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sexta-feira, 18 de maio de 2007

NutriViva 2007


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Oceano Antárctico está a absorver menos CO2

A capacidade do oceano Antárctico de remover dióxido de carbono da atmosfera está a ser reduzida pelas alterações climáticas, dizem os investigadores ambientais.

Se a tendência continua, a capacidade deste 'sumidouro de carbono' para lidar com as emissões dos gases de efeito de estufa de origem humana pode ser seriamente comprometida.

Cerca de metade do dióxido de carbono que passa para a atmosfera é absorvida pelos oceanos mundiais logo, com o aumento das emissões de gases de efeito de estufa, a quantidade absorvida pelos oceanos devia aumentar proporcionalmente mas esta nova investigação sugere que o oceano Antárctico não está a acompanhar a subida nas emissões.

As águas antárcticas são um importante sumidouro para o dióxido de carbono, graças às correntes oceânicas e às temperaturas baixas, pensa-se que sejam responsáveis por cerca de 15% da capacidade de armazenamento oceânico de carbono.

Investigadores liderados por Corinne Le Quéré, do Max Planck Institute of Biochemistry de Martinsried, Alemanha, recolheram dados de 11 estações costeiras de seguimento na Antárctica e em várias ilhas do oceano Antárctico para medir a quantidade de dióxido de carbono que está a ser armazenado e libertado pelo oceano. De seguida compararam estas medições com os níveis de dióxido de carbono atmosférico para verificar a alteração de performance do sumidouro de carbono.

Desde 1981, a percentagem de carbono atmosférico que o oceano Antárctico pode conter tem vindo a decrescer. A tendência sugere que, para cada década, a capacidade anual do oceano armazenar carbono desceu em 0,08 gigatoneladas, comparado com a expectativa. Em média, o oceano armazena entre 0,1 e 0,6 gigatoneladas por ano.

Esta é uma pequena quantidade comparada com as cerca de 8 gigatoneladas de dióxido de carbono lançadas para o ar todos os anos pelas actividades humanas mas todo o declínio é importante, os oceanos são um importante sumidouro a longo prazo. Se os humanos poderem controlar as emissões de dióxido de carbono a longo prazo, os oceanos mundiais devem sequestrar entre 70% e 80% do total das emissões antropogénicas da era industrial.

A principal causa da alteração parece ser um aumento relativamente rápido da força média do vento sobre o oceano Antárctico, relata Le Quéré. Estes ventos mais fortes, que se pensa serem conduzidos pela depleção da camada de ozono sobre as regiões Antárcticas, reviram o oceano e trazem mais dióxido de carbono dissolvido das profundezas.

Isso foi inesperado, diz Le Quéré, mas quando os investigadores colocaram os seus dados num modelo de computador e removeram estes ventos fortes, descobriram que realmente a maioria da redução da eficiência do sumidouro desaparecia.

Um aumento da temperatura média global está já previsto que vá piorar o efeito pois águas mais quentes contêm menos gases.

"A possibilidade de que num mundo mais quente o sumidouro oceânico mais forte esteja enfraquecido é preocupante", comenta Chris Rapley, director do British Antarctic Survey de Cambridge.

O oceano Antárctico é o único corpo de água em que esta tendência foi detectada com certeza e quantificada, diz Le Quéré, apesar de estudo a curto prazo sugerirem que algo semelhante está a acontecer no Atlântico norte.

Se o fenómeno está a acontecer em todo o mundo, vai com certeza afectar os esforços para estabilizar os gases de efeito de estufa atmosféricos.

A redução das capacidades de sumidouro vão fazer com que sejam mais complicados os esforços internacionais para estabelecer objectivos alcançáveis na estabilização dos níveis de gases de efeito de estufa mas Le Quéré diz que esses esforços precisam de ser redobrados e não se ficar pela aceitação de que os níveis serão superiores no futuro.

Saber mais:

British Antarctic Survey

Max Planck Institute for Biochemistry


quinta-feira, 17 de maio de 2007

'Luz pode acrescentar uma hora a relógio biológico'

Afinal a luz sempre alimenta...
~~,...............................---.


Somos governados por um relógio biológico de 24 horas
O ciclo natural dos humanos, de 24 horas, pode ser estendido com segurança em uma hora com a simples exposição a pulsos de luz brilhante, segundo sugere uma nova pesquisa.

Especialistas afirmam que esta hora extra pode ser útil para astronautas em adaptação para missões mais longas para Marte - onde um dia dura 40 minutos a mais do que na Terra.

A equipe de cientistas, de universidades dos Estados Unidos e da França, testaram o tratamento com luzes em 12 voluntários e foram bem sucedidos.

A pesquisa foi publicada na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences.

Relógio biológico

Muitas espécies, incluindo humanos, têm "ritmos circadianos" naturais, estabelecidos para coincidir com a duração de um dia na Terra.

O contraste entre a exposição à luz do dia e a escuridão da noite seria responsável pelo ajuste deste relógio, que ajuda a garantir que o corpo está trabalhando da melhor forma possível em momentos do dia quando é necessário o máximo de atenção.

Cientistas já sabem que é possível interferir com o "marcapasso" circadiano humano usando o controle de exposição à luz.

O último projeto de pesquisa, dividido entre a Universidade de Lyon na França e a Escola de Medicina de Harvard nos Estados Unidos, tentou descobrir se é possível ajustar estas alterações e obter um resultado mais preciso.

Todos os 12 voluntários que participaram do estudo tinham ciclos que variavam entre 23,5 a 24,5 horas.

Os voluntários do estudo foram fechados em um laboratório por mais de 60 dias para evitar exposição à luz do dia, que poderia interferir na experiência.

Depois de permitir que estes voluntários dormissem e acordassem normalmente por alguns dias, um novo regime foi imposto, com "dias artificiais" produzidos por uma combinação de luz fraca e pulsos de luz brilhantes perto do fim das "horas de vigília".

Depois de 30 dias, os cientistas descobriram que a combinação de luz brilhante e pulsos conseguiu manipular o ciclo circadiano, acrescentando aproximadamente uma hora para o dia de cada voluntário.

"Jet lag, trabalho em turnos diferentes e desordens circadianas como as síndromes das fases do sono avançadas ou atrasadas estão todos associados - de formas diferentes - com um problema em que o sistema circadiano está fora de sincronia com o ciclo de luz/escuridão", escreveram os pesquisadores.

"Nestas situações, o sono e as interrupções no ciclo circadiano poderiam ter conseqüências graves na saúde, competência e segurança de equipes de astronautas."

Os cientistas sugeriram que o "tratamento" com luz poderia ser dado para astronautas em missão em Marte, enquanto eles cuidam de lavouras em momentos apropriados do dia, em um módulo estufa bem iluminado.

Aquecimento global vai gerar 1 bilhão de refugiados, diz ONG

Bamako, Mali
Mali, produtor de algodão, é um dos países mais pobres do mundo
Pelo menos 1 bilhão de pessoas serão forçadas a deixar suas casas até 2050 devido às mudanças climáticas no planeta, prevê um relatório divulgado pela agência internacional de ajuda humanitária Christian Aid.

A grande maioria desses imigrantes será proveniente de países pobres e será afetada por enchentes, secas e fome, segundo o levantamento da ONG britânica Human tide: the real migration crisis.

Mali, localizado no deserto do Saara, na África, seria o país onde a ameaça do aquecimento global é mais imediata.

"Agricultores já estão achando impossível sobreviver com a terra da maneira que faziam há séculos. Níveis erráticos e declinantes de chuva significam colheitas reduzidas e as pessoas têm que se mudar para ganhar dinheiro e alimentar suas famílias", afirma o relatório.

A Christian Aid usa como referência o levantamento do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) para a previsão de pessoas afetadas pelo aquecimento global.

A ONG cita um trecho do relatório do IPCC: "Até 2080, é possível que 1,1 bilhão a 3,2 bilhões de pessoas sofrerão de falta de água; 200 a 600 milhões, fome; 2 a 7 milhões por ano, enchentes".

Casos

O estudo da Christian Aid diz que 155 milhões de pessoas estão refugiadas atualmente em função de conflitos, desastres e projetos de desenvolvimento econômico.

"Acreditamos que a migração forçada é agora a ameaça mais urgente enfrentada pela população pobre do mundo em desenvolvimento", diz John Davison, autor do relatório.

"O impacto das mudanças climáticas é o maior e o mais assustador fator desconhecido dessa equação. Apenas agora uma atenção acadêmica séria está sendo devotada para calcular a escala dessa nova onda humana."

O relatório cita ainda os casos do Sudão, Uganda, Sri Lanka, Burma e Colômbia.

Na Colômbia e em Burma, diz o estudo, as pessoas mais pobres que deixavam suas casas em função da violência, agora também precisam se deslocar por causa das plantações de grandes agricultores ou para construção de represas.

Brasil

A Christian Aid critica ainda a desapropriação de terras para produção de biocombustíveis.

No caso do Brasil, a ONG diz que é parceira do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e que também se opõe à expansão da indústria de etanol.

"O MST argumenta que o uso mais importante da terra no Brasil é para a produção de alimentos para sua população", diz o relatório.

"A Christian Aid acredita que os países ricos precisam repensar essa pressa em direção aos biocombustíveis e reconhece como isso vai tirar milhões de pessoas de suas terras."

Fonte: BBC Brasil

Mars começou a utilizar produtos de origem animal

Chocolates deixam de ser vegetarianos

Alguns dos chocolates mais vendidos, como o Mars e o Twix, deixarão de ser adequados para vegetarianos.
Mars, Snickers and Twix chocolate bars

Tal alteração vai afectar também marcas como Snickers e Maltesers, afirmou o dono da Masterfoods, que passou a incluir enzimas de origem animal para a produção de chocolates.

A Masterfoods informou que tal alteração se deve a uma modificação no modo de obtenção dos seus ingredientes e garante que foi uma decisão tomada com base em bons princípios.

As referidas enzimas, retiradas do estômago das vitelas, são utilizadas na produção de soro de leite.

Actualmente, já são utilizadas no Bounty, Minstrels e nos produtos da Milky Way, bem como nas versões de gelado existentes para todos os chocolates da Masterfoods.

"Se o consumidor for um vegetariano extremamente rigoroso, então, temos pena que os produtos já não sejam adequados à sua dieta alimentar. Mas, com certeza, um vegetariano menos restrito irá apreciar o nosso chocolate," disse Paul Goalby, gerente das questões empresariais da Masterfoods.

A Sociedade Vegetariana do Reino Unido afirmou que esta medida era "uma desilusão absoluta". "Numa época em que os consumidores estão cada vez mais preocupados com a proveniência dos seus alimentos, a decisão da Masterfoods' em recorrer a enzimas animais, portanto não vegetarianas, é um franco retrocesso," declarou a Sociedade Vegetariana à imprensa. "Os produtos da Mars são muito populares entre os mais jovens e muitos ficarão chocados quando descobrirem que na sua produção se extrai enzimas do estômago de vitelas," acrescentou ainda.

A Sociedade Vegetariana do Reino Unido concluiu que esta medida era "incompreensível".


Source/Quelle: Mars starts using animal products

Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção

A lista nacional das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção é um instrumento de conservação da biodiversidade do governo brasileiro, onde são apontadas as espécies que, de alguma forma, estão ameaçadas quanto à sua existência.

