Qr Code do blog

Qr Code do blog
Qr Code do blog

Rss

Contacto

Search/ Busca

Carregando...

Blog Archive

Followers

Follow by Email

Add me on Facebook

NutriViva Tv



Total de visualizações de página

sábado, 7 de julho de 2007

Viver sem carne - uma escolha saudável para as crianças

O vegetarianismo não é um fenómeno novo. O antigo filósofo e matemático grego Pitágoras e muitos dos seus seguidores abstiveram-se de comer carne e viveram de forma saudável e produtiva. Centenas de anos mais tarde, o movimento vegetariano Norte-Americano iniciou-se como reacção a uma crescente industrialização e às mudanças sociais. Foi sobretudo apoiado pela doutrina religiosa da Igreja Cristã Bíblica (Bible Christian Church), que culpava a carne de ter um efeito devastador sobre o desenvolvimento e equilíbrio moral das pessoas. A carne era, ainda, considerada como comida desviante com efeitos perigosos para a saúde dos seres humanos. Ao longo do tempo, muitos adultos foram escolhendo viver sem carne na sua dieta. No entanto, enquanto uma dieta vegetariana em adultos é largamente aceite como benéfica, uma mesma dieta em crianças causa um certo sentido de privação, não só aos olhos do público em geral como também pelos profissionais de medicina.
Assim sendo, se uma dieta vegetariana traz benefícios a um adulto, poderá uma dieta sem carne fornecer todos os nutrientes necessários a uma criança e, mais tarde, a um jovem adolescente, cujo corpo e cérebro se encontra em rápido crescimento? Investigações científicas convencionais confirmam que as crianças podem gozar de uma vida equilibrada em termos nutritivos sem comer carne, uma vez que uma dieta baseada em plantas pode preencher os requisitos de nutrientes considerados necessários a uma boa saúde e desenvolvimento adequado.
Organizações de saúde de renome aprovam uma dieta vegetariana equilibrada, tão saudável em termos médicos como uma convencional dieta carnívora para crianças.

Em qualquer fase da sua vida, as crianças têm necessidade de uma dieta bem equilibrada e são especialmente vulneráveis a carências nutricionais. De forma a assegurar um desenvolvimento saudável durante a fase pré-natal, a infância e a adolescência, há determinados nutrientes que devem ser obtidos através da comida. Estes nutrientes, entre outros, proteínas, cálcio, vitaminas e ferro, são necessários ao desenvolvimento do sistema nervoso, cuja falta pode levar a graves falhas das capacidades motoras e cognitivas. O rápido crescimento infantil requer quantidades adicionais de calorias e nutrientes.
Em "Nutritional risks of vegan diets", Dwyer e Loew sublinham que, para evitar uma má nutrição, as crianças em fase pré-natal, na infância e na adolescência, precisam de "mais nutrientes por quilocaloria de comida ingerida" ou, por outras palavras, de comida altamente nutritiva. (59)
Depois de longos anos de constantes discussões acerca da inferioridade das proteínas vegetais, o "Dietary guidelines" de 2005 da USDA, confirma, explicitamente, a suficiência de uma ingestão adequada de proteínas vegetais. (Maurer 39)
Se as crianças não receberem proteínas animais através do consumo de ovos e lacticínios, deverão comer uma ampla variedade de legumes, frutos secos, sementes e cereais integrais. Deste modo, os seus corpos receberão proteínas suficientes para produzir, restaurar e sustentar as células.
Em "Vegan children", C. Coughlin acrescenta que as sementes e os frutos secos não só fornecem as proteínas e minerais necessários às crianças, mas também fornecem a grande quantidade calórica necessária ao seu desenvolvimento.(2)

Embora as plantas disponibilizem as proteínas, elas não podem fornecer a vitamina B12. Sendo um nutriente importantíssimo na constituição do corpo humano, uma deficiência desta vitamina pode causar danos muito graves no sistema nervoso. Uma vez que é somente produzida no sistema digestivo dos animais, as crianças vegetarianas devem obtê-la através do consumo de produtos lácteos ou ovos. (Maurer 102). Os veganos, por outro lado, têm que tomar suplementos vitamínicos ou comida com adição de vitamina B12, tal como bebidas multi-vitaminadas, que costumam ser do agrado das crianças. (Coughlin 4)
O ferro é outro nutriente indispensável e responsável pelo transporte de oxigénio. Apesar da biodisponibilidade do ferro ser mais alta na carne - o que significa que é mais facilmente absorvido - muitos vegetais são abundantemente ricos em ferro. (Wisely 6)
N. Barnard e K. Kieswer advertem, no seu trabalho "Vegetarianism, the healthy alternative", que o consumo de carne vermelha causa, muito facilmente, um excesso de ferro, o que catalisa a configuração de radicais livres. Estes compostos altamente instáveis e reactivos podem causar danos celulares, vulgarmente conhecidos como cancro. (49)
Consequentemente, se as crianças vegetarianas retiram a sua quantidade necessária de ferro das plantas de folha verde, frutas, legumes e leguminosas (grão, feijão, etc), os seus corpos demoram mais tempo a absorver o ferro das plantas mas, ao mesmo tempo, reduz a sobrecarga de ferro e o risco de cancro. Contudo, como a anemia por falta de ferro é o problema de saúde mais comum em bebés e crianças nos E.U.A., vegetarianos ou carnívoros, Dwyer e Loew propõem que se tenha um cuidado especial com a ingestão de ferro por parte de bebés e crianças pequenas e, se necessário, fornecer-lhes suplementos de ferro ou comida fortificada com adição de ferro. (64-65)
Em alternativa, as crianças podem aumentar a sua absorção de ferro com bebidas ricas em vitamina C, ou alimentos como sumo de laranja, melancia ou pimentão-doce (paprika).
Em contraste com as deficiências de ferro, as deficiências em cálcio são muito pouco prováveis em crianças vegetarianas. Para além dos produtos lácteos, uma grande variedade de alimentos como brócolos, sementes de girassol, vegetais de folha verde, frutas e feijões, fornecem perfeitamente este mineral, de acordo com M. Wisely em "Raising a vegan child"(5). Isto significa que as crianças com uma dieta à base de plantas recebem cálcio suficiente para o desenvolvimento de ossos e dentes fortes. Maurer acrescenta que os vegetarianos têm reservas de cálcio superiores às dos carnívoros, devido à falta ou diminuição das quantidades de proteínas animais (51).
Uma vez que o cálcio é responsável pelo regulamento da tensão arterial e pelos movimentos musculares, uma disponibilidade aumentada de cálcio parece melhorar a saúde de uma criança tanto num futuro próximo como distante.

Já que é evidente que uma dieta vegetariana equilibrada fornece todos os nutrientes necessários a uma criança, põe-se uma outra questão: Poderá uma dieta sem carne funcionar como factor preventivo e/ou paliativo em doenças? Poderá a exclusão de carne levar à diminuição de doenças graves?
Um número substancial de investigações científicas demonstra, sem sombras de dúvida, a acção preventiva de uma dieta baseada em alimentos vegetais. Por outro lado, é um facto bastante conhecido de que as grandes quantidades de gordura, gordura saturada e colesterol da carne e produtos lácteos estão associadas ao aumento de doenças coronárias, cancro, obesidade, acidentes cardio-vasculares, e diabetes tipo 2. A sobrecarga de proteína animal pode, também, levar à osteoporose e à insuficiência renal (falha dos rins), em contraste com as proteínas vegetais, que diminuem o risco de perda de densidade óssea, conservando melhor o cálcio nos ossos (Barnard e Kieswer 52). Dwyer e Loew chamam a atenção para a correlação existente entre a quantidade de proteína animal ingerida na infância e a densidade óssea que se tem décadas depois (64).
Tendo 65% da população norte-americana problemas de excesso de peso ou obesidade, as crianças sofrem com a gordura, o que leva à obesidade, diabetes, ataques cardíacos e insuficiência renal. Dietas vegetarianas com grandes quantidades de fibra e hidratos de carbono parecem contribuir para uma diminuição de peso, por conservarem menos de 50% das chamadas calorias gordas, não tendo as crianças que passar por curas de fome intermináveis e diminuindo o risco de diabetes tipo 2 e hipertensão (Barnard e Kieswer 51,54). As dietas à base de plantas também impedem que as crianças apanhem infecções por carne contaminada como a BSE/Doença de Creutzfeldt-Jacob, salmonela, ou infecções do cólon pela bactéria escherichia coli, (e. coli - responsável por algumas formas de gastroenterite), que podem provocar infecções muito graves ou mesmo fatais. Além disso, as crianças que comem carne adquirem resistência aos fármacos, devido ao excesso de antibióticos aplicados aos animais para criados para abate. Acrescenta-se o facto de cada vez haver mais estudos que demonstram o contributo de uma dieta vegetariana na prevenção de alguns tipos de cancro, revelando números de taxas de mortalidade até 76% mais baixos do que a restante população Barnard e Kiewer 47). Estas estatísticas impressionantes estão associadas a uma dieta sem carne, mas também à ingestão de antioxidantes obtidos através dos alimentos vegetais, que previnem ou reduzem a formação de radicais livres. Isto significa que as crianças que tenham uma dieta à base de plantas reduzem enormemente o risco de virem a sofrer de cancro.

