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sexta-feira, 28 de março de 2008

Biocombustíveis ameaçam segurança alimentar na AL, alerta ONU

21/03/2008 - 11h44


da Efe, em Santiago (Chile)

A segurança alimentar da América Latina enfrenta riscos devido à produção de biocombustíveis a partir de cultivos agrícolas importantes na alimentação de seus habitantes, adverte um relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), divulgado na quinta-feira (20) em Santiago (Chile).

O tema será debatido na 30ª Conferência Regional da FAO, entre 14 e 18 de abril em Brasília, confirmou José Graziano da Silva, representante regional da FAO, em um encontro com os correspondentes estrangeiros.

Na opinião de Silva, a América Latina e o Caribe têm bom potencial de produção de biocombustíveis, mas ao mesmo tempo a atividade pode ameaçar a segurança alimentar de sua população.

Segundo o documento, a rápida mudança tecnológica no setor de bioenergia dificulta prever seus impactos na segurança alimentar e no meio ambiente.

"A intensidade de seus efeitos positivos ou negativos dependerá da escala e velocidade da mudança, do tipo de sistema produtivo que se considere e das decisões em matéria de políticas agrícolas, energéticas, ambientais e comerciais", afirma o texto.

O relatório destaca os aspectos que a FAO considera mais importantes na definição de políticas relacionadas aos biocombustíveis.

"Não há verdades absolutas em relação aos biocombustíveis. Se terão um efeito positivo ou negativo na segurança alimentar e no meio ambiente dependerá em grande parte de como serão desenvolvidos", afirmou Silva.

Desenvolvimento sustentável

O representante regional da FAO sustentou que ainda há tempo para garantir o desenvolvimento sustentável dos biocombustíveis, com leis e políticas claras para minimizar os riscos e aproveitar as oportunidades, e ressaltou que o momento de tomar essas medidas é agora.

"Para isso é fundamental que os governos preparem políticas adequadas para minimizar os riscos e maximizar as oportunidades que os biocombustíveis oferecem, especialmente aos agricultores pobres dos países em desenvolvimento", acrescentou.

Segundo o relatório, a produção de biocombustíveis pode ajudar os agricultores, especialmente em zonas isoladas, a produzir sua própria energia para uso em maquinarias agrícolas e geração de eletricidade.

Também, na medida em que a pequena agricultura esteja integrada adequadamente à cadeia produtiva dos combustíveis com base agrícola, os camponeses poderão se beneficiar de melhores preços para seus produtos.

Mudanças

No entanto, a iniciativa também pode ocasionar mudanças na demanda, no comércio exterior, na alocação de insumos produtivos e finalmente em um aumento nos preços dos cultivos tradicionais, colocando em risco o acesso dos setores mais pobres aos alimentos.

Os programas de biocombustíveis podem representar uma oportunidade se consideram a agricultura familiar, acrescenta o estudo.

Nesse contexto, a FAO diz acreditar ser necessário preparar um marco analítico que leve em conta a diversidade de situações e necessidades específicas dos países da região.

Em seu Projeto de Bioenergia e Segurança Alimentar, a FAO desenvolve um guia metodológico que permitirá aos países interessados em investir em bioenergia calcular o efeito de suas políticas na segurança alimentar de suas populações.

Fonte:


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