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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

OS ALIMENTOS GENETICAMENTE MODIFICADOS PODEM AUMENTAR AS ALERGIAS ALIMENTARES

"Alimentos" Transgénicos / OGMs
provocam alergias e outros problemas de saúde


Parte 1 – SOJA GENETICAMENTE MODIFICADA

O enorme aumento das alergias alimentares infantis nos Estados Unidos é frequentemente noticiado(1), mas a maior parte dos relatórios é omissa quanto a uma mudança radical recente da dieta americana. Desde 1996, genes de vírus, bactérias e outras células têm vindo a ser introduzidos artificialmente no DNA da soja, milho, algodão e colza . Estes alimentos geneticamente modificados (GM), muitas vezes não rotulados, apresentam o risco de desencadear reacções alérgicas mortais e as provas recolhidas na última década sugerem agora que certos produtos GM estão a contribuir para um aumento das alergias.

OS TESTES PARA A SEGURANÇA DOS ALIMENTOS NÃO SÃO ADEQUADOS PARA A PROTECÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA

Os cientistas sabem há muito tempo que as culturas GM poderiam causar alergias. Mas não há testes que provem antecipadamente que determinada cultura GM é inócua.(2) Isto acontece porque as pessoas normalmente não são alérgicas a um alimento antes de o terem ingerido várias vezes. “O único teste definitivo para as alergias” segundo Louis Prybil, antigo microbiólogo da FDA, “é haver consumo por pessoas afectadas, o que pode ter implicações éticas”(3) E são as considerações éticas de alimentar consumidores não informados com produtos GM de alto risco e sem rotulagem adequada que colocam tantas pessoas em pé de guerra.

O Reino Unido é um dos poucos países que realiza uma avaliação anual das alergias alimentares. Em Março de 1999 investigadores no York Laboratory ficaram alarmados ao descobrir que as reacções à soja tinham disparado em 50% relativamente ao ano anterior. Acontece que a soja geneticamente modificada tinha entrado recentemente no país devido às importações dos Estados Unidos e a soja usada no estudo era maioritariamente GM. John Graham, porta voz do York Laboratory, declarou : “Acreditamos que isto levanta questões novas e muito sérias acerca da segurança dos alimentos GM.”(4)

Os críticos dos alimentos GM dizem muitas vezes que a população dos Estados Unidos está a ser utilizada como cobaia numa experiência. No entanto nas experiências há o cuidado de fazer controlos e medir as diferenças, enquanto que no caso real americano não há nem uma coisa nem outra. Os especialistas em segurança alimentar dos produtos GM salientam que, mesmo que alguém tentasse coligir dados acerca das reacções alérgicas que causam, dificilmente conseguiriam. Os alergenes potenciais raramente são identificados. O número de consultas médicas devidas a alergias também não é contabilizado. Mesmo quando acontecem casos múltiplos devidas a determinados alergenes bem conhecidos ninguém tem responsabilidades de protecção da saúde pública.(5) Na verdade, depois do governo canadiano ter anunciado em 2002 que iria “vigiar cuidadosamente a saúde dos canadianos “(6) para observar se os alimentos GM traziam quaisquer reacções adversas, acabou por abandonar os planos ao fim de um ano com a explicação de que tal estudo seria demasiado difícil.

A ENGENHARIA GENÉTICA PODE PROVOCAR O AUMENTO DAS ALERGIAS À SOJA

A explicação clássica da possibilidade de um alimento GM poder causar novas alergias é a de que o gene importado produz uma proteína nova, que nunca esteve presente anteriormente. Essa proteína nova pode desencadear reacção. Isto foi demonstrado em meados dos anos 90 quando às sementes de soja foi adicionado um gene da castanha do Pará. Embora os cientistas tenham tentado produzir uma semente de soja mais saudável, obtiveram uma potencialmente mortal. Testes sanguíneos às pessoas que eram alérgicas às castanhas do Pará mostraram reacções alérgicas a essa soja GM.(7) Felizmente nunca foi colocada no mercado.

A variedade transgénica que é usada em 89% da área de soja nos Estados Unidos tem um gene sintético produzido a partir de material genético bacteriano (com partes de vírus e de plantas). À partida não podemos saber se a proteína produzida pela bactéria, uma vez que nunca fez parte da alimentação humana, provocará qualquer reacção. Como precaução, os cientistas comparam a nova proteína com uma base de dados de proteínas que se sabe serem alérgicas. Se a nova proteína inserida na planta transgénica contiver sequências presentes na base de dados então, pelos critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS) e outros, não deve ser comercializada ou, pelo menos, devem realizar-se testes adicionais. No caso da soja transgénica em circulação pelo mundo inteiro há de facto secções na nova proteína que são idênticas a determinados alergenes conhecidos. Só que a soja foi introduzida antes dos critérios da OMS serem estabelecidos e nunca foi retirada do mercado nem se realizaram os testes adicionais recomendados.

