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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Feira Vegetariana de rua em Curitiba



Foi ao ar pela RPC (Rede Globo), a matéria sobre a Feira Vegetariana ocorrida dia 23/09 em Curitiba/PR.

O câncer te ensina a viver"

Depois de ser diagnosticada com um tipo raro de câncer, a atriz americana Kris Carr optou por terapias alternativas para sobreviver à doença. Hoje, o seu quadro é estável e ela garante ter muito mais energia do que antigamente
LAURA LOPES
 Divulgação
Agora, Kris Carr é ativista na luta do combate ao câncer

Aos 31 anos, a fotógrafa e atriz americana Kris Carr já havia estrelado dois comerciais de cerveja com grande repercussão e tinha uma vida social agitada, sem se preocupar muito com a saúde. Até que seu corpo pediu socorro e ela teve de parar para escutá-lo. Depois de algumas cólicas, diagnósticos errados e inúmeros exames, o problema ganhou um nome: hemangioendotelioma epitelóide, um tipo de câncer vascular muito raro, que atacou seu fígado e pulmões.

Em vez de se entregar à doença, transformou-a em um caminho bem-humroado para o auto-conhecimento. "A superfície do meu fígado estava coberta por tumores. Mais precisamente: as imagens lembravam um queijo suíço", conta Kris, hoje com 37 anos, no livro Câncer - e agora?, recém-lançado no Brasil pela Editora Globo, que publica ÉPOCA. Ela também é a protagonista do documentário Com Câncer e Ainda Sexy (Crazy Sexy Cancer), que estréia em 12 de outubro no canal pago Discovery Home&Health.

"O pior momento foi quando recebi o diagnóstico. Disseram-me que não tinha cura, tratamento ou cirurgia. Tudo isso para uma pessoa tão jovem como eu", diz Kris a ÉPOCA. O tratamento a que ela se submeteu nada lembra as massacrantes sessões de quimioterapia: ioga, dieta vegan (que exclui qualquer alimento de origem animal) e retiros espirituais.

ÉPOCA – As palavras câncer e sexy parecem opostas. Existe algo sexy que possa ser conservado com a doença? 
Kris Carr - 
Não estou dizendo que câncer é sexy, mas que mulheres e homens que têm a doença devem ser confiantes. Sexy é poder, é o fortalecimento da alma. E, chamando minha jornada de "Crazy Sexy Cancer", estou usando bom-humor para trazer minha vida de volta. As pessoas não deveriam se levar tão a sério. O câncer não pode mudar meu senso de humor e meu amor pela vida. É minha decisão fazer isso se tornar possível.

ÉPOCA – Você freqüentava festas, era muito badalada. A vida boêmia pode ter ajudado a agravar o câncer? 
Kris - 
O estilo de vida pode influenciar na doença, sim. Se saio muito, bebo muito, não me cuido direito, alguma coisa estou fazendo ao meu corpo. Confesso que não sabia como me cuidar, não me alimentava de forma sadia, mas isso não me faz sentir culpada. Hoje tenho muito mais responsabilidade. Ainda saio, gosto de me divertir, mas não cometo exageros como antes.

ÉPOCA – Como o seu caso pode incentivar mulheres com câncer que não têm como pagar tratamentos a que você teve acesso? 
Kris - 
Ter acesso aos melhores tratamentos não significa que a sobrevida de um paciente seja maior. Minha mensagem é universal. Tanto faz uma mulher americana ou latina, o importante é ela encontrar a cura através do corpo-mente-espírito. Eu encorajo as pessoas a reduzirem a ingestão de produtos de origem animal, que são muito ácidos, a terem uma dieta alcalina e praticarem meditação. Minha dieta é vegan, até o suco do café-da-manhã é verde! O mais importante é reconstruir a auto-estima. Os médicos não têm todas as respostas. Nós temos muitas.

ÉPOCA – Em que momento decidiu gravar um documentário? 
Kris - 
Comecei a filmar algumas semanas depois do diagnóstico. Criatividade sempre foi meu conforto, uma forma de me expressar. No começo, era só eu, e depois outras mulheres, médicos, professores, religiosos... No filme, eu digo que "estava em busca de uma cura e encontrei minha vida". E meu marido também! (risos) Ele era o câmera.