No seu livro "Vegetarians and Vegans in America today", K. e M. Iacobbo documentam, ainda, efeitos paliativos ou a reversão de efeitos em certas doenças crónicas, após iniciarem dietas vegetarianas (77). Crianças com esclerose múltipla e diabetes tipo 2 podem abrandar a progressão da doença ou mesmo melhorar a sua condição médica com uma dieta pobre em gorduras baseada quase exclusivamente em produtos de plantas.
Uma dieta sem carne não só produz efeitos na condição física e no bem-estar da criança, mas também tem impacto no desenvolvimento psicológico, social, intelectual e espiritual da pessoa.
Enquanto que os adultos se tornam vegetarianos por razões de saúde, as crianças e adolescentes parecem preocupar-se mais com os direitos dos animais e com o bem estar deles. Preocupam-se também com os efeitos sobre o ambiente e com a fome a nível mundial. Tudo isto se junta ao pensamento de viver em uníssono com a natureza, o que, por sua vez, gera crianças mais graciosas e menos agressivas (Maurer 71). Esta paz e harmonia com o mundo dá à criança vegetariana um sentimento positivo acerca de si mesma e contribui para uma abordagem holística. Os Iacobbos chamam a isto o "poder positivo transformador" da dieta vegetariana no corpo e na alma, não só tornando possível que os seres humanos vivam uma vida compassiva, mas também a permitir-lhes grandes feitos em termos de performance e endurance em atletismo (73-80). Crianças ou adolescentes que pretendam seguir uma carreira em atletismo só têm a beneficiar com uma dieta vegetariana seguida desde a primeira infância.
Provas científicas têm demonstrado que uma dieta vegetariana baseada em fruta fresca, vegetais e cereais integrais cobre perfeitamente todas as necessidades nutricionais das crianças. As crianças vegetarianas podem obter as quantidades adequadas de proteínas essenciais, vitaminas e minerais através do consumo de produtos de plantas e lacticínios. Se os pais tiverem o cuidado de lhes oferecer uma dieta vegetariana bem planeada, com as quantidades adequadas de nutrientes, as crianças podem gozar de uma vida equilibrada e saudável. As dietas à base de plantas também dão boa saúde por conterem menos gordura saturada e colesterol e mais fibra e antioxidantes do que as dietas à base de carne. Ao ingerirem fibra e antioxidantes quando comem frutos, vegetais, cereais integrais e grãos, as crianças reduzem os riscos de certas doenças e condições degenerativas e, ainda mais, as crianças vegetarianas têm a oportunidade de atingir níveis superiores desportivos.
O seu compromisso ético para com os animais e o ambiente não só beneficia toda a humanidade como a eles mesmos.


Fontes:
- Barnard, Neal and Kristine Kieswer, "Vegetarianism: The Healthy Alternative." Food For Thought. Ed. Steve F. Sapontzis. Amherst, New York: Prometheus Books, 2004. 46-56.
- Coughlin, Carol M., "Vegan Children." Vegetarian Nutrition. Gale Group. 30 Mar. 2007 http://www.andrews.edu/NUFS/Vegan%20Children.html .
- Dwyer, Johanna T. and Franklin M. Loew. "Nutritional Risks of Vegan Diets." Food For Thought.Ed. Steve F. Sapontzis. Amherst, New York: Prometheus Books, 2004. 57-67.
- Iacobbo, Karen and Michael. Vegetarians and Vegans in America Today. Westport: Praeger Publishers, 2006.
- Maurer, Donna. Vegetarianism: Movement or Moment. Philadelphia: Temple Univ. Press, 2002.
- Sapontzis, Steve F., ed. Food for Thought. Amherst, New York: Prometheus Books, 2004.
- Wilson, Melanie. "Raising a Vegetarian Child." La Leche League International July–August 2000. Gale Group. 30 Mar. 2007 http://www.lalecheleague.org/NB/NBJulAug00p131.html.



Referências:
SCHALLER, Monica, Meatless, a healthy choice for children. (Tradução de Sónia Cruz)
http://www.centrovegetariano.org

Feira Lisboa Zen

Este evento decorrerá entre os dias 13 e 15 de Julho no Jardim Botânico Tropical de Belém (Largo dos Jerónimos, 1400-209 Lisboa), onde poderá visitar-nos:
Sexta-Feira dia 13, das 15h às 22h;
Sábado dia 14, das 12h às 22h;
Domingo dia 15, das 12h às 22h.

Áreas em Exposição: Alimentação Natural, Cosmética Naturtal, Medicinas Alternativas, Ecologia, Nutricionismo, Produtos Naturais, Turismo Verde

Preços das Entradas:
Adultos (a partir dos 12 anos) - 3€
Estudantes - 2€

http://www.lisboazen.com

Vegetarianismo em Portugal: um século de história

capa da revista O VegetarianoAo contrário do que se possa pensar, o vegetarianismo não é uma tendência recente no nosso país, pois tem já, pelo menos, um século de história.
A primeira referência, actualmente conhecida, à divulgação do vegetarianismo em Portugal, remonta ao início do século XX (provavelmente 1908), com a criação da Sociedade Vegetariana de Portugal, fundada na cidade do Porto, pelo Dr. Amílcar de Sousa, e situada na Avenida Rodrigues de Freitas.
Essa mesma associação criou, em 1909, a revista “O Vegetariano”, designada por mensário naturista ilustrado, e dirigida pelo Dr. Amílcar de Sousa, um médico especializado em dietética e nutrição. A revista durou pelo menos até 1915.
A publicação apresentava além de variados artigos, ilustrados com fotografias de crianças e adultos vegetarianos, receitas vegetarianas e anúncios relacionados com a filosofia da revista. Publicitava-se comércio de fruta, pão integral, vinho sem álcool e outros alimentos naturais, consultórios de médicos naturistas, termas e estâncias naturistas. Num dos anúncios, de uma edição de 1914, vê-se menção a uma “Maison Végétarienne”, apresentada como um restaurante dietético com regime vegetariano, situado em Lisboa na Avenida da Liberdade. Numa outra publicidade na mesma edição, apresenta-se o “Grande hotel Frutí-Vegetariano. Único estabelecimento do género em Portugal”, situado na cidade do Porto na Rua dos Caldeireiros, onde se faziam tratamentos naturistas e serviam refeições vegetarianas.
Internacionalmente, em Maio de 1911 a revista já era conhecida. A edição da revista Vegetarian Messenger (revista publicada no Reino Unido, desde 1849 até 1953) dessa mesma data, menciona a revista portuguesa O Vegetariano. O Vegetariano era ainda enviado para alguns assinantes no Brasil e em países africanos (Angola e Cabo Verde).
A Sociedade Vegetariana de Portugal foi ainda responsável pela publicação de dezenas de livros (algumas traduções de autores estrangeiros) dedicados a um modo de vida mais saudável. A tónica nesses livros, assim como nos artigos publicados na revista, está nas razões de saúde e nas sociais (fome no mundo, por exemplo). Pouco se fala ainda de defesa animal ou ecologia. Alguns desses livros publicados foram: “O Vegetarianismo e Fisiologia Alimentar”, de H. Collière; “Dieta Frugívora e Renovamento Físico”, de O. L. M Abramowshi; “O Naturismo”, de Amílcar de Sousa; “O Vegetarianismo e Moralidade das raças”, de Jaime de Magalhães Lima; “A Cura da tuberculose pelo vegetarianismo”, de Paul Carton; “Parto sem Dor”, de William Taylor; “O Homem é Frugívoro”, de Ardisson Ferreira.
Numa edição da revista de 1914, refere-se a existência de 3289 sócios na associação!
Este movimento em favor do vegetarianismo, que se registou na cidade do Porto nas primeiras duas décadas do século XX, teve como impulsionadores médicos de renome e personalidades da burguesia portuense, adeptos de uma alimentação vegetariana e da saúde natural.

A partir da Sociedade Vegetariana de Portugal, no Porto, nasceram outros grupos de naturistas. O núcleo que se fixou em Lisboa tomou a denominação de Sociedade Naturista Portuguesa e oficializou-se a 13 de Outubro de 1912. Os principais membros fundadores da associação foram Luciano Silva e o Dr. Roberto Neves, e na época tinha 200 sócios. Por volta dos anos 30, o nome foi alterado para Sociedade Portuguesa de Naturalogia, que anos mais tarde se tornaria membro da União Vegetariana Europeia (EVU). Entre outros, um dos objectivos da SPN sempre foi a promoção do vegetarianismo, tendo para isso também criado nos anos 60 do século XX uma cantina vegetariana para os seus sócios. Esta associação criou também a revista “Vida Sã” que ainda hoje existe e é distribuída gratuitamente. A SPN mantém-se em actividade até aos dias de hoje com sede na Rua do Alecrim, nº 38 - 3º, em Lisboa.

