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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Excluir o leite de vaca vs Carência de cálcio

Caroline Bergerot


Caroline Bergerot é Nutricionista Clínica, autora de 23 livros sobre vegetarianismo e Directora de Saúde Nutricional da OSCIP Oca Brasil, onde desenvolve o Programa de Assistência Nutricional e Alimentar.
O Centro Vegetariano entrevistou esta nutricionista sobre o consumo de leite de vaca e a questão do cálcio na alimentação vegetariana.

1. Considera que beber leite é importante para a saúde? Porquê?
O leite pode ser auxiliar como parte de uma dieta, uma vez que a pessoa sinta necessidade deste alimento, ou esteja passando por um processo de reestruturação alimentar. Contem proteína, cálcio, assim como muitos outros alimentos. Pode ser substituído em preparações culinárias e retirado da dieta, desde que se faça um acompanhamento nutricional.

2. É possível ter uma dieta nutricionalmente rica e equilibrada sem consumo de leite?
Uma dieta equilibrada, rica, adequada às nossas necessidades é aquela que contém todos os nutrientes necessários, em quantidade adequada para nossas atividades cotidianas, para nossa idade. O leite de vaca não é essencial para que isso ocorra, ele é o melhor alimento para o bezerro recém-nascido, assim como o leite materno é o melhor para o bebê.

3. Depois que o bebé deixa de tomar o leite materno, é importante substitui-lo por leite de vaca? Porquê?
Ao final da amamentação o médico ou nutricionista já deve ser consultado caso a decisão dos pais seja a de que o seu filho não irá tomar leite de vaca, este deve ser substituído não somente por leite de soja, por exemplo, mas por um balanceamento da alimentação levando-se em conta as características individuais.

4. Retirar o leite das crianças pode fazer falta na fase de desenvolvimento dos ossos?
O leite de vaca não modificado é inadequado para os lactentes. A coalhada firme, dura, é difícil para os lactentes novos digerirem e é menos absorvida a partir do leite de vaca. O maior teor de proteína e cinzas do leite de vaca resulta em uma carga de soluto renal maior, que é a quantidade de nitrogênio e minerais que devem ser excretados pelos rins.
O cálcio é necessário para a mineralização adequada e manutenção do osso em crescimento nas crianças. Para crianças entre 1 a 3 anos, a necessidade de cálcio é de 500mg/dia, crianças entre 4 a 8 anos é de 800mg/dia e crianças entre 9 e 18 anos necessitam de 1.300mg de cálcio por dia. Porém as necessidades reais dependem das taxas de absorção individual e de fatores dietéticos como as quantidades de proteína, vitamina D e fósforo.
Uma mãe que opte por uma dieta vegetariana deve consultar seu médico e seu nutricionista para poder fornecer à criança uma dieta adequada para seu desenvolvimento, atingindo os níveis necessários de nutrientes e fornecendo uma combinação que facilite a absorção de cálcio, pois o leite pode não fazer falta, mas vitaminas e minerais sim, por isso a importância de um plano alimentar direcionado.

5. Na sua opinião, diminuir ou retirar o leite da dieta pode enfraquecer os ossos?
Todos nós temos uma necessidade diária ideal de macro e micronutrientes e esses valores devem ser respeitados. Doenças ósseas não surgem somente pela falta de cálcio, mas por uma alimentação inadequada e desbalanceada, quantidade de nutrientes insuficientes para a idade e sexo (ou patologias), alimentos que impedem ou diminuem a absorção do cálcio, falta de vitamina D... enfim, uma série de medidas, que podem levar a um enfraquecimentos dos ossos. O leite contém cálcio, assim como muitos outros alimentos. Se uma pessoa tem o hábito de tomar leite e num determinado momento o retira da dieta, sem adicionar nada como substituto, sem fazer uma avaliação para saber o quanto se está ingerindo, certamente terá uma quantidade diminuída de vitaminas e minerais, presentes no leite, que poderão trazer uma série de conseqüências.
Uma xícara de leite de vaca integral contém 291mg de cálcio, já 1 xícara de folhas de couve contém 357mg, que contém alta biodisponobilidade de cálcio. Dependendo da pessoa, da idade, dos hábitos de vida, da cultura, religião e até filosofia que se adota, pode-se conseguir um equilíbrio nutricional através de um plano alimentar direcionado.

6. Porque é que algumas pessoas têm intolerância à lactose? O que provoca essa intolerância?
A proteína do leite de vaca (PLV) é o alérgeno alimentar simples mais comum para os lactentes. A prevalência desta alergia é de cerca de 2,5% nos primeiros 3 anos de vida. Inclusive alguns casos de constipação [obstipação] e refluxo entre lactentes e crianças podem estar relacionados à alergia ao leite de vaca.
Acredita-se que a ingestão precoce de alimentos ao invés do leite materno contribua para um aumento no desenvolvimento de alergia alimentar entre os lactentes. A amamentação no peito, juntamente com a abstenção materna de alérgenos, pode retardar o desenvolvimento de doença alérgica em lactentes de alto risco.
Durante muitos anos, os indivíduos alérgicos a leite usaram a designação kosher pareve para dizer que um alimento não continha leite e portanto era “seguro”. Porém a Food Allergy Network não recomenda confiança em produtos com o rótulo “pavere”, em casos de dietas sem leite, pois podem conter quantidades de traços de leite.
Os probióticos, são suplementos dietéticos microbianos que afetam diretamente o trato intestinal pela alteração e adição à flora intestinal, portanto, pode impedir o desenvolvimento de alergia alimentar. Porém a abstenção total de um alérgeno alimentar é o único tratamento comprovado para alergia alimentar.

