o cuidado que a mãe toma com o bebê, e a alimentação periódica que se desenvolve como se fosse um meio de comunicação entre ambos ---- uma canção sem palavras (WINNICOTT, 2006).

Prazer, satisfação e intimidade - No início da vida, são apenas os órgãos sensoriais com receptores sensoriais para os estímulos internos, a criança ainda não tem a percepção à distância, mas por contato oral onde a sensação é principalmente visceral centrada no sistema nervoso autônomo sob a forma de emoções. A boca e região oral servem como mediadores entre os órgãos sensoriais periféricos e vísceras entre o interior e exterior, que têm a função no processo de consumo de alimentação centralizado na sobrevivência, o que determina sentimentos, pensamentos e ações. Boca: órgão da palavra, da alimentação, da expressão, da troca e da relação. Sugar, comer, morder e mamar: prazer e satisfação e a fonte de suprimento é o corpo da mãe. Na amamentação o bebê ingere o alimento que satisfaz e aplaca a fome e a sede como descarga de tensão, isto é a satisfação da mucosa oral com a atividade labial, da língua, palato e espaço laríngo-faríngeo. A boca da criança fica mais ativa e o leite corre de um lado ou de outro. O almofadado dos lábios, nessa época, é muito sensível e ajuda a fornecer um elevado grau de sensação de prazer oral que o bebê nunca mais voltará a ter em sua vida ulterior.

A busca de comunicação do bebê com o cuidador nesta fase é cada vez mais dirigida, o êxito aumenta o prazer do bebê, e repetindo dominará o seu comportamento. O bebê já é um ser humano, embora imaturo e absolutamente dependente, já tem e armazena experiências formando um modelo interno do que procurar e esperar das relações, do mundo e da vida.

Stern, Freud e Erikson (1997), pesquisadores do desenvolvimento infantil, apontam para a importância da oralidade na constituição do psiquismo.

Langer (1981), afirma, baseada nas pesquisas da antropóloga Margaret Mead com as tribos Arapesh e Mundugumor, que parece haver uma relação direta entre o apego à vida e as primeiras experiências orais. Entre os Arapesh, que proporcionam infância feliz e uma alimentação generosa, como e quando as crianças querem, o índice de suicídio é desconhecido. Contudo, é alto o índice de suicídios entre os Mundugumor cujas mulheres aleitam o menor tempo possível e a amamentação é realizada pela mãe mal-humorada com brutalidade e impaciência, só amamentando um mínimo tempo só para o bebê parar de chorar, enquanto ele se engasga na pressa de obter o máximo de leite no mínimo tempo possível.

A saciedade da fome, acompanhada da satisfação oral, olhar a mãe, ouvir sua voz e seu calor, ser segurado, aconchegado em seus braços, o contato pele a pele, seu cheiro e perceber que seus sinais, choro, expressões faciais e balbucios, são progressivamente compreendidos por sua mãe. Essas experiências repetidas vão favorecendo o estabelecimento, no psiquismo da criança, da percepção de si próprio como um ser querido por seus cuidadores, o que lhe permite sentir-se confiante e, em conseqüência, iniciar o estabelecimento de uma identidade própria.

Mas, se os cuidados básicos iniciais dispensados a um bebê não forem afetuosos e sustentadores, há o risco de não se desenvolverem cidadãos sadios psiquicamente, mesmo amamentados ao seio.

O primeiro Gole - A alimentação é a principal oportunidade de socialização da criança e afeta as interações entre todos os membros da família. A amamentação como primeiro ato relacional do ser humano, que o une profundamente à sua mãe e, indiretamente ao pai, é um fenômeno biopsicossocial afetado por múltiplos fatores, que formam uma complexa rede de determinantes e significados.

A maneira como adulto e bebê chegam a um acordo na situação alimentar, constitui não só a maior representação da forma deste de cuidar da criança, como também a edificação das bases de um relacionamento humano. Ocorre a excitação da expectativa, a experiência da atividade durante a amamentação e também a sensação de gratificação como repouso ou calmia da tensão instintiva resultante da satisfação. Conflitos cuidador-criança relacionados à alimentação podem gerar as primeiras duradouras perturbações alimentares como inapetências, caprichos alimentares, anorexias, voracidades, rituais alimentares, aversões, bulimias, toxicomanias, etc.

Quando o leite chega ao estômago conserva uma determinada tensão no seu interior, sem deixar de conservar sua forma e posição se não for perturbado por excitação, tensão, medo ou angústia.

