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quinta-feira, 17 de maio de 2007

SOJA e alergias

SOJA e alergias
O crescente número de pessoas (bebês e adultos) que apresentam reações alérgicas ao consumo de soja coloca o vegetal, que apareceu com inúmeras características positivas para seu consumo, como suspeito de alguns crimes. Porém, a sincronicidade do aparecimento e aumento de alergias com o surgimento da soja transgênica pouco é levada em consideração. No Brasil, consumimos soja transgênica desde muito antes de chegarmos ao novo século, mas só fomos avisados quase recentemente.

Os transgênicos e os riscos à saúde
Marilena Lazzarini
Coordenadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec, ONG fundada em 1987, acompanha de perto a questão dos alimentos transgênicos desde 1996. Chegou a integrar a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, em seu início, mas afastou-se por não concordar com os procedimentos e principalmente com a pressa da Comissão em liberar experimentos transgênicos.

A atuação mais efetiva da entidade deu-se a partir de setembro de 1998, quando ajuizou uma ação que até hoje impede a liberação de transgênicos no país. A ação tem por objetivo a proteção do meio ambiente, da saúde da população e do direito à informação.

No caso específico dos transgênicos, se não há benefícios concretos para a sociedade, por que temos que considerar os riscos? Há benefícios que justifiquem os riscos potenciais decorrentes de seu consumo? Se a resposta é negativa, não se admite a submissão dos seres humanos aos riscos, pois estamos discutindo um projeto de mudança da base alimentar de populações inteiras.


Os transgênicos até agora liberados em escala comercial em alguns países, dos quais a soja e o milho se destacam em termos quantitativos, não trazem nenhum benefício real do ponto de vista dos consumidores: não são mais baratos, gostosos, nutritivos e, tampouco, mais seguros do que os similares (convencionais).

mplicam, portanto, riscos absolutamente dispensáveis aos seres vivos, tanto para sua saúde como para o meio ambiente.

Partindo para a análise de riscos, é justamente a falta de avaliação prévia à liberação para o consumo que preocupa o Idec. Há quem acredite que o fato de esses produtos já terem sido liberados nos Estados Unidos seja suficiente, em razão do controle mais rigoroso dos órgãos competentes norte-americanos.

Mas sabem como aconteceu a liberação nos Estados Unidos? Sem qualquer avaliação de riscos, já que o Food and Drugs Administration – FDA utilizou um “conceito” inaplicável no caso para não avaliar: a equivalência substancial.

Cientistas eminentes contestaram e ainda contestam as evidentes deficiências daquela avaliação de risco, até agora baseada nesse questionável conceito, chamando-a de metodologia inadequada cientificamente ou pseudocientífica, pois preconiza um número limitado de ensaios para a determinação da composição e do potencial toxicológico dos produtos.

Para se ter uma idéia, esse tipo de avaliação exclui a possibilidade de que substâncias tóxicas, não "selecionadas" para os testes, estejam presentes nesses novos alimentos, aceita como suficientes os testes em uma ou poucas espécies de animais de laboratório, sempre por poucas semanas, e a falta de ensaios de toxicologia crônica.

Também não exige nenhum teste, eticamente aceitável, em grupos de seres humanos, como recomendam alguns especialistas.

A tese de que a soja RR é “substancialmente equivalente” à convencional é um bom exemplo de como não procede esse conceito, pois se identificaram, entre outros aspectos, o aumento estatisticamente significante do teor de ácido graxo e o aumento de 26% no inibidor de tripsina na soja deslipidificada, sem qualquer explicação científica do fato, evidenciando o quanto é falha sua aplicação.

Não é por outra razão que o FDA está sendo processado nos EUA, país que iniciou a adoção e aplicação da equivalência substancial na "desregulamentação" desses produtos e que influenciou processos idênticos em vários países.

Na ação judicial, o FDA foi obrigado a revelar cerca de 44 mil páginas de documentos e memorandos internos, em que se pôde constatar que a agência desconsiderou as preocupações de seus próprios cientistas, que alertavam para os riscos inerentes e desconhecidos dessas novas espécies (alguns dos principais documentos que comprovam a opinião técnica dos cientistas do órgão podem ser lidos acessando o site de uma das organizações autoras da ação www.biointegrity.org).

Em que pese o desconhecimento quase completo
sobre essas espécies, alguns riscos potenciais para a saúde já foram apontados por entidades científicas de todo o mundo:

• pode ocorrer aumento ou potencialização dos efeitos de substâncias tóxicas naturalmente presentes nas plantas manipuladas geneticamente, como o das solaninas, cumarinas e outros alcalóides integrantes de vários alimentos em quantidades abaixo das doses de risco aos consumidores.

Por outro lado, outras substâncias podem ter sua quantidade diminuída, como foi demonstrado com relação aos fitoestrógenos genistina e daidzina presentes na soja e que protegem as mulheres contra o câncer de mama, com queda de 12 e 14% em algumas variedades transgênicas resistentes ao glifosato;

• devido à ingestão de novas proteínas ou novos compostos que se formam nos alimentos geneticamente modificados, pode ocorrer aumento das alergias alimentares, afecção subestimada pelas autoridades sanitárias e pelas empresas e que acomete parcela significativa da população.

Essa possibilidade não é tão remota assim, como foi demonstrado no caso da soja da Pioneer Hi-breed, que recebeu um gene da castanha-do-pará, causando alergia em pessoas que também eram sensíveis à castanha.

