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sábado, 22 de dezembro de 2007

Pessoal do IDEIAS Levando a festa de Natal ás comunidades

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Video do intestino - A importância da Alimentação




"A Saúde depende do Estado do Intestino. Por Dr Hiromi Shinya, que atualmente na cidade de Nova York é Professor Doutor da Faculdade de Medicina Albert Einstein e Diretor do Centro de Colonoscopia do Hospital Beth Israel. Dês de 1969, realiza com sucesso a extirpação do pólipo do intestino grosso sem necessidade de corte abdominal. Hoje em dia no mundo inteiro, o método do Dr Shinya é praticado com sucesso.


HOMEM QUE É HOMEM NÃO COME CARNE

Ser vegetariano não tem nada de pose - é questão de mostrar postura,

contra a matança de animais e contra a devastação do meio ambiente.


A/C:. Luiz Cesar Pimentel

Cartões de Natal Vegetarianos



Governo federal bloqueia plano de emissões estatal

A Agência de Protecção do Ambiente dos Estados Unidos (EPA) recusou os standards propostos pelo estado da Califórnia para as emissões de gases de efeito de estufa dos automóveis. A decisão cria ainda outra batalha legal sobre as regulamentações sobre o aquecimento global nos Estados Unidos. Mas afinal o que está aqui em causa?
Que impacto teriam os novos standards pretendidos pela Califórnia?

Segundo a lei federal Clean Air (ar limpo em inglês), a Califórnia pode candidatar-se a um afastamento da EPA e aplicar os seus próprios standards sobre a poluição do ar, desde que sejam pelo menos tão restritivos como a lei federal.

As regulamentações em questão, que fazem parte de um programa mais vasto para lidar com o aquecimento global na Califórnia, iriam exigir que os fabricantes de automóveis reduzissem as emissões de gases de efeito de estufa em 30% até 2016.

Desde que a Califórnia propôs os seus standards em 2004, 17 outros estados indicaram que irão seguir o mesmo caminho, segundo a Environmental Defense, um grupo ambientalista sediado em Nova Iorque. No seu conjunto, estes estados correspondem a cerca de 45% das vendas de automóveis por ano nos Estados Unidos.
Que semelhança existe entre estas regulamentações e as do resto do mundo?

A Comissão Europeia tomou medidas semelhantes ainda esta semana, propondo regulamentação para as emissões de gases de efeito de estufa para os veículos já a começar em 2012. A legislação pode reduzir as emissões dos veículos em 19%, se a proposta for adoptada.

Em média, os peritos estimam que os veículos europeus, actualmente, viajem cerca de 50% mais com uma dada quantidade de combustível do que os veículos americanos, enquanto a frota automóvel japonesa faz quase o dobro da distância.
Porque motivo a EPA negou o afastamento da Califórnia?

Chamando problema para o país e para o globo às alterações climáticas, o administrador da EPA Stephen Johnson disse que a Califórnia não conseguiu apresentar um caso convincente mostrando que devia ter autorização para lidar com o problema ao nível estatal.

O anúncio chegou logo após o presidente George W. Bush ter passado a lei a legislação que exigia que os fabricantes de automóveis aumentassem a eficiência do combustível em 40%, para as 35 milhas por galão, até 2020. Dado que queimar menos gasolina naturalmente se traduz em menos emissões de gases de efeito de estufa, Johnson considera que a nova lei fornece uma solução nacional, evitando “uma manta de retalhos confusa de leis estaduais".

Numa carta ao governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, Johnson também refere que a nova lei federal será mais forte que as regulamentações estatais, que ele traduz por 33,8 milhas por galão. No entanto, os funcionários californianos consideram que os seus standards são mesmo mais fortes e entram em vigor antes da nova lei federal. O estado também está a analisar regulamentações posteriores, que entrariam em vigor depois de 2016.
Porque motivo se deve regular as emissões de gases de efeito de estufa para além da eficiência dos combustíveis?

Os fabricantes de automóveis, bem como a Casa Branca, descreveram os standards californianos como uma tentativa sub-reptícia de estabelecer standards de eficiência de combustível nos automóveis, algo que apenas o Departamento dos Transportes pode fazer. Mas a industria perdeu este argumento numa série de processos desde uma decisão do Supremo Tribunal em Abril de 2007, em que os juízes decidiram que a EPA, logo também a Califórnia, tem autoridade clara de acordo com a Lei Clean Air para regular as emissões de gases de efeito de estufa dos veículos.