Se esta proteína na soja GM está a causar alergias, então a situação pode tornar-se muito pior devido à Transferência Horizontal de Genes (THG). A THG refere-se à passagem espontânea de DNA entre células de espécies diferentes. Este fenómeno verifica-se frequentemente em bactérias, mas é raro entre mamíferos e plantas. O problema é que o método utilizado para construir e inserir transgenes elimina muitas das barreiras naturais que impedem a ocorrência de THG. No único estudo publicado até agora sobre consumo humano de alimentos GM verificou-se que algumas partes do transgene presente na soja GM acabaram por se transferir para o DNA das bactérias do intestino humano. Além disso esse transgene estava incorporado estavelmente e parecia estar a produzir a sua proteína potencialmente alergénica. Isto significa que, anos depois de terem deixado de ingerir soja GM, as pessoas podem continuar expostas à sua proteína perigosa que continuará a ser produzida continuamente nos seus intestinos.

A ENGENHARIA GENÉTICA ALTEROU O DNA DA SOJA, CRIANDO NOVOS (OU MAIS) ALERGENES

Embora os defensores da engenharia genética descrevam o processo de transgénese como sendo exacto, em que os genes – tal como Legos – se encaixam perfeitamente no lugar, nada poderia estar mais longe da verdade. O processo de criação de uma planta GM pode produzir mudanças profundas no funcionamento natural do DNA da planta. Os genes podem sofrer mutações, ser eliminados, tornar-se constitutivamente activos ou silenciosos, e numa só planta transgénica pode haver centenas de genes cujo nível de actividade foi alterado. Estes efeitos secundários e inevitáveis da transgénese podem significar uma maior concentração de um alergene já existente ou o aparecimento de um alergene até aí desconhecido para essa planta. Aparentemente aconteceram ambas as coisas na soja GM.

Os níveis de um alergene conhecido da soja, o inibidor da tripsina, apresentam níveis aumentados até 27 % na soja crua GM quando comparada com soja convencional (não GM). Além disso, embora cozinhar a soja normalmente reduza os níveis desta proteína, na variedade GM ela parece ser mais resistente ao calor: os níveis do inibidor da tripsina são quase tão altos na soja GM cozida como na soja GM crua. A soja convencional cozinhada apresenta sete vezes menos inibidor do que a soja GM cozinhada.(8) Tais dados sugerem que este alergene provoca mais reacções quando se consome soja GM do variedades naturais.

Outro estudo verificou que a soja GM contém uma proteína nova e completamente inesperada, que não aparece na soja convencional com que foi comparada. Esta proteína reage com o IgE, um anticorpo que tem um papel central numa grande parte das reacções alérgicas, incluindo as que conduzem ao choque anafiláctico (que pode ser mortal). O facto de esta proteína criada pela soja GM interagir com o IgE sugere que pode também desencadear alergias.

Os mesmos investigadores que fizeram as experiências anteriores mediram igualmente a resposta imunitária à soja através de um tipo de teste cutâneo muitas vezes utilizado em alergologia. Sete voluntários humanos apresentaram reacção tanto à soja GM como à soja convencional, e um outro reagiu à soja GM mas não reagiu à soja convencional. Embora o tamanho da amostra seja pequeno, é enorme a implicação de que pessoas, até aqui sem problemas a consumir soja, poderão sofrer uma reacção alergénica quando na presença com soja GM. Este facto por si só pode ser suficiente para explicar o aumento de alergias à soja já observado no Reino Unido.

O AUMENTO DOS HERBICIDAS NOS PRODUTOS GM PODE CAUSAR REACÇÕES

Os agricultores utilizam uma quantidade de herbicida para os campos de soja GM cerca de 86% superior à empregue em campos de soja não GM (dados de 2004).(9) Isso traduz-se num aumento dos resíduos de herbicida no grão de soja GM, o que pode causar problemas de saúde. De facto, muitos dos sintomas identificados no estudo das alergias à soja no Reino Unido são típicos da exposição ao glifosato. (O estudo detectou problemas de digestão, fadiga crónica, síndrome do intestino irritável, dores de cabeça, letargia e problemas de pele incluindo acne e eczema, todos eles relacionados com o consumo da soja. Os sintomas da exposição ao glifosato incluem náusea, dores de cabeça, letargia e pruridos, erupções e comichão na pele. É também possível que o AMPA, uma substância proveniente da decomposição do glifosato que se acumula na soja GM após cada pulverização, possa contribuir para as alergias).