7. Quais os problemas que podem ser causados pelo consumo de leite?
Segundo alguns médicos o consumo de leite pode estar associado a: produção de muco, perda de hemoglobina, diabetes infantil, doença cardíaca, aterosclerose, artrite, pedra nos rins, instabilidade emocional, depressão, irritabilidade e alergias.

8. Quem não quer deixar de consumir leite, mas tem problemas com o seu consumo, se passar a consumir do desnatado é melhor?
Para quem não quer retirar do cardápio o leite e seus derivados, recomendo procurar conhecer a origem do produto. Quando conhecemos a origem das coisas tudo muda e hoje saber de onde vem qualquer coisa tornou-se coisa fácil. Melhor que um leite desnatado, é um leite (mesmo que integral), porém de origem pura, de animais que vivem livres e se alimentam de capim orgânico, sem rações, e químicos. O leite é um alimento natural, desde que trazido de um ambiente natural. Admiro muito o trabalho dos ativistas em prol do veganismo, que, a princípio, podem parecer malucos, agressivos e radicais, mas na realidade eles facilitam os caminhos para conhecermos a procedência do que ingerimos.

9. Considera que quem bebe leite corre menos riscos de sofrer de osteoporose?
Não basta tomar este ou aquele alimento para se prevenir coisa alguma. O leite é atualmente a forma mais fácil de se obter cálcio, pois são muitos produtos derivados de consumo imediato que temos no mercado. Porém ele não é de forma alguma a única fonte deste mineral e é importante lembrar que a osteoporose não é conseqüência unicamente de falta ou baixa ingestão de cálcio. A osteoporose pode ser: pós-menopausa, genética, pode ser de causas endócrinas, distúrbios sanguíneos (mieloma, leucemia, anemia falciforme), drogas (corticosteroides, heparina, anticonvulsivantes, imunossupressores), doenças (nefropatia crónica, má absorção intestinal), deficiências de nutrientes (vitamina D, cálcio, escorbuto, desnutrição geral) e também por erros inatos do metabolismo.
A redução das atividades da vida diária também podem contribuir para a perda óssea, e também temos estudos que indicam que a perda de peso nos indivíduos em dieta também esta associada com perda óssea.
Vale lembrar que o tabagismo e o excessivo consumo de álcool são fatores de risco para o desenvolvimento de osteoporose.
Existe uma estreita relação entre boa alimentação e boa saúde. O leite é uma excelente fonte de cálcio porém é também uma fonte de proteína e estas em excesso arrastam o cálcio assim, a própria proteína do leite arrastaria grande quantidade do cálcio.

10. E o leite de soja supre a questão nutricional oferecida pelo leite de vaca?
O leite de soja é melhor em vários aspectos nutricionais, porém a aceitabilidade do paladar deve ser analisada, assim como a freqüência, quantidade e modo de preparo. Se numa vitamina de frutas substituirmos o leite de vaca pelo de soja, obteremos uma bebida mais nutritiva, sem colesterol. Hoje existem diversos produtos no mercado, para as pessoas que não encontram tempo para fazer a partir dos grãos da soja. Não se deve achar que o leite de soja atingirá os valores de vitaminas e minerais necessários para o bom desenvolvimento e funcionamento do organismo. Nem o de soja, nem o de vaca, e nenhum outro. A única forma de se ter uma alimentação completa é através de uma correta combinação dos alimentos.

11. Porquê beber leite? E porquê não beber?
O leite não é essencial para a nutrição humana, porém é um alimento rico em nutrientes, embora contenha muita gordura e colesterol. As melhores formas de consumo são a coalhada e ricota.
Devem optar por tomar leite as pessoas não conseguem substitui-lo pelo leite de soja (ou leite de arroz) e que, após uma avaliação da dieta, comprovem carências nutricionais. Já as pessoas que não abrem mão do leite, sugiro que procurem fazendeiros conscientes e conheçam a procedência das vacas, que se certifique que estas sejam alimentadas com alimentos puros, sem aditivos químicos e hormônio que sejam animais bem tratados, mantidos soltos e que amamentam os bezerros. Deve-se ferver o leite antes de consumi-lo.

12. E quais as fontes de cálcio de origem vegetal?
As fontes de cálcio que não os laticínios podem ser verduras, amêndoas, aspargos, brócolis, repolho, aveia, feijões, salsa, gergelim, tofu, hortaliças de folhas verdes escuras como couve, folhas de mostarda e brócolis.

13. Quais são as doses diárias recomendadas de cálcio para os vários estádios da vida?
Bebés:
0-6 meses 210 mg/dia
7-12 meses 270 mg/dia

Crianças
1-3 anos 500 mg/dia
4-8 anos 800 mg/dia

Adolescentes e adultos:
9-18 anos 1300 mg/dia
19-51 anos 1000 mg/dia
51 em diante 1200 mg/dia

Grávidas e lactantes:
Até 18 anos 1300 mg/dia
19-51 anos 1000 mg/dia


Foto: Paulo Maluhy
Fonte: Centro Vegetariano
Acessado em 5 de Fevereiro de 2008

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