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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Como fazer em casa seu broto/rebento/germinado.










Então, vamos lá explicar, de uma maneira bem simples e, principalmente, prática, após uma breve introdução, uma das técnicas de cultivar brotos em casa.



1 - Introdução


As sementes são verdadeiros acumuladores biológicos de energia, sob a forma de energia nutritiva e alimentar.


SEMENTES + ÁGUA: basta isso para que você aproveite o máximo de energia vital acumulada que será liverada nos brotos, essa energia é usada para estimular todos os processos biológicos de reprodução celular da planta. Assim, se nos alimentarmos desses brotos germinados, estaremos utilizado dessas reservas de energia nutritiva, que nunca irão reaparecer em concentração semelhante na vida posterior de uma planta.


2 - Vantagens do cultivo e consumo de brotos:


Enumero aqui algumas das vantagens de se cultivar e consumir brotos.


Primeira: aumento da quantidade de vitaminas e sais minerais, com a consequencia baixa do teor de amidos e óleos, "digeridos" durante o silencioso milagre da germinação;


Segunda: o sabor, Ah... o sabor... seja ele picante (dos brotos de mostarda, agrião e rabanete) ou o adocicado dos demais é, literalmente, um prato cheio;


Terceira: organismos mais delicados aceitarem maravilhosamente os pratos à base de brotos, ainda que as sementes que lhe deram origem sejam indigestas;


Quarta: ausência total de fermentação intestinal quando consumidos, por exemplo, brotos de feijão;


Quinta: ausência de terra, fertilizantes ou inseticidas para esta forma insólita de cultuvo;


Sexta: a facilidade de aproveitamento de todos os espaços domésticos para o cultivo;


Setima: o curto espaço de tempo que vai da "semeadura" ate a "colheita": não mais de uma semana.


3 - Material necessário:


a. Vidros de boca larga;


b. Tela fina de náilon, filó ou gaze de algodão esterilizada (para vedar a boca dos vidros), ou a própria tampa do vidro furada com metal fino e quente (por exemplo, prego, agulha, etc.) ou com uma furadeira elétrica;


c. Tira de borracha, elástico ou similar (para prender a tela/filó/gaze ao gargalo do vidro);


d. Travessas ou bacias grandes (para lavagem e seleção das sementes);


e. Peneiras ou coadores de diferentes tamanhos (para auxiliar na lavagem das sementes);


f. Escorredor/apoio para colocar os vidros (por exemplo, escorredor de pratos ou algo similar);


g. Panos grossos e limpos (para cobrir os vidros, impedindo assim, em parte, que penetre luz);


Todo o material utilizado para o cultivo de grãos deve permanecer impecavelmente limpo. O melhor é fervê-lo ou enxaguá-lo com água fervente após cada cultivo, para eviti a proliferação de bactérias.


Gazes de algodão não são ideais para o fechamento dos vidros, porque absorvem muita água e podem desenvolver mofo. Porém, desde que trocadas freqüentemente, também podem ser usadas.


4 - Escolha das sementes:


Toda a atenção é necessária na aquisição de sementes de boa qualidade biológica. As sementes para brotos deve ser, impreterivelmente, as de origem orgânica, sem defensivos ou agrotóxicos, completamente livres de tratamento químico, sobre o risco de intoxição de quem vai consumir os brotos.


Outro ponto importante e a qualidade das sementes. Evite usar sementes quebradas, murchas, doentes ou podres, carunchadas e com aspecto deformado pois, são suficientes apenas algumas sementes sem poder germinativo, dentro do vidro de cultivo, para influenciar negativamente as outras. Elas não se abrem, o seu amido começa a apodrecer e a fermentar, e o sabor dos brotos se estraga. Nesse ambiente, as bactérias e fungos podem proliferar.


Particularmente adquiro minhas sementes do Depósito Itapuã. Você pode pedir uma lista das sementes disponíveis pelo e-mail itapua@alfafa.com.br


5 - Água


A água é de vital importância para os brotos; por isso devemos usar a melhor possível para o seu cultivo, de preferência água mineral. Principalmente na fase inicial de absorção (período em que as sementes permanecem de molho), uma água bem pura é essencial. Para as lavagens (enxaguaduras) subseqüentes, pode-se então utilizar outra. Nos casos de dúvida sobre a sua qualidade, podemos usá-la fervida ou filtrada.


Costumo usar água usada para deixar de molho as sementes para regar minhas plantas pois esta contem muitas substâncias nutritivas. Só não deve ser usada por humanos pois contem muito fitato e oxalato (substancias anutricionais para nossa espécie).


6 - Temperatura


A temperatura ideal para germinação dos brotos é de + ou - 25ºC. Uma variação grande para menos ou para mais respectivamente atrasa ou acelera o seu desenvolvimento. Por isso é ideal deixar os vidros de cultivo em local freco como: em baixo da pia, em armários, caixa de isopor com ventilação ou mesmo contruindo um germinário (darei mais detalhes sobre como fazer um em outro artigo).