Ainda que a eficiência dos combustíveis geralmente esteja correlacionada com as emissões de gases de efeito de estufa, apoiantes dizem que a Califórnia teve uma abordagem mais abrangente no combate à poluição, uma abordagem que pode ser o início de um programa a nível nacional.
O que vai acontecer a seguir?

A questão segue agora novamente para os tribunais. O Procurador Geral da Califórnia Edmund Brown Jr considerou a decisão da EPA “completamente absurda" e prometeu novo processo. Os democratas no Congresso podem muito bem decidir analisar a matéria, dado os rumores que Johnson ignorou recomendações do seu próprio pessoal para aprovar a candidatura.

Entretanto, a EPA anunciou que tenciona analisar as regulamentações de gases de efeito de estufa no início do ano, em resposta à decisão do Supremo Tribunal. Não é claro de que forma a nova lei agora aprovada vai interferir nesse processo.

Saber mais:

Proposta da Califórnia

Proposta da Comissão Europeia


Califórnia processa Estados Unidos da América

Fonte: Simbiotica

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Emerge surto de gripe das aves

Uma equipa de peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS) está a deslocar-se para o norte do Paquistão para investigar um grupo de pelo menos oito casos de gripe das aves em pessoas que vivem perto da fronteira afegã.

A equipe vai tentar estabelecer se a doenças está a alastrar e se os casos terão origem em transmissão pessoa a pessoa.

Casos de gripe das aves continuam a surgir por todo o mundo, principalmente na Indonésia e nesta época, a mais fria do ano, é quando se espera que a gripe atinja mais fortemente o hemisfério norte.

Mas este último surto está a preocupar os peritos porque envolve o maior número de casos relacionados de perto desde que um grupo de oito pessoas infectadas foi relatado na Indonésia em Maio de 2006.

"Até agora, não estamos a ver nada de diferente do que as situações anteriores de surtos de H5N1", diz Gregory Hartl, porta-voz da Organização Mundial de Saúde (OMS), cuja informação actual provém directamente das autoridades locais paquistanesas.

Os casos paquistaneses começaram em meados de Novembro, ou talvez um pouco antes, quando cinco membros da mesma família adoeceram em Abbottabad, a norte de Islamabad. Dois dos irmãos já morreram, um dos quais foi enterrado antes de poder ser testado para o H5N1.

Em Dezembro, um homem e a sua sobrinha na mesma cidade foram diagnosticados com H5N1. Pensa-se que tenham trabalhado na mesma quinta que a primeira família infectada. Outro homem teve o diagnóstico de H5N1 numa cidade próxima e outro caso está em investigações, não estando ainda confirmado mas podendo elevar o núcleo contaminado para nove pessoas.

O Paquistão tem tido surtos repetitivos de gripe das aves nas aves de capoeira ao longo dos últimos dois anos.

A equipa da OMS vai seguir, tratar e testar pessoas que tenham estado em contacto com os casos infectados. O seguimento dessas situações na zona será crucial para estabelecer se o vírus se tornou mais virulento ou se está a mostrar sinais de propagação.

Entretanto, as autoridades de saúde paquistanesas estão a analisar os registos hospitalares dos últimos meses para ver, em retrospectiva, se terá ocorrido algum aumento na taxa de incidência de doenças respiratórias.

A transmissão pessoa a pessoa não pode ser eliminada, diz Hartl, pois já ocorreu de forma limitada em várias ocasiões no passado. Testes a 40 pessoas que tiveram contacto com os pacientes foram, até agora, negativos. A sequenciação genética irá ajudar a detectar rigorosamente o modo de transmissão e se algumas alterações genéticas importantes ocorreram no vírus.

O grupo de casos do Paquistão salienta os obstáculos enfrentados pela OMS na contenção da propagação caso surja uma pandemia da estirpe H5N1.

A estratégia exige um diagnóstico precoce dos casos, na esperança que um tratamento prévio com antivirais possa conter a pandemia antes que esta saia totalmente do controlo. Modelos de computador sugerem que para que haja qualquer hipótese de sucesso nessa abordagem, a OMS teria uma janela de três semanas, no máximo, para esse diagnóstico.