 Divulgação
A ioga foi uma das maneiras que Kris encontrou para reestabelecer o equilíbrio de seu corpo
ÉPOCA – Como está sua saúde cinco anos após o diagnóstico? 
Kris -
 Bem melhor. O câncer que tenho progride lentamente e minha vida é normal. As pessoas não podem ser curadas, mas podem se sentir curadas. Muitas querem fugir, mas o câncer nos dá a oportunidade de viver cada minuto de forma consentida, de lutar pela vida. Eu visualizo uma vida cristalina e não falo sobre a doença.

ÉPOCA – O câncer é uma doença solitária ou permite que você se aproxime mais das pessoas? 
Kris - 
É certamente solitária, mas também dá a oportunidade de aproximar as pessoas e de decidir o que fazer com o tempo que nos resta. Todo mundo irá morrer, você irá morrer, eu irei morrer, mas por quanto tempo iremos viver? O câncer te ensina a viver. As pessoas sempre o relacionam com morte. Eu relaciono o câncer com a vida.

ÉPOCA – E o que você quer fazer da vida a partir de agora? 
Kris - 
Um monte de coisas... (risos) Estou escrevendo outro livro e discutindo sobre fazer um programa de TV. Meu marido e eu gostaríamos de começar a planejar uma família, ainda que eu tenha câncer. E tenho esperanças de tirar férias.

Assista, abaixo, ao trailer de Com Câncer e Ainda Sexy (Crazy Sexy Câncer), de Kris Carr, que estréia em 12 de outubro na Discovery Home&Health. 

 

A dieta que ajuda o organismo a combater o câncer



Confira algumas dicas de alimentação que a atriz americana Kris Carr segue para fortalecer seu sistema imunológico e impedir o desenvolvimento de um tipo raro de câncer, que foi diagnosticado há cinco anos

Laura Lopes

 Divulgação
Depois que descobriu que tinha câncer, Kris adotou uma dieta radical, baseada apenas em alimentos de origem vegetal e, de preferência, crus
"Aqui é minha farmácia", aponta a atriz americana Kris Carr para um hipermercado de frutas e verduras orgânicas. Lá, ela encontra alimentos ricos em enzimas e oxigênio, essenciais à saúde – e tão ausentes na dieta do americano médio, acostumado a comer carne, laticínios e alimentos processados. Ela tem um tipo de câncer muito raro, (hemangioendotelioma epitelóide), que atacou o tecido dos vasos sangüíneos de seu fígado e pulmões. Para seu bem, a doença evolui lentamente. O médico recomendou que a atriz levasse a vida normalmente e se concentrasse em fortalecer seu sistema imunológico. E ela levou isso a sério. Passou de praticante leiga do vegetarianismo a especialista sobre o poder dos alimentos. No livro Câncer - e agora? (Crazy Sexy Cancer Tips), lançado no Brasil pela Globo Livros (mesma editora que publica ÉPOCA), ela dá algumas dicas que aprendeu em mais de cinco anos de pesquisas e experiência. Hoje, garante que sua imunidade está muito mais forte que na época do diagnóstico. Entenda mais sobre como os alimentos a ajudaram nisso. 
 Divulgação
Exercícios ajudam na cura
As regras
1. Estreite seus laços com a natureza e a horta
2. Malhe o corpinho (quem pratica exercícios consegue se curar oito vezes mais rápido do que quem tem um rotina sedentária)
3. Escolha os alimentos alcalinos corretos – prefira os que contêm oxigênio e enzimas
4. Beba água
5. Faça uma lavagem de cólon a cada 12 meses (somente um cólon limpo e saudável é capaz de absorver os nutrientes dos alimentos e eliminar resíduos e toxinas)
6. Controle o estresse e abuse do prazer
7. Durma. Durma. Durma.

Alimentos crus
Kris é adepta da raw food (cozinha crua) porque, aos 50ºC, as enzimas (e vitaminas) dos alimentos são desnaturadas, ou seja, não servirão mais como tal – e o organismo precisará reconstruí-las, gastando uma energia danada para isso. Os alimentos cozidos representam uma enorme pressão ao organismo: assim como o açúcar refinado, carboidratos, conservantes e produtos químicos, eles aumentam o número de leucócitos (glóbulos brancos) no sangue, como se o corpo estivesse sendo atacado por um organismo estranho. "Eu quero que meu organismo se concentre em abater células cancerígenas, e não salgadinhos industrializados e balas cheias de corante!"