No Congresso Mundial Vegetariano da União Vegetariana Internacional (IVU), realizado em 1923, na cidade de Estocolmo, Suécia, Portugal fez-se representar pela primeira vez, pelo capitão António Carvalho Brandão,
No Congresso de 1926, realizado em Londres, Inglaterra, ficou registado o nome do Dr. Bentes Castelo Branco, que expôs igualmente um tema. Até 1950 não existem mais alusões a Portugal nos vários Congressos da IVU.
Só em 1960 é mencionada a Sociedade Portuguesa de Naturalogia. No Congresso da IVU em 1960, realizado em Hannover, Alemanha, foi nomeado como vice-presidente em representação de Portugal, o Dr. Ângelo da Costa Cabral.
Noutro Congresso, realizado em 1964, foi aprovada como afiliada da IVU, a Ordem Esotérica Iniciática de Lisboa (associação que entretanto parece ter sido extinta). E desde 1992, Portugal não teve mais representantes nos Congressos da IVU.

Nos anos 60, aconteceram desentendimentos e deu-se a ruptura entre a SPN e um grupo grande de sócios que saiu da Sociedade e fundou a Associação Vegetariana Portuguesa. Mais tarde a direcção da SPN mudou e, nos anos 80, as duas associações tinham tão boas relações que se juntaram novamente, e como a SPN tinha mais sócios do que a AVP, esta última fundiu-se na sociedade "mãe", sendo a denominação AVP dada como extinta às autoridades competentes.

Na última década do século XX muitos ecologistas e organizações defensoras dos animais começaram campanhas para informar as pessoas sobre as vantagens de uma dieta vegetariana ou vegana. Estas campanhas foram dirigidas principalmente aos jovens, e foram de algum modo efectivas. Muitos estudantes tornaram-se, não apenas vegetarianos, mas também activistas.
Embora durante os últimos anos do século XX, tenha havido bastantes activistas nas principais cidades, e algumas páginas web pessoais, só em 2001 surgiu um projecto de divulgação e promoção do vegetarianismo, a nível nacional: galaxia-alfa.com. Um projecto web que continua mantido pelos fundadores e outros voluntários. Por ocasião do seu quarto aniversário, alterou, contudo a sua designação: de Galáxia Alfa passou a designar-se Centro Vegetariano. As actividades do Centro Vegetariano são desenvolvidas principalmente na ou através da Internet, e incluem: publicação de artigos e receitas; envio de boletins periódicos; esclarecimento de dúvidas dos visitantes; e manutenção de uma loja com produtos veganos seleccionados. O Centro tem também diversos livros publicados, informativos e de receitas.

Em Março 2004, surgiu no mercado a revista mensal Cozinha Vegetariana, lançada pela editora Presspeople e com uma tiragem de 30.000 exemplares. A revista publicava cerca de duas dezenas de receitas, assim como algumas informações relacionadas com um modo de vida mais saudável. Esta publicação tornou acessível ao grande público a culinária vegetariana. A partir de Julho de 2006, passou a designar-se Cozinha Saudável e Vegetariana, deixando durante alguns meses de contemplar apenas receitas vegetarianas; embora mais recentemente tenha novamente começado a publicar receitas exclusivamente vegetarianas.
Em Julho de 2004, apareceu também a revista Cozinha Natural, da editora Mercuriana, com uma tiragem de 10.000 exemplares. Esta revista contempla receitas vegetarianas, veganas e macrobióticas. Embora não tenha tido a pujança inicial da revista Cozinha Vegetariana, esta tem alargado o seu leque de mercado e continua a crescer.

A partir de 2002, alguns activistas tentaram fundar uma nova associação vegetariana, sendo que a iniciativa mais promissora está agora na sua fase inicial. Foi fundada recentemente a Associação Vegetariana Portuguesa. Esta Associação foi oficializada no final de 2006, mas tem vindo a promover actividades desde 2004.

Em suma, o vegetarianismo em Portugal está a renascer rapidamente, com novos restaurantes vegetarianos a abrirem e muitos dos tradicionais a oferecerem opções vegetarianas. Entretanto, nos últimos anos, foram também criadas várias empresas com oferta de produtos vegetarianos, sobretudo alimentos. Muitas associações e empresas têm também levado a cabo a realização de eventos (feiras, palestras, workshops de cozinha vegetariana) relacionados com o vegetarianismo, respondendo assim ao crescente interesse pelo assunto.
A história do vegetarianismo em Portugal continua a escrever-se, uma vez que, tal como há um século atrás, o interesse por esta alimentação e estilo de vida mantêm-se. E, actualmente, devido ao novo contexto social, cultural e económico, as motivações são ainda mais para aderir ao vegetarianismo, e a transição de um regime alimentar com produtos animais para um regime sem produtos animais está também mais facilitada e acessível a todos.



Sítios web:
http://spn.eco-gaia.net
http://www.centrovegetariano.org
http://beijaflornatural.com
http://www.avp.pt.vu


Referências:
http://www.ivu.org/history/societies/portugal.html
ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1645.pdf
Revista Beijaflor Natural, nº56, Maio 2006, pp. 40-41.

Concertos em nome da salvação da Terra

Este sábado, milhões de pessoas em todo o mundo vão reunir-se para uma série de mega-concertos que pretendem consciencializar a população sobre as alterações climáticas.

Al Gore continua a sua cruzada para limitar as alterações climáticas promovendo estes concertos com duração de 24 horas em 7 continentes. A partir das 02:10 (hora de Lisboa), as bandas vão começar a actuar a partir de, e por esta ordem, Sydney, Tóquio, Shanghai, Hamburgo, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro e (ainda que não ao vivo, por razões logísticas) Antárctica.

Os críticos argumentam que o mundo já tem consciência das alterações climáticas e que os concertos não têm um objectivo definitivo que outros eventos do tipo anteriores. Live Aid recolheu dinheiro para alimentar os famintos e o Live 8 foi uma tentativa de influenciar um evento político específico, a cimeira do G8 de Gleneagles-

O Live Earth tenta convencer as pessoas a serem um pouco mais atentas e a fazerem um pouco mais, desde fechar a torneira enquanto se lava os dentes a baixar o termóstato um grau. Essas acções serão impossíveis de quantificar e o sucesso do evento será difícil de avaliar.

Infelizmente muitos dos recursos que se pretende poupar vão ser aqui gastos mas os organizadores estão a tentar conter essas despesas, usando contentores biodegradáveis, transporte grátis incluído no bilhete e outros exemplos. Pode parecer apenas algo para a imagem mas pretende-se mesmo chamar a atenção para a importância dos pequenos gestos.

John Rego, conselheiro ambiental dos 8 concertos, referiu que eventos anteriores do tipo produziram 3 a 4 mil toneladas de dióxido de carbono mas o Live Earth espera ter uma eficiência pelo menos 25% melhor.

A electricidade dos concertos virá, diz ele, de fontes renováveis, incluindo biodiesel (que não é completamente 'verde', como se sabe). Uma das bandas japonesas, por exemplo, ofereceu-se para plantar árvores para compensar as suas emissões, ainda que não saibamos exactamente quanto dióxido de carbono as florestas conseguem manter de forma permanente.

Os lucros resultantes dos eventos serão entregues à Alliance for Climate Protection, fundada por Gore, cuja missão é "persuadir o povo americano, e a população mundial, da importância e urgência de adoptar e implementar soluções abrangentes e efectivas para a crise climática". O dinheiro da fundação é usado em campanhas educativas e petições políticas.

Os concertos do Live Earth vão ser emitidos ao vivo em www.LiveEarth.MSN.com.

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Riso torna o leite materno mais saudável















De acordo com um estudo recente, bebés que tinham eczema, amamentados com o leite da mãe , viram os seus sintomas minorados, se as suas mães se rissem horas antes de os amamentar.

As mães que amamentavam viam filmes do Charlie Chaplin ou boletins meteorológicos, fornecendo, posteriormente, amostras do seu leite em intervalos regulares.
As reacções dos seus bebés aos ácaros e latex também foram medidas num intervalo de duas mamadas depois.












As crianças cujas mães se riram tiveram marcadamente reduzidas as suas reacções alérgicas. Havia, ainda, níveis significantemente altos de melatonina no leite das mães que se riram.
A melatonina, que está associada ao relaxamento, existe em níveis baixos nas pessoas com eczema.


Source/Quelle: Laughter Makes Breast Milk Healthier


O Poder do Riso


Silvia Helena Cardoso, PhD


Pense na última vez que você riu. Foi por alguma situação engraçada? Ou por alguma piada? Ou por uma sátira que viu na TV? Talvez por nenhuma dessas razões. Muito provavelmente não houve uma razão especial e você riu ou sorriu ao cumprimentar alguém, quando conversava com amigos ou quando brincava com alguém.