A SOJA GM PODERÁ IMPEDIR A DIGESTÃO E CONDUZIR A ALERGIAS

Quanto mais tempo as proteínas sobrevivem no tracto intestinal, mais oportunidade têm de provocar reacções alérgicas. Ratos alimentados com soja GM evidenciaram níveis drasticamente reduzidos de enzimas pancreáticas. Se as enzimas que digerem as proteínas estiverem em menor quantidade, as proteínas dos alimentos sobrevivem durante mais tempo no intestino e isso pode conduzir a uma reacção alérgica que de outro modo não teria lugar. Ou seja, uma redução na taxa geral de digestão proteica devida ao consumo da soja GM pode conduzir a reacções alérgicas a um vasto leque de proteínas, e não apenas às da soja. Não existem estudos sobre a variação da digestão humana de proteínas em função da soja GM.

A SOJA LIGADA A ALERGIAS AO AMENDOIM

Há pelo menos uma proteína na soja natural que reage com anticorpos induzidos por alergias ao amendoim.(10) Isto significa que, para algumas pessoas que são alérgicas ao amendoim, consumir soja pode desencadear uma reacção alérgica. Sendo certamente possível que efeitos secundários inesperados da soja GM possam aumentar a incidência desta reactividade cruzada, aparentemente não foram levados a cabo quaisquer estudos para investigar tal hipótese. Nos Estados Unidos a soja GM foi introduzida nos finais de 1996. Entre 1997 e 2002 as alergias ao amendoim duplicaram. Haverá aqui uma relação causa-efeito?

COMER ALIMENTOS GM É JOGAR COM A NOSSA SAÚDE

A introdução dos alimentos GM na nossa dieta foi realizada discretamente, sem a divulgação e informação de que o público precisa para exercer uma escolha consciente.
Sem saber que os alimentos GM poderão aumentar o risco de alergias e, muitas vezes, sem saber quais alimentos contêm ingredientes GM (como por exemplo nas refeições servidas em cantinas e restaurantes) a indústria da engenharia genética está a arriscar a saúde de todos para seu benefício financeiro privado. No entanto este risco não é desconhecido de toda a gente. De facto, milhões de pessoas procuram agora alimentos que estejam livres de quaisquer ingredientes GM. John Boyles, um médico do Ohio especialista em alergias, diz: “eu costumava fazer muitos testes para despistar alergias à soja mas agora que ela é GM, é tão perigosa que digo às pessoas que não a comam a não ser que diga que é de produção biológica.(11)

Não é permitido que os alimentos biológicos contenham ingredientes GM. [NOTA DE TRADUÇÃO: em Junho de 2007 os ministros da agricultura da União Europeia aprovaram a legalização da contaminação GM em produtos biológicos.] Comprar produtos biológicos certificados ou outros que estejam rotulados como isentos de transgénicos são as melhores maneiras de reduzir os riscos dos alimentos GM. Outra é evitar quaisquer produtos que contenham os vegetais que foram geneticamente modificados: soja, milho, algodão e colza. [ NOTA DE TRADUÇÃO: Lista actualizada para a União Europeia.] Isto significa evitar a lecitina de soja no chocolate, xarope de milho nos rebuçados e óleo de algodão ou de colza nos petiscos e outros alimentos prontos a comer.

Ficam os desejos de uma alimentação segura para todos.


Este artigo limita-se a discutir as reacções alérgicas à soja GM. As indicações de que o milho GM está a desencadear alergias é muito mais extensa e será coberta na parte 2 desta série.

Jeffrey M. Smith é autor do recente livro ROLETA GENÉTICA: Os Riscos Documentados para a Saúde dos Alimentos Geneticamente Modificados, que apresenta 65 riscos em desdobráveis de duas páginas muito fáceis de ler. O seu primeiro livro, AS SEMENTES DA ENGANAÇÃO, é número 1 nas vendas mundiais de livros sobre alimentos GM. Jeffrey M. Smith é Director Executivo do INSTITUTE FOR RESPONSIBLE TECHNOLOGY. Visite http://www.seedsofdeception.com para saber mais acerca do trabalho do Instituto.

INSTITUTE FOR RESPONSIBLE TECHNOLOGY - Boletim de Maio de 2007


Referências

[1] Ver por exemplo Charles Sheehan, "Scientists see spike in kids' food allergies," Chicago Tribune, 9 June 2006, http://www.montereyherald.com/mld/montereyherald/living/health/

[2] Ver por exemplo Carl B. Johnson, Memo on the "draft statement of policy 12/12/91," January 8, 1992. Johnson escreveu: "Estamos a pedir que a indústria prove que os alimentos que desenvolveu são não alergénicos? Isso parece uma tarefa impossível."

[3] Louis J. Pribyl, "Biotechnology Draft Document, 2/27/92," March 6, 1992, www.biointegrity.org

[4] Ibid.

[5] Traavik and Heinemann, "Genetic Engineering and Omitted Health Research", 2007

[6] "Genetically modified foods, who knows how safe they are?" CBC News and Current Affairs, September 25, 2006.

[7] J. Ordlee, et al, "Identification of a Brazil-Nut Allergen in Transgenic Soybeans," The New England Journal of Medicine, March 14, 1996.