 Divulgação
A atriz se tornou especialista em câncer e nos tratamentos alternativos para a doença

Dieta alcalina 

A dieta americana padrão, rica em carnes, pães, laticínios, alimentos cozidos e processados, cafeína e álcool, produz acidez no organismo, que pode causar uma série de problemas à saúde. Kris explica: o sangue tem pH próximo a 7 (neutro). O pH baixo, ácido, sufoca o organismo, tirando sua reserva de oxigênio. Uma alimentação alcalina, por outro lado, inunda o corpo de oxigênio, mantendo-o saudável e cheio de disposição. Segundo Kris, quem come carne tem mais probabilidade de ter câncer – o que é reconhecido pelo Insituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.

Preparar e comer
1. Prepare suas refeições como num ritual de amor próprio.
2. Tente não ingerir líquidos durante as refeições – eles diluem o suco gástrico.
3. Não misture proteína com amido na mesma refeição. Essa combinação leva mais tempo para ser digerida no estômago. Além disso, não misture frutas com outros alimentos, principalmente melão.
4. Dê preferência aos grãos integrais e lembre-se: tudo o que é branco é processado.
5. Há raladores especiais para que vegetais, como abóbora e abobrinha, fiquem no formato de macarrão. O bom é que eles podem ser comidos crus.

 
Faxina na despensa
1. Tudo o que é branco e processado: rua!
2. Leia os rótulos. Caso haja algum ingrediente cujo nome você é incapaz de pronunciar, seu corpo será incapaz de digeri-lo.
3. Se a data de validade for superior à expectativa de vida de um ser humano, com certeza se trata de um produto que vai diminuir a sua data de validade.
4. Diga adiós aos óleos hidrogenados, às gorduras animais cozidas, aos corantes artificiais, flavorizantes, lixos light e refrigerantes.
5. Enquanto estiver na luta contra o tal C (
câncer), evite qualquer tipo de açúcar refinado e reduza o consumo de frutas. Muitos médicos alternativos acreditam que o açúcar não apenas debilita o sistema imunológico como também alimenta as células cancerígenas! Isso porque aumenta a glicemia, aumentando o nível de insulina – hormônio que ajuda na divisão celular, seja de células cancerígenas ou normais. Ou seja, quanto mais açúcar, mais insulina e, portanto, mais chance das células cancerosas se multiplicarem.


 Divulgação
Alimentos orgânicos não contêm agrotóxicos, que são um veneno para o organismo

Lista de compras

Gãos e massas – milhete, quinua, trigo-sarraceno, macarrão do tipo soba, grãos ou macarrão kamut 
Nozes e sementes cruas – as asssadas são rançosas. Amêndoas, nozes pecan ou comuns, macadâmia, avelãs, pinhão, sementes de abóbora, girassol e linhaça, gergelim, manteiga crua de amêndoas, tahini (pasta feita de gergelim).
Algas – nori, dulse, arame, hijiki.
Vegetais – todos! Eles duram mais se conservados em saquinhos.
Frutas – as com baixo teor de açúcar, como o mirtilo, são melhores que as com muito açúcar, como banana. Coma com moderação.
Pães – os germinados são melhores, pois facilitam a digestão e têm mais nutrientes. Tortilhas são ótimas para fazer wraps. Para comer cereais, misture leite de amêndoas, arroz ou aveia.
Adoçante  – estévia é uma erva poderosa que não contém açúcar, vendida em sachês.
Óleos para temperar salada – óleo de linhaça e azeite de oliva prensado a frio. Azeites embalados em vidro escuro costumam ser de melhor qualidade.
Temperos  – misture ervas frescas e orgânicas.
Lanches e comidas rápidas – bolinhos de espelta (ou trigo rústico) ou de açúcar mascavo, homus, azeitonas, produtos à base de soja, pipoca de panela e barrinhas de cereal orgânicas.
Acessórios – espremedor, processador, secador de salada, liquidificador e uma faca bem afiada!
Rótulos – não se esqueça de ler os rótulos! Fique atento a ingredientes ácidos, como levedura, ácido cítrico, vinagre, amendoim e xarope de milho

Resumo
- Coma apenas produtos de origem vegetal e orgânicos (que não possuem agrotóxicos – "se eles são capazes de matar um inseto, imaginem o que fazem nas suas entranhas").
- Ingira alimentos integrais e verdes ricos em clorofila.
- Beba montes de água fresca e filtrada.
- Coma alimentos de origem vegetal com ácidos graxos ômega-3, como a linhaça.
- Consuma uma quantidade moderada, porém adequada, de calorias e pouco açúcar (oriundo de fontes integrais).
- Pelos menos 80% da sua alimentação deve ser composta de comida crua.
- Faça exercícios diariamente.
- Tome um suplemento de enzimas e nutrientes vindos de superalimentos, como espirulina e cloreta.
- Além de tudo isso, eu também tomo vitamina B12, o único nutriente que não pode ser encontrado em uma dieta vegetariana radical.