O riso é universal na espécie humana e uma das coisas mais comuns que fazemos. Nós rimos muitas vezes por dia e em situações extraordinariamente diversas, mas não percebemos isso, porque raramente controlamos conscientemente o nosso riso. O neurobiologista Robert Provine, ao observar 1200 conversações em locais públicos como shopping centers, salas de aula, lanchonetes, ruas, etc, descobriu que 80% do nosso riso não tem nada a ver com humor. Nós rimos essencialmente em situações sociais e geralmente em momentos de felicidade, prazer e brincadeiras, mas sabemos que ele é muito mais do que apenas uma mera manifestação de alegria. Ele também atenua hostilidade e agressão (repare como utilizamos o riso quando queremos atenuar uma típica tensão entre estranhos ou necessitamos dizer não a alguém. Nós frequentemente rimos quando nos desculpamos. O riso desarma as pessoas, cria uma ponte entre elas e facilita o comportamento amigável.

Tudo sto indica que o riso é um elemento importante de nossa biologia comportamental humana. Ele parece ter sido selecionado pela evolução como um dispositivo importante para a nossa sobrevivência. Entender o riso significa compreender as nossas raízes sociais e biológicas e aprimorar as nossas relações sociais.

Por que nós rimos?

O riso, como qualquer outro comportamento emocional, tem uma função e o riso não é exceção. A função do riso é a de comunição. É uma mensagem que nós enviamos às outras pessoas comunicando disposição para brincar, ligar-se a elas, ficarmos felizes e fazê-las felizes, mostrarmos que somos pacíficos.
Nós somos criaturas que necessitamos criar estruturas sociais e viver bem. Então nós precisamos ter relações pacíficas com as pessoas ao nosso redor.
O riso promove efeitos positivos em nossos contatos sociais.

A função social do riso pode aprofundar-se ainda mais. Estudos mostraram que indivíduos socialmente dominantes como chefes executivos ou tribais usam o riso para controlar seus subordinados. Quando o chefe ri, os subordinados em geral também riem. O riso é então uma forma de expressar o poder? O filósofo John Moreall especula que desta forma, os chefes estão "controlando o clima emocional do grupo". Dr. Provine e sua equipe observaram que as mulheres em uma audiência riem mais quando o palestrante é um homem.

Precisamos dos risos e das brincadeiras para interagirmos como indivíduos com o grupo social no qual nos inserimos, e também para aliviar as tensões sociais do cotidiano. O riso, as cócegas e as brincadeiras estão entrelaçados de formas bastante complexas e são uma das nossas primeiras experiências de vida.

Nós aprendemos a rir?

Será que aprendemos a rir desde bem pequenos, principalmente com nossos pais? Tendemos a pensar que um bebê poderia estar rindo por imitação, mas evidências apontam que o riso possui uma base inata, pré-progaramada. Estudos com cegos, surdos e mudos congênitos, por exemplo, provaram que eles podiam rir e sorrir, mesmo sem a possiblidade de imitar outras pessoas. Recentemente observamos o riso em crianças cegas congênitas e verificamos que eles riem como qualquer criança normal e pelos mesmos motivos, ou seja, por brincadeiras, cócegas, ao ouvir músicas alegres, etc.

Clique aqui para ouvir o riso de uma criança cega congênita.


Criança cega e surda congênita
Foto por Eibl-Eibesfeldt

Os animais riem?

Se o riso é inato, deve haver evidências para ele no registro evolutivo. Quando observamos primatas próximos aos humanos, nós vemos que o riso não é único a nós mesmos. Os antropóides (chimpanzés, gorilas e orangotango) abrem suas bocas, expõe seus dentes, retraem os cantos da boca, e emitem vocalizações altas e repetitivas, não como o riso dos humanos, mas sons mais parecidas com guinchos ou granidos ou até mesmo através de certas posturas corporais. Eu não acho isso surpreendente, porque nós somos somente uma entre as espécies sociais e não existe razão pela qual deveríamos ter um monopólio sobre o riso como uma ferramenta social.

O riso pode ter evoluído até mesmo antes dos primatas aparecerem em cena. Ratos, quando estão brincando com seus companheiros, emitem vocalizações que são interpretadas como riso. Estudos realizado pelo neurobiologista americano Jaak Panksepp mostraram que ratos emitem vocalizações ultrasônicas durante o comportamento de brincar de rolar no chão. Pansepp sugere que ratos e primatas, especialmente os jovens, usam o riso para distinguir de interações físicas ameaçadoras. Nós observamos filhotes rolar no chão com os outros, mostrar os dentes e ameaçar morder e perseguir o companheiro. Para nós, eles claramente estão brincando com esta luta de faz-de-conta, mas, vocalizações súbitas do comportamento, incluindo vocalizações, sinalizam a seus parceiros que a luta não é séria. A inabilidade de um filhote de rato vocalizar por causa de um dano cerebral, pode levar a uma luta séria.

Crianças de todas as idades, e, em muitas culturas, e também pais e filhos, também se engajam em brincadeiras de rolar no chão, de dar socos, mas sempre acompanhados pelo riso.

A importância do riso e das brincadeiras

O riso é uma das nossas primeiras experiências de vida. Ele dá início a interação com o mundo ao nosso redor. O ato de brincar é essencial para a aprendizagem e para forjar ligações sociais. Precisamos dos risos e das brincadeiras para interagirmos como indivíduos com o grupo social no qual nos inserimos, e também para aliviar as tensões sociais do cotidiano. Alguns cientistas acreditam que as brincadeiras são parte essencial da formação do caráter. Quando brincamos, simulamos e desenvolvemos as mesmas situações cotidianas que viveremos mais tarde durante a vida adulta. Ou seja, essas brincadeiras físicas vitais e precoces ensinam-nos o alto controle e o comportamento social de que precisaremos na idade adulta. Isto ocorre quando nós aprendemos a usar o riso para indicar que a brincadeira agressiva é só uma brincadeira. Como consequência, formam-se ligações emocionais positivas.

Na faculdade de Ohio, o renomado cientista Dr. Jaak Panksepp, encontrou evidências de que as brincadeiras são uma necessidade básica partilhada entre as espécies, e que serve como uma forma de trabalhar o jogo de dominação e submissão entre indivíduos do mesmo grupo social, de forma não-violenta. Isso nos leva a concluir que as brincadeiras e o riso têm o significado da competição entre os indivíduos de uma mesma espécie e grupo social. E nos ajuda a entender as sutilezas das relações sociais, aprendendo a ganhar e a perder, dominar e ser dominado socialmente. O contexto da brincadeira de rolar no chão, perseguir, usar expressão de ameaça é o seguinte: "Vou te atacar e te matar, mas quando o riso se entrelaça nessa brincadeira ele sinaliza: mas não vou machucá-lo, é tudo uma brincadeira.



O comportamento de brincadeira é universal entre os mamíferos. Brincar de rolar no chão é como simular um ataque. A vocalização típica nestas situações, indica que isso é só um faz de conta. A brincadeira é essencial para a aprendizagem do alto controle e o comportamento social de que precisaremos na idade adulta e para forjar ligações sociais.
Ouça a vocalização do macaco e do rato quando estão brincando


O riso é um reflexo primitivo que nós dividimos com alguns animais. Mas o riso humano involve regiões cerebrais altamente desenvolvidas que nos permite por exemplo, entender uma piada. .

O riso é um bom remédio

O riso está associado não somente com o alívio de tensão induzido pelo perigo e sinalização não agressiva, mas também com a expressão de emoções positivas. Isto poderia ser a base para a a expressão bem conhecida mundialmente de que "o riso é um bom remédio". Pesquisas sérias têm mostrado que esta noção é verdadeira. Riso e humor diminuem estresse e ansiedade, reforça a imunidade, relaxa a tensão muscular e diminui a dor. A Medicina moderna está começando a levar vantagens destes efeitos positivos: crianças hospitalizadas que vêm palhaços brincando permancem menos tempo nos hospitais que aquelas que não vêm.

O riso inicia uma cadeia de reações fisiológicas. Primeiro, ele ativa o sistema cardiovascular, então a freqüência cardíaca e pressão arterial aumentam. As artérias então se dilatam, levando, portanto, a uma queda da pressão. Contrações fortes e repetidas dos músculos da parede torácica, abdomen e diafragma aumentam o fluxo sanguíneo nos órgãos. A respiração forçada (o ha! ha! ha! do riso) eleva o fluxo de oxigênio no sangue. A tensão muscular diminui e nós podemos temporariamente perder controle dos nossos membros, como na expressão "ficar fraco de tanto rir". Pessoas que sofrem de raiva crônica têm alta incidência de pressão sanguínea elevada, níveis mais altos de colesterol e ataques card;iacos. Enquanto a raiva, a depressão e frustração perturbam a função de muitos sistemas fisiológicos, incluindo o sistema imune, o riso ajuda estes sistemas a funcionarem melhor. Por exemplo, o riso ajuda o sistema a aumentar o número de células que auxiliam contra a infecção, as células T, no sangue. O riso também pode promover mudanças hormonais benéficas. Cientistas especulam que o riso libera transmissores neuroquímicos chamados endorfinas, os quais reduzem a sensibilidade à dor e promovem sensações prazeros e de bem estar.