[8] Stephen R. Padgette et al. “The Composition of Glyphosate-Tolerant Soybean Seeds Is Equivalent to That of Conventional Soybeans,” The Journal of Nutrition 126, no. 4, (April 1996); incluindo dados nos arquivos desta revista relativos ao mesmo estudo.

[9] Charles Benbrook, “Genetically Engineered Crops and Pesticide Use in the United States: The First Nine Years”; BioTech InfoNet, Technical Paper Number 7, October 2004.

[10] Ver por exemplo Scott H. Sicherer et al. “Prevalence of peanut and tree nut allergy in the United States determined by means of a random digit dial telephone survey: A 5-year follow-up study,” Journal of allergy and clinical immunology, March 2003, vol. 112, n 6, 1203-1207); e Ricki Helm et al. “Hypoallergenic Foods - Soybeans and Peanuts” Information Systems for Biotechnology News Report, October 1, 2002.

[11] John Boyles, MD, comunicação pessoal, 2007.

http://www.stopogm.net/?q=node/223


OGM e Alergias - Parte 2: o milho GM

INSTITUTE FOR RESPONSIBLE TECHNOLOGY
Boletim de Junho de 2007

OS ALIMENTOS GENETICAMENTE MODIFICADOS PODEM AUMENTAR AS ALERGIAS ALIMENTARES

Parte 2 - MILHO GENETICAMENTE MODIFICADO

A indústria da engenharia genética gosta de dizer que vende culturas geneticamente modificadas (GM) que resistem às pragas. Isto poderia induzir a imagem de insectos a afastar-se dos campos com culturas GM. Mas “resistir às pragas” é apenas um eufemismo que na verdade significa “contém um pesticida letal”. Quando os insectos ingerem a planta GM o pesticida perfura-lhes o estômago e morrem.

A ideia de que comemos esse mesmo pesticida tóxico a cada dentada não poderia ser menos tentadora. Mas as multinacionais e a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar – que decide sobre a autorização destes alimentos – dizem para não nos preocuparmos. Elas argumentam que o pesticida chamado Bt (Bacillus thurigiensis) é produzido naturalmente por uma bactéria do solo e tem sido usado sem problemas há décadas. A agricultura biológica, por exemplo, costuma pulverizar o Bt como método natural de controlo de insectos. Por engenharia genética o gene que produz o Bt nas bactérias é inserido no DNA das plantas de milho (ou outras espécies) e assim a planta já pode fazer o serviço e o agricultor não tem com que se preocupar. Além disso também nos é dito que a toxina Bt é destruída rapidamente no nosso estômago e, ainda que sobrevivesse, como os humanos e os outros mamíferos não têm receptores para a toxina, de qualquer forma não haveria interacção nem impacto na saúde.

Estes argumentos, contudo, são apenas isso – suposições sem confirmação. A investigação científica conta uma história bem diferente.

O BT PULVERIZADO PODE SER PERIGOSO PARA HUMANOS

Quando o Bt natural foi pulverizado por via aérea sobre regiões dos estados norte-americanos de Vancouver e Washington para combater a lagarta do sobreiro, cerca de 500 pessoas queixaram-se de reacções – a maior parte de tipo alérgico ou gripal. Seis pessoas foram tratadas nas urgências devido a alergias ou asma.(1),(2) Os trabalhadores que fizeram a pulverização do Bt queixaram-se de irritação ocular, nasal, da garganta e pulmonar, (3) e alguns desenvolveram anticorpos contra o Bt.(4) Estão registados casos em que agricultores expostos ao Bt natural em forma líquida tiveram reacções, incluindo infecções, úlceras da córnea,(5) irritações cutâneas, ardência, inchaços e vermelhidão. (6) Uma mulher que foi atingida acidentalmente pela vaporização do Bt ficou febril, com delírios e ataques.(7) De facto, as autoridades há muito reconheceram que “Pessoas com sistemas imunitários deficientes ou com um histórico de alergias podem ser particularmente sensíveis aos efeitos do Bt.”(8). O departamento de saúde do estado americano do Oregon avisou que “pessoas com [...] desordens imunitárias graves devem ponderar o abandono da região durante períodos de pulverização.”(9) Um fabricante de Bt para pulverização avisa: “A exposição repetida por inalação pode resultar em sensitização e resposta alérgica em indivíduos hipersensíveis.”(10) Estes factos deitam por terra as alegações de que o Bt não interage com seres humanos.