Mas ainda que os primeiros casos tenham ocorrido o mais tardar em meados de Novembro, o Paquistão só informou oficialmente a OMS a 12 de Dezembro, um dia depois das primeiras notícias terem surgido nos meios de comunicação social. A OMS tornou os casos públicos a 15 de Dezembro.

Na última sexta-feira, a OMS também confirmou o primeiro caso em Myanmar: uma rapariga de 7 anos de Kyaing Tone Township, Shan State, que foi hospitalizada no final de Novembro e já recuperou. Uma equipa da OMS não encontrou, até agora, qualquer evidência de infecções nos contactos ou na zona da paciente.

Saber mais:

OMS - gripe das aves

Gripe das aves alcança África

Revelados os efeitos do H5N1 no corpo

Perguntas mais frequentes sobre a gripe das aves

Fonte: Simbiotica

Salmão selvagem ameaçado de extinção

O salmão selvagem da costa ocidental do Canadá está a ser conduzido à extinção por parasitas trazidos pelos peixes das quintas de aquacultura, refere um estudo agora conhecido.

O salmão rosado selvagem da zona do arquipélago Broughton está em declínio rápido e irá desaparecer no espaço de 10 anos se não se fizer nada, alertam os cientistas. Eles referem que a situação causa séria preocupação com a expansão global da aquacultura.

É sabido que os piolhos do mar infectam o salmão selvagem mas até agora não era certo o seu impacto sobre as populações naturais. "O impacto é tão severo que a viabilidade das populações de salmão selvagem está ameaçada", comenta o investigador principal Martin Krkosek, da Universidade de Alberta em Edmonton, Canadá.

Krkosek recolheu dados sobre o número de salmão rosado nos rios em volta da costa central da Columbia Britânica e comparou as populações que tinham estado em contacto com as quintas de criação de salmão com as que não tinham sido expostas, desde 1970 até à actualidade.

Usando um modelo matemático da taxa de crescimento da população, ele mostra que os piolhos do mar das quintas de criação industrial de peixe estão a reduzir o número de salmão rosado selvagem, uma espécie de salmão do Pacífico, em tal grau que os peixes podem ficar localmente extintos no espaço de 8 anos ou menos.

Krkosek refere que a taxa de crescimento está "severamente deprimida, o que significa que a probabilidade de extinção é de 100% e a única questão é quanto tempo será preciso para que isso aconteça."

@ Alexandra MortonOs cientistas dizem que as quintas de criação de salmão em rede aberta são um "paraíso" para os piolhos do mar, parasitas naturais dos peixes que se agarram à pele e músculo dos salmões.

Peixes adultos conseguem sobreviver infestados com alguns piolhos mas os minúsculos juvenis do salmão são particularmente vulneráveis a este ataque. Eles entram em contacto com os piolhos ao nadar perto das quintas de criação que se localizam nas suas rotas migratórias dos rios para o mar.

"A criação de salmão quebra uma lei natural", explica a co-autora do estudo Alexandra Morton, directora da Salmon Coast Field Station, localizada no arquipélago de Broughton. "No sistema natural, o salmão mais jovem não é exposto aos piolhos do mar porque os adultos infectados estão em mar alto mas as quintas de criação causam uma colisão mortal entre os vulneráveis juvenis e os piolhos. Os pequenos salmões não estão equipados para sobreviver a isto e não sobrevivem."

Os cientistas consideram que existem várias soluções para o problema, incluindo a deslocação das quintas para longe dos rios usados pelos salmões selvagens e colocar os salmões de criação em em contentores completamente selados do meio, o que impediria a troca de parasitas.

Krkosek diz que o impacto das quintas de criação sobre o salmão selvagem tem sido alvo de "debate carregado, emocionalmente, politica e economicamente" no Canadá. "O salmão é considerado um tesouro nacional mas a criação é uma oportunidade económica importante em locais onde a pesca e outros antigos recursos não estão a ir bem. Há benefícios económicos nas quintas de criação de salmão mas da forma como se está agora a fazer é danosa para o ambiente e há formas melhores de o fazer."