Para a sua elaboração o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o seu Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), em parceria com a Fundação Biodiversitas para a Conservação da Diversidade Biológica, com a Sociedade Brasileira de Zoologia e com a Conservation International, valeram-se de centenas de especialistas, em período superior a um ano que, após criterioso trabalho científico, produziram a versão inicial da lista.

A informação assim obtida foi divulgada, por via eletrônica, de forma a atingir o universo dos especialistas brasileiros, na busca de aperfeiçoamento da lista. Mais de mil contribuições foram recebidas e sistematizadas sendo levadas, finalmente, a um seminário que definiu a lista nacional das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção.

Diferentemente do que ocorreu no passado, a lista assume, agora, características dinâmicas, orientando os programas de recuperação das espécies ameaçadas, as propostas de implantação de unidades de conservação, as medidas mitigadoras de impactos ambientais e os programas de pesquisa, constituindo-se, ainda, em elemento de referência na aplicação da Lei de Crimes Ambientais.

Saiba quais são as Categorias de Ameaça

Fonte: http://www.mma.gov.br/port/sbf/fauna/index.cfm

SOJA e alergias

SOJA e alergias
O crescente número de pessoas (bebês e adultos) que apresentam reações alérgicas ao consumo de soja coloca o vegetal, que apareceu com inúmeras características positivas para seu consumo, como suspeito de alguns crimes. Porém, a sincronicidade do aparecimento e aumento de alergias com o surgimento da soja transgênica pouco é levada em consideração. No Brasil, consumimos soja transgênica desde muito antes de chegarmos ao novo século, mas só fomos avisados quase recentemente.

Os transgênicos e os riscos à saúde
Marilena Lazzarini
Coordenadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec, ONG fundada em 1987, acompanha de perto a questão dos alimentos transgênicos desde 1996. Chegou a integrar a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, em seu início, mas afastou-se por não concordar com os procedimentos e principalmente com a pressa da Comissão em liberar experimentos transgênicos.

A atuação mais efetiva da entidade deu-se a partir de setembro de 1998, quando ajuizou uma ação que até hoje impede a liberação de transgênicos no país. A ação tem por objetivo a proteção do meio ambiente, da saúde da população e do direito à informação.

No caso específico dos transgênicos, se não há benefícios concretos para a sociedade, por que temos que considerar os riscos? Há benefícios que justifiquem os riscos potenciais decorrentes de seu consumo? Se a resposta é negativa, não se admite a submissão dos seres humanos aos riscos, pois estamos discutindo um projeto de mudança da base alimentar de populações inteiras.


Os transgênicos até agora liberados em escala comercial em alguns países, dos quais a soja e o milho se destacam em termos quantitativos, não trazem nenhum benefício real do ponto de vista dos consumidores: não são mais baratos, gostosos, nutritivos e, tampouco, mais seguros do que os similares (convencionais).

mplicam, portanto, riscos absolutamente dispensáveis aos seres vivos, tanto para sua saúde como para o meio ambiente.

Partindo para a análise de riscos, é justamente a falta de avaliação prévia à liberação para o consumo que preocupa o Idec. Há quem acredite que o fato de esses produtos já terem sido liberados nos Estados Unidos seja suficiente, em razão do controle mais rigoroso dos órgãos competentes norte-americanos.

Mas sabem como aconteceu a liberação nos Estados Unidos? Sem qualquer avaliação de riscos, já que o Food and Drugs Administration – FDA utilizou um “conceito” inaplicável no caso para não avaliar: a equivalência substancial.

Cientistas eminentes contestaram e ainda contestam as evidentes deficiências daquela avaliação de risco, até agora baseada nesse questionável conceito, chamando-a de metodologia inadequada cientificamente ou pseudocientífica, pois preconiza um número limitado de ensaios para a determinação da composição e do potencial toxicológico dos produtos.

Para se ter uma idéia, esse tipo de avaliação exclui a possibilidade de que substâncias tóxicas, não "selecionadas" para os testes, estejam presentes nesses novos alimentos, aceita como suficientes os testes em uma ou poucas espécies de animais de laboratório, sempre por poucas semanas, e a falta de ensaios de toxicologia crônica.

Também não exige nenhum teste, eticamente aceitável, em grupos de seres humanos, como recomendam alguns especialistas.

A tese de que a soja RR é “substancialmente equivalente” à convencional é um bom exemplo de como não procede esse conceito, pois se identificaram, entre outros aspectos, o aumento estatisticamente significante do teor de ácido graxo e o aumento de 26% no inibidor de tripsina na soja deslipidificada, sem qualquer explicação científica do fato, evidenciando o quanto é falha sua aplicação.

Não é por outra razão que o FDA está sendo processado nos EUA, país que iniciou a adoção e aplicação da equivalência substancial na "desregulamentação" desses produtos e que influenciou processos idênticos em vários países.

Na ação judicial, o FDA foi obrigado a revelar cerca de 44 mil páginas de documentos e memorandos internos, em que se pôde constatar que a agência desconsiderou as preocupações de seus próprios cientistas, que alertavam para os riscos inerentes e desconhecidos dessas novas espécies (alguns dos principais documentos que comprovam a opinião técnica dos cientistas do órgão podem ser lidos acessando o site de uma das organizações autoras da ação www.biointegrity.org).

Em que pese o desconhecimento quase completo
sobre essas espécies, alguns riscos potenciais para a saúde já foram apontados por entidades científicas de todo o mundo:

• pode ocorrer aumento ou potencialização dos efeitos de substâncias tóxicas naturalmente presentes nas plantas manipuladas geneticamente, como o das solaninas, cumarinas e outros alcalóides integrantes de vários alimentos em quantidades abaixo das doses de risco aos consumidores.

Por outro lado, outras substâncias podem ter sua quantidade diminuída, como foi demonstrado com relação aos fitoestrógenos genistina e daidzina presentes na soja e que protegem as mulheres contra o câncer de mama, com queda de 12 e 14% em algumas variedades transgênicas resistentes ao glifosato;

• devido à ingestão de novas proteínas ou novos compostos que se formam nos alimentos geneticamente modificados, pode ocorrer aumento das alergias alimentares, afecção subestimada pelas autoridades sanitárias e pelas empresas e que acomete parcela significativa da população.

Essa possibilidade não é tão remota assim, como foi demonstrado no caso da soja da Pioneer Hi-breed, que recebeu um gene da castanha-do-pará, causando alergia em pessoas que também eram sensíveis à castanha.

Em março de 1999, pesquisadores do Instituto de Nutrição de York, Reino Unido, revelaram o aumento de 50% nos casos de alergia à soja em 1998, afirmando que esses resultados poderiam ser devidos à introdução da soja geneticamente modificada na alimentação;

essa possibilidade de que aumentem as alergias alimentares pela introdução dos transgênicos reforça, também, a necessidade da rotulagem plena desses alimentos.
Os dados norte-americanos disponíveis estimam a incidência dessa doença em 1,5% da população adulta e 5% das crianças com menos de três anos.


Para Maden: "a multidão de substâncias que podem causar reações alimentares adversas e a falta de bons testes tornam difícil a tarefa do diagnóstico correto.

As autoridades deveriam estar conscientes dos riscos do alimento não tradicional e do uso novo de alimentos convencionais. Deveria ser obrigatória a rotulagem para mostrar a natureza dos ingredientes, especialmente os alergênicos";


• outra preocupação refere-se à possibilidade do aumento da resistência bacteriana a antibióticos, pelo uso de genes marcadores que conferem essa característica à "construção" dos alimentos geneticamente modificados e que podem ser transferidos a bactérias que infectam o ser humano e os animais.

O aparecimento de superbactérias resistentes a todos os antibióticos é hoje a maior preocupação das autoridades mundiais de saúde.

Em maio de 1999, a Associação Médica Britânica divulgou um manifesto a esse respeito, pedindo, aliás, a moratória nas autorizações de alimentos transgênicos, apontando o uso desses genes marcadores como uma séria ameaça à saúde pública e apelando pela proibição imediata de seu uso;

• também é relevante a possibilidade de aumento de resíduos de determinados agrotóxicos nos alimentos e nas águas de abastecimento, devido ao uso em quantidade muito maior dessas substâncias em plantas resistentes.

Um bom exemplo ocorreu no Brasil, onde, se não tivessem ocorrido o pedido e o parecer favorável da CTNBio para a liberação da soja RR, resistente a glifosato, o Ministério da Saúde não tentaria aumentar 100 vezes o limite de resíduos desse veneno nos produtos à base de soja (Portaria 764, de 24 de setembro de 1998), ou seja, de 0,2 parte por milhão para 20 partes por milhão, constituindo-se em conseqüência danosa para os consumidores;

• além dos aspectos sanitários propriamente ditos, o impacto dos transgênicos do ponto de vista ambiental, que também vem sendo absurdamente desconsiderado, pode trazer de forma indireta riscos à saúde e à segurança alimentar.

Com relação à rotulagem,
em 18 de julho de 2001, o presidente da República baixou o Decreto 3.871. Na opinião do Idec, o referido decreto desrespeita o consumidor, pois restringe a rotulagem aos embalados (ou seja, os alimentos in natura não serão rotulados) em que seja detectada a presença de transgênico (ou seja, exclui os produtos altamente processados – que representam uma enorme quantidade de alimentos) e, ainda assim, só acima do percentual de 4% por ingrediente transgênico.

O Idec e o Ministério Público Federal ajuizaram uma ação civil pública questionando a validade do Decreto 3.871/01. Não foi deferida a liminar, mas a decisão final ainda está em pendência de julgamento.

mais:
http://www.fapepi.pi.gov.br/sapiencia/entrevista.php

Para esclarecer um pouco mais sobre esse assunto e tentar abrir caminhos mais embasados para a discussão, o Sapiência entrevistou o pesquisador da Embrapa Meio Norte, em Teresina, o engenheiro agrônomo, com doutorado em Genética de Plantas, no Texas, EUA, Valdomiro Aurélio Barbosa de Souza.

Ele afirma que o problema maior no Brasil é a falta de aparelhamento do Estado para fiscalização, o que dificulta mais ainda a liberação da produção e comercialização de alimentos transgênicos e os discursos ideológicos sem fontes científicas.

IS– Com a soja transgênica sendo comercializada livremente no Brasil, estamos consumindo, portanto, produtos geneticamente modificados, como óleo e margarina. Existem estudos para averiguar possíveis riscos para a saúde humana, já que não se sabe ao certo que mudanças são feitas em laboratório?

Valdomiro – Primeiro ponto: estamos consumindo alimentos transgênicos no Brasil desde 1996, quando foram liberados nos Estados Unidos, Argentina... pois somos importadores de produtos processáveis.

Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos produtos processáveis tem componentes transgênicos. Na verdade, essas modificações na soja são bastante monitoradas.

Com relação aos efeitos na saúde humana, até hoje – são sete anos que mais de dois bilhões de pessoas estão se alimentando com componentes transgênicos – não tem um só caso registrado na literatura de alguém que tenha entrado no hospital e até morrido devido à ingestão de algum alimento GM.

O que se tem hoje são alergias; em torno de três a quatro por cento das pessoas são alérgicas a uma série de produtos, por exemplo, nozes, leite, peixes e mariscos. Os transgênicos também podem conter alergênicos, mas não devido ao processo de transgenia em si, e sim devido ao gene inserido ser alergênico.

IS– Pode citar algum exemplo de OGM que tenha efeito alergênico?