Quanto às afirmações de que o Bt é completamente destruído no sistema digestivo, estudos com ratos também as desmentem completamente. Ratos alimentados com toxina Bt apresentaram respostas imunitárias significativas – tão fortes como com a toxina da cólera. Além disso, o Bt induziu reacções imunitárias a substâncias até aí inócuas. Isto sugere que a exposição ao Bt pode tornar as pessoas alérgicas a uma vasta gama de substâncias.(11), (12) Os próprios especialistas da EPA (Agência Americana de Protecção Ambiental) declararam que estes estudos com ratos e agricultores “sugerem que as proteínas Bt podem actuar como fontes alergénicas e antigénicas.”(13)

A TOXINA NAS PLANTAS GM É MAIS PERIGOSA DO QUE A VERSÃO NATURAL

A toxina Bt produzida pelas culturas GM é “profundamente diferente das [toxinas Bt] usadas na agricultura convencional e biológica e na silvicultura.”(14) Antes de mais as plantas GM produzem 3 000 a 5 000 vezes a quantidade de toxina empregue em pulverizações. O Bt pulverizado é destruído ao fim de poucos dias, duas semanas no máximo, pela luz solar,(15) altas temperaturas ou por substâncias nas folhas das plantas, e pode ser “lavado pela chuva das folhas para o solo,”(16) ou ainda lavado pelos consumidores. Por outro lado, numa planta GM o Bt é produzido continuamente em cada uma das células, não podendo ser lavado ou dissipado pelo tempo.

A versão natural do Bt, produzida pelas bactérias, está inactiva até chegar ao estômago alcalino de um insecto. Uma vez em meio alcalino um “fecho de segurança” é removido e só então o Bt se torna tóxico. Mas a sequência natural do gene do Bt foi modificada por engenharia genética antes da inserção nas plantas. A toxina Bt produzida em plantas vem geralmente sem esse fecho de segurança, o que faz com que esteja permanentemente activa. Esta diferença crucial pode levar a que o Bt de origem transgénica possa desencadear uma resposta imunitária mais intensa e mais alargada do que a variedade natural.(17)

A TOXINA BT NÃO PASSA NOS ESTUDOS DE SEGURANÇA MAS MESMO ASSIM É UTILIZADA

Não é possível verificar com testes se uma proteína GM introduzida pela primeira vez num alimento não vai causar alergias em pessoas. A Organização Mundial da Saúde (WHO) e a Organização da Agricultura e Alimentação (FAO), ambas das Nações Unidas, identificaram critérios para reduzir a probabilidade de culturas GM alergénicas serem aprovadas.(18) É sugerido analisar uma proteína GM de acordo com os seguintes aspectos: 1) semelhança entre a sua sequência de aminoácidos e a de alergéneos conhecidos; 2) estabilidade na digestão; e 3) estabilidade à temperatura. Estas propriedades não permitem prever alergenicidade mas a sua presença, segundo os especialistas, deve ser suficiente para rejeitar a planta GM ou, no mínimo, exigir mais estudos. A toxina Bt produzida no milho GM falha estes três critérios.

Por exemplo a variedade de toxina Bt encontrada nas variedades de milho Yield Guard da Monsanto e Bt 11 da Syngenta é conhecida como Cry1AB. Em 1998 um cientista da FDA [Autoridade dos Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos] descobriu que a Cry1AB apresentava uma sequência de 9 a 12 aminoácidos igual à encontrada na vitelogenina, um alergéneo da gema de ovo. O estudo concluía “que a semelhança [...] pode ser suficiente para obrigar a uma avaliação adicional.”(19) Mas nada do género foi feito.(20)

A Cry1Ab é também muito resistente à digestão e ao calor.(21) É quase tão estável como a toxina Bt produzida pelo milho StarLink. O StarLink é uma variedade GM que não aprovada para consumo humano pelo governo americano pois se receou que, por ser tão estável, pudesse desencadear alergias.(22) Embora fosse cultivada apenas para alimentação animal, em 2000 acabou por contaminar a cadeia alimentar americana. Milhares de consumidores queixaram-se acerca de efeitos na saúde e mais de 300 artigos foram retirados do mercado. Depois do incidente com o StarLink os conselheiros científicos da EPA pediram “vigilância e acompanhamento clínico dos indivíduos expostos” para “confirmar a alerginicidade dos produtos Bt.”(23) Novamente, tal não aconteceu.

O ALGODÃO BT DESENCADEIA REACÇÕES ALÉRGICAS

Em 2005 um relatório de investigadores médicos descreve uma descoberta escandalosa na Índia. Centenas de trabalhadores agrícolas estão a desenvolver reacções alérgicas moderadas ou severas quando expostos ao algodão Bt. Isto inclui os que fazem a apanha, o transporte, a limpeza ou simplesmente os que se encostam a este algodão GM. Alguns numa fiação têm de tomar anti-histamínicos diariamente para poder trabalhar. As reacções apenas são desencadeadas pelas variedades Bt.(24) Além disso os sintomas são praticamente idênticos aos descritos pelas 500 pessoas em Vancouver e Washington que foram apanhadas pela pulverização com Bt. A única diferença é que, além de todos os sintomas abaixo, a exposição por pulverização na América do Norte também induziu o sintoma “exacerbar de asma”:
- Espirros
- Corrimento nasal
- Olhos vermelhos, lacrimejantes
- Pele com comichão, ardência, inflamação, inchaço, vermelhidão, erupções
- Febre, algumas pessoas internadas no hospital

Não existem relatórios sobre efeitos similares nos Estados Unidos, onde 83% do algodão é Bt, mas nas culturas americanas a apanha é mecânica e não manual.