Saber mais:

Conservation International


Science

Fonte: Simbiotica

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Bruce Lipton


Dr. Bruce Lipton é internacionalmente reconhecido por unir conceitos científicos e espirituais. Convidado, com freqüência, a participar de programas de rádio e TV, suas palestras também são um grande sucesso em conferências.

Iniciou sua carreira científica na área de biologia celular. Obteve o título de Ph.D. junto à Universidade de Virginia, em Charlottesville, e passou a trabalhar no Departamento de Anatomia da Escola de Medicina da Universidade de Winsconsin em 1973. Suas pesquisas sobre distrofia muscular e seu estudo das células-tronco humanas tiveram como foco os mecanismos moleculares que controlam o comportamento das células. Uma técnica experimental de transplante de tecidos desenvolvida por Dr. Lipton e seu colega, Dr. Ed Schultz, publicada na revista Science, passou a ser aplicada como uma nova forma de engenharia genética humana.
A partir de 1982 Dr. Lipton passou a estudar os princípios da física quântica para complementar suas teorias sobre o sistema de processamento de informações pelas células. Seus estudos resultaram em conceitos inovadores sobre a membrana celular e revelaram que a camada externa desta membrana funciona de maneira similar à dos chips de computador e que equivale, na verdade, ao cérebro das células. Suas pesquisas realizadas na Escola de Medicina da Universidade de Stanford entre 1987 e 1992 também mostram que o ambiente, atuando através da membrana, é quem controla o comportamento e a psicologia das células, ativando ou inibindo os genes. Tais descobertas, que contradizem o preceito científico estabelecido de que a vida é controlada pelos genes, abriram as portas para uma das áreas de estudos mais importantes da atualidade: a ciência da epigenética. Duas das maiores publicações científicas oriundas destes estudos definem as reações químicas moleculares que conectam mente e corpo. Diversos estudos e pesquisas realizadas por outros pesquisadores desde então vêm corroborando os conceitos propostos por Dr. Lipton.

As pesquisas e descobertas do grande cientista acabaram por transformar sua vida pessoal. O conhecimento aprofundado da biologia das células e dos mecanismos pelos quais a mente controla as funções do corpo revelou a ele a existência de um espírito imortal. Aplicando a ciência à estrutura biológica, Dr. Lipton observou grande melhora em sua própria saúde e em sua vida pessoal.
Apresentando seu conhecimento científico ao público, Dr. Lipton se tornou um requisitado palestrante e orador. São centenas de profissionais das áreas médica, da medicina complementar e leigos interessados nessa nova face da ciência e em como ela engloba os princípios da medicina mente-corpo e a espiritualidade. Um aspecto de sua carreira que mais o satisfaz é o fato de receber constantemente correspondência de pessoas que afirmam se sentir bem melhor espiritual, física e mentalmente após aplicar em suas vidas os princípios apresentados durante as palestras. Dr. Lipton é considerado uma das principais referências da nova biologia. O livro "A Biologia da Crença" descreve seu trabalho, suas descobertas e sua jornada de transformação de cientista cético em ser humano feliz e realizado.

PORQUE SOMOS CONTRA OS MODELOS ANIMAIS - O REDUCIONISMO COMO BASE DA FALIBILIDADE DOS MODELOS ANIMAIS

PORQUE SOMOS CONTRA OS MODELOS ANIMAIS - O REDUCIONISMO COMO BASE DA FALIBILIDADE DOS MODELOS ANIMAIS

Paula Brügger
brugger@ccb.ufsc.br

Além de indefensável sob o ponto de vista ético, uma vez que submete seres sencientes1 ao sofrimento físico e psicológico (Singer, 1998; Regan, 2001), a vivissecção2 é uma prática que falha em pelo menos um critério fundamental para que seja considerada verdadeiramente científica: predictabilidade. Antes de tecer algumas considerações acerca das razões de ordem epistemológica subjacentes aos resultados pífios provenientes dos modelos animais, gostaria de remeter o leitor a alguns contextos e dados que ilustram a afirmação feita anteriormente.