Um mundo melhor com o riso

Riso e brincadeira são elementos vitais em nosso repertório comportamental humano. Dr. Panksepp sumariza isso com sabedoria e beleza:

“Riso e brincadeira fertilizam não somente o cérebro, mas fertilizam também o espírito humano. Estes são tipos de sistemas que nos permitem ser brincalhões, construir estruturas sociais estáveis e manter unidas criaturas que fazem coisas certas no mundo. Se outras pessoas estão interagindo com nós de forma positiva e nós respeitamos a forma como elas sentem, então eu acho que nós temos um mundo melhor. E o riso e a brincadeira são grande parte disso”.
Para Saber Mais


A Autora

Silvia Helena Cardoso, PhD.
Psicobióloga, mestre e doutora em Ciências. Fundadora e editora-chefe da revista Cérebro & Mente. Pesquisadora do Núcleo de Informática Biomédica da Universidade Estadual de Campinas.








Fonte: http://www.cerebromente.org.br/n15/mente/laughter2/info-ciencia.html

Sacola Ecológica

Comércio de SP terá de fornecer sacola ecológica

Roberto do Nascimento

Lojas e supermercados de São Paulo terão de fornecer aos seus clientes sacolas biodegradáveis a partir do ano que vem. A decisão foi aprovada pela Assembléia Legislativa de São Paulo e seguiu para sanção do governador José Serra. O autor do projeto 534/07, deputado Sebastião Almeida, afirma que, onde não existe a coleta seletiva, todo esse plástico usado atualmente nas sacolas termina em aterros sanitários e lixões a céu aberto, dificultando e impedindo a decomposição de materiais biodegradáveis. "Em média, cada saquinho de supermercado que você joga no lixo pode demorar até um século para desaparecer completamente. O Brasil produz anualmente 210 mil toneladas de plástico filme, a matéria-prima dos saquinhos plásticos, que representa cerca de 10% do lixo do País", afirma.
As novas embalagens deverão ser oxi-biodegradáveis, ou seja, que apresentem degradação inicial por oxidação acelerada por luz e calor, e tenham depois a capacidade de serem biodegradadas por microorganismos e que os resíduos finais não sejam ecotóxicos.
Segundo o projeto, as embalagens devem atender aos seguintes requisitos: degradar ou desintegrar por oxidação em fragmentos em um período de tempo especificado; biodegradar, tendo como resultado CO2, água e biomassa; os produtos resultantes da biodegradação não podem ser danosos ao meio ambiente; o plástico, quando compostado, não deve impactar negativamente a qualidade do composto.
Os estabelecimentos comerciais terão prazo de um ano a contar da data de publicação da lei, que, se sancionada pelo governador, deve ocorrer dentro de um mês, para substituir as sacolas comuns pelas biodegradável. Os produtores das embalagens plásticas oxi-biodegradáveis deverão estampar as informações necessárias sobre qual aditivo estão utilizando na embalagem. A lei não abrange as embalagens originais das mercadorias.
Algumas embalagens plásticas levam até 300 anos para se decompor, e são feitas a partir do petróleo, combustível fóssil, não renovável e mais poluente da produção ao uso. Segundo o deputado, cientistas brasileiros do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo desenvolveram um plástico derivado do açúcar de cana, ainda mais caro, mas que se degrada em 60 dias.

fonte: Terra/DiárioNet

Supermercado adota sacola ecológica


Eli Araujo

A rede de supermercados Cidade Canção, de Maringá, adotou uma sacola ecológica com o objetivo de reduzir os danos ao meio ambiente. A idéia da nova sacola foi apresentada à direção do supermercado pela Fundação Verde, uma organização não-governamental (ONG) que atua na cidade há quase 8 anos. Segundo o presidente da ONG, Cláudio José Jorge, a rede de supermercados de Maringá é a primeira do Brasil a usar a sacola em larga escala.

Só para se ter idéia, a sacola tradicional usada nos supermercados demora quase um século para se decompor, enquanto as sacolas ecológicas demoram um ano e meio quando mantidas dentro de casa ou no máximo meio ano quando em contato com a terra. Aparentemente, os dois tipos de sacolas não apresentam nenhuma diferença.

A fase de testes para a implantação da sacola ecológica começou no final de outubro do ano passado, com a compra de um lote de dois milhões de unidades. E ainda não foi feita nenhuma campanha para informar os consumidores. Por isso, a professora Juliana Rigolin Fraguas não sabia da novidade. ”Eu achava que fossem sacolas normais mesmo, não sabia que eram diferenciadas. Isso é muito bacana”.

Segundo ela, a preocupação com o meio ambiente deve começar o mais cedo possível. ”Hoje esse tipo de cuidado é muito necessário e em casa a gente já procura reciclar as coisas”. Para ela, a decisão do supermercado vai atrair mais clientes. ”A idéia é muito interessante e acho que vai atrair principalmente as pessoas preocupadas com a natureza”.

O corretor de imóveis José Carlos Druzian aprovou a iniciativa. ”Tudo aquilo que vem em benefício do meio ambiente é ótimo. Todas as empresas deveriam ter essa preocupação. Isto deveria ser adotado não apenas pelos supermercados, mas por todos os estabelecimentos que usam sacolas”.

Druzian acha que o mercado deveria aproveitar a oportunidade para informar melhor os consumidores sobre o assunto. ”Essa é uma informação relevante, que deve ser levada a todas as pessoas”.

Para a bióloga e pesquisadora, Clarice Gravena, da Universidade Estadual de Maringá, as pessoas devem saber que o ato de descartar uma sacola de maneira errada pode causar muitos danos ao meio ambiente. ”Parece que não, mas se você joga uma, o outro joga outra, isso vira um volume muito grande porque são milhões de pessoas que consomem isso todos os dias. Nós corremos o risco de ter tanto acúmulo de lixo que daqui a pouco não temos onde ficar”, afirma.

A pesquisadora já tinha conhecimento que o supermercado usa a sacola ecológica e avalia que a medida é positiva. Ela fez pós graduação na Inglaterra, onde os supermercados restrigem o uso de sacolas. ”Lá, eles só dão a sacola se você pedir; eles recomendam para a pessoa reaproveitar a sacola que tem em casa para evitar desperdício. Com esse uso racional, a gente tem redução de custos e principalmente de danos ao meio ambiente”.

Iniciativa gera boa imagem

A idéia de adotar as sacolas plásticas ecológicas nasceu na organização Fundação Verde, criada em Maringá em 1999, com o objetivo de revitalizar as matas ciliares do município. A ONG já efetuou o plantio de mais de 30 mil árvores às margens de córregos e rios.

Ao fazer o trabalho de limpeza dos rios, os integrantes da ONG encontraram grande quantidade de garrafas pet e sacolas plásticas dos supermercados. A partir desta constatação, o presidente da Funverde, Cláudio José Jorge iniciou uma pesquisa para reduzir o impacto causado pelos plásticos ao meio ambiente. Ele descobriu que alguns países da Europa usavam sacolas com adição de 1% de uma resina que permite a decomposição do material no máximo em um ano e meio. O nome técnico é sacola oxibiodegradável.

Jorge apresentou a idéia a vários supermercados de Maringá e a rede Cidade Canção resolveu fazer um teste de qualidade, resistência e aceitação junto aos consumidores. Segundo o gerente de marketing do supermercado, Célio Kuratani Hata, o consumidor está recebendo a medida com simpatia. ‘‘Há uma grande preocupação com o lixo e outros poluentes. E as pessoas sabem reconhecer as empresas que agem com responsabilidade social. Isto cria uma boa imagem’’, reconhece.

O presidente da Funverde informa que o lançamento oficial da sacola será no próximo dia 5 de fevereiro. Segundo ele, as sacolas serão adotadas também nas feiras de Maringá em ‘‘caráter experimental’’. Existe a possibilidade de que outros supermercados da cidade também passem a usar as sacolas ecológicas.

Fonte: Folha de Londrina

Mais:

http://www.sacolapermanente.org.br/
http://funverde.wordpress.com/

DNA revela uma Groenlândia verde



Os cientistas escavaram dois quilómetros de gelo no sul da Groenlândia e recuperaram DNA do pinhal que em tempos aí existiu, repleto de insectos e outras formas de vida. Datado de entre 450 e 800 mil anos, o DNA é um dos mais antigos alguma vez encontrado.

A Groenlândia já foi verde, há muito que isso se sabe, têm sido encontradas plantas fósseis com 2,4 milhões de anos na zona nordeste do país mas, surpreendentemente, as evidências de DNA vegetal cessam há 450 mil anos. Os investigadores consideram que a falta de DNA mais jovem sugere que esta parte da ilha foi coberta por gelo desde então, o que vai contra a visão prevalecente da história climática da Groenlândia.

Durante o último período interglacial (130 a 116 mil anos), o clima era 5°C mais quente que actualmente, diz Eske Willerslev, director do centro de genética antiga da Universidade de Copenhaga, Dinamarca. "O nível do mar era 5 a 6 metros mais alto e a maioria dos modelos científicos assumiram que o degelo do sul da Groenlândia era o responsável por isso.