A experiência dos trabalhadores indianos impõe uma questão óbvia: durante quanto tempo é que a toxina Bt se mantém activa no algodão? Há algum risco em usar fraldas, tampões, ou ligaduras? Neste último caso, se a toxina Bt interferir com a cicatrização ou cura pode ser um grande desastre. Com os diabéticos, por exemplo, feridas não curadas podem levar à amputação. A semente do algodão é também aproveitada para óleo alimentar. Os métodos normalmente empregues para a extracção provavelmente destroem a toxina, embora o óleo de pressão a frio possa conter ainda alguma. Além das sementes, outras partes da planta do algodão são geralmente usadas como alimento animal. O próximo boletim desta série sobre toxicidade apresenta evidências de doença e mortes de animais alimentados com algodão Bt.

O PÓLEN DO MILHO BT PODE CAUSAR ALERGIAS

A toxina Bt produzida pelo milho GM ainda pode estar intacta quando é comida. Também está presente no pólen, o qual pode ser respirado. Em 2003, quando um campo de milho Bt estava a produzir pólen, uma aldeia filipina adjacente com cerca da 100 pessoas foi praticamente toda acometida por uma doença. Os sintomas incluíam dores de cabeça, tonturas, fortes dores de estômago, vómitos, dores no peito, febre e alergias, assim como reacções respiratórias, intestinais e de pele. Os sintomas apareceram primeiro naqueles que viviam mais próximo do campo de milho GM e foram alastrando. Amostras de sangue de 39 indivíduos permitiram detectar a presença de anticorpos contra a toxina Bt o que dá força, embora não prove, uma ligação directa entre o Bt e os sintomas. Quando o mesmo milho foi plantado no ano seguinte em quatro outras aldeias, os sintomas reapareceram em todas elas e apenas durante a altura da polinização.

Os perigos potenciais de respirar pólen GM tinham sido identificados numa carta para a FDA americana enviada em 1998 pelo Ministério da Agricultura britânico. Este avisava inclusivamente que o transgene presente no pólen poderia passar para o DNA das bactérias do sistema respiratório, quando inalado.(25) Embora não tivessem sido feitos estudos para verificar este risco, anos mais tarde cientistas ingleses vieram a confirmar que, após o consumo de soja GM, o transgene pode de facto passar para o DNA das bactérias intestinais. Se isto também acontecer com o gene Bt, anos após ter deixado de comer tortillas de milho GM as nossa bactérias intestinais ainda estarão a produzir toxina Bt nos nossos intestinos.

ESTUDOS MOSTRAM RESPOSTAS IMUNITÁRIAS ÀS CULTURAS GM

Há estudos que confirmam que as culturas GM manipuladas por forma a produzir pesticidas podem provocar respostas imunitárias em animais de laboratório. Um estudo da Monsanto sobre o milho Bt Mon 863 em ratos, que só foi tornado público após intervenção judicial, detectou um aumento significativo de três tipos de células sanguíneas relacionadas com o sistema imunitário: basófilos, linfócitos e glóbulos brancos totais.(26)

Cientistas australianos pegaram num gene insecticida (não Bt) de um feijão e introduziram-no numa ervilha com a esperança de matar o gorgulho da mesma. Estas ervilhas GM tinham passado os testes normalmente utilizados para aprovar culturas GM e estavam a caminho de ser comercializadas. Os autores do projecto decidiram realizar um estudo adicional com ratos, de um tipo que nunca tinha sido aplicado a variedades GM. Quando analisaram o pesticida no seu estado natural, isto é, a versão produzida pelos feijões de origem, a proteína não era prejudicial para os ratos. Mas a “mesma” proteína, quando produzida pela ervilha GM, causou respostas inflamatórias nos ratos o que levou a concluir que poderia causar alergias em humanos. De alguma forma a proteína passou de inofensiva para potencialmente mortal apenas por ter mudado de planta. Os investigadores acreditam que isso se ficou a dever a mudanças subtis e imprevisíveis no padrão de açúcares ligados à proteína. A ervilha GM acabou por não ser comercializada, mas a questão central é esta: a lei europeia e americana não obriga a que esse tipo de mudanças subtis mas de efeito letal sejam analisados antes de os transgénicos irem para o mercado.

Batatas GM modificadas com um terceiro tipo de insecticida também causaram efeitos imunitários em ratos.(27) Análises ao sangue mostraram que as respostas imunitárias eram mais lentas e que os órgãos associados à função imunitária também pareciam estar afectados. Tal como nas ervilhas, o insecticida no seu estado natural era inofensivo para os ratos. A causa dos problemas de saúde residia portanto nalguma mudança imprevista desencadeada pelo processo da engenharia genética. E, tal como nas ervilhas, se as batatas GM apenas tivessem sido submetidas aos testes normalmente empregues por lei, elas teriam sido aprovadas.