No que diz respeito a medicamentos, por exemplo, apesar da enorme quantidade de cobaias mortos para supostamente assegurar a eficácia e testar os efeitos colaterais de novas drogas, Greek & Greek (2000, p.117) destacam que "segundo a organização Pharmaceutical Research and Manufacturers of America, apenas 1% dos novos medicamentos testados em laboratórios vão para o estágio clínico (em que são testados em voluntários humanos). Dos que chegam ao mercado, muitos apresentam sérios efeitos colaterais e riscos não previstos. "Uma revisão realizada pelo governo americano nas drogas lançadas entre 1976 e 1985 revelou que 51,5% delas ofereciam riscos não previstos nos testes" (Barnard & Kaufman, 1997, p.81). Greek & Greek (2000, p.58) destacam que, "a cada ano, dezenas de milhares de pessoas adoecem devido ao uso de fármacos legalmente vendidos. Archibald (2005), que argumenta no mesmo sentido, afirma ainda que os efeitos colaterais de medicamentos prescritos estão entre as primeiras causas de mortes no Ocidente 3. Ela cita o caso recente do Vioxx - um fármaco para combater a artrite - que foi retirado do mercado global em setembro de 2004, após ter causado 140.000 casos de ataques cardíacos e derrames somente nos EUA. O fármaco, quando testado em animais não-humanos, se mostrou seguro e até benéfico para o coração deles. Outro exemplo que merece destaque é o das terapias de reposição hormonal. Prescritas para milhões de mulheres, porque diminuíam o risco de doenças cardíacas e derrame em macacos, tais terapias aumentaram significativamente o risco dessas doenças em mulheres e ainda provocaram 20.000 casos de câncer de mama. Archibald cita diversos outros fármacos que matam4 e Greek & Greek (2003, p.112-115) também apresentam uma longa lista de medicamentos retirados do mercado, na Grã-Bretanha e EUA, por conta dos seus gravíssimos efeitos colaterais (que incluem morte). Eles destacam que as drogas listadas representam uma pequena parte da calamidade total. A lista completa é quase inumerável, dizem eles, uma vez que muitos problemas sequer foram relatados.

E por que razão tais drogas são ineficazes e até perigosas? Porque os dados provenientes de testes com animais não-humanos são caóticos e não confiáveis. Eis um exemplo emblemático: "pesquisadores escolheram 6 drogas com efeitos colaterais conhecidos em humanos. Os testes com animais corretamente previram 22 efeitos colaterais, mas incorretamente apresentaram 48 efeitos que não ocorriam em humanos. E mais, os testes em animais não previram 20 efeitos colaterais que ocorrem nos humanos. Portanto, os modelos animais erraram 68 vezes em 90. Assim, em 76% das vezes, os resultados provenientes de experimentos com animais estavam errados" (Lumley and Walker apud Greek & Greek, 2003, p.111)

O modelo animal é falho porque existem diferenças, entre nós e eles, na anatomia, na fisiologia, nas interações ambientais, nos tipos de alimentos ingeridos, etc, que resultam na não-correspondência na absorção, distribuição e metabolismo de substâncias. Ademais, as condições de laboratório são mais controladas do que na vida humana e as doses administradas aos animais podem ser muito maiores do que as prescritas aos humanos, em termos de peso corporal. Portanto, fora o fato de que as vias de inoculação de diferentes substâncias – se oral, anal, peritonial, vaginal, etc - podem exercer uma grande influência sobre o resultado dos testes, a dosagem pode ser também um fator crucial.

Fano (2000), por exemplo, destaca que muitos testes com animais ocorrem em condições (dosagens, métodos, etc) que não têm similaridade com a vida real. Em um experimento envolvendo o adoçante ciclamato, os animais receberam o equivalente humano a 552 garrafas de refrigerantes por dia. Em dois experimentos com tricloroetileno (usado como agente descafeinizante em café) os ratos receberam uma dose equivalente a 50 milhões de xícaras de café por dia. Isso pode falsificar os resultados de duas maneiras: pode envenenar as células e tecidos, tão severamente, a ponto de prevenir uma resposta carcinogênica que em outras condições poderia ocorrer; ou pode sobrecarregar, ou mudar, os processos metabólicos e causar uma resposta carcinogênica que poderia não ocorrer, conclui ela.

Além disso, a velocidade do metabolismo dos animais é variável. Animais de laboratório são em geral menores do que os humanos e, com isso, têm um metabolismo muito mais intenso. Dessa forma, eliminam toxinas mais rapidamente do que os humanos, o que pode impedir que os efeitos tóxicos apareçam, como observa Fano.