Valdomiro - Na década de 90, a Embrapa fez uma experiência com castanha do pará, que tem uma proteína essencial ao nosso organismo.

A idéia era inserir essa proteína no feijão e enriquecer um alimento comum em populações pobres. Então transferiu esse gene para o feijão, que foi testado nos Estados Unidos. Essa proteína causou alergias em pessoas submetidas a testes.

Fonte

Mundo tem 5 anos para fazer frente à mudança climática, alerta WWF

Por Peter CapellaGENEBRA, 15 maio (AFP) - Os governos têm cinco anos para tomar decisões sobre a mudança climática e, assim, lidar com a esperada duplicação na demanda de energia nos próximos 50 anos, alertou o Fundo Mundial para a Natureza (WWW) em um relatório publicado nesta terça-feira.

Se este limite de cinco anos não for cumprido, o planeta pode ser exposto a um aquecimento perigoso, além de forçar a adoção de medidas difíceis e caras, o que causaria um sério dano para a economia global, acrescentou o WWF em seu relatório.

"A questão para líderes e governos de todos os lugares é como reduzir o nível das emissões de dióxido de carbono sem interromper o desenvolvimento e reduzir o padrão de vida", disse o diretor geral da WWF, James Leape.

"Nós temos pouco tempo para plantar as sementes da mudança e isso significa que temos que agir nos próximos cinco anos. Nós não podemos desperdiçá-los", acrescentou.

O relatório lançou o objetivo de limitar o crescimento da média global de temperatura em 2°C para níveis pré-industriais em 2050 - comparados com o 0,7°C de agora - e um corte de 50% nas emissões dos gases que provocam o efeito estufa.

O WWF forneceu dados para um recente relatório feito por uma equipe de cientistas da ONU. Eles afirmaram que as piores conseqüências do aquecimento global poderiam ser evitadas com tecnologias já conhecidas e medidas de racionamento energético.

Entretanto, o Fundo disse que as decisoes políticas e econômicas que vêm sendo tomadas estão "em um diferente e perigoso caminho".

O relatório apresenta seis soluções-chave, entre eles o uso mais eficiente da energia, a reversão do desmatamento, a aceleração do desenvolvimento das tecnologias de emissão e também o armazenamento de energia.

O WWF também quer que usinas baseadas na queima de carvão sejam substituídas por gás, e que haja mais captura e separação de carbono para lidar com a contínua emissão de combustíveis fósseis, como o petróleo.

Juntos, os países podem cortar a emissão de dióxido de carbono em uma porcentagem entre 60% e 80% até 2050, se as medidas forem implementadas a tempo.

Leape aconselhou o investimento na otimização energética de edifícios e meios de transportes, porque eles são simples e podem trazer muitos benefícios a um custo relativamente baixo e com pequeno risco.

O relatório, por outro lado, não aconselha o uso da energia nuclear, apesar dela não emitir nenhum gás tóxico. O WWF teme que haja poluição radioativa e proliferação de armas.

O relatório ressaltou que se decisões conjuntas forem tomadas pelos países em cinco anos, as medidas podem começar a ter o impacto desejado em uma década, "baseado nos obstáculos reais" quanto à adaptação da indústria.

Intitulado "Soluções para o Clima: visão do WWF para 2050", o relatório foi produzido por uma força-tarefa que incluiu 100 cientistas e especialistas.

O relatório se concentrou apenas no que é conhecido sobre tecnologias e fontes disponíveis e considerou a habilidade industrial de lidar com a mudança, não levando em consideração os custos econômicos ou as políticas necessárias para implentar as medidas.

Mas o WWF informou que está consciente de que o fim do predomínio do petróleo e do carvão, interropendo o uso da energia nuclear, ou a expansão rápida e não sustentada dos biocombustíveis, poderiam causar enormes levantes sociais, ambientais e econômicos se forem mal administrados.

Relatórios do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPPC) da ONU ressaltaram este ano que esforços para estabilizar o nível do efeito estufa para os próximos 20 ou 30 anos seriam cruciais na luta contra o aquecimento global.

Os cientistas do IPPC afirmaram que as emissões de dióxido de carbono por indústrias, veículos e equipamentos domésticos já causaram impacto no clima mundial. Eles alertaram para o grande dano que a ação humana vai trazer para os próprios homens e para os animais este século se mudanças não forem feitas.

Energia limpa pode conter aquecimento global, diz WWF

Por Laura MacInnis
GENEBRA (Reuters) - O mundo é capaz de evitar os efeitos mais graves das alterações no clima investindo em fontes limpas de energia, desde que o abandono dos combustíveis fósseis comece em no máximo cinco anos, disse na terça-feira o grupo ambientalista WWF.

Em seu relatório Soluções para o Clima, o grupo, com sede na Suíça, argumentou que a energia de fontes "benignas", como a solar e a eólica, pode satisfazer a crescente demanda do mundo, mantendo a elevação da temperatura média abaixo dos 2 graus Celsius, limiar encarado como o menos perigoso para o mundo.

Os cientistas acreditam que uma elevação acima disso produza graves distúrbios no clima, como tempestades, enchentes e secas, que podem devastar áreas que abrigam milhões de pessoas.

A WWF disse que é possível substituir em grande escala o petróleo, o carvão e outros combustíveis que emitem carbono por energia de fontes renováveis, se os governos tiverem entrado num acordo até 2012 para estabelecer metas e coordenar investimentos para desenvolvê-las.

"Daqui a cinco anos pode ser tarde demais para dar início a uma transição sustentável que possa evitar a violação do limiar de 2 graus", afirmou a entidade.

"Se isso acontecer, opções perigosamente insustentáveis podem nos ser impostas ou teremos de enfrentar intervenções mais graves, que terão impacto significativo sobre a economia global."

Durante a transição, segundo a WWF, os países ricos devem equipar suas usinas de combustíveis fósseis com tecnologias de captação e armazenamento de carbono para reduzir as emissões do gás estufa na atmosfera.

O gás natural também deve ser usado como "combustível de transição" substituindo o carvão no curto e médio prazo, afirmou a WWF, que também pediu inovações para tornar carros, aviões, navios e edifícios mais econômicos em termos do consumo de energia.

Para os países pobres e em desenvolvimento, a energia limpa pode ser introduzida conforme for ficando mais barata.

A entidade afirmou, no entanto, que a energia nuclear é uma alternativa inaceitável aos combustíveis fósseis devido a seu alto custo e à preocupação com a segurança e com a proliferação de armas.

"Existem tecnologias positivas disponíveis em número mais que suficiente", afirmou o texto.

A WWF recomendou menos viagens de automóvel e de avião e pediu aos governos que combatam o desmatamento, especialmente nos países tropicais. Grandes projetos de hidrelétricas também devem ser evitados por afetar bacias hidrográficas e inundar terras férteis, afirmou o grupo.

Altas temperaturas derreteram área extensa da Antártida durante verão de 2005

Washington, 15 maio (EFE).- Uma extensa área da Antártida Ocidental derreteu por causa das altas temperaturas registradas durante o verão de 2005 no hemisfério sul, informou hoje o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, sigla em inglês).

A agência da Nasa, que usou em sua pesquisa o satélite QuickScat, determinou que o calor registrado nesta região poderia acelerar o degelo nas camadas mais profundas da superfície antártica.

A área em questão, similar à superfície do estado da Califórnia, derreteu inicialmente e depois voltou a se congelar. No entanto, depois deu lugar ao degelo mais significativo dos últimos 30 anos, afirmam os pesquisadores.

Os responsáveis pelo estudo foram Son Nghiem, do JPL da Nasa em Pasadena (Califórnia), e Konrad Steffen, da Universidade do Colorado em Boulder, que mediram a acumulação de neve e o degelo na Antártida entre julho de 1999 e julho de 2005.

Segundo um comunicado do JPL, os dois descobriram que havia acontecido um derretimento considerável em uma extensa área do oeste do continente gelado.

A zona incluía altas elevações e localidades nas quais em janeiro de 2005 as temperaturas chegaram a cinco graus centígrados.

"Caso persistam os aumentos do degelo, como o que aconteceu em janeiro de 2005, poderia se registrar um degelo em maior escala na Antártida", declarou Steffen.

Steffen expressou seu temor de que a água procedente do degelo sirva como lubrificante da base das camadas de gelo.

"Isto faria com que a massa de gelo se movimentasse mais rapidamente em direção ao oceano, o que aumentaria os níveis marítimos", concluiu.

Descoberto um verdadeiro tesouro de biodiversidade no oceano Antártico

Por Marlowe Hood
PARIS, 16 maio (AFP) - A escuridão das profundezas do oceano Antártico Sul esconde um surpreendente e diversificado tesouro oculto da vida marinha, que inclusive conta com mais de 700 espécies desconhecidas até agora, segundo estudo divulgado na edição desta quarta-feira da revista científica britânica Nature.

Uma série de expedições com duração de mais de três anos coletou amostras da fauna que vive a seis quilômetros da superfície terrestre no mar de Weddel, uma região pouco conhecida que fornece grande parte das águas profundas em circulação nos oceanos do mundo.

Angelika Brandt, bióloga marinha do Museu Zoológico de Hamburgo e uma das autoras responsáveis pelo estudo, disse que o consórcio internacional de pesquisadores, que fez a descoberta, ficou muito surpreso com o que encontrou.

"Ficamos espantados com o número de novas espécies, esperávamos encontrar o mesmo padrão" de baixa biodiversidade detectado nos oceanos em torno do Pólo Norte, disse ela em entrevista à AFP.

A maior parte das novas formas de vida encontradas é composta por isópodes, uma vasta ordem de crustáceos, com tamanho que varia do microscópico a até 30 centímetros de comprimento.

Das 674 espécies catalogadas, mais de 80% nunca tinham sido identificadas antes. As expedições também encontraram 160 espécies de gastrópodes e bivalves, além de 76 tipos de esponjas, 17 delas completamente novas para a ciência.

"O que já foi tido como um inóspito abismo é, na verdade, um ambiente dinâmico, variado e biologicamente rico", disse Katrin Linse, uma das 21 co-autoras do estudo.

"Encontrar esse extraordinário tesouro oculto da vida marinha é o nosso primeiro passo para entender o complexo relacionamento entre o oceano profundo" e a distribuição da fauna, acrescentou.

Brandt ficou especialmente surpresa com uma pequena amebóide, a Epistominella exigua, que parece se desenvolver em ambientes abaixo dos 6.000 metros tão bem como se estivesse em águas rasas, mostrando "uma impensada capacidade de se adaptar bem a um ambiente de alta pressão".

Estudos anteriores estimavam que as profundezas do Antártico poderiam ser tão precárias em vida marinha quanto o Ártico. Existem duas possíveis explicações para a drástica diferença entre os dois ecossistemas polares, explicou Brandt.

A primeira é que o Ártico é muito novo. "No Antártico, a vida marinha está sendo submetida à evolução a pelo menos 20 milhões de anos, enquanto que para o Ártico, o tempo foi muito menor", disse ela.

A segunda, que não exclui a primeira, se relaciona com o papel crítico do Mar do Sul na circulação de águas profundas pelos oceanos do mundo.

O movimento de maciças quantidades de água pelas áreas pesquisadas "pode alimentar melhor os animais do que em qualquer outro oceano profundo", completou a pesquisadora.