Em dias quentes os brotos precisam, sem falta, ser enxaguados e molhados mais freqüentemente.


7 - Luminosidade


Na natureza, as sementes germinam na semi-obscuridade da terra. Para criarmos condições semelhantes, os vidros de cultivo devem ser cobertos com um pano bem grosso ou colocados em ambientes onde não recebam muita luz como armários e caixas ventiladas, onde os brotos tenhma uma luz fraca e indireta.


8 - Circulação de ar


É imprescindível que a circulação de ar dentro do vidro de cultivo permaneça constante. Ao se cobrir o vidro, deve-se estar atento para não obstruir a sua boca, a fim de que o ar possa circular livremente em seu interior. Do mesmo modo, ao se colocar o vidro em uma caixa de isopor ou em um germinário, estes devem ser bem arejados.


Se os brotos se expandem muito dentro do vidro, é aconselhável lavá-los numa peneira ou coador, para que possam absorver melhor o ar de que necessitam. O mais indicado é usar uma quantidade de sementes compatível com o tamanho do vidro.


9 - Algumas regras para o sucesso do cultivo:


a. Os brotos devem ser mantidos úmidos e nunca encharcados;


b. Procurar manter uma temperatura média do ambiente em torno de 25°C;


c. Molhar regularmente os brotos, isto é, de preferência sempre nos mesmos horários e no mínimo duas vezes ao dia, em dias frios e três ou mais vezes em dias quentes;


d. Proporcionar espaço suficiente dentro dos vidros, para que os brotos possam se expandir livremente e ter o ar necessário;


e. 0 local para o cultivo deve ser tranqüilo, harmonioso, arejado e não muito iluminado.


10 - Algumas causas para o insucesso do cultivo:


a. Sementes de má qualidade biológica, velhas demais, machucadas, podres, quebradas ou armazenadas inadequadamente;


b. Sementes mantidas secas demais dentro do vidro.


c. Sementes mantidas úmidas demais ou tratadas quimicamente, o que leva ao apodrecimento fácil;


d. Temperatura ambiental baixa demais, impedindo a germinação;


e. Temperatura ambiental elevada demais.;


f. Excesso de luz sobre as sementes, causando fermentação;


g. Má qualidade da água;


h. Desenvolvimento de bactérias no interior do vidro ou na tela que o fecha;


i. Uso de sementes que tenham recebido radiação;


j. Recipientes metálicos geram óxidos que compromentem a germinação.


11 - Começando o platio


a. Pela noite, lave, em uma vasilha, 1 xícara de sementes da sua preferencia retirando as sementes que estão estragadas que sobrenadam, juntamente com outras pequenas "sujeiras" (pedaços de sementes, pedaços de folhas, de cascas, etc);


b. Coloque as sementes lavadas em um vidro de boca larga e complete com 5 xícaras de água
(mineral, de preferência);


c. Deixe as sementes de molho nessa água umas 12 horas, da noite para o dia seguinte;


d. Após 12 horas fazer nova limpeza, retirando os eventuais grãos que não estejam sadios, que sobrenadam ou que não incharam, e escorrer a água do molho (que poderá ser aproveitada para regas de plantas);


e. Fechar a boca do vidro com um pedaço de tela/filó/gaze, prenden-do-a no gargalo com uma tira de borracha, elástico ou algo similar ou com a própria tampa do vidro, furada;


f. Colocar o vidro em posição inclinada, de modo a escorrer o excesso de água (por exemplo, sobre um escorredor de talheres). Coloque o vidro dentro de um germinário ou cobri-lo com um pano grosso, deixando porém a boca do vidro livre para que o ar circule;


g. À tarde e à noite no inverno (ou pela manhã, à tarde e à noite no verão), enxaguar as sementes, colocando água no interior do vidro e agitando-o bem e em seguida fazê-la escorrer novamente, recolocando o frasco de volta ao local anterior;


h. Quando o broto atingirem pelo menos o tamanho das sementes, ele já poderão ser utilizado, não devendo ultrapassar muito este ponto.


12 - Retirando a casca para consumo:


Comer algumas casquas da sementes germinadas não faz mau para ninguem, mas todas as cascas de uma produção pode gerar problemas. Recomenda-se retirar as cascas dos germinados, antes de usa-los, pois estas são ricas em celulose e outras substancias anutricionais e não são digeridas com facilidade pelo organismo humano.