As reações alérgicas são uma resposta defensiva do sistema imunitário a um irritante externo que por vezes acabam por se tornar prejudiciais para o próprio organismo. O corpo interpreta algo como estranho, diferente e ofensivo e reage em conformidade. Todos os alimentos GM têm, por definição, alguma coisa estranha e diferente. Segundo Arpad Pusztai, um dos maiores especialistas britânicos de segurança alimentar, “uma característica consistente em todos os estudos, publicados ou não publicados, [...] é aparecerem graves problemas imunitários nos animais alimentados com plantas GM.”(28)

Para além das respostas imunitárias, vários estudos e relatórios apontam para a toxicidade dos alimentos GM. No próximo boletim desta série serão analisados os dados sobre milhares de animais doentes, estéreis ou mortos devido ao consumo de culturas GM.

Jeffrey M. Smith é autor do recente livro ROLETA GENÉTICA: Os Riscos Documentados para a Saúde dos Alimentos Geneticamente Modificados, que apresenta 65 riscos em desdobráveis de duas páginas muito fáceis de ler. O seu primeiro livro, AS SEMENTES DA ENGANAÇÃO, é número 1 nas vendas mundiais de livros sobre alimentos GM. Jeffrey M. Smith é Director Executivo do INSTITUTE FOR RESPONSIBLE TECHNOLOGY. Visite http://www.seedsofdeception.com para saber mais acerca do trabalho do Instituto.

Referências

[1] Washington State Department of Health, "Report of health surveillance activities: Asian gypsy moth control program," (Olympia, WA: Washington State Dept. of Health, 1993).

[2] M. Green, et al., "Public health implications of the microbial pesticide Bacillus thuringiensis: An epidemiological study, Oregon, 1985-86," Amer. J. Public Health 80, no. 7(1990): 848-852.

[3] M.A. Noble, P.D. Riben, and G. J. Cook, "Microbiological and epidemiological surveillance program to monitor the health effects of Foray 48B BTK spray" (Vancouver, B.C.: Ministry of Forests, Province of British Columbi, Sep. 30, 1992).

[4] A. Edamura, MD, "Affidavit of the Federal Court of Canada, Trial Division. Dale Edwards and Citizens Against Aerial Spraying vs. Her Majesty the Queen, Represented by the Minister of Agriculture," (May 6, 1993); as reported in Carrie Swadener, "Bacillus thuringiensis (B.t.)," Journal of Pesticide Reform, 14, no, 3 (Fall 1994).

[5] J. R. Samples, and H. Buettner, "Ocular infection caused by a biological insecticide," J. Infectious Dis. 148, no. 3 (1983): 614; as reported in Carrie Swadener, "Bacillus thuringiensis (B.t.)", Journal of Pesticide Reform 14, no. 3 (Fall 1994)

[6] M. Green, et al., "Public health implications of the microbial pesticide Bacillus thuringiensis: An epidemiological study, Oregon, 1985-86," Amer. J. Public Health, 80, no. 7 (1990): 848-852.

[7] A. Edamura, MD, "Affidavit of the Federal Court of Canada, Trial Division. Dale Edwards and Citizens Against Aerial Spraying vs. Her Majesty the Queen, Represented by the Minister of Agriculture," (May 6, 1993); as reported in Carrie Swadener, "Bacillus thuringiensis (B.t.)," Journal of Pesticide Reform, 14, no, 3 (Fall 1994).

[8] Carrie Swadener, "Bacillus thuringiensis (B.t.)," Journal of Pesticide Reform 14, no. 3 (Fall 1994).

[9] Health effects of B.t.: Report of surveillance in Oregon, 1985-87. Precautions to minimize your exposure (Salem, OR: Oregon Departmentof Human Resources, Health Division, April 18, 1991).

[10] Material Safety Data Sheet for Foray 48B Flowable Concentrate (Danbury, CT: Novo Nordisk, February, 1991).

[11] Vazquez et al, "Intragastric and intraperitoneal administration of Cry1Ac protoxin from Bacillus thuringiensis induces systemic and mucosal antibody responses in mice," Life Sciences, 64, no. 21 (1999): 1897-1912; Vazquez et al, "Characterization of the mucosal and systemic immune response induced by Cry1Ac protein from Bacillus thuringiensis HD 73 in mice," Brazilian Journal of Medical and Biological Research 33 (2000): 147-155.

[12] Vazquez et al, "Bacillus thuringiensis Cry1Ac protoxin is a potent systemic and mucosal adjuvant," Scandanavian Journal of Immunology 49 (1999): 578-584. See also Vazquez-Padron et al., 147 (2000b).