Vegetarianos britânicos boicotam chocolate com enzima animal

LONDRES, 14 MAI (ANSA) - A partir deste mês, a companhia alimentar Masterfoods incluiu na fabricação de seus produtos - entre os quais estão os chocolates Galaxy, Snickers, Twix, Mars e Bounty - uma enzima proveniente do estômago de bezerros, normalmente utilizada na produção de queijo.

"Não nos agrada a idéia de não poder comer um Mars sem matar um bezerro", denunciou Liz O'Neil, porta-voz da entidade britânica Vegetarian Society. "Até agora não recebemos nenhuma explicação clara e satisfatória da Masterfoods sobre por que ela decidiu utilizar um produto de origem animal quando antes usavam uma alternativa vegetal", ressaltou.

"De todo modo não podemos mais definir esses produtos como adequados aos vegetarianos", concluiu a ativista. Os lotes de chocolates da Masterfoods que perdem a validade depois do dia 1º de outubro já contêm a enzima animal. A empresa declarou que reembolsará quem tenha comprado um chocolate dos lotes mais recentes e não o possa comer. (ANSA)

Fonte: http://bichos.uol.com.br/ultnot/ult295u2588.jhtm

Células da pele podem combater a calvície

Lamentamos as experiências em ratinhos...

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A pele pode ter a capacidade de regenerar folículos capilares perdidos a partir do interior, revela uma nova descoberta que pode vir a fornecer melhores tratamentos para a calvície ou para o crescimento anormal de pelos e cabelos.


Investigadores americanos descobriram que, quando a pele é ferida, as células epidérmicas podem responder funcionando como células estaminais que dão origem aos folículos capilares, fazendo crescer novo cabelo.

É o que acontece em ratos, relata George Cotsarelis da Escola de medicina da Universidade da Pensilvânia em Filadélfia. Se o mesmo for verdade para a pele humana, a pesquisa lança a possibilidade de homens mais velhos com calvície estabelecida poderem ser restabelecidos à sua velha e hirsuta glória.

Os investigadores removeram pedaços de pele de ratos e estudaram os ferimentos enquanto saravam, nas semanas seguintes. Tal como relatam na revista Nature, as células que originalmente não estavam associadas a folículos pilosos começaram a expressar genes que se encontram em células estaminais que originam folículos durante o desenvolvimento embrionário do animal. O crescimento piloso ocorria independentemente da idade do rato, relata o investigador, ainda que os novos pelos não fossem pigmentados.

O processo ocorreu naturalmente após o ferimento mas os investigadores descobriram que podiam incrementar o efeito utilizando ratos geneticamente modificados para produzir níveis mais elevados de proteínas que activam o percurso genético por trás da transformação em células estaminais foliculares. Estes ratos responderam ao ferimento produzindo mais do dobro da densidade de pelos encontrada na pelagem de ratos normais.

Cotsarelis espera agora imitar o processo em humanos, propondo um tratamento semelhante à dermoabrazão usada para tratar pele marcada pelo acne, um processo que tira partido de um dano suave para encorajar os processos de cicatrização de ferimentos, combinada com um creme tópico que active o percurso genético.

"É tudo preliminar de momento", diz Cotsarelis, que ajudou a fundar a companhia Follica para introduzir a ideia no mercado. "Se tudo correr perfeitamente então possivelmente em dois ou três anos teremos um produto, mas é uma visão muito optimista."

Até agora era geralmente aceite que os folículos capilares não podem ser repostos após a pessoa atingir a maturidade, logo uma vez perdidos, seja por danos à pele ou pelos efeitos promotores da calvície de algumas hormonas, estão perdidos para sempre.

Apesar de os peritos terem primeiro sugerido que o crescimento de novos folículos podia ser possível há mais de meio século, ninguém tinha ainda aprovado que a capacidade regenerativa destas células.
O facto de que ocorre como resultado de danos na pele pode explicar porque o processo demorou tanto tempo a ser descoberto e comprovado, reflecte Cotsarelis. "A maioria das pessoas que estudam os ferimentos na pele não prestam atenção aos folículos pilosos, vêem a cicatrização da ferida como o ponto final do processo."

A descoberta abre novas perspectivas sobre a forma de funcionamento da pele. A investigação "fornece provas de que a pele tem espantosos poderes de regeneração, não apenas de reparação", diz Desmond Tobin, biólogo celular da Universidade de Bradford, Reino Unido.

Mas os tratamentos contra a calvície vão o ser o focos inevitável de outras investigações nesta área.

Os tratamentos actuais contra a calvície incluem o minoxidil, que dilata os vasos sanguíneos do escalpe, anti-androgénios que tentam minimizar os efeitos devastadores da testosterona e hormonas semelhantes e transplantes de folículos e de cabelo.

Estes tratamentos levam a "processo longo e lento", diz Carol Michaelides, consultora do Philip Kingsley Trichological Clinic de Londres. Ainda mais, as hipóteses de sucesso diminuem com a idade e com o grau de calvície implantada. "A base aceitável é 30 cabelos por centímetro quadrado", diz Michaelides. Uma cabeça saudável tem muitas centenas de cabelos na mesma área de escalpe.

Outra área de pesquisa actualmente em curso é a ideia de transplantar células estaminais foliculares para o escalpe, ainda que essa abordagem também ainda esteja a vários anos das clínicas, diz Michaelides. Mas se o escalpe puder ser induzido a criar os seus próprios novos folículos, será "um grande passo em frente", conclui ela.

Saber mais:

University of Pennsylvania School of Medicine

Philip Kingsley Trichological Clinic

Science of hair - The roots of accomplishment

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Solidariedade Animal


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terça-feira, 15 de maio de 2007

Óleos - Gorduras e Companhia...

A farsa da margarina - Margarina, Ácidos Graxos (Ácidos Gordos em Portugal) e sua saúde

Para manter a boa saúde é importante termos em nossa dieta a quantidade adequada de ácidos graxos ômega. Gorduras hidrogenadas como a margarina são não-alimentos com efeitos tóxicos e devem ser revitadas a qualquer custo.


Referencias:
Nexus Magazine, Volume 4, nº. 2 (Fevereiro-Março 1997)

Gordura e colesterol

A gordura, na dieta, constitui uma fonte de energia concentrada. Os tijolos que compõem as gorduras chamam-se ácidos graxos.

As gorduras podem ser saturadas, mono-insaturadas ou poli-insaturadas. Alimentos ricos em gorduras saturadas costumam ser de origem animal. As gorduras vegetais são, em geral, insaturadas.

As gorduras saturadas elevam o nível de colesterol no sangue. O colesterol existe nos alimentos animais, mas não nos de origem vegetal. É essencial para o metabolismo, mas não é necessário na dieta pois nosso corpo pode produzir todo o colesterol de que precisa. O alto nível de colesterol no sangue é associado ao aumento do risco de doenças cardíacas.

Gorduras e óleos são, em essência, a mesma coisa. As gorduras tendem a ser sólidas à temperatura ambiente enquanto os óleos são líquidos. O termo lipídio inclui tanto gorduras quanto óleos.


Estrutura e funções

As gorduras se constituem de ácidos graxos e glicerol. Quase todas as gorduras de nosso corpo e dos alimentos são triglicerídeos formados de três moléculas de ácido graxo e uma de glicerol. Há cerca de 16 ácidos graxos graxos que são mais comuns nos alimentos. A natureza das gorduras depende dos ácidos graxos que as formam.

As gorduras podem ser classificadas como saturadas, mono-insaturadas e poli-insaturadas, dependendo do tipo de ligação química presente no ácido graxo. Se um ácido graxo tem todos os átomos de hidrogênio possíveis em sua molécula, é chamado de saturado. No entanto, se alguns dos átomos de hidrogênios estiverem ausentes e a ligação comum simples entre átomos de carbono for substituída por uma ligação dupla, o ácido graxo será
insaturado. Caso só exista uma única ligação dupla, ele será mono-insaturado. Se houver mais de uma, será poli-insaturado. A maioria das gorduras contêm diferentes proporções de cada um desses três tipos básicos de ácidos graxos, mas costumam ser classificadas segundo o tipo predominante.

As gorduras saturadas tendem a ser gorduras animais, e são sólidas à temperatura ambiente. Manteiga, banha, sebo e a gordura da carne são gorduras saturadas. As gorduras insaturadas são líquidas à temperatura ambiente. Costumam ser de origem vegetal, embora os óleos de peixe também possam ter grande quantidade de ácidos graxos poli-insaturados. Os óleos
vegetais podem ser endurecidos com a adição de átomos de hidrogênio e a conversão de ligações duplas em ligações simples. Este processo é conhecido como hidrogenação.

Os óleos vegetais hidrogenados costumam estar presentes na margarina e em outros alimentos industrializados.

A gordura tem várias funções importantes no organismo. Além de fonte concentrada de energia, a gordura serve de meio de transporte para as vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. A gordura também é essencial para a estrutura das membranas celulares e é precursora de muitos hormônios.

Ácidos graxos essenciais

Dois ácidos graxos são chamados de essenciais: o ácido linoleico e o a-linolênico. Devem estar presentes na dieta, pois o corpo é incapaz de produzi-los sozinho. Estão presentes em abundância em óleos vegetais como o de girassol, o de canela e o de soja.

No corpo o ácido linoleico é convertido em ácido araquidônico, utilizado na fabricação de prostaglandinas e outros compostos vitais. Por causa desta conversão, o ácido araquidônico não é um ácido graxo essencial, como já se pensou. O ácido a-linolênico é convertido em ácido eicosapentanóico (EPA), importante para o funcionamento adequado dos nervos. O EPA está presente em óleos de peixe e é considerado benéfico na redução dos sintomas da artrite e do risco de doença cardíaca. Por esta razão, os óleos de peixe são, às vezes, usados de forma terapêutica. Óleos vegetais que contenham grande quantidade de ácido a-linolênico podem ser usados como alternativa pelos vegetarianos. Sementes de linhaça e o seu óleo são fontes especialmente ricas de ácido a-linolênico.

Colesterol

O colesterol pertence ao grupo de gorduras esteróides. Aparece em todos os tecidos animais, mas está ausente das plantas.

O colesterol é componente essencial das membranas celulares e precursor dos ácidos da bile e de certos hormônios. O organismo pode fabricar seu próprio colesterol, e assim não é necessária uma fonte dietética.

O colesterol é transportado por várias proteínas, e forma moléculas complexas chamadas lipoproteínas. Há quatro tipos principais de lipoproteínas envolvidas no transporte do colesterol. As mais conhecidas são a lipoproteína de baixa densidade (LDL) e a lipoproteína de alta densidade (HDL).

O colesterol pode formar placas nas paredes das artérias caso seu nível no sangue seja alto demais. Isso pode levar à aterosclerose. Por causa disso, o nível alto de colesterol no sangue está ligado à doença cardíaca. É o colesterol das LDL que tem sido ligado à doença cardíaca. O colesterol das HDL pode ajudar a proteger o organismo do risco de doença cardíaca.

A quantidade de colesterol na dieta não está claramente relacionada ao nível de colesterol no sangue. O colesterol do sangue tem maior relação com a quantidade de gordura saturada na dieta, já que a gordura saturada eleva o nível de colesterol no sangue. As gorduras insaturadas provavelmente não elevam o nível de colesterol do sangue, e podem até ajudar a reduzi-lo.