Em março de 1999, pesquisadores do Instituto de Nutrição de York, Reino Unido, revelaram o aumento de 50% nos casos de alergia à soja em 1998, afirmando que esses resultados poderiam ser devidos à introdução da soja geneticamente modificada na alimentação;

essa possibilidade de que aumentem as alergias alimentares pela introdução dos transgênicos reforça, também, a necessidade da rotulagem plena desses alimentos.
Os dados norte-americanos disponíveis estimam a incidência dessa doença em 1,5% da população adulta e 5% das crianças com menos de três anos.


Para Maden: "a multidão de substâncias que podem causar reações alimentares adversas e a falta de bons testes tornam difícil a tarefa do diagnóstico correto.

As autoridades deveriam estar conscientes dos riscos do alimento não tradicional e do uso novo de alimentos convencionais. Deveria ser obrigatória a rotulagem para mostrar a natureza dos ingredientes, especialmente os alergênicos";


• outra preocupação refere-se à possibilidade do aumento da resistência bacteriana a antibióticos, pelo uso de genes marcadores que conferem essa característica à "construção" dos alimentos geneticamente modificados e que podem ser transferidos a bactérias que infectam o ser humano e os animais.

O aparecimento de superbactérias resistentes a todos os antibióticos é hoje a maior preocupação das autoridades mundiais de saúde.

Em maio de 1999, a Associação Médica Britânica divulgou um manifesto a esse respeito, pedindo, aliás, a moratória nas autorizações de alimentos transgênicos, apontando o uso desses genes marcadores como uma séria ameaça à saúde pública e apelando pela proibição imediata de seu uso;

• também é relevante a possibilidade de aumento de resíduos de determinados agrotóxicos nos alimentos e nas águas de abastecimento, devido ao uso em quantidade muito maior dessas substâncias em plantas resistentes.

Um bom exemplo ocorreu no Brasil, onde, se não tivessem ocorrido o pedido e o parecer favorável da CTNBio para a liberação da soja RR, resistente a glifosato, o Ministério da Saúde não tentaria aumentar 100 vezes o limite de resíduos desse veneno nos produtos à base de soja (Portaria 764, de 24 de setembro de 1998), ou seja, de 0,2 parte por milhão para 20 partes por milhão, constituindo-se em conseqüência danosa para os consumidores;

• além dos aspectos sanitários propriamente ditos, o impacto dos transgênicos do ponto de vista ambiental, que também vem sendo absurdamente desconsiderado, pode trazer de forma indireta riscos à saúde e à segurança alimentar.

Com relação à rotulagem,
em 18 de julho de 2001, o presidente da República baixou o Decreto 3.871. Na opinião do Idec, o referido decreto desrespeita o consumidor, pois restringe a rotulagem aos embalados (ou seja, os alimentos in natura não serão rotulados) em que seja detectada a presença de transgênico (ou seja, exclui os produtos altamente processados – que representam uma enorme quantidade de alimentos) e, ainda assim, só acima do percentual de 4% por ingrediente transgênico.

O Idec e o Ministério Público Federal ajuizaram uma ação civil pública questionando a validade do Decreto 3.871/01. Não foi deferida a liminar, mas a decisão final ainda está em pendência de julgamento.

mais:
http://www.fapepi.pi.gov.br/sapiencia/entrevista.php

Para esclarecer um pouco mais sobre esse assunto e tentar abrir caminhos mais embasados para a discussão, o Sapiência entrevistou o pesquisador da Embrapa Meio Norte, em Teresina, o engenheiro agrônomo, com doutorado em Genética de Plantas, no Texas, EUA, Valdomiro Aurélio Barbosa de Souza.

Ele afirma que o problema maior no Brasil é a falta de aparelhamento do Estado para fiscalização, o que dificulta mais ainda a liberação da produção e comercialização de alimentos transgênicos e os discursos ideológicos sem fontes científicas.

IS– Com a soja transgênica sendo comercializada livremente no Brasil, estamos consumindo, portanto, produtos geneticamente modificados, como óleo e margarina. Existem estudos para averiguar possíveis riscos para a saúde humana, já que não se sabe ao certo que mudanças são feitas em laboratório?

Valdomiro – Primeiro ponto: estamos consumindo alimentos transgênicos no Brasil desde 1996, quando foram liberados nos Estados Unidos, Argentina... pois somos importadores de produtos processáveis.

Nos Estados Unidos, cerca de 60% dos produtos processáveis tem componentes transgênicos. Na verdade, essas modificações na soja são bastante monitoradas.

Com relação aos efeitos na saúde humana, até hoje – são sete anos que mais de dois bilhões de pessoas estão se alimentando com componentes transgênicos – não tem um só caso registrado na literatura de alguém que tenha entrado no hospital e até morrido devido à ingestão de algum alimento GM.

O que se tem hoje são alergias; em torno de três a quatro por cento das pessoas são alérgicas a uma série de produtos, por exemplo, nozes, leite, peixes e mariscos. Os transgênicos também podem conter alergênicos, mas não devido ao processo de transgenia em si, e sim devido ao gene inserido ser alergênico.

IS– Pode citar algum exemplo de OGM que tenha efeito alergênico?

Valdomiro - Na década de 90, a Embrapa fez uma experiência com castanha do pará, que tem uma proteína essencial ao nosso organismo.

A idéia era inserir essa proteína no feijão e enriquecer um alimento comum em populações pobres. Então transferiu esse gene para o feijão, que foi testado nos Estados Unidos. Essa proteína causou alergias em pessoas submetidas a testes.

Fonte

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