Apesar de os vivisseccionistas afirmarem que ratos e camundongos se constituem em bons modelos para estudar doenças e outras condições ou males que acometem os humanos, há expressivas diferenças entre eles e nós. Segundo Greek & Greek (2003, p.121), "ratos respiram obrigatoriamente pelo nariz, o que pode alterar a forma de entrada de uma substância pela corrente sanguínea; a placenta é consideravelmente mais porosa nos ratos do que na espécie humana; devido a diferenças na distribuição da microflora intestinal, eles são muito mais propensos a metabolizar um composto administrado oralmente em um metabólito ativo, ou tóxico; a secreção de ácido no interior do estômago deles é contínua, enquanto no dos humanos ela ocorre apenas em resposta à presença de alimentos, ou outros estímulos. Os ratos são ainda animais de hábito noturno, susceptíveis a doenças diferentes das nossas, têm requerimentos nutricionais também diferentes e são incapazes de vomitar. Todas essas peculiaridades (anatômicas, fisiológicas, etc) afetam a absorção, a farmacocinética e o metabolismo de compostos, ou causam reações inesperadas com relação a um composto" 5.

Muitas outras questões que afetam os dados provenientes de testes com animais não-humanos poderiam ser adicionadas aqui como, por exemplo, a influência do enriquecimento ambiental (veja artigo da New Scientist, (173[2333], 09 de mar.2002:11, intitulado "Home comfort for lab animals create problems for researchers"). Mas, afinal, que questões estariam no cerne de tais resultados caóticos?

Os modelos animais são imprecisos porque se constituem numa prática imersa no paradigma mecanicista e, portanto, reducionista, que se tornou hegemônico em nossa cultura. Tal paradigma encontra-se também inextricavelmente associado a uma ética antropocêntrica e especista. A oposição sujeito-objeto, base da pretensa descrição objetiva da natureza, é outra dicotomia que está no cerne do corpus formal do conhecimento em nossa sociedade e também na experimentação animal. Nela, toma-se um animal como modelo de estudo, sendo este analisado segundo suas supostas capacidades de prever ou reproduzir um determinado fenômeno. Dentro do paradigma mecanicista isso faria sentido, pois tratar-se-ia de analisar, compreender, ou identificar, um determinado mecanismo para depois verificar de que forma aquele mecanismo (genético, fisiológico, metabólico, etc) poderia ser usado para predizer outro, o organismo a ser modelado. Ocorre que os fenômenos sociais e naturais são muito mais complexos do que postulam as premissas da visão mecanicista, o que torna esse paradigma inadequado ou, no mínimo, muito limitado para descrever tal gama de complexidade (veja Maturana, 2002; Capra, 1996; Brügger, 2004, p.63-120).

Capra (1996), por exemplo, argumenta que há três critérios fundamentais para uma descrição abrangente da natureza da vida: o padrão de organização (a configuração de relações que determinam as características essenciais do processo); a estrutura (a incorporação física do padrão de organização do sistema); e o processo (a atividade envolvida na incorporação contínua do padrão de organização do sistema). Nessa visão, todos os sistemas vivos são sistemas cognitivos e a cognição sempre implica a existência de uma rede autopoiética, ou seja, a característica básica de uma rede viva é que ela produz continuamente a si mesma, ela se autocria (veja também Maturana, 2002). Esse processo de autocriação também influi na capacidade de formar novas estruturas e novos padrões de comportamento.

Assim, embora haja muitas características comuns entre nós e os outros animais, diferenças microscópicas entre as nossas células e as deles podem levar a erros grosseiros. Todas as espécies - plantas e animais - seguem o mesmo design: são formados pelas mesmas unidades de DNA (A,T,C,G) que são juntadas no mesmo processo. Mas, enquanto o material genético é o mesmo, a composição, os arranjos são diferentes. Isso faz toda a diferença.