O que importa é que toda personalidade do bebê em formação está envolvida no processo da alimentação. Psicologicamente o que conta é se a criança foi alimentada pelo relógio ou pelo próprio desejo, se suas flutuações normais de apetite são aceitas, atitudes de ansiedade da mãe em relação à amamentação, se a criança foi satisfeita de acordo com as suas necessidades ou passou por períodos de fome, espera excessiva das refeições, se a alimentação foi racionada ou forçada, se foi superalimentada, se pode comer com a própria mão ou sob rituais obsessivos de higiene, etc. Algumas mães gabam-se de alimentar abundantemente seu bebê e a alimentação é dada ao menor grito de fome, onde qualquer desgosto, vazio da espera, da separação ou da falta será apagado com alimentação, sem poder distinguir diferentes estados interiores. Futuramente o apetite destas crianças poderá ser envolvido na defesa contra a ansiedade e depressão.

Os afetos, sentimentos, ações conscientes e inconscientes do adulto no ato de cuidar é que marcarão psicologicamente a criança: permissividade, rejeição, hostilidade, intrusão, segurança, ansiedade, indiferença, missão, descontinuidade, superproteção, prazer, amor, etc. Em casos onde a mãe se ausenta, não está disponível, ou rejeita o bebê o vínculo mãe e filho pode ser perturbado ou rompido, o que pode ser prejudicial ao desenvolvimento da criança se ela não encontrar uma figura substituta que a materne.

Pessoas apressadas, tensas e obcecadas com detalhes técnicos de higiene geralmente “empanturram” o bebê de comida ou dão-lhe de mamar até ter cólicas, e filhos de mães intrusivas tendem a ter refluxo gastro-esofágico. Nutrizes deprimidas e com baixa auto-estima têm dificuldades para amamentar alegando que têm “leite fraco” ou “pouco leite”, estas precisam de escuta e apoio do profissional de saúde para prosseguirem na amamentação. Insatisfações na vida conjugal podem fazer com que os pais precisem prolongar a dependência do filho e não enxerguem as reais necessidades deste.

A satisfação da mãe em usar o próprio corpo está ligada às próprias experiências enquanto bebê. “O amor da mãe pela criança é a reprodução de sua relação como filha de seus pais”.

Nutrizes extremamente ansiosas e angustiadas, com a substituição do seio por outro alimento podem se sentir aliviadas enquanto outras o desmame pode constituir um motivo para se deprimirem.

Mãe de bebês prematuros, doentes ou malformados e mães deprimidas precisam de um apoio familiar e da equipe de saúde, um ambiente continente que compreenda e sustente suas vivências.

Com o desmame, processo fisiológico e psicológico, a criança terá maior necessidade da mãe fora dos horários de refeições para alimentação afetiva sensorial, com pequenas trocas de brincadeiras, de carícias, de sorrisos, de palavras e gestos.

Lembro-me perfeitamente quando, em criança, permitiam-me comer tantas framboesas com creme quanto eu pudesse. Era uma experiência maravilhosa. Agora tenho mais prazer com essa lembrança do que tenho quando como framboesas. (WINNICOTT, 1964).

Amor interesseiro: amor de tigela - O bebê começa a aprender com o cuidado sustentador da mãe que amor e ódio podem coexistir na mesma pessoa. A mãe provedora acolhe e sustenta sem retaliação a raiva e agressividade da criança diante da falta, o que lhe permite sentir culpa, preocupação, tristeza, e chegar ao desejo de corrigir, construir e dar.

Eu a amo por ter sobrevivido à minha tentativa de destruí-la (WINNICOTT, 1968).

Segundo o autor, o amor do bebê pela mãe é um “amor de tigela” (cupboard love), ou seja, um “amor interesseiro”, de modo que ao conseguir o que quer ele a joga fora como uma casca de laranja.

Desiludido, mas descobrindo que posso viver sem você: pois somos dois - Inicialmente alguém tem que estar lá, mãe ou cuidador, no momento propício, favorecendo a onipotência infantil e suprindo de forma imediata, consistente e contínua as necessidades da criança. Gradativamente a criança terá que aprender a tolerar o retardo de suas satisfações com raiva, mas sem se desesperar se tornando um indivíduo realista e criativo rumo à autonomia. O bebê através da frustração descobre que não tem o controle mágico do mundo, mas que é uma partícula deste mundo que já existia antes dele.

A criança que recebeu o cuidado amoroso protetor estará apta a aperfeiçoar suas potencialidades primitivas de crescer, integrar-se, adaptar-se às exigências do ambiente, desenvolver outras relações interpessoais, habilidades sociais, de convivência e aceitação do outro e de preservar a vida.