Ácidos graxos do tipo trans

Existem ácidos graxos insaturados com duas formas geométricas diferentes, chamadas cis e trans. Os ácidos graxos insaturados existem na natureza na forma cis. Durante processos de industrialização dos alimentos estes ácidos graxos cis podem ser transformados em ácidos graxos trans. A hidrogenação da margarina faz com que isso aconteça. Já houve indicações de que os ácidos graxos trans podem aumentar o risco de doença cardíaca.

Radicais livres

Os radicais livres são moléculas muito reativas que já foram relacionadas às doenças cardíacas e ao câncer. Vários fatores, como álcool, estresse e poluentes ambientais, podem aumentar a geração de radicais livres no organismo. As gorduras poli-insaturadas também podem gerar radicais livres, principalmente quando expostas ao calor e ao sol. Por isso recomenda-se armazenar os óleos vegetais longe da luz direta do sol.

O azeite de oliva, mono-insaturado, é menos vulnerável à geração de radicais livres e, assim, é a melhor opção para frituras.

Anti-oxidantes como as vitaminas A, C e E protegem o corpo dos radicais livres. Frutas e legumes frescos são ricos nesses anti-oxidantes.

Fontes dietéticas

As gorduras saturadas vêm quase sempre de alimentos animais. Carne, ovos e laticínios, todos contêm gorduras saturadas. A banha e o sebo são gorduras saturadas. O óleo de coco e o de palma são fontes vegetais de gorduras saturadas. O azeite de oliva é uma gordura mono-insaturada. As gorduras poli-insaturadas costumam ser de origem vegetal.

A proporção entre gorduras poli-insaturadas e saturadas na dieta é chamada muitas vezes de razão P:S.

O colesterol existe em todos os alimentos animais, mas não nos vegetais. Gema de ovo e leite e laticínios integrais são ricos em colesterol.

Ingestão recomendada

Atualmente, acredita-se que cerca de 42% da energia da dieta típica britânica seja oriunda de gordura. O conselho é reduzir esta proporção. O relatório do COMA (Comitê de Aspectos Médicos da Política Alimentar) defende que no máximo 35% da necessidade diária de energia venha da gordura, enquanto o artigo do NACNE (Comitê Consultivo Nacional de Educação Nutricional) recomenda a redução para não mais que 30%. Dá-se ênfase
especial à redução da quantidade de gordura saturada na dieta.

As dietas vegetarianas tendem a apresentar níveis mais baixos de gordura que as dietas onívoras. No entanto, os vegetarianos que consomem laticínios e produtos industrializados ainda podem estar consumindo gordura demais. O conselho para os vegetarianos é manter mínima a ingestão de gordura, evitar laticínios com alto teor de gordura e alimentos industrializados que contenham gordura do leite e gorduras vegetais hidrogenadas, e usar azeite de oliva na cozinha.

OS RÓTULOS MENTIROSOS DOS "ALIMENTOS SAUDÁVEIS" ( artigo do Dr. Dane Roubos)

NOTA: O autor do artigo refere óleos que consideramos pouco saudáveis como é o caso do óleo de canola, normalmente trangénico)

Você já gastou aquele dinheirinho extra para comprar um alimento natural de alta qualidade, ou uma vitamina, só para descobrir mais tarde que não era nada do que anunciava? Já aconteceu em nossa família mais de uma vez. Nossa experiência mais recente foi com uma linha de óleos vegetais vendida em lojas e cooperativas naturais. As garrafas, com belos rótulos, alardeavam a técnica especial de processamento em baixa temperatura e a qualidade superior do produto. Já vínhamos usando o óleo de canola daquele fabricante há vários anos quando decidi escrever à companhia com algumas perguntas e pedindo informações sobre o óleo que vendiam.

Ficamos chocados ao descobrir que o óleo de canola "prensado a frio" e "levemente refinado" era sujeito às mesmas temperaturas altas (232°-260° Celsius) e à maioria dos processos químicos usados nos óleos comuns! A principal diferença é que não usavam solventes químicos para extrair o óleo das sementes nem adicionavam preservativos e anti-espumantes.

Desapontado, e decidido a encontrar uma fonte de óleos saudáveis para minha família, comecei a procurar mais informações sobre a produção de óleos alimentícios para suplementar meus poucos conhecimentos. Este artigo é o resultado desta pesquisa até agora, e vai lhe fornecer informações necessárias para que você possa selecionar alimentos e óleos mais saudáveis para sua família.

A IMPORTÂNCIA DOS ÁCIDOS GRAXOS

Os ácidos graxos são essenciais para a vida e o funcionamento normal das nossas células. A membrana celular permite a passagem dos sais minerais e das moléculas necessárias para dentro e para fora de nossas células. A membrana celular saudável dificulta a entrada na célula de substâncias químicas perigosas e de organismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Essa membrana também tem receptores químicos para os hormônios, que são os principais mensageiros do corpo. Os ácidos graxos participam de incontáveis processos químicos de nosso corpo e são utilizados como "tijolos" na fabricação de alguns hormônios.

Há dois tipos de ácidos graxos - ômega-3 e ômega-6 - que não podem ser fabricados pelo organismo, e assim precisam ser obtidos através dos alimentos. São os chamados "ácidos graxos essenciais" (EFAs, em inglês), e quando existem em quantidade suficiente no corpo são usados para fabricar os outros ácidos graxos de que precisamos.

A suplementação de EFAs na alimentação tem ajudado muitas pessoas com alergias, anemia, artrite, câncer, candidíase, depressão, pele seca, eczemas, fadiga, doença cardíaca, inflamações, esclerose múltipla, tensão pré-menstrual, psoríase, retardamento do metabolismo, infecções virais etc., e facilitado o processo de recuperação de viciados.

GORDURAS "TRANS" E PERTURBAÇÕES QUÍMICAS

Os ácidos graxos existentes na natureza apresentam ligações duplas entre os átomos com uma configuração especial chamada de "cis" pelos bioquímicos. Na ligação do tipo "cis" as moléculas se torcem de forma que os dois átomos de hidrogênio fiquem do mesmo lado da ligação dupla. Isto significa que a ligação entre os átomos é mais fraca por causa da forma irregular, o que provoca um ponto de fusão mais baixo - ou, no dialeto dos supermercados, não são sólidas à temperatura ambiente. Gorduras com ligações do tipo "trans" ou que não tenham ligações duplas ("gorduras saturadas") são sólidas à temperatura ambiente.

Para fabricar margarina, adicionam-se átomos de hidrogênio às moléculas de gordura para que fiquem mais saturadas, elevando o ponto de fusão para que o óleo permaneça sólido à temperatura ambiente, ou seja, para que a margarina não escorra pela mesa. Este processo, chamado "hidrogenação", exige a presença de um catalisador metálico e temperaturas em torno de 260°C para que a reação aconteça. Assim, cerca de metade das ligações "cis" transformam-se em ligações "trans".

A hidrogenação passou a ser muito usada nos Estados Unidos porque este tipo de óleo não se estraga nem fica rançoso tão depressa quanto o óleo comum, e assim tem uma vida de prateleira maior. Você pode deixar um cubo de margarina exposto durante anos e ele não será atacado por fungos, insetos ou roedores. A margarina é um não-alimento! Parece que só os seres humanos são idiotas o bastante para comê-la! Como a gordura da margarina é parcialmente hidrogenada (ou seja, não totalmente saturada), os fabricantes podem dizer que é "poli-insaturada" e vendê-la como alimento saudável.

Muitos outras substâncias químicas gordurosas aparecem quando os óleos são parcialmente hidrogenados. Em "Fatos que Curam, Fatos que Matam", Udo Erasmos afirma: "A quantidade de compostos diferentes que podem surgir durante a hidrogenação parcial é tamanha que desafia a nossa imaginação... Nem é preciso dizer que a indústria não se dispõe a financiar ou divulgar estudos completos e sistemáticos dos tipos de substâncias químicas produzidos e seus efeitos sobre a saúde"1.

Erasmus também cita uma afirmação sobre a hidrogenação feita por Herbert Dutton, um dos químicos mais antigos e famosos a estudar gorduras na América do Norte. Basicamente, ele diz que, por causa dos efeitos conhecidos e desconhecidos destes subprodutos da hidrogenação, os regulamentos governamentais sobre a saúde não permitiriam que o processo fosse usado na produção de alimentos, caso tivesse sido inventado hoje em dia.

Outro "efeito colateral" da hidrogenação é deixar um resíduo de metais tóxicos, geralmente níquel e alumínio, no produto final. Estes metais são usados como catalisadores da reação, mas se acumulam em nossas células e sistema nervoso, onde envenenam o sistema enzimático e alteram as funções celulares, colocando a saúde em perigo e provocando grande variedade de problemas. Estes metais tóxicos são difíceis de eliminar sem técnicas especiais de desintoxicação, e nossa "carga tóxica" aumenta muito com pequenas exposições ao longo do tempo. Como estes elementos são cada vez mais presentes no ar, nos alimentos e na água, as doses cumulativas podem ir se somando até chegar com o tempo a níveis perigosos.

Como não existem na natureza gorduras com ligações "trans", nosso organismo não sabe lidar com elas, que acabam agindo como venenos em reações celulares importantes. O corpo tenta usá-las como usaria o tipo "cis", e elas acabam indo parar na membrana celular e em outros lugares onde não deveriam estar.

Nos últimos anos, foram feitas medições de gorduras "trans" na membrana das células vermelhas do sangue humano, e o nível chegou a 20%, quando deveria ser zero. Foram usadas células vermelhas porque são fáceis de conseguir, mas podemos supor que a maioria das outras membranas celulares do corpo também contêm estas gorduras antinaturais.

Os ácidos graxos com ligações "trans" presentes na membrana celular enfraquecem a estrutura da membrana e sua função protetora. Eles alteram a passagem normal de sais minerais e outros nutrientes pela membrana e permitem que micróbios patogênicos e substâncias químicas tóxicas penetrem na célula com mais facilidade. O resultado: células doentes e enfraquecidas, mau funcionamento do organismo e um sistema imunológico exausto - em resumo, queda da resistência e aumento do risco de doenças.

As gorduras "trans" também podem desorganizar o mecanismo normal do organismo de eliminação do colesterol. O fígado costuma lançar o excesso de colesterol na bile e enviá-lo para a vesícula, que se esvazia no intestino delgado logo abaixo do estômago. As gorduras "trans" bloqueiam a conversão normal do colesterol no fígado e contribuem para elevar o nível de colesterol no sangue. Também provocam um aumento da densidade de lipoproteínas de baixa densidade (LDLs), considerada um dos principais causadores de aterosclerose (endurecimento das artérias). Além disso, as gorduras "trans" reduzem a quantidade de lipoproteínas de alta densidade (HDLs), que ajudam a proteger o sistema cardiovascular dos efeitos nocivos das LDLs. As gorduras "trans" também aumentam o nível de apolipoproteína A, uma substância do sangue que é outro fator de risco das doenças cardíacas. Na verdade, já se demonstrou que as gorduras "trans" provocam efeitos piores do que as gorduras animais saturadas.