Retirar uma por uma dos germinados é praticamente impossível então: temos três opções para remover a casca das sementes antes de consumir.


primeira é: após o molho de + ou - 12 horas, coloque as sementes em uma bacia e vá passando-as entre os dedos. As cascas vão se soltando totalmente.


segunda é uma variação da primeira: logo que apareça o ponto germinativo na semente (o narizinho), retire as sementes do vidro de cultivo e, sobre uma vasilha, esfregue-os delicadamente entre as mãos para que a casca se solte da semente. Alguns pontos germinativos irão se quebrar mas, se essa operação for feita sim que os mesmo apareçam, eles iram crescer normalmente.


terceira maneira, a que eu uso é: coloque os brotos dentro de uma vasilha funda com água até a boca; faço um rodamoinho com os dedos/colher; espero a água parar; as cascas ficam quase todas no centro boiando ou no fundo; aí "pesca-se" as cascas que boiam, retira-se os brotos e, logo em seguida, as cascas dos fundo. Repita esse processo de 2 a 3 vezes.


13 - Algumas dicas:


a. As sementes crescem muito quanto se transformam em brotos. Com exemplos: 1 xícara de sementes de girassol rende 3 xícaras de brotos. 1 xícara de feijão rende 8 xícaras de brotos;


b. A quantidade e a freqüência com que os brotos devem ser consumidos variam de indivíduo para indivíduo. Com a prática do dia-a-dia você vai aprendendo a dosar suas necessidades sementes;


c. Os germinados produzidos deveriam ser consumidos o mais breve possível. Se precisar guardar uma quantidade na geladeira, coloque em uma vasilha e mantenha-os na gaveta de baixo cobertos com um pano úmido para que durem mais;


d. Depois de germinados, alguns brotos podem ser expostos por poucas horas à luz natural indireta, para que formem clorofila;


e. Antes de comê-los ou cozinhá-los, lave-os com água em abundância para retirar os resíduos metabólicos. Eles podem causar gases. Caso você tenha usado a 3ª técnica para retirar as cascas das sementes, você não vai precisar lava-os novamente;


f. Os sabores dos brotos não são primores para satisfazer nenhum gourmet, mas eles são tão saudáveis que uma dieta à base de brotos pode melhorar e muito a sua saúde. Se você ainda não está acostumado(a) aos sabores dos brotos, enriqueça a comida do dia a dia ou a salada. Alguns têm gostos mais picantes, outros mais amenos.


g. Lembre-se que todo alimento cozido perde as enzimas que ajudam na digestão, assim como boa parte da energia vital. Prefira comer os brotos crus ou misturados com cozidos;


14 - Uma breve classificação dos brotos:


Aqui estão ordenadas as sementes de acordo com seus hábitos de germinação. Vamos lá:


a. Sementes pequenas: alfafa, mostarda, gergelim, painço, amaranto, couve-rábano, etc.
Todas elas crescem rápido, possuem aroma limpo e marcante através do qual estimulam o organismo. Com exceção da alfafa, que tem sabor mais suave, todos os outros brotos
são de preferência complementos para sopas, saladas e "mexidos".


b. Cereais: trigo, arroz, centeio, cevada, milho, aveia.
Geralmente em 2 dias já soltam o germe e a raiz, e esses brotos deveriam ser usados apenas bem jovens, tenros e enquanto o germe e as raízes não são muito mais longos que o próprio grão. Possuem um sabor suave e doce e complementam qualquer prato, principalmente saladas.


c. Leguminosas de casca mole: lentilha, feijão-mung/mungo (moyashi), feijão-azuki.
Fáceis de cultivar, até mesmo em grande quantidade. Também complementam pratos ou saladas.


d. Leguminosas de casca dura: grão-de-bico, ervilha, soja amarela.
São geralmente brotos muito nutritivos.


e. Sementes produtoras de muco: agrião, linhaça, rúcula.
Durante o período de molho, elas formam uma substância mucosa e pegajosa. Crescem melhor sobre uma superfície úmida (pano de algodão, papel-de-filtro, etc). Têm sabor forte e picante.


f. Sementes de casca indigesta: girassol, trigo-mourisco ou trigo sarraceno, abóbora, amêndoa. Após a germinação, as cascas devem ser retiradas.


15 - Finalizando:


Esse não é nenhum tratado de germinação de sementes para consumo humano, nem pretende ser a exposição da técnica "correta" pois existem outras tantas técnicas de cultivo de brotos, simples e práticas também como: cultivo em vasos, peneiras, coadores, saquinhos de filó, tubos de plástico, tabuleiros, potes e ate em pratos, que dão tão certo quanto essa.


Cabe a quem for utilizar fazer suas adpatações e correções na técnica.


Caso queira me enviar suas correções e seus resultados, ficarei muito satisfeito em poder comentar e ajudar.


 Fontes:
- Os Brotos - Nakayama, Akira - Editora Gaia - 1984
- Plantas que ajudam o homem, Guia párico para a época atual - Dr. José Caribé e Dr José Maria Campos (Clemente) - Editora Cultrix/Pensamento - 8ª edição - 1991
- Experiência própria


Artigo original de Mungo Verde

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