Querer e não-querer: tudo é encantador, mas assustador! - Sabemos que por mais que o casal deseje o filho, os primeiros contatos mãe e bebê são marcados por sentimentos ambivalentes, como afeição, dúvida, medo, angústia, sujeição e alegria, sentimentos estes que precisam ser encarados e elaborados. É sabido que o amor materno e o desejo de cuidar de filhos não são instintivos na mulher, geneticamente determinados ou ambientalmente produzidos, mas precisam ser construídos com a convivência, instigados e mantidos. A mulher após o parto, ao mesmo tempo em que nutre um querer pelo filho, exausta teme ficar “presa” pelas fatigantes tarefas da maternidade e cobranças sociais de ter de ser uma “mãe perfeita” e “padecer no paraíso’’. Neste período, além de desequilíbrio hormonal e emocional do puerpério a mulher sofre influências de questões sociais como desamparo, pobreza, abandono, questões afetivas com o companheiro ou com a própria mãe e questões orgânicas, etc.

Quando o cuidado é compartilhado com o pai o bebê se enriquecerá do real, a mãe se sentirá menos sobrecarregada, e o pai menos isolado, deprimido e excluído, podendo usufruir dos prazeres da paternidade.

As crianças mais velhas, ao terem um irmãozinho, quanto mais ousarem demonstrar suas ambivalências e tiverem seus sentimentos hostis compreendidos, maior a esperança de serem capazes de controlar estes sentimentos ao lado do amor e da alegria que sentem pelo novo irmão (PINCUS & DARE, 1987).

Quem ama cuida com prazer - Todos os autores insistem que o ser humano nasce predisposto e equipado para se apegar a uma figura de confiança que se disponha a se relacionar com ele de forma adequada, protetora, sustentadora e contínua, a base para a saúde psíquica. Afirmam também que a satisfação fisiológica é que produz emocionalmente a necessidade do outro, o que suscita o sentimento de ser amado.

Para Winnicott, pediatra e psiquiatra infantil (1982), no início da vida os bebês não podem existir sozinhos, mas precisam que um ser humano confiável se dê o trabalho de trazer o tempo todo o mundo até ele, pedacinho por pedacinho, de forma compreensiva e limitada, adequada às necessidades deste.

A mãe é a candidata mais provável a cuidar e desenvolver o apego, mas outros cuidadores como pais, avós, babás, educadores de creches, pais adotivos poderão fazê-lo, desde que emocionalmente receptivos e comprometidos.

A mãe é o melhor especialista para o seu bebê porque consegue fazer delicados ajustes que outras pessoas julgariam inúteis, e cujas razões seriam incapazes de explicar. Ela apresenta o mundo a seu bebê em pequenas doses, não porque seja especialmente dotada como os filósofos precisam ser, mas simplesmente, por causa da dedicação que sente pelo próprio filhinho (WINNICOTT, 1982).

Psiu! Não perturbe! - Os profissionais de saúde podem ser especialistas em suas funções, mas nenhum é melhor que a mãe no conhecimento das crianças como seres humanos, acabados de serem lançados na imensa tarefa de se tornarem eles próprios. Pequenas condutas do profissional de saúde ou familiar no pós-parto podem favorecer o distanciamento ou a aproximação mãe-filho.

Quando a mãe não tem apoio social adequado a amamentação pode constituir-se não um facilitador, mas um fator adicional de estresse para a mãe (COOPER, MURRAY, STEIN, 1993).

As primeiras relações do profissional de saúde com o cuidador precisam ocorrer sem interposições ou imposições de regras rígidas de alimentação e higiene, respeitando até mesmo o desejo da mãe de não amamentar. Atitudes dos profissionais de saúde ansiosos durante as primeiras mamadas, como empurrar o mamilo na boca do bebê para ativar o reflexo de busca podem significar mau trato, intrusão e violação. É preciso evitar interferências na dupla amamentante, e dar tempo ao bebê, livre de embrulhos e excesso de roupas, para buscar, fazer procura, explorar a mama com as mãos e a boca, até abocanhar o mamilo.