Outro efeito negativo das gorduras "trans" na dieta é o aumento dos hormônios pró-inflamatórios do corpo (prostaglandina E2) e a inibição dos tipos anti-inflamatórios (prostaglandinas E1 e E3). Esta influência indesejada das gorduras "trans" sobre o equilíbrio das prostaglandinas pode deixar você mais vulnerável a condições inflamatórias que vão custar a sarar. As prostaglandinas também controlam muitas funções metabólicas. Quantidades mínimas delas podem provocar grandes mudanças nas reações alérgicas, na pressão sanguínea, na coagulação, nos níveis de colesterol, na atividade hormonal, na função imunológica e na resposta inflamatória, para citar apenas algumas de suas ações.

Muitos destes problemas causados pelas gorduras "trans" já são conhecidos, ou ao menos alvo de suspeitas, há 15 ou 20 anos, mas foram amplamente ignorados nos Estados Unidos. Na Europa, o uso de gorduras "trans" em alimentos é restrito, e alguns países só permitem a presença de 0,1% de ácidos graxos "trans". Pelo contrário, as margarinas americanas podem conter até 30% ou 50%! É claro que a indústria alimentícia nega que isto seja um problema.

Mas continuam aumentando as provas científicas de que as gorduras "trans" contribuem para as doenças cardíacas e possivelmente para outros tipos de doença. Mesmo a conservadora "Harvard Health Letter" refere-se a elas como "o novo inimigo"2.

INTERESSES DISFARÇADOS

Segundo o dr. Russel Jaffe, conhecido médico pesquisador, os criadores de porcos não oferecem gorduras "trans" a seus animais porque os porcos morrerão se as comerem. Quando o dr. Jaffe procurou o Departamento de Agricultura, descobriu que os técnicos sabiam disso, mas não estavam interessados nos possíveis efeitos sobre humanos, já que esta última área não estava sob sua jurisdição. A secretaria americana de alimentos e remédios (FDA) também nada fez a respeito. O fato de que a indústria alimentícia conseguiu esconder tão bem estes fatos do conhecimento público mostra o seu poder político junto aos círculos governamentais e científicos.

A indústria alimentícia financia muitas pesquisas. Os pesquisadores sabem que é fácil prever o resultado de um estudo: basta conhecer quem está financiando. Desta forma, é tolice aceitar cegamente as notícias da imprensa sobre "as últimas pesquisas" sem considerar quem pagou por elas. Há algumas fundações por aí, de aparência bastante científica, que na verdade são organizações de fachada da indústria alimentícia.

A GORDURA EM NOSSA DIETA

A margarina não é o único produto de supermercado a conter quantidade significativa de gorduras "trans". Qualquer "alimento" que tenha as palavras "hidrogenado" ou "parcialmente hidrogenado" no rótulo contém gorduras "trans" e deveria ser evitado. Você vai ficar surpreso ao descobrir quantos produtos na sua cozinha contêm gorduras "trans". Entre eles estão pão, biscoitos e salgadinhos, óleos vegetais refinados e manteiga de amendoim. A maioria das marcas de manteiga de amendoim (muito usada nos Estados Unidos) contém açúcar ou xarope de milho, que exigem demais do pâncreas e são facilmente convertidos em gordura pelo corpo.

Assim, leia sempre o rótulo dos alimentos industrializados e evite os que contenham óleo ou gordura hidrogenada ou parcialmente hidrogenada!

Evite também produtos que contenham óleo de semente de algodão. O algodão não é um produto alimentício e é tratado com pesticidas altamente tóxicos - parte dos quais vai acabar no óleo. Segundo o dr. Jaffe, o óleo de semente de algodão também contém ácidos graxos tóxicos semelhantes aos existentes no óleo de semente de mostarda, que foi usado há 30 anos e acusado de provocar várias mortes antes de ser retirado do mercado. Esses ácidos graxos provocaram doenças quando oferecidos a cães e porcos. O óleo de semente de algodão costuma ser usado para fritar batatas e é encontrado em vários alimentos industrializados.

Hoje em dia, a opinião predominante entre os médicos é de que as gorduras são nocivas e devem ser limitadas em nossa dieta. Ao levar em conta o tipo de gordura que costuma ser consumido nos Estados Unidos, esta talvez seja uma boa idéia. Mas vários estudos mostraram que a quantidade de gordura não é tão importante quanto a sua qualidade e o equilíbrio entre os vários tipos de gordura. Na verdade, os ácidos graxos essenciais (já mencionados) ajudam a controlar os tipos de colesterol fabricados pelo corpo e ajudam a evitar doenças cardíacas. Assim, seria mais prudente reduzir em nossa dieta as gorduras saturadas e as gorduras "trans" antinaturais e aumentar as gorduras essenciais. Muitos cientistas agora defendem esta mudança de ênfase.

O dr. Edward Siguel é um pesquisador premiado que foi convidado a estudar os ácidos graxos no Framingham Cardiovascular Offspring Study. Ele publicou recentemente um livro chamado "Ácidos Graxos Essenciais na Saúde e na Doença"4 . O dr. Siguel desenvolveu um teste de sensibilidade para determinar a quantidade dos vários ácidos graxos encontrados em seres humanos, e descobriu uma relação bem definida entre gorduras "trans" e doença cardíaca. Ele também descobriu que muitas pessoas com doenças cardíacas têm baixo nível de ácidos graxos essenciais. Numa palestra no Segundo Simpósio Anual de Medicina Funcional em 1994, ele afirmou que a insuficiência de ácidos graxos essenciais pode estar por trás de muitas doenças crônicas comuns em sociedades ocidentais. Ele também chamou a atenção para o fato de que dietas pobres em gordura e não baseadas em alimentos integrais podem ser nocivas: "Indivíduos que mantenham peso normal ou baixo comendo alimentos industrializados de pouco valor calórico e com baixo nível de gordura, como cereais, pães e massas vendidos em supermercados, correm sério risco de insuficiência de ácidos graxos essenciais (...) associada ao uso de gorduras hidrogenadas, levando a níveis elevados de ácidos graxos 'trans' na circulação sanguínea (...)"

O leite de muitas mães americanas também apresenta um excesso de gorduras "trans" e baixo nível de ácidos graxos ômega-3. O dr. Donald Rudin, em seu livro "O fenômeno ômega-3", afirmou: "O leite das mães americanas costuma ter apenas entre um quinto e um décimo do conteúdo de ômega-3 do leite que as mães nigerianas bem nutridas de sementes e castanhas dão a seus filhos."5

A Divisão de Pesquisa Nutricional da Health Canada publicou recentemente um estudo esclarecedor. Os pesquisadores analisaram o leite de 198 mães em aleitamento em todo o Canadá, e descobriram que os ácidos graxos "trans" respondiam em média por 7,2% do conteúdo total de ácidos graxos, sendo que a faixa de resultados ia de 0,1% a 17,2%. A análise posterior dessas gorduras "trans" mostrou que sua origem principal eram os óleos vegetais parcialmente hidrogenados (ou seja, margarina). Os pesquisadores também perceberam que a elevação do nível dessas gorduras "trans" aconteceu à custa dos ácidos graxos essenciais, colocando assim o bebê sob um risco duplo num período crucial de seu desenvolvimento6.

Os dois tipos de ácidos graxos essenciais são necessários para o desenvolviemento correto dos tecidos do feto e do bebê, especialmente o sistema nervoso. Segundo John Finnegan, em "Fatos sobre a gordura", os ômega-3 afetam especialmente as partes do cérebro ligadas à capacidade de aprendizado, à ansiedade ou depressão e à percepção auditiva e visual. Também ajudam a equilibrar o sistema imunológico7. Um estudo feito em 1991 pela Clínica Mayo com 19 mulheres grávidas "normais", alimentadas com dietas "normais", mostraram que todas elas tinham deficiência de ácidos graxos ômega-3 e, em menor escala, dos ômega-6. Os pesquisadores recomendaram a suplementação de ácidos graxos ômega-3 em todas as gestações, e que as mulheres evitassem gorduras refinadas e hidrogenadas durante a gravidez 8.

Um estudo publicado na Revista Americana de Nutrição Clínica mostra uma diferença dramática entre as taxas de doenças cardíacas das populações do norte e do sul da Índia 9. Os do norte comiam carne e tinham alto nível de colesterol. Sua principal fonte de gordura na alimentação era o ghee (manteiga clarificada). Os do sul eram vegetarianos e tinham níveis de colesterol muito mais baixos. A "sabedoria" atual diria que os vegetarianos teriam a menor taxa de doenças cardíacas, mas na verdade o contrário é que era verdade. Os vegetarianos tinham uma taxa 15 vezes maior de doenças cardíacas do que a de seus patrícios do norte. Qual a razão de diferença tão surpreendente? Além da oposição entre carne e vegetais, a maior diferença na dieta era que os do sul haviam substituído o ghee tradicional (um alimento de verdade) pela margarina e pelos óleos vegetais refinados e poli-insaturados. Vinte anos depois, a revista médica britânica "The Lancet" observou um aumento das mortes por ataque cardíaco entre os indianos do norte 10. Eles também haviam substituído o ghee de suas dietas pela margarina e pelos óleos vegetais refinados.

Há cem anos, as doenças cardíacas eram quase desconhecidas. Hoje, dois terços dos cidadãos americanos desenvolvem doenças do coração. É claro que aconteceu algo de errado na forma como vivemos, e um dos principais fatores pode bem ser a introdução de óleos super-refinados, superprocessados e desvitalizados.

Outros estudos sustentam esta idéia. Por exemplo, uma pesquisa da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard indicou que a ingestão de óleos vegetais parcialmente hidrogenados pode aumentar o risco de ataque cardíaco11. A pesquisa do dr. Siguel também deu mais peso à teoria de que os ácidos graxos "trans" da dieta são um fator de risco nas doenças do coração12.

Um relatório do Conselho de Nutrição da Dinamarca afirmou que vários estudos sugerem que os ácidos graxos "trans" da margarina são tão ou mais responsáveis pelo desenvolvimento da aterosclerose quanto os ácidos graxos saturados. Eles recomendam a redução do conteúdo de ácidos graxos "trans" em todas as margarinas dinamarquesas a no máximo 5% (era então de 0 a 30%)13.

Outro estudo feito em Boston pelo Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard analisou a dieta de 239 pacientes internados em hospitais da cidade depois de seu primeiro ataque cardíaco, e comparou-a com a dieta de um grupo de controle de 282 pessoas saudáveis. Depois de dar o desconto dos vários estilos de vida, descobriram que a ingestão de margarina associava-se de forma significativa com o risco de infarto do miocárdio14.

Uma estudo da Escola de Medicina de Harvard acompanhou mais de 85.000 mulheres num período de oito anos. Os pesquisadores compararam a dieta das que desenvolveram doenças cardíacas com a das que nada tiveram. Descobriram que as principais fontes de gorduras "trans" na alimentação, como a margarina, estavam associadas de forma significativa com o risco maior de doença coronária e cardíaca15.

PROBLEMAS COM O PROCESSAMENTO COMERCIAL

Os óleos vegetais refinados e poli-insaturados tornaram-se muito populares nos Estados Unidos desde que a onda anticolesterol começou há muitos anos e os médicos passaram a promover seu uso. Quando preparados e utilizados da forma correta, alguns desses óleos são fontes saudáveis de ácidos graxos essenciais. Infelizmente, o processo padrão de refino industrial destrói os ácidos graxos essenciais e cria altos níveis de ácidos graxos "trans", ao mesmo tempo que remove importantes elementos e agentes protetores naturais, como sais minerais e vitamina E.