"Se os nossos dados estiverem correctos, então a calota de gelo do sul da Groenlândia é mais estável do que se pensava", diz Willerslev. Ele é, no entanto, rápido a recusar a ideia de que os seus resultados significam que as subidas previstas no nível do mar não irão acontecer. "Sabemos que durante o último período interglaciar o nível do mar subiu mas a origem disso deve ter sido outra, como o degelo antárctico."

Outros investigadores ainda duvidam que a Groenlândia tenha mantido o seu gelo no período interglaciar. "A única forma de justificar a subida do nível do mar a maioria dos modelos exige que a calota de gelo da Groenlândia derreta completamente", diz Roderik van de Wal, perito em calotas de gelo da Universidade de Utrecht, Holanda. "Se este estudo mostra que ela não derreteu, há um problema algures."

Willerslev descobriu o DNA numa única amostra de solo retirada de debaixo da camada de gelo, como descreve na revista Science. O DNA nunca tinha sido extraído desta forma anteriormente, diz Willerslev. "A técnica representa uma importante nova forma de reconstruir a história biológica de muitas zonas onde os fósseis estão enterrados sob quilómetros de gelo ou foram arrastados por glaciares."

Das amostras recolhidas, a equipa identificou uma vasta gama de espécies vegetais e de insectos. Paisagens semelhantes podem ser encontradas no leste do Canadá e nas florestas suecas actuais, diz Willerslev. Das espécies vegetais encontradas, estimaram que a temperatura na floresta seria de pelo menos 10°C no Verão e no máximo -17°C de mínima no Inverno.

Até onde, a norte, se estendia a floresta ou o que mais lá vivia permanece um mistério. "Não encontrámos DNA de outros animais, para além de insectos e aranhas, provavelmente devido à pequena quantidade de gelo analisada. O DNA animal desaparece mais rapidamente e é bem mais difícil de encontrar que o de plantas ou insectos, porque há menos quantidade logo á partida."

As descobertas de Willerslev podem ter implicações na previsão da forma como a calota de gelo irá responder às futuras alterações climáticas.

Se o gelo da Groenlândia desapareceu durante a última época interglaciar e fez subir o nível dos oceanos, então, pensam os cientistas, é provável que volte a fazer o mesmo com o aumento das temperaturas globais ao longo deste século. Se não desapareceu no passado, pode lançar a confusão sobre as previsões actuais.

Poderão ser as incorrecções nas técnicas usadas para determinar a idade do gelo as responsáveis pelos resultados inesperados? Willerslev acha que não. "Admito que existe incertezas com os métodos de datação mas o que me convenceu foi o termos usado 4 métodos diferentes e independentes e todos produziram datas semelhantes", diz ele. "É pouco provável que seja coincidência."


Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

Saber mais:

Science

Corrente do Golfo enfraquecida durante a Pequena Idade do Gelo

quinta-feira, 5 de julho de 2007

METAIS PESADOS NO ORGANISMO

Metais pesados são metais quimicamente altamente reativos e bio-acumulativos, ou seja, o organismo não é capaz de eliminá-los.


Quimicamente, os metais pesados são definidos como um grupo de elementos situados entre o cobre e o chumbo na tabela periódica tendo pesos atômicos ente 63,546 e 200,590 e gravidade específica superior a 4,0.


Os seres vivos necessitam de pequenas quantidades de alguns desses metais, incluindo cobalto, cobre, manganês, molibdênio, vanádio, estrôncio, e zinco, para a realização de funções vitais no organismo. Porém níveis excessivos desses elementos podem ser extremamente tóxicos. Outros metais pesados como o mercúrio, chumbo e cádmio não possuem nenhuma função dentro dos organismos e a sua acumulação pode provocar graves doenças, sobretudo nos mamíferos.


Quando lançados como resíduos industriais, na água, no solo ou no ar, esses elementos podem ser absorvidos pelos vegetais e animais das proximidades, provocando graves intoxicações ao longo da cadeia alimentar.


Metal Fontes de Contaminação Sintomas de Intoxicação
ALUMÍNIO Água, queijos fundidos, farinha branca de trigo, panelas de alumínio, quentinhas, cosméticos, antiácidos, pesticidas e antiperspirante, fermento de pão, sal. Constipação intestinal, perda de energia, cólicas abdominais, hiperatividade infantil, perda de memória, dificuldade de aprendizado, osteoporose, raquitismo e convulsões. Doenças relacionadas: Alzheimer e Parkinson.
ARSÊNICO Óleos combustíveis, pesticidas e herbicidas, metalúrgicas, plantas marinhas e frutos do mar. Transtornos gastrointestinais, espasmos músculo-viscerais, náuseas, diarréias, inflamações da boca e garganta, dores abdominais.
CÁDMIO Cigarros, farinhas refinadas, materiais odontológicos, indústria de aço, efluentes gasosos industriais, fertilizantes, pesticidas, fungicidas, café e chá tratados com agrotóxicos, materiais cerâmicos, frutos do mar, farinha de ossos, solda. Metal cancerígeno, provoca elevação da pressão sanguínea e aumento do coração. Queda da imunidade. Aumento da próstata. Enfraquecimento ósseo. Dores nas articulações. Anemia. Enfizema pulmonar. Osteoporose. Perda de olfato. Perda do desempenho sexual.
CHUMBO Baterias de automóveis, tintas, combustíveis, vegetais tratados com agrotóxicos, fígado bovino, alimentos enlatados, cigarros, pesticidas, tinturas de cabelo, gás cotendo chumbo, papel de jornal e anúncios coloridos, fertilizantes, cosméticos, cigarro, poluição do ar. Irritabilidade e agressividade, indisposição, dores de cabeça, convulsões, fadiga, sangramento gengival, dores abdominais, náuseas, fraqueza muscular, abnubilação mental, perda de memórias, insônia, pesadelos, acidente vascular cerebral inespecífico, alterações de inteligência, osteoporose, doenças renais, anemias, problemas de coagulação.
MERCÚRIO Termômetros, pesticidas e agrotóxicos amálgama dentária, água, garimpos, polidores, ceras, jóias, tintas, açúcar, tomate e pescado contaminados, explosivos, lâmpadas fluorescentes de mercúrio, cosméticos, produção e entrega de produtos derivados de petróleo. Depressão, fadiga, tremores, sídrome do pânico, parestesias, descontrole motor, andar lateral, dificuldade de fala, perda de memória, perda do desempenho sexual, estomatite, dentes soltos, dor e paralisia de extremidades, dor de cabeça, anorexia em crianças, alucinações, vômitos, febre, dificuldades de mastigação, sudorese e perda do senso da dor.
NÍQUEL Utensílios de cozinha, baterias níquel-cádmio, jóias, cosméticos, exposição industrial, óleos hidrogenados, trabalhadores de cerâmica, permanentes (cabelo) à frio, soldas. Metal cancerígeno, pode causar: dermatite de contato, gengivites, erupçòes na pele, estomatite, tonturas, dores articulares, osteoporose e fadiga crônica.
BÁRIO Água poluída, agrotóxicos, pesticidas e fertilizantes. Hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, fadiga e desânimo.









Metais Pesados e seus efeitos



Acredita-se que os metais talvez sejam os agentes tóxicos mais conhecidos pelo homem. Há aproximadamente 2.000 anos a.C., grandes quantidades de chumbo eram obtidas de minérios, como subproduto da fusão da prata e isso provavelmente tenha sido o início da utilização desse metal pelo homem.
Os metais pesados diferem de outros agentes tóxicos porque não são sintetizados nem destruídos pelo homem. A atividade industrial diminui significativamente a permanência desses metais nos minérios, bem como a produção de novos compostos, além de alterar a distribuição desses elementos no planeta.
A presença de metais muitas vezes está associada à localização geográfica, seja na água ou no solo, e pode ser controlada, limitando o uso de produtos agrícolas e proibindo a produção de alimentos em solos contaminados com metais pesados.
Todas as formas de vida são afetadas pela presença de metais dependendo da dose e da forma química. Muitos metais são essenciais para o crescimento de todos os tipos de organismos, desde as bactérias até mesmo o ser humano, mas eles são requeridos em baixas concentrações e podem danificar sistemas biológicos.


Os metais são classificados em:
1. elementos essenciais: sódio, potássio, cálcio, ferro, zinco, cobre, níquel e magnésio;
2. micro-contaminantes ambientais: arsênico, chumbo, cádmio, mercúrio, alumínio, titânio, estanho e tungstênio;
3. elementos essenciais e simultaneamente micro-contaminantes: cromo, zinco, ferro, cobalto, manganês e níquel.


Os efeitos tóxicos dos metais sempre foram considerados como eventos de curto prazo, agudos e evidentes, como anúria e diarréia sanguinolenta, decorrentes da ingestão de mercúrio. Atualmente, ocorrências a médio e longo prazo são observadas, e as relações causa-efeito são pouco evidentes e quase sempre subclínicas. Geralmente esses efeitos são difíceis de serem distinguidos e perdem em especificidade, pois podem ser provocados por outras substâncias tóxicas ou por interações entre esses agentes químicos.
A manifestação dos efeitos tóxicos está associada à dose e pode distribuir-se por todo o organismo, afetando vários órgãos, alterando os processos bioquímicos, organelas e membranas celulares.