O seguinte contexto - que envolve a semelhança entre nós e os chimpanzés - demonstra de forma inequívoca a razão de rechaçarmos o argumento reducionista de que tais animais são excelentes modelos. Segundo Greek & Greek (2003, p.49-50), "se examinarmos os genes que codificam proteínas que atuam como enzimas, ou provêem a base para estrutura, ou movimento celular, a semelhança entre nós e os chimpanzés é maior do que 99%. A diferença está, portanto, não nos blocos de construção, mas na forma como eles são arranjados e comandados por genes reguladores que controlam o padrão e o crescimento. Assim, por exemplo, uma única diferença num aminoácido, entre primatas humanos e não-humanos, faz com que o HIV não se acople ao mesmo receptor celular em primatas não-humanos".

Essa é a "dialética" da natureza. E é exatamente o que argumenta Capra, no parágrafo anterior (veja também Brügger, 2004, p.125-128).

Assim, o elevado grau de correspondência genética que há entre nós e tais modelos (como primatas e roedores) só faz sentido, em termos de confiabilidade, dentro de uma visão reducionista de ciência. Os animais não-humanos não podem ser considerados como bons "modelos analógicos causais" (CAMs). Segundo os filósofos Hugh La-Follete e Niall Shanks (1996) um modelo analógico causal funciona da seguinte forma: X (o modelo) é semelhante a Y (o objeto a ser modelado) com relação às propriedades {a....e}. X tem a propriedade adicional f. Embora não observada em Y, supõe-se que Y também tenha a propriedade f. Então , se a droga Z causa a morte do modelo animal (por exemplo, a penicilina mata porquinhos da Índia), por analogia, matará os humanos (veja Greek & Greek, 2003, p.45). La-Follete e Shanks (1996) afirmam que "os modelos analógicos causais teriam que apresentar também características comuns; conexões causais entre as características; e ausência de disanalogias relevantes. E afirmam que a possibilidade de haver disanalogias causais relevantes destrói o argumento de que as pesquisas com animais têm importância direta para o estudo de fenômenos biológicos humanos. Isso acontece porque, até que sejam feitos testes com humanos, não há como saber se existem ou não disanalogias relevantes entre nós e o modelo animal estudado. E há fortes razões teóricas para esperar que existam disanalogias causais relevantes. Animais humanos e não-humanos foram submetidos a pressões evolutivas muito distintas. O fato de duas espécies terem propriedades funcionais biológicas semelhantes não nos dá razão para pensar que elas tenham mecanismos causais subjacentes semelhantes. Embora os humanos não sejam ´essencialmente´ diferentes dos ratos, ou tampouco formas de vida ´mais elevadas´, somos diferentes em termos de complexidade. Diferenças entre as espécies, ainda que pequenas, freqüentemente resultam em respostas radicalmente divergentes com relação a estímulos qualitativamente idênticos. Diferenças evolutivas nos sistemas biológicos de humanos e roedores, por exemplo, desencadeiam um efeito cascata que resulta em marcadas diferenças em importantes propriedades biomédicas entre as duas espécies".

Portanto, a presença de pequenas diferenças no nível celular, como prega a Teoria da Evolução, invalida as extrapolações entre as espécies.

Compreendemos de forma muito limitada a pujança autopoiética da natureza, mas queremos exercer domínio sobre ela. Penso que as questões aqui colocadas devam, portanto, fazer parte do debate sobre a eficácia dos modelos animais como ferramentas de ensino e pesquisa. Isso porque os profissionais que deles se utilizam são, em tese, cientistas e estão produzindo conhecimento, além de estarem formando uma legião de seguidores de seus preceitos cientificamente questionáveis.

Embora hoje não seja mais possível negar a influência dos fatores aqui apontados - os quais concertados entre si podem produzir uma realidade completamente nova e inesperada, com a qual o cientista tem que lidar - os fundamentos epistemológicos subjacentes a tais processos, ainda se constituem numa questão considerada excessivamente abstrata. Entretanto, a aceitação de que há uma interdependência entre variáveis que não podem ser isoladas e estudadas em separado, ou quantificadas em termos de influência, faz parte da essência do método científico - mesmo o mecanicista - ainda que em menor extensão. Essa é uma questão muito mais profunda e crucial do que pode parecer, pois implica compreender verdadeiramente que o conhecimento construído é sempre uma abstração no sentido rigoroso do termo. E que algumas abstrações, ou metáforas, são mais adequadas do que outras para descrever determinadas realidades.