Em "Fatos sobre gordura" e "Gorduras que curam, gorduras que matam", John Finnegan e Udo Erasmus descrevem o processo comum de refino comercial dos óleos vegetais. Começa com sementes que podem conter alto nível de agrotóxicos (pesticidas e herbicidas). As sementes são esmagadas e sujeitas a uma série de tratamentos químicos em temperaturas acima de 270°C. Esses tratamentos incluem o uso de solventes tóxicos, soda cáustica, preservantes e anti-espumantes, e resultam na destruição dos ácidos graxos essenciais, na perda de vitaminas e sais minerais e na formação de ácidos graxos "trans" e radicais livres. Este é exatamente o contrário do que seria desejado. Tudo isso em nome de uma vida mais longa na prateleira e da aceitação do consumidor (o que sobra parece limpo e bonito!). Isso também acontece com a gordura dos alimentos industrializados, ou seja, quase tudo que vem numa lata ou numa caixa. Lembre-se de ler as letras miúdas dos rótulos!

Segundo Finnegan e Erasmus, os óleos "prensados a frio" encontrados nas lojinhas naturais não são garantia de qualidade. O processo usado ainda gera temperaturas acima de 90°C, e a maioria desses óleos são refinados e desodorizados com o mesmo processo destruidor de nutrientes usados nos óleos comerciais de "supermercado".

Tome cuidado com inscrições como "orgânico" e "natural", porque nos Estados Unidos já houve casos de interpretações fraudulentas destas palavras. Algumas empresas foram flagradas mentindo sobre a origem de suas sementes e usando sementes comerciais comuns em vez de sementes realmente orgânicas (no sentido de não terem agrotóxicos etc.). Houve até mesmo casos de empresas que simplesmente reembalaram óleos e maioneses comuns com um rótulo de "natural" para cobrar preços mais altos pela mercadoria.

Finnegan menciona duas agências confiáveis de certificação nos Estados Unidos: FVO (Farm Verified Organic - orgânico verificado na fazenda) e OCIA (Organic Crop Improvement Association - Associação de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica). Ele conta que só duas empresas seguem seus critérios na produção de óleos naturais: a Omega Nutrition, em Ferndale, e Flora Inc., em Lynden, ambas no estado de Washington. Ele também entrou em contato com um dos mais conhecidos fabricantes de óleos "naturais" do país, que não quis discutir os métodos de processamento de óleo e não lhe permitiu visitar a fábrica.

É preciso notar que, além do calor, a luz e o oxigênio provocam sérios danos aos óleos. Segundo Erasmus, a luz destrói o óleo mil vezes mais depressa que o oxigênio, por isso é importante comprar óleos não refinados embalados em garrafas pretas à prova de luz. O oxigênio pode ser extraído da garrafa e substituído por um gás inerte, como nitrogênio ou argônio. A Omega Nutrition embala seus óleos desta forma. Os óleos Flora são embalados em vidro escuro, que reduz a quantidade de luz mas não a elimina. Embora sejam muito mais caros, esses óleos valem o que custam, levando em conta os fatos apresentados neste artigo.

O EQUILÍBRIO ENTRE OS ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS E NOSSA SAÚDE

Os dois grupos de ácidos graxos essenciais - ômega-3 e ômega-6 - recebem este nome por causa de sua configuração molecular e do lugar onde aparece a primeira ligação "insaturada" na cadeia de átomos de carbono da molécula.

Os óleos ômega-6 são encontrados principalmente nos vegetais e nas sementes. São convertidos em prostaglandinas E1 (já mencionadas) depois de vários processos quimicos. A maioria das pessoas ingere quantidade suficiente desses ácidos graxos, mas algumas têm dificuldade de convertê-los nas prostaglandinas ativas. Este bloqueio costuma ser causado pelo excesso de gorduras "trans", por medicamentos anti-inflamatórios como aspirina ou Tylenol e por deficiências de vitamina B6 ou de magnésio. A insuficiência de ácidos graxos ômega-6 pode provocar problemas no sistema auto-imune, dor e caroços nos seios, eczema, hiperatividade em crianças, hipertensão, inflamações e tensão pré-menstrual. A suplementação alimentar com óleo de sementes de borragem, prímula ou uva pode compensar o bloqueio e fornecer os elementos essenciais para a fabricação da prostaglandina necessária.

O dr. Siguel descobriu que a deficiência de ômega-3 é mais comum em nossa dieta ocidental. Por causa da industrialização dos alimentos e da preferência cultural, a dieta ocidental média contém apenas um sexto da quantidade de ácidos graxos ômega-3 necessários para o funcionamento saudável do organismo - em vez do equilíbrio de 100 anos atrás. Tudo indica que a deficiência de ácidos graxos ômega-3 está associada à artrite e a problemas nas articulações, à síndrome do intestino irritado, à tensão pré-menstrual, a problemas de próstata, a várias afecções de pele e à depressão, às fobias e à esquizofrenia.

As duas principais fontes de ômega-3 são o óleo orgânico de sementes de linhaça e de peixes de água fria (como bacalhau, sardinha, atum, truta e salmão). Esses peixes não deveriam ser fritos, por causa do efeito da alta temperatura e da resultante emissão de radicais livres. Diferentemente da galinha e do peru, os peixes de água fria deveriam ser comidos com a pele, já que é ali que há a maior concentração de gorduras desejáveis.

Muita gente se preocupa com o consumo freqüente de peixes, por causa da poluição química e de metais pesados no oceano. Os peixes predadores concentram estes poluentes em seu tecido gorduroso, mas os peixes oceânicos costumam ser menos atingidos que os peixes costeiros. É melhor evitar peixes vindos de águas próximas a áreas agrícolas, industriais ou de mineração, por causa do alto nível de ingestão de substâncias tóxicas. Peixes de criadouro são alimentados com ração industrial, e também devem ser evitados; não são saudáveis e têm níveis insignificantes de ácidos graxos ômega-3.

Quando processado de forma apropriada, o óleo de sementes de linhaça tem a maior concentração de ácidos graxos ômega-3, ou seja, 57%. Os ômega-3 também são encontrados em alguns outros óleos vegetais não-refinados, como os de soja e canola, mas em quantidade muito menor. O óleo de linhaça é muito sensível e deve ser processado em condições controladas (a frio, sem luz nem oxigênio), embalado com nitrogênio em garrafas escuras para evitar a oxidação e transportado e exposto sob refrigeração.

Embora todos os óleos não-refinados e insaturados devessem ser processados, embalados e distribuídos desta forma, a grande maioria deles não é. As companhias acima mencionadas usam estes métodos especiais, e é possível comprar seus óleos com alguma certeza de estar adquirindo um produto saudável. Temos usado os óleos das duas companhias nos últimos anos e estamos muito satisfeitos. Embora mais complicados e caros, algum dia esses métodos terão um papel muito importante na redução de várias doenças degenerativas, muito mais caras a longo prazo, especialmente em termos de sofrimento e perda de potencial humano.

Os alimentos mais saudáveis são cultivados organicamente e devem ser consumidos na forma mais próxima de seu estado natural. Nos Estados Unidos, é possível encontrar sementes e grãos de boa procedência nas cooperativas de alimentos naturais. O consumo de sementes e alimentos cultivados organicamente é recomendado para minimizar a ingestão de produtos químicos e otimizar o conteúdo nutritivo. Ao consumir alimentos integrais, absorvemos uma gama complexa de nutrientes que trabalham juntos de forma natural na intrincada química que mantém nosso corpo funcionando, mas muitos desses nutrientes naturais se perdem no processamento industrial.

Mesmo os maiores esforços humanos para produzir alimentos e óleos industrializados saudáveis acabam ficando aquém das conquistas da Natureza. Os melhores óleos são fornecidos pela natureza, embalados da melhor forma possível para evitar a oxidação de seu precioso conteúdo. Sementes de linhaça orgânicas recém-moídas contêm óleo fresco (protegido pela película) e sua fibra é a fonte mais rica das substâncias chamadas "ligninas", possuidoras de potentes propriedades anticâncer, antibacterianas, antfúngicas e antivirais. A fibra da linhaça tem de 100 a 800 vezes mais ligninas do que as outras fontes de fibras. Esta é uma forma barata e saborosa de assegurar a ingestão adequada de ácidos graxos ômega-3 (ver as instruções abaixo). Se preferir, você pode comprar (nos Estados Unidos) óleo de linhaça de boa qualidade em garrafas ou cápsulas. Veja apenas se descobre como o óleo é processado! As empresas Flora e Omega Nutrition fornecem óleo de linhaça de boa qualidade em garrafas e cápsulas.

AS VELHAS E BOAS ALTERNATIVAS SAUDÁVEIS

Há várias outras formas de melhorar seu equilíbrio de ácidos graxos e evitar a armadilha das gorduras "trans":

- Coma sementes de linhaça recém-moídas todos os dias. Coloque três colheres de sopa de sementes num liquidificador ou moedor de café para obter cerca de uma colher de óleo (misturado com a fibra). Isto se aproxima da dose diária recomendada de óleo omega-3 para uma pessoa média. Pode ser misturado com cereais, batido até virar uma pasta ou servido com iogurte. Você pode também misturar com suco de maçã morno (quente, não!) e juntar pedacinhos de banana ou outra fruta para obter um prato saboroso e nutritivo que satisfaz e fará maravilhas pelo funcionamento do intestino! E coma as sementes moídas dentro de no máximo 10 a 15 minutos, para reduzir o problema da oxidação. Mas tome cuidado: em testes alérgicos encontrei várias pessoas (como minha esposa e eu) alérgicas ao óleo de linhaça, e outras alérgicas às sementes de psyllium, geralmente usadas por causa de seu conteúdo de fibras.

- Use manteiga em vez de margarina ou gordura vegetal hidrogenada para cozinhar. A manteiga também tem seus problemas, como resíduos de hormônios e agrotóxicos, mas é um alimento integral. Alimentos integrais têm nutrientes que atuam sobre sua própria gordura se ingeridos com moderação. Se quiser usar manteiga, prefira a que for produzida organicamente.

- Uma alternativa ainda melhor é o ghee orgânico, ou manteiga clarificada, como mencionado anteriormente. Ghee é a gordura culinária que os cozinheiros indianos e franceses têm em mais alta conta. Tem um aroma agradável e não queima, não solta fumaça nem desenvolve compostos tóxicos ao ser aquecida.

- A gordura de coco orgânica e não refinada é outra alternativa à manteiga comum em sua dieta. No entanto, a maioria dos outros produtos com gordura de coco são hidrogenados. O óleo de coco tem sido sujeito a uma campanha difamatória pelos fabricantes de óleos vegetais comerciais, mas as pesquisas que citam usaram óleo de coco hidrogenado, o que pode ter distocido os resultados.

- Use azeite de oliva ou uma mistura meio a meio de ghee e azeite de oliva. Não frite nem refogue com óleos leves "poli-insaturados", como os de açafrão, girassol ou milho. Com a alta temperatura eles se oxidam rapidamente, formando radicais livres. Os radicais livres são moléculas muito reativas que podem penetrar em suas células e dar início a reações em cadeia prejudiciais que deixam para trás vários danos, como alterações do código genético (DNA) e formação de células cancerosas. Muitos consideram que os radicais livres têm papel predominante nas doenças degenerativas. Embora não haja quase nenhum ácido graxo essencial no óleo de oliva, ele é rico em ácidos graxos "mono-insaturados" e não se oxida tão facilmente. Use um azeite "extra-virgem de primeira extração, prensado a frio", de preferência de cor esverdeada e com algum sedimento no fundo, o que costuma indicar pouco processamento. Muitas lojas naturais nos Estados Unidos vendem este tipo de azeite.