Fonte:
Revista Época


Nota: Retirei o agave da lista de adoçantes recomendados

Alimentos coloridos protegem o cérebro

Uma dieta saudável é, por definição, uma dieta variada que ofereça ao organismo os diversos nutrientes de que precisa. Mas, da mesma forma que há alimentos cardioprotetores, também há os neuro-saudáveis. Esses produtos geralmente têm cores vivas e propriedades que protegem especificamente o cérebro

Ester Riu

Da mesma maneira que falamos de alimentos cardio-saudáveis, podemos falar de alimentos que são bons para nosso cérebro e que podem ajudar os neurônios a manter as conexões entre si e a retardar a deterioração das funções cognitivas associadas ao envelhecimento. Poderíamos chamá-los de alimentos neuro-saudáveis. Não se trata de uma dieta mágica nem de alimentar falsas promessas de manter o cérebro em perfeito estado, mas de identificar certos nutrientes que podem ter um efeito favorável em nossa matéria cinzenta.

O estudo da relação entre a alimentação e o cérebro é relativamente novo, mas há cada vez mais publicações científicas que demonstram que o que comemos afeta a saúde cognitiva, tanto negativa como positivamente, e que para manter o cérebro em bom estado, além de fazer "sudoku" e jogar Brain Trainer, podemos começar a prestar atenção em algo tão corriqueiro quanto a lista de compras.

"A comida é como uma substância farmacêutica que afeta diretamente o cérebro, e o fato de que pode alterar nossa saúde mental é muito animador, pois significa que as mudanças alimentares podem chegar a ser uma estratégia viável para proteger o cérebro, melhorar a capacidade cognitiva e deter os efeitos do envelhecimento", afirma Fernando Gómez-Pinilla, neurocientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), que publicou em julho um estudo na "Nature Reviews Neuroscience" no qual analisou mais de 160 trabalhos sobre essa questão.

Essa análise traz informações que podem ser muito valiosas na hora de decidir o que comprar para comer. Em produtos tão comuns quanto morangos, nozes e espinafre podemos encontrar uma fonte poderosa de alimentação para os neurônios.

Frutas silvestres
A cientista catalã Gemma Casadesús, que pesquisa a perda cognitiva e o envelhecimento no departamento de neurociências da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland (Ohio, EUA), afirma que dá todos os dias a seus filhos morangos, framboesas e oxicocos [arando, uva-do-monte, "cranberry"]. Por que essas frutas, exatamente? A pesquisadora é muito consciente do poder antioxidante das frutas silvestres, depois que demonstrou em sua tese de doutorado, há quatro anos, que ratos que tinham sido alimentados com oxicocos eram capazes de produzir novos neurônios - processo conhecido como neurogênese - no hipocampo, a região do cérebro associada à memória.

Casadesús realizou sua tese sob a supervisão de James Joseph, chefe do Laboratório de Neurociência do Jean Mayer USDA Centro de Pesquisa de Nutrição Humana e Envelhecimento na Universidade Tufts, em Boston, e um dos primeiros a descobrir o efeito protetor dos antioxidantes no cérebro.

Joseph publicou um estudo em 1999 no "Journal of Neuroscience", segundo o qual ratos de 19 meses - equivalentes a humanos de 65 ou 70 anos - que foram alimentados com extratos de nutrientes ricos em antioxidantes haviam demonstrado melhora na memória em curto prazo. Mais especificamente, os que haviam tomado extrato de oxicocos melhoraram nas tarefas de equilíbrio e coordenação. Desde então Joseph toma todas as manhãs um punhado de oxicocos com o café da manhã.

Nos últimos dez anos Joseph estudou as propriedades dos antioxidantes de frutas e verduras para tentar entender como podem ter esse efeito tão benéfico no cérebro. "Por trás das doenças cardiovasculares, da diabetes, do câncer, do Parkinson e do Alzheimer estão a inflamação e o estresse oxidante, e observamos que os arándanos têm a capacidade de apagar esses sinais inflamatórios e oxidantes e acender outros positivos que os bloqueiam", explica.