Acredita-se que pessoas idosas e crianças sejam mais susceptíveis às substâncias tóxicas. As principais fontes de exposição aos metais tóxicos são os alimentos, observando-se um elevado índice de absorção gastrointestinal.
Em adição aos critérios de prevenção usados em saúde ocupacional e de monitorização ambiental, a biomonitorização tem sido utilizada como indicador biológico de exposição, e toda substância ou seu produto de biotransformação, ou qualquer alteração bioquímica observada nos fluídos biológicos, tecidos ou ar exalado, mostra a intensidade da exposição e/ou a intensidade dos seus efeitos.


Recentemente, tem sido noticiado na mídia escrita e falada a contaminação de adultos, crianças, lotes e vivendas residenciais, com metais pesados, principalmente por chumbo e mercúrio. Contudo, a maioria da população não tem informações precisas sobre os riscos e as conseqüências da contaminação por esses metais para a saúde humana.


O caso fatídico em Bauru, SP, é um dos exemplos dessa contaminação. A Indústria de Acumuladores Ajax, uma das maiores fábricas de baterias automotivas do país localizada no km 112 da Rodovia Bauru-Jaú, contaminou com chumbo expelido pelas suas chaminés 113 crianças, sendo encontrados índices superiores a 10 miligramas/decilitro (ACEITUNO, 18-04-2002).
Foram constatados ainda a contaminação de animais, leite, ovos e outros produtos agrícolas, resultando em um enorme prejuízo para os proprietários. Um dos casos mais interessantes foi o de uma criança de 10 anos, moradora de um Núcleo Habitacional localizado próximo à fonte poluidora. Desde os 7 meses de idade sofria de diarréia e de deficiência mental. Somente após suspeitas dessa contaminação, em 1999, quando amostras do seu sangue foram enviadas a dois centros toxicológicos nos Estados Unidos, é que foi constatada a intoxicação por chumbo, urânio, alumínio e cádmio (ACEITUNO, 18-04-2002).
A cidade de Paulínia, em SP, e o bairro Vila Carioca também foram contaminados pela Shell Química do Brasil. Em Paulínia, dos 166 moradores submetidos a exames, 53% apresentaram contaminação crônica e 56% das crianças revelaram altos índices de cobre, zinco, alumínio, cádmio, arsênico e manganês. Em adição observou-se também, a incidência de tumores hepáticos e de tiróide, alterações neurológicas, dermatoses, rinites alérgicas, disfunções gastrointestinais, pulmonares e hepáticas (GUAIUME, 23-08-2001).
Dos 2,9 milhões de toneladas de resíduos industriais perigosos gerados anualmente no Brasil, somente 600 mil toneladas recebem tratamento adequado, conforme estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição de Resíduos Especiais (ABETRE). Os 78% restantes são depositados indevidamente em lixões, sem qualquer tipo de tratamento (CAMPANILI, 02-05-2002).
Recentemente a companhia Ingá, indústria de zinco, situada a 85 km do Rio de Janeiro, na ilha da Madeira, que atualmente está desativada, transformou-se na maior área de contaminação de lixo tóxico no Brasil. Metais pesados como zinco, cádmio, mercúrio e chumbo continuam poluindo o solo, a água e atingem o mangue, afetando a vida da população. Isso ocorreu porque os diques construídos para conter a água contaminada não têm recebido manutenção há 5 anos, e dessa forma os terrenos próximos foram inundados, contaminando a vegetação do mangue.


ARSÊNICO (As)


O arsênico é um metal de ocorrência natural, sólido, cristalino, de cor cinza-prateada. Exposto ao ar, perde o brilho e torna-se um sólido amorfo de cor preta. Esse metal é utilizado como agente de fusão para metais pesados, em processos de soldagens e na produção de cristais de silício e germânio. O arsênico é usado na fabricação de munição, ligas e placas de chumbo de baterias elétricas. Na forma de arsenito é usado como herbicida e como arsenato, é usado nos inseticidas.
No homem produz efeitos nos sistemas respiratório, cardiovascular, nervoso e hematopoiético. No sistema respiratório ocorre irritação com danos nas mucosas nasais, laringe e brônquios. Exposições prolongadas podem provocar perfuração do septo nasal e rouquidão característica e, a longo prazo, insuficiência pulmonar, traqueobronquite e tosse crônica.
No sistema cardiovascular são observadas lesões vasculares periféricas e alterações no eletrocardiograma. No sistema nervoso, as alterações observadas são sensoriais e polineuropatias, e no sistema hematopoiético observa-se leucopenia, efeitos cutâneos e hepáticos. Tem sido observada também a relação carcinogênica do arsênico com o câncer de pele e brônquios.


CHUMBO (Pb)


Há mais de 4.000 anos o chumbo é utilizado sob várias formas, principalmente por ser uma fonte de prata. Antigamente, as minas de prata eram de galena (minério de chumbo), um metal dúctil, maleável, de cor prateada ou cinza-azulada, resistente à corrosão. Os principais usos estão relacionados às indústrias extrativa, petrolífera, de baterias, tintas e corantes, cerâmica, cabos, tubulações e munições.
O chumbo pode ser incorporado ao cristal na fabricação de copos, jarras e outros utensílios, favorecendo o seu brilho e durabilidade. Assim, pode ser incorporado aos alimentos durante o processo de industrialização ou no preparo doméstico.
Compostos de chumbo são absorvidos por via respiratória e cutânea. Os chumbos tetraetila e tetrametila também são absorvidos através da pele intacta, por serem lipossolúveis.
O sistema nervoso, a medula óssea e os rins são considerados órgãos críticos para o chumbo, que interfere nos processos genéticos ou cromossômicos e produz alterações na estabilidade da cromatina em cobaias, inibindo reparo de DNA e agindo como promotor do câncer.
A relação chumbo - síndrome associada ao sistema nervoso central depende do tempo e da especificidade das manifestações. Destaca-se a síndrome encéfalo-polineurítica (alterações sensoriais, perceptuais, e psicomotoras), síndrome astênica (fadiga, dor de cabeça, insônia, distúrbios durante o sono e dores musculares), síndrome hematológica (anemia hipocrômica moderada e aumento de pontuações basófilas nos eritrócitos), síndrome renal (nefropatia não específica, proteinúria, aminoacidúria, uricacidúria, diminuição da depuração da uréia e do ácido úrico), síndrome do trato gastrointestinal (cólicas, anorexia, desconforto gástrico, constipação ou diarréia), síndrome cardiovascular (miocardite crônica, alterações no eletrocardiograma, hipotonia ou hipertonia, palidez facial ou retinal, arteriosclerose precoce com alterações cerebrovasculares e hipertensão) e síndrome hepática (interferência de biotransformação).


CÁDMIO (Cd)


O cádmio é encontrado na natureza quase sempre junto com o zinco, em proporções que variam de 1:100 a 1:1000, na maioria dos minérios e solos. É um metal que pode ser dissolvido por soluções ácidas e pelo nitrato de amônio. Quando queimado ou aquecido, produz o óxido de cádmio, pó branco e amorfo ou na forma de cristais de cor vermelha ou marrom. É obtido como subproduto da refinação do zinco e de outros minérios, como chumbo-zinco e cobre-chumbo-zinco.
A galvanoplastia (processo eletrolítico que consiste em recobrir um metal com outro) é um dos processos industriais que mais utiliza o cádmio (entre 45 a 60% da quantidade produzida por ano). O homem expõe-se ocupacionalmente na fabricação de ligas, varetas para soldagens, baterias Ni-Cd, varetas de reatores, fabricação de tubos para TV, pigmentos, esmaltes e tinturas têxteis, fotografia, litografia e pirotecnia, estabilizador plástico, fabricação de semicondutores, células solares, contadores de cintilação, retificadores e lasers.
O cádmio existente na atmosfera é precipitado e depositado no solo agrícola na relação aproximada de 3 g/hectares/ano. Rejeitos não-ferrosos e artigos que contêm cádmio contribuem significativamente para a poluição ambiental. Outras formas de contaminação do solo são através dos resíduos da fabricação de cimento, da queima de combustíveis fósseis e lixo urbano e de sedimentos de esgotos.
Na agricultura, uma fonte direta de contaminação pelo cádmio é a utilização de fertilizantes fosfatados. Sabe-se que a captação de cádmio pelas plantas é maior quanto menor o pH do solo. Nesse aspecto, as chuvas ácidas representam um fator determinante no aumento da concentração do metal nos produtos agrícolas.
A água é outra fonte de contaminação e deve ser considerada não somente pelo seu consumo como água potável, mas também pelo seu uso na fabricação de bebidas e no preparo de alimentos. Sabe-se que a água potável possui baixos teores de cádmio (cerca de 1 mg/L), o que é representativo para cada localidade.
O cádmio é um elemento de vida biológica longa (10 a 30 anos) e de lenta excreção pelo organismo humano. O órgão alvo primário nas exposições ao cádmio a longo prazo é o rim. Os efeitos tóxicos provocados por ele compreendem principalmente distúrbios gastrointestinais, após a ingestão do agente químico. A inalação de doses elevadas produz intoxicação aguda, caracterizada por pneumonite e edema pulmonar.