No ato de amamentar como momento privilegiado e de profunda intimidade e comunicação mãe e filho, com o toque, o aconchego e a fala, a mãe transmite ao bebê conteúdos psíquicos transgeracionais e culturais. Ou seja, a mãe não fornece apenas o leite, mas realiza todo o investimento afetivo que dá sentido à existência da criança. Assim, dar o seio vem, antes de tudo, de um desejo de amamentar, portanto, a imposição em fazê-lo não garante o investimento materno. É preciso escutar o desejo ou não da mãe e da família de amamentar, sua história, seu entorno sócio-econômico-cultural, seus sentimentos, fantasias e desejos conscientes e inconscientes de cuidar do filho, valores e desejos do profissional de saúde, da família e do grupo social.

Muitas vezes a dificuldade de amamentar pode estar denunciando a impossibilidade da mãe de se doar àquela criança. É ilusão um especialista pensar que apenas informações sobre vantagens do aleitamento materno e técnicas de amamentação ou discursos moralizantes podem convencer uma mãe a amamentar!

“Mamãezar” não é apenas amar, mas fazer a criança se sentir amada - Atualmente em nossa sociedade, principalmente nos centros urbanos, a criança não habita apenas a casa, mas cada vez mais compartilha um número maior de contextos de interação como creches, berçários, hoteizinhos, abrigos ou casas de adoção. O que é preocupante é que geralmente as instituições estão mais atentas apenas às necessidades nutritivas e de higiene, os contatos cuidador-bebê são impessoais devido ao grande número de crianças e à rotatividade de pessoal, não havendo tempo para contatos individuais e longas seqüências de interação. Os cuidadores estão sobrecarregados, exaustos, sem motivação para trabalhar e descomprometidos com os sentimentos e necessidades psicológicas da criança, o que pode levar a graves transtornos em seu desenvolvimento psicofísico. O que pode ser maléfico psicologicamente não é o fato de a criança ser entregue aos cuidados de outrem, mas o cuidador não conseguir “mamãezar”, convencê-la de que é querida e de que não será abandonada, o que não está escrito em manuais ou regulamentos.

Hoje, nas tramas do capitalismo, nas famílias “sem-paradas”, temos pais emocionalmente desamparados, extremamente ansiosos e sobrecarregados que correm atrás do desgraçado do dinheiro e do reconhecimento, sem tempo e disponibilidade para convivência descontraída e interação afetiva e educativa com os filhos.

É muito triste de se constatar que “os pais tendem a incentivar a auto-satisfação dos filhos, substituição abusiva por objetos materiais, ursinhos que substituem os pais, carrinhos em vez de braços, grades em vez de dormir juntos, chupetas em vez de atenção, caixa de música no lugar de vozes, leite em pó em vez de leite materno, cadeira de balanço em lugar de colo”.

CONCLUSÃO: A amamentação deve ser promovida pelo sistema de saúde como ação prioritária na prevenção de problemas e na melhoria da saúde física e mental da criança e suas famílias. Além de prover proteção biológica do bebê é produto e também promotora da interação que estabelece a maior intimidade possível entre dois seres humano. Através disso constroem-se os alicerces para o futuro da relação mãe e filho e para outras relações interpessoais da criança (FALCETO, 2006).

No desamparo atual em que as pessoas vivem, acredito que a criança só poderá se inscrever no mundo adulto com uma história amorosa se os pais forem embalados em sustentadoras redes tecidas de assistência integral, acolhimento e afeto.

AGRADECIMENTOS: Agradeço ao Tadeu, digitador e amoroso companheiro de vida. Também aos Estudantes, Gestantes, Nutrizes e Pais que me convocaram ao exercício de cuidar, nestes 26 anos de trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDERSON, G.C; MOORE, E.; HEPWORTH, J. ; BERGMAN, N.; EARLY; skinto-skin contact for mothers and their healthly newborn infants Cochrane Database Syst Rev 2003; (2) : CD003519.

AULAGNIER, P. A violência da interpretação. Rio de Janeiro: Imago, 1979.

BION, W. Second thoughts. Londres: Heinemann, 1967.

BIRMAN, J. Mal-estar na atualidade: a psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

BOLLAS, C. A sombra do objeto: psicanálise do desconhecido não-pensado. Rio de Janeiro: Imago, 1992.

BOWLBY, J. Apego e Perda. São Paulo: Martins Fontes, 1969.

--------------; Formação e rompimento dos laços afetivos. São Paulo: Martins Fontes, 1979.

--------------; Uma base segura: Aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.

BRAZELTON, T.B. O Desenvolvimento do apego: a família em formação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.

COOPER, P.J., MURRAY, L., STEIN, A., Psychosocial Factors associated with the early termination of breast-feading. J. Phychiatry Res, 1993.