Origens do Alzheimer
Tanto Joseph quanto Casadesús estão muito interessados em estudar o Alzheimer, e seu objetivo é se concentrar nos primeiros estágios da doença para ver se, tentando conter os primeiros sinais de perda de função cognitiva, se pode chegar a retardar o aparecimento dos efeitos mais devastadores dessa patologia neurodegenerativa. "É claro que não se pode curar o Alzheimer com a comida, mas o que nós gostaríamos é que cada pessoa possa reduzir sua probabilidade de desenvolver a doença e inclusive consiga preveni-la se souber que certos hábitos podem ajudá-la", afirma Joseph.

Ele e Casadesús tomam certa distância em relação às pesquisas atuais de Alzheimer, concentradas na formação de placas amilóides, porque crêem que a doença começa muito antes de que se acumule a proteína beta-amilóide e que os processos inflamatórios e oxidantes poderiam ter muito a ver com isso. Casadesús sabe que esses processos não são os únicos causadores, mas sua intenção é estudá-los antes que a proteína amilóide comece a se acumular, para poder entendê-los melhor e ver qual é seu papel.

"Acreditamos que a amilóide é produzida como compensação para combater um forte estresse oxidante, e o que queremos é estudar cronologicamente um modelo específico de ratos transgênicos que sofrem uma deterioração cognitiva semelhante ao Alzheimer - o SAMP8 - para ver que efeitos têm os antioxidantes", explica Casadesús.

A pesquisadora prevê utilizar resveratrol, o benéfico componente do vinho tinto, para conter a ação dos radicais livres. Esse trabalho está sendo feito em colaboração com uma equipe da Universidade de Barcelona e em parte com financiamento de La Marató da TV-3.

Apesar de o oxicoco consumido na Espanha ser diferente da "blueberry" americana (mirtilo) em que se baseiam esses estudos, o dr. Joseph afirma que os espanhóis podem se beneficiar dos antioxidantes consumindo morangos e nozes e bebendo vinho tinto. O pesquisador foi um dos primeiros a indicar as vantagens dos alimentos coloridos, como as frutas silvestres, espinafres ou brócolis. Casadesús insiste na importância da cor e acrescenta que outros estudos também demonstraram os benefícios dos fitoquímicos presentes nas maçãs, uvas pretas e romãs.

Outro nutriente importante para o cérebro são os ácidos graxos ômega-3, que se encontram em alimentos como linhaça, as nozes ou o kiwi. Segundo Gómez-Pinilla, eles atuam diretamente nas sinapses do cérebro, processo que é fundamental para o aprendizado e a memória. Um dos ômegas-3 mais importantes é o DHA, muito presente na linhaça. "O DHA é um componente das membranas dos neurônios, mas tanto o cérebro como o corpo humano são deficientes na hora de produzi-lo, por isso temos de obtê-lo diretamente na alimentação", indica o pesquisador de origem chilena.

Exemplo de Okinawa
Há estudos que demonstraram a relação entre uma dieta deficiente em ômega-3 e o aumento do risco de doenças. Nesse sentido, é interessante observar o que acontece em Okinawa, uma ilha japonesa onde se consome muito ômega 3 (mais que a média japonesa) e as pessoas fazem exercícios regularmente. Os habitantes da ilha têm uma das expectativas de vida mais altas do planeta, e o índice de distúrbios mentais é muito baixo.

Continuando na Ásia, também devemos prestar atenção à cúrcuma, uma especiaria procedente da Índia e um dos componentes do molho curry. Essa especiaria, que às vezes é chamada de "aspirina da Ásia", está sendo alvo de muitos estudos por seu valor como antiinflamatório e antioxidante. Na UCLA, uma equipe dirigida por Greg Cole pesquisa seus efeitos em doentes de Alzheimer e os resultados observados até agora são promissores: além de ser um poderoso antiinflamatório, a cúrcuma também parece reduzir o acúmulo de amilóide e a perda de marcadores sinápticos. Os especialistas indicam que a baixa prevalência de Alzheimer na Índia poderia ter a ver com o alto consumo de cúrcuma. O estudo de Gómez-Pinilla também salienta os benefícios para o cérebro dos alimentos ricos em ácido fólico (espinafre, suco de laranja, levedo) e de outros nutrientes, como os flavonóides (cacau, chá verde, frutas secas).

Esses três pesquisadores concordam em que é muito melhor comer diretamente o alimento do que tomá-lo em forma de suplemento. "Os diversos componentes de frutas como o oxicoco atuam no conjunto e em sinergia", afirma Casadesús.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Fonte: El País -05/10/2008