[13] EPA Scientific Advisory Panel, "Bt Plant-Pesticides Risk and Benefits Assessments," March 12, 2001: 76. Available at:http://www.epa.gov/scipoly/sap/2000/october/octoberfinal.pdf

[14] Terje Traavik and Jack Heinemann, "Genetic Engineering and Omitted Health Research: Still No Answers to Ageing Questions, 2006. Cited in their quote was: G. Stotzky, "Release, persistence, and biological activity in soil of insecticidal proteins from Bacillus thuringiensis," found in Deborah K. Letourneau and Beth E. Burrows, Genetically Engineered Organisms. Assessing Environmental and Human Health Effects (cBoca Raton, FL: CRC Press LLC, 2002), 187-222.

[15] C. M. Ignoffo, and C. Garcial, "UV-photoinactivation of cells and spores of Bacillus thuringiensis and effects of peroxidase on inactivation," Environmental Entomology 7 (1978): 270-272.

[16] BT: An Alternative to Chemical Pesticides, Environmental Protection Division, Ministry of Environment, Government of British Columbia, Canada, http://www.env.gov.bc.ca/epd/epdpa/ipmp/fact_sheets/BTfacts.htm

[17] Ver, por exemplo, A. Dutton, H. Klein, J. Romeis, and F. Bigler, "Uptake of Bt-toxin by herbivores feeding on transgenic maize and consequences for the predator Chrysoperia carnea," Ecological Entomology 27 (2002): 441-7; and J. Romeis, A. Dutton, and F. Bigler, "Bacillus thuringiensis toxin (Cry1Ab) has no direct effect on larvae of the green lacewing Chrysoperla carnea (Stephens) (Neuroptera: Chrysopidae)," Journal of Insect Physiology 50, no. 2-3 (2004): 175-183.

[18] FAO-WHO, "Evaluation of Allergenicity of Genetically Modified Foods. Report of a Joint FAO/WHO Expert Consultation on Allergenicity of Foods Derived from Biotechnology," Jan. 22-25, 2001; http://www.fao.org/es/ESN/food/pdf/allergygm.pdf

[19] Gendel, "The use of amino acid sequence alignments to assess potential allergenicity of proteins used in genetically modified foods," Advances in Food and Nutrition Research 42 (1998), 45-62.

[20] US EPA, "Biopesticides Registration Action Document (BRAD)-Bacillus thuringiensis Plant-Incorporated Protectants: Product Characterization & Human Health Assessment," EPA BRAD (2001b) (October 15, 2001): IIB4, http://www.epa.gov/pesticides/biopesticides/pips/bt_brad2/2-id_health.pdf

[21] US EPA, "Biopesticides Registration Action Document (BRAD)-Bacillus thuringiensis Plant-Incorporated Protectants: Product Characterization & Human Health Assessment," EPA BRAD (2001b) (October 15, 2001): IIB4, http://www.epa.gov/pesticides/biopesticides/pips/bt_brad2/2-id_health.pdf

[22] "Assessment of Additional Scientific Information Concerning StarLink Corn," FIFRA Scientific Advisory Panel Report No. 2001-09, July 2001.

[23] EPA Scientific Advisory Panel, "Bt Plant-Pesticides Risk and Benefits Assessments," March 12, 2001: 76. Available at: http://www.epa.gov/scipoly/sap/2000/october/octoberfinal.pdf

[24] Ashish Gupta et. al., "Impact of Bt Cotton on Farmers' Health (in Barwani and Dhar District of Madhya Pradesh)," Investigation Report, Oct-Dec 2005.

[25] N. Tomlinson of UK MAFF's Joint Food Safety and Standards Group 4, December 1998 letter to the U.S. FDA, commenting on its draft document, "Guidance for Industry: Use of Antibiotic Resistance Marker Genes in Transgenic Plants," http://www.food.gov.uk/multimedia/pdfs/acnfp1998.pdf; (see pages 64-68).

[26] John M. Burns, "13-Week Dietary Subchronic Comparison Study with MON 863 Corn in Rats Preceded by a 1-Week Baseline Food Consumption Determination with PMI Certified Rodent Diet #5002," December 17, 2002 http://www.monsanto.com/monsanto/content/sci_tech/prod_safety/fullratstudy.pdf, see also Stéphane Foucart, "Controversy Surrounds a GMO," Le Monde, 14 December 2004; and Jeffrey M. Smith, "Genetically Modified Corn Study Reveals Health Damage and Cover-up," Spilling the Beans, June 2005, http://www.seedsofdeception.com/Public/Newsletter/June05GMCornHealthDangerExposed/index.cfm

[27] A. Pusztai, et al, "Genetically Modified Foods: Potential Human Health Effects," in: Food Safety: Contaminants and Toxins (ed. JPF D'Mello) (Wallingford Oxon, UK: CAB International), 347-372, also additional communication with Arpad Pusztai.

[28] October 24, 2005 correspondência entre Arpad Pusztai e Brian John

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