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quarta-feira, 26 de março de 2008

Poluição com azoto destrói biodiversidade

O azoto emitido para a atmosfera em resultado da actividade humana pode estar a alterar as comunidades vegetais de todo o mundo.

Apesar de zonas quentes de poluição de azoto elevada serem há muito reconhecidos como perturbadores da dinâmica das comunidades vegetais, novos estudos prevêem efeitos substanciais devidos aos níveis mais baixos mas crónicos de poluição que podem ser encontrados por quase todo o mundo.

Um estudo de uma pradaria no interior do estado do Minnesota mostra que após mais de 20 anos de deposição lenta mas crónica de azoto, a níveis típicos da poluição com azoto na maioria do mundo industrializado, houve uma redução do número de espécies vegetais de 17% comparado com zonas controlo que não foram expostas a azoto extra.

Os perdedores neste regime de azoto são quase sempre as espécies herbáceas, relatam os investigadores na última edição da revista Nature. David Tilman, da Universidade de Minnesota em Saint Paul e um dos autores do estudo, diz que entre as suas vítimas favoritas estão a Solidago nemoralis ou a estrela-púrupura.

As boas notícias são que alguma da diversidade pode ser recuperada se a poluição por azoto for reduzida, diz ele. Talhões que deixaram de receber azoto extra em 1991 lentamente começaram a recuperar e começaram a ter o aspecto dos talhões de controlo, com a migração de sementes das espécies perdidas para a zona. Ainda assim, Tilman alerta para o facto de sem a existência de zonas que funcionem como reservas de biodiversidade vegetal a jeito, por assim dizer, a recuperação pode levar muito mais que os 13 anos que o estudo revelou.

Os humanos dispersam muito azoto, o elemento é um factor limitante crucial para o crescimento de muitas plantas, pelo que fertilizantes com base em azoto têm sido desenvolvidos para permitir às pessoas cultivar mais alimentos.

O azoto também é produzido pela queima de combustíveis fósseis e através das fezes do gado, atingindo a atmosfera e voltando, com a precipitação, à superfície por todo o globo, incluindo zonas intocadas pelo Homem.

A queda de azoto sobre a terra subiu desde os níveis pré-industriais de 1 a 3 Kg por hectare e por ano para 7 a 100 Kg por hectare e por ano, dependendo da intensidade local de utilização de azoto. Os cientistas estimam que a intervenção humana actual mais que duplicou a quantidade de azoto que se desloca para a atmosfera por ano.

Fortes doses de azoto têm um grande impacto sobre a paisagem: liberta plantas anteriormente limitadas pela escassez do elemento para um crescimento mais vigoroso, muitas vezes à custa de outras espécies. À medida que as plantas que não esbanjam o azoto são ultrapassadas pelas "plantas do tipo daninho de crescimento rápido" da zona, diz Tilman, o número de espécies na zona diminui.

Agora, Tilman e o seu colega Christopher Clark mostraram que mesmo níveis muito baixos de azoto afectam a diversidade. O estudo analisou níveis de poluição tão baixos como 10 Kg por hectare por ano, a somar ao nível de fundo de 6 Kg por hectare por ano, ou seja, um nível típico da maioria do mundo industrializado. "Observámos que mesmo estas taxas tão baixas como esta de deposição de azoto estão a ter um efeito cumulativo muito semelhante aos efeitos a curto prazo de níveis mais elevados", diz Tilman.

A equipa não encontrou nenhum patamar em que o azoto extra não afectasse a diversidade vegetal. "Baixas taxas de deposição de azoto têm muito mais importância do que se pensava."

Espera-se que esses efeitos sejam generalizados. Com o azoto a ser libertado por "fabricas e automóveis numa zona do país e a ser levado pelo vento para todo lado no mundo, incluindo os nossos parques nacionais e outras zonas protegidas, tudo recebe uma quantidade elevada de azoto", diz Katharine Suding, ecologista da Universidade da Califórnia, Irvine.

Este novo estudo, diz ela, "indica que podemos esperar que as perdas aumentem com o passar do tempo e com o acumular do azoto, a não ser que se instituam políticas para reduzir a subida na deposição de azoto".

Roland Bobbink, ecologista paisagista na Universidade de Utrecht, diz que tem vindo a observar esta situação na Holanda, onde a utilização de fertilizantes, no seu máximo na década de 80, aumentou os níveis de azoto para 100 Kg por ano e por hectare. As comunidades vegetais mudaram drasticamente, o pântano passou a planície e está agora a tornar-se floresta. Desde então, uma série de medidas ambientais baixaram a deposição de azoto na zona mas não para zero.

Tilman diz que o que se observou na Holanda está a acontecer em todo o mundo, ainda que mais lentamente. Isto só prova que a paixão da humanidade pelo sétimo elemento precisa de ser contida, diz ele. O excesso de fertilização deve terminar e as criações intensivas de gado, com as suas lagoas de estrume emissor de azoto, podem ter que ser reconsideradas.

"Para mim, esta é uma das grandes formas como os humanos estão a alterar o mundo mas é muito pouco compreendida pelos políticos", diz Tilman.

Fonte: Simbiotica

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