Dessa forma, salvo em casos nos quais os modelos animais tenham sido rigorosamente validados (mas isso implica a morte de milhões deles!), os dados corretos, aparentemente obtidos a partir de modelos animais, são, na verdade fruto da coincidência e do acaso, ou de pistas fornecidas por outros campos de pesquisa. Não refletem o resultado de uma empreitada verdadeiramente científica, uma vez que não implicam num conhecimento minucioso dos complexos mecanismos presentes nos processos estudados 6. Tais acertos parecem refletir nada mais do que um pequeno percentual bem-sucedido de meras tentativas e, com isso, não diferem significativamente de outras situações como os índices de acerto em cestas de basquete, por exemplo, por parte de pessoas que não dominam tal esporte.

Urge, portanto, que façamos uma reflexão criteriosa acerca da manutenção desse paradigma ancorado em valores antropocêntricos e especistas. Não é razoável afirmar que é impossível prescindir dos modelos animais quando não há um investimento sistemático (nem em educação, nem em pesquisa) no uso de alternativas, sejam elas técnicas substitutivas ou alternativas no sentido lato (como bancos de dados clínicos, epidemiológicos e outras fontes de informação).

Finalmente, vale dizer que as críticas aos modelos animais fazem parte de uma crítica maior que diz respeito às visões de saúde e doença presentes na medicina que se tornou hegemônica, baseada na intervenção e não na prevenção. Tal visão faz parte de um paradigma que privilegia as soluções "farmaco" e "tecno"-lógicas, como de resto é a ótica dominante em nossa cultura (exemplo emblemático é o tratamento/cura proposto para as "mudanças climáticas" ora em curso). E, mais uma vez, a falta de visão sistêmica jaz na base de todas essas questões.

Notas

1 Seres sencientes são aqueles capazes de experimentar prazer, dor, alegria e outras sensações e emoções.

2 O termo vivissecção tem o significado de "cortar vivo". É empregado para designar a realização de operações ou estudos em animais vivos para observação de determinados fenômenos.

3 As primeiras são: câncer, doenças do coração e derrame (acidentes vasculares cerebrais).

4 Alguns fármacos citados por Archibald são o Baycol, o Rezulin, Propulsid, Opren, Eraldin.

5 Há ainda diferenças importantes entre machos e fêmeas, e entre linhagens e resultados de diferentes instituições.

6 Como os chamados "laços de realimentação" e outros mecanismos que podem atuar de forma auto-referencial nos modelos propostos.

Bibliografia

ARCHIBALD, Kathy. Animal testing: science or fiction? The Ecologist, maio. 2005: 14-17.

BARNARD, Neal & KAUFMAN, Stephen. Animal research is wasteful and misleading. Scientific American , fev. 1997. 80-82.

BRÜGGER, Paula. Modelos animais. In: Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente: animais, ética, dieta, saúde, paradigmas. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004: 63-120; 125-128).

CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Trad. Newton Roberval Eichemberg. São Paulo, Cultrix, c1996.

FANO, Alix. Beastly practice. The Ecologist, vol 30 (3), maio, 2000: 24-28

GREEK, Ray C.& GREEK, Jean S. Sacred cows and golden geese - the human cost of experiments on animals. Foreword by Jane Goodall. New York/London: Continuum, 2000.

GREEK, Ray & GREEK, Jean. Specious Science: How Genetics and Evolution Reveal Why Medical Research on Animals Harms Humans. London, New York: Continuum, 2003.

LaFOLLETTE, Hugh & SHANKS, Niall. Brute Science: Dilemmas of Animal Experimentation. London: Routledge, 1996.

MATURANA, Humberto R.& VARELA, Francisco J.. A árvore do conhecimento – as bases biológicas da compreensão humana. 2ªed. Trad. Humberto Mariotti e Lia Diskin.São Paulo: Palas Athena, 2002.

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Paula Brügger é bióloga, professora do Depto. de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ex-membro da Comissão de Ética no Uso de Animais - (CEUA), mestra em Educação e Doutora em Ciências Humanas - Sociedade e Meio Ambiente. É autora dos livros "Educação ou adestramento ambiental?", que está na 3ª edição, e "Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente". Atualmente coordena o projeto educacional "Amigo Animal". E-mail: brugger@ccb.ufsc.br.