CORIAT, E. Os flamantes bebês e a velha psicanálise. Revista estilos da clínica, vol. I, Nº 1. São Paulo, 1996.

COSTA, J.F. Sem Fraude nem favor: estudo sobre o amor. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

COUTINHO, B. In: FELDMAN, C. Encontro. 2ª ed. B. Horizonte: Crescer, 2004.

DEBRAY, R. Bebês / Mães em Revolta – Tratamentos psicanalíticos conjuntos dos desequilíbrios psicossomáticos precoces. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.

DOLTO, F. As etapas decisivas da infância. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

EIBL, EIBESFELDT, IRENÄUS. Human Ethology. Nova York: Aldine de Gruyter, 1989.

ERIKSON, E.H. Identidade Juventude e Crise. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

FALCETO, O.G. Unidos pela Amamentação. Porto Alegre: Da Casa, 2006.

FELDMAN, C. Encontro, 2ª. ed. Belo Horizonte: Crescer, 2004.

FREUD, A. Infância Normal e Patológica. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.

FREUD, S. La afasia. Buenos Aires: Nueva Vision, 1982.

------------; (IN: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XIII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

-------------; (1920) Além do princípio do prazer. Ed. Standard brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XVII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

HINDE, R.A. Analysing the holes of the partners in a behavioral interaction: Mother-infant relation in rhesus macaques. Annals of Nova York Academy of Sciences, 1969.

HUNT, J. http.//members.tripod.com/~helenab/jan_hunt/choro.htm. O Bebê chora: Como os Pais devem Reagir. Adaptação de Cristina Carvalho. Acessado em 2008.

IMBER, E. -BLACK e Colaboradores. Os Segredos na Família e na Terapia Familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

KITZINGER, S. Mães um estudo antropológico da maternidade. São Paulo: Martins Fontes, 1978.

KLAUS, M.H. & KENNELL, J. Vínculo: construindo as bases para um apego seguro e para a independência. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

KLEIN, M. Nosso mundo adulto e suas raízes na infância. In: Inveja e gratidão e outros. Rio de Janeiro: Imago, 1985.

KREISLER, L. A nova criança da desordem psicossomática. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

LACAN, J.J. Seminário – livro V. ed. 1957-1958 – As Formações do Inconsciente. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

LANGER, M. Maternidade e sexo: estudo psicanalítico e psicossomático. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981.

LORENZ, K. Os fundamentos da etologia. São Paulo. UNESP, 1983.

MASCARENHAS, E. Faces do amor: escolhas, desejos e outras inquietudes. Rio de Janeiro: Guarda-

chuva, 2007.

MATURANA, H. Da Biologia à Psicologia. Trad. Juan Acuña, 3ªed. Porto Alegre: 1998.

MONTAGÚ, A. El sentido del tato à comunicacion humana através de la piel. Madrid: Aguilar, 1981.

ODENT, M. A Cientificação do amor. Trad. G. Souza. São Paulo: Terceira Margem, 2000.

PINCUS, L. – DARE, C. Psicodinâmica da Família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.

SPITZ, R.A. O Primeiro Ano de Vida. 5ª. ed. São Paulo. Martins Fontes, 1988.

STERN, D. O Mundo interpessoal do bebê: uma visão a partir da psicanálise e da psicologia do desenvolvimento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982.

-----------; A constelação da maternidade – O Panorama da Psicoterapia Pais / Bebê. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

WINNICOTT, D.W. - Playing and Reality. Nova York: Tavistok Publications, 1971.

-----------------------; A Criança e o seu mundo. 6ª. ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1982.

------------------------; (1979). O ambiente e os processos de maturação. Estudo sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.

-----------------------; Textos Selecionados: da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.

-----------------------; Natureza Humana. Trad. Davi Liman Bogomoletz. Rio de Janeiro: Imago, 1990.

------------------------; Privação e Delinqüência. Trad. Álvaro Cabral. Revisão Mônica Stahel 2ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

-----------------------; Tudo começa em casa. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

-----------------------; Os Bebês e suas mães. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

-----------------------; Holding e interpretação. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

-----------------------; As idéias de D.W. Winnicott. Rio de Janeiro: Imago, 2003.

-------------------------; Winnicott na Clínica e na Instituição. Org.de Renate Meyer Sanches. São Paulo: Escuta, 2005.

------------------------; Winnicott e seus interlocutores – Org. Benilton Bezerra Jr. e Francisco Ortega. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2007.




Autor: Ângela Maria Amâncio de Ávila
Data: 23/4/2008