- Se você for alérgico a leite, sempre se pode substitur a margarina ou a manteiga das receitas por uma mistura meio a meio de xarope de maçã (suco de maçã fervido por muito tempo até virar quase uma geléia, comum nos Estados Unidos) e óleo de açafrão, girassol ou canola orgânico e não refinado. Testamos em massas de torta e bolos e o resultado foi ótimo. Tentamos substituir por óleo de canola sozinho, mas a massa ficou meio seca e esfarelenta.

- Experimente manteiga de amendoim não hidrogenada, encontrada em algumas lojas naturais nos Estados Unidos. A parte sólida se separa, e o óleo flutua no alto da embalagem. A melhor marca é, provavelmente, Arrowhead Mills. Eles secam ao sol os amendoins cultivados organicamente, para evitar o fungo que produz a aflatoxina, que é tão tóxica quanto o nome sugere. A maioria dos produtos de amendoim comerciais contêm aflatoxina, além de resíduos de agrotóxicos. Manteigas de amêndoa ou nozes contêm gorduras mais saudáveis do que a manteiga de amendoim, sem o problema do fungo. Nos Estados Unidos, elas são vendidas em lojas e cooperativas naturais.

- Prefira o óleo que vem em garrafas seladas e evite os óleos vendidos a granel nas cooperativas, já que costumam estar rançosos (novamente os radicais livres). O óleo rançoso tem gosto amargo quando você pinga uma gota na língua, e não deve ser consumido.

- Sempre refrigere o óleo depois de aberto. É melhor refrigerar os óleos não refinados logo que você comprá-los, para prolongar sua vida na embalagem. Se não estiverem em garrafas opacas, guarde-os ao abrigo da luz.

- Quanto mais você ingerir gorduras insaturadas como óleos vegetais e óleos de peixe (EPA/DHA ômega-3), mais vai precisar de proteção antioxidante contra os danos dos radicais livres. Se você toma suplementos de óleo de peixe ou de prímula, ou usa óleos poli-insaturados, tome mais vitamina E. A dose diária recomendada de vitamina E fica entre 300 e 400 UI por dia, e provavelmente a melhor forma de ingeri-la é através de "tocoferóis mistos". Muitos estudos demonstram sua eficácia na redução do risco de doenças cardíacas, artrite e outras doenças relacionadas com radicais livres. Como a vitamina C é usada para regenerar a vitamina E "usada", um suplemento de 500 a 1.000 mg de vitamina C por dia também é uma medida prudente.

- Os óleos e suplementos mais caros não poderão compensar a dieta e o estilo de vida pouco saudáveis. Use o bom senso e consulte um profissional de saúde consciente da importância da nutrição quando se sentir preocupado com sua saúde. Os livros do dr. Dean Ornish16 e do dr. John McDougall17 oferecem muitas idéias excelentes de dieta e estilo de vida, e recomendo-os como fonte de informações dietéticas básicas, embora seus programas prescrevam uma ingestão baixa demais de gorduras. Assim, para assegurar a ingestão adequada de ácidos graxos essenciais, você vai precisar de algumas nozes e sementes orgânicas, além de óleos de boa qualidade (como os que mencionamos acima) para suplementar essas dietas de baixo nível de gordura.

AUMENTANDO A CONSCIÊNCIA PÚBLICA

Ainda há gente teimosa na comunidade "científica", em especial os que são funcionários ou patrocinados pela indústria alimentícia, que alegam não haver provas suficientes de que as gorduras "trans" são perigosas, e citam estudos que justificam sua opinião. Este é o jogo da "ciência" moderna, no qual estão envolvidos egos e dinheiro.

No entanto, a maioria dos estudos recentemente publicados apóia a idéia de que essas gorduras quimicamente alteradas são nocivas. Nestes casos de conflito, sempre fico do lado da Mãe Natureza; ela é mais sábia do que qualquer um de nós!

Lembre-se de que a maior parte destas informações sobre gorduras "trans" já é conhecida há muitos anos, mas a indústria conseguiu manter o tema longe dos olhos do público: este é mais um exemplo do comportamento (o comprador que se cuide) da indústria alimentícia. Agora que você já sabe, cuide-se! Boa sorte, e boa saúde!

Referencias:

http://www.vegetarianismo.com.br - Dr. Dane Roubos
Folheto Informativo da Vegetarian Society (Inglaterra)

NOTAS:

1. Erasmus, Udo, Ph.D., Fats that Heal, Fats that Kill, Alive Books, Burnaby, BC, Canadá, 1987, 1993.
2. Harvard Health Letter, Summer 1994.
3. Jaffe, Russell, M.D., Lipids (áudio-tape), 1992.
4. Siguel, Edward, M.D., Ph.D., Essential Fatty Acids in Health and Disease, Nutrek Press, Brookline, MA, EUA, 1995.
5. Rudin, Donald, M.D., e Felix, Clara, The Omega-3 Phenomenon, Rawson, New York, EUA, 1987.
6. Lipids, Março de 1996, 31:Suppl:S27982.
7. Finnegan, John, N.D., The Facts About Fats, Celestial Arts Publishing, Berkeley, CA, EUA, 1993.
8. "Deficiency of essential fatty acids and membrane fluidity during pregnancy and lactation", Biochemistry, Proceedings of the National Academy of Sciences, EUA, vol. 88, junho de 1991.
9. American Journal of Clinical Nutrition, 1967, 20:462-475.
10. The Lancet, 14 de novembro de 1987.
11. Circulation, janeiro de 1994, 89(1):94-101.
12. American Journal of Cardiology, 1993, 71:916-920.
13. Clinical Science, April 1995, 88(4):375-92.
14. Circulation, ibid.
15. The Lancet, março de 1993, 341(8845):581-5.
16. Ornish, Dean, M.D., Dr Dean Ornish's Program for Reversing Heart Disease, Ballantine Books, New York, EUA, 1990.
17. McDougall, John A., M.D., The McDougall Program, Plume (Penguin Books), New York, EUA, 1991.

* Morrison, Robert Thornton, e Boyd, Robert Neilson, Organic Chemistry, Allyn & Bacon, Inc., Boston, EUA, 1973, 1979, 3ª ed.

Sobre o autor:

O dr. Dane Roubos, B.Sc., D.C., D.A.B.C.I., estuda nutrição há 25 anos e é fisioterapeuta há 14 anos. É formado pelo American Board of Chiropractic Internists, e hoje em dia dá aulas em tempo integral no Northwestern College of Chiropractic em Minnesota. Ele se dedica a ajudar as pessoas a viverem mais perto da Terra, do espírito e da alma interior.

Tradução: Beatriz Medina

Abate de texugos na Irlanda foi fútil

Um novo relatório dado a conhecer agora alega que a "virtual extermínio" dos texugos na Republica da Irlanda não impediu a alastramento da tuberculose bovina: apesar de terem sido mortos tantos texugos que estão extintos em muitos locais, o nível de tuberculose no gado continua o dobro da existente no Reino Unido.

O estudo foi realizado e apresentado pelas organizações Badgerwatch Ireland e Badger Trust do Reino Unido e foi dado a conhecer mesmo antes do governo inglês receber um relatório de aconselhamento que considera um abate semelhante.

"A grotesca extensão da exterminação irlandesa prova que matar texugos não controla nem irradica a tuberculose bovina", diz Trevor Lawson do Badger Trust. "Os texugos são um bode expiatório para as más práticas agrícolas e para testes contra a tuberculose bovina pouco adequados. As nossas descobertas ridicularizam as pretensões de abate de texugos no Reino Unido feitas por diversas organizações, como a União dos Agricultores."

A industria agrícola e muitos veterinários garantem que os texugos ajudam a espalhar a doença entre o gado e gostariam de ver um abate dirigido às populações infectadas de texugos, em 'pontos quentes' como Gales e sudoeste de Inglaterra.

O Departamento do Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (DEFRA) do Reino Unido refere que o governo vai avaliar a ciência, incluindo os dados da experiência irlandesa, antes de decidir acerca da solução mais apropriada para limitar a propagação da tuberculose bovina.

O DEFRA deve receber as suas recomendações do Grupo Científico Independente sobre a Tuberculose Bovina este Verão.

O Badgerwatch Ireland e o Badger Trust reviram documentos relativos à destruição sistemática de texugos no chamado Projecto das Quatro Áreas, que operou em Cork, Monaghan, Donegal e Kilkenny entre 1997 e 2002.

O projecto comparou o abate proactivo e reactivo de texugos em zonas de surtos de tuberculose bovina para tentar identificar qual a abordagem que teria o maior impacto sobre a incidência da doença no gado.

Uma análise do projecto para a DEFRA descobriu "a melhor evidência até ao momento de que os texugos contribuem de facto para o surgimento de tuberculose no gado" e a União dos Agricultores salienta dados do projecto que considera demonstrarem que o controlo do efectivo de texugos reduziu os casos de tuberculose até 96%.

Mas os dois grupos conservacionistas concentram-se no que consideram as falhas do projecto e nos métodos actuais de controlo irlandeses.

O seu relatório refere que com mais de 6 mil armadilhas para texugos operacionais todas as noites na Republica, a incidência de tuberculose no gado permanece um problema importante.

Alega que a densidade de texugos na Irlanda é agora de apenas 10% da que existe em habitats equivalentes no sudoeste inglês e ainda assim, em 2006, a Irlanda abateu 9% mais gado com tuberculose do que o Reino Unido, mesmo sendo a manada nacional irlandesa apenas 56% do tamanho da inglesa.

O Teste Krebs decorreu em 30 zonas, cada uma com 100 Km quadrados e consistiu no abate reactivo de 10 texugos e no abate proactivo de mais 10, sendo 10 deixados vivos. A incidência de tuberculose bovina foi medida dentro e fora das áreas de estudo. O teste custou £7 milhões por ano e foi suspenso em 2003 após um aumento significativo da incidência da doença.

"Se irradicámos virtualmente todos os nossos texugos e ainda temos o dobro do nível de tuberculose bovina na nossa manada nacional do que têm os ingleses, onde não se matam texugos, então nitidamente não estamos a ver a coisa bem", diz Trevor Lawson.

O grupo acredita que a sua avaliação apoia a visão de que a tuberculose bovina na Irlanda é propagada pelo próprio gado. A doença explodiu na Irlanda quando os testes contra a tuberculose bovina pré-deslocação foram abandonados em 1996.

Rapidamente atingiu o nível mais alto, desde que há registos, em 1999, com mais de 45 mil testes positivos. O abate de texugos continuou durante todo esse período, refere o relatório.

No Reino Unido, o governo apoiou o teste do abate aleatório de texugos (também conhecido por Teste Krebs), que terminou em 2003, que demonstrou que o abate podia agravar o problema da tuberculose.

O abate reactivo aumentou a incidência de tuberculose em 25% e um regime proactivo reduziu a incidência dentro da zona alvo mas levou a um aumento nas áreas circundantes.

Quando questionado sobre o tema, o ministério irlandês da agricultura referiu que estava a preparar a sua resposta ao relatório dos conservacionistas.

Saber mais:

Badger Trust

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DEFRA

Simbiotica