MERCÚRIO (Hg)


A progressiva utilização do mercúrio para fins industriais e o emprego de compostos mercuriais durante décadas na agricultura resultaram no aumento significativo da contaminação ambiental, especialmente da água e dos alimentos.
Uma das razões que contribuem para o agravamento dessa contaminação é a característica singular do Ciclo do Mercúrio no meio ambiente. A biotransformação por bactérias do mercúrio inorgânico a metilmercúrio é o processo responsável pelos elevados níveis do metal no ambiente.
O mercúrio é um líquido inodoro e de coloração prateada. Os compostos mercúricos apresentam uma ampla variedade de cores.
Nos processos de extração, o mercúrio é liberado no ambiente principalmente a partir do sulfeto de mercúrio. O mercúrio e seus compostos são encontrados na produção de cloro e soda caústica (eletrólise), em equipamentos elétricos e eletrônicos (baterias, retificadores, relés, interruptores etc), aparelhos de controle (termômetros, barômetros, esfingnomanômtros), tintas (pigmentos), amálgamas dentárias, fungicidas (preservação de madeira, papel, plásticos etc), lâmpadas de mercúrio, laboratórios químicos, preparações farmacêuticas, detonadores, óleos lubrificantes, catalisadores e na extração de ouro.
O trato respiratório é a via mais importante de introdução do mercúrio. Esse metal demonstra afinidade por tecidos como células da pele, cabelo, glândulas sudoríparas, glândulas salivares, tireóide, trato gastrointestinal, fígado, pulmões, pâncreas, rins, testículos, próstata e cérebro.
A exposição a elevadas concentrações desse metal pode provocar febre, calafrios, dispnéia e cefaléia, durante algumas horas. Sintomas adicionais envolvem diarréia, cãibras abdominais e diminuição da visão. Casos severos progridem para edema pulmonar, dispnéia e cianose. As complicações incluem enfisema, pneumomediastino e morte; raramente ocorre falência renal aguda.
Pode ser destacado também o envolvimento da cavidade oral (gengivite, salivação e estomatite), tremor e alterações psicológicas. A síndrome é caracterizada pelo eretismo (insônia, perda de apetite, perda da memória, timidez excessiva, instabilidade emocional). Além desses sintomas, pode ocorrer disfunção renal.


CROMO (Cr)


O cromo é obtido do minério cromita, metal de cor cinza que reage com os ácidos clorídrico e sulfúrico. Além dos compostos bivalentes, trivalentes e hexavalentes, o cromo metálico e ligas também são encontrados no ambiente de trabalho. Entre as inúmeras atividades industriais, destacam-se: galvanoplastia, soldagens, produção de ligas ferro-cromo, curtume, produção de cromatos, dicromatos, pigmentos e vernizes.
A absorção de cromo por via cutânea depende do tipo de composto, de sua concentração e do tempo de contato. O cromo absorvido permanece por longo tempo retido na junção dermo-epidérmica e no estrato superior da mesoderme.
A maior parte do cromo é eliminada através da urina, sendo excretada após as primeiras horas de exposição. Os compostos de cromo produzem efeitos cutâneos, nasais, bronco-pulmonares, renais, gastrointestinais e carcinogênicos. Os cutâneos são caracterizados por irritação no dorso das mãos e dos dedos, podendo transformar-se em úlceras. As lesões nasais iniciam-se com um quadro irritativo inflamatório, supuração e formação crostosa. Em níveis bronco-pulmonares e gastrointestinais produzem irritação bronquial, alteração da função respiratória e úlceras gastroduodenais.


MANGANÊS (Mn)


O manganês é um metal cinza semelhante ao ferro, porém mais duro e quebradiço. Os óxidos, carbonatos e silicatos de manganês são os mais abundantes na natureza e caracterizam-se por serem insolúveis na água. O composto ciclopentadienila-tricarbonila de manganês é bem solúvel na gasolina, óleo e álcool etílico, sendo geralmente utilizado como agente anti-detonante em substituição ao chumbo tetraetila.
Entre as principais aplicações industriais do manganês, destacam-se a fabricação de fósforos de segurança, pilhas secas, ligas não-ferrosas (com cobre e níquel), esmalte porcelanizado, fertilizantes, fungicidas, rações, eletrodos para solda, magnetos, catalisadores, vidros, tintas, cerâmicas, materiais elétricos e produtos farmacêuticos (cloreto, óxido e sulfato de manganês). As exposições mais significativas ocorrem através dos fumos e poeiras de manganês.
O trato respiratório é a principal via de introdução e absorção desse metal nas exposições ocupacionais. No sangue, esse metal encontra-se nos eritrócitos, 20-25 vezes maior que no plasma.
Os sintomas dos danos provocados pelo manganês no SNC podem ser divididos em três estágios: 1º: subclínico (astenia, distúrbios do sono, dores musculares, excitabilidade mental e movimentos desajeitados); 2º: início da fase clínica (transtorno da marcha, dificuldade na fala, reflexos exagerados e tremor), e 3º: clínico (psicose maníaco-depressiva e a clássica síndrome que lembra o Parkinsonismo). Além dos efeitos neurotóxicos, há maior incidência de bronquite aguda, asma brônquica e pneumonia.


Bibliografia
1. ACEITUNO, J. Mais 22 crianças estão contaminadas com chumbo em Bauru. O ESTADO DE SÃO PAULO. 12-04-2002.
2. ACEITUNO, J. Já são 76 crianças contaminadas por chumbo em Bauru. O ESTADO DE SÃO PAULO. 18-04-2002.
3. ACEITUNO, J. Ministério inspeciona atendimento aos contaminados por chumbo. O ESTADO DE SÃO PAULO. 07-05-2002.
4. CAMPANILI, M. Apenas 22% dos resíduos industriais têm tratamento adequado. O ESTADO DE SÃO PAULO. 02-05-2002.
5. Descoberta a maior área de contaminação de lixo químico do Brasil. JORNAL NACIONAL. 09-04-2002.
6. GUAIME, S. Laudo comprova contaminação dos moradores de Paulínia. O ESTADO DE SÃO PAULO. 23-08-01.
7. MUNG, M. CPI vai pedir interdição de terminal da Shell em SP. O ESTADO DE SÃO PAULO. 03-05-2002.
8. SALGADO, P. E. T. Toxicologia dos metais. In: OGA, S. Fundamentos de toxicologia. São Paulo, 1996. cap. 3.2, p. 154-172.
9. SALGADO, P. E. T. Metais em alimentos. In: OGA, S. Fundamentos de toxicologia. São Paulo, 1996. cap. 5.2, p. 443-460.
10. TREVORS, J. T.; STRATDON, G. W. & GADD, G. M. Cadmium transport, resistance, and toxicity in bacteria, algae, and fungi. Can. J. Microbiol., 32: 447-460, 1986.
11. ZIMBRES, E. www.meioambiente.pro.br


Dr. Mario Julio Avila-Campos (Professor Associado do Depto. Microbiologia - USP)


Fontes: www.rossetti.eti.br
pt.wikipedia.org
www.mundodoquimico.hpg.com.br

Vitamina B17 - amigdalina - combate ao câncer (cancro em Portugal)

A vitamina B17,amigdalina , é composta de duas moléculas de açúcar: uma de benzaldeído e outra de ácido cianídrico.

Benefícios

Possui propriedades específicas de prevenção e controle do câncer.

Doenças causadas pela deficiência

Pode levar a uma menor resistência ao câncer

Fontes Naturais

Nas amêndoas dos caroços de abricó, maçã, cereja, pêssego, ameixa, nectarina, damasco, na alfafa, broto de feijão, cerejas, maçãs, pêssego, trigo mourisco.

Informação adicional

Pode ser um preventivo ou auxiliar no tratamento do câncer. Converse com o seu médico.

CURIOSIDADES:

Composto por 4 moléculas, 2 açúcares, 1 benzaldeído, 1 grupo cianeto.

O cianeto sozinho é mortal se ingerido, mas por ele estar ligado a um segundo elemento químico (benzaldehidro) ele passa pelo nosso trato intestinal sem causar danos ao nosso organismo.

A molécula da vitamina B 17, quando em contato com uma célula cancerosa, é quebrada e o elemento tóxico cianeto ataca diretamente a célula cancerosa, agindo como se fosse uma quimioterapia dirigida (como um tiro ao alvo).

O componente químico que proporciona a quebra da molécula, se chama Beta–Glucosidase, que envolve uma célula cancerosa.

Uma célula cancerosa, possui 3000 vezes mais Beta–Glucosidase que uma célula normal.

Uma pessoa com câncer, deve se alimentar de uma grande quantidade de sementes de abricó, aliado a ingestão de vitamina C, e vitamina E, assim como vitamina B 17 injetável.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/
http://www.biomodulacaocorporal.com.br