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terça-feira, 27 de novembro de 2007

Revolução da Comida - Bio Chip, Ana Branco - no site SindRio






“Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a Terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento”, Gênesis 1:29.

A orientação dada por Deus a Adão para viver no Jardim do Éden é um princípio que norteia há 13 anos Ana Branco, professora do Laboratório de Investigação em Living Design (LILD), do departamento de Artes da PUC-Rio. Ana coordena o projeto Alimentação Biochip, grupo de estudo que investiga os processos de produção e revitalização dos alimentos vivos. Toda quinta-feira, no campus da universidade, a professora realiza a Feira do Desenho Vivo para demonstração desta tecnologia de preparo e degustação de saborosos desenhos, obtidos através dos pigmentos vivos como o Suco da Luz do Sol, farinhas coloridas e constituição de cores e sabores em formatos variados, potencializando a essência do alimento. No cardápio, há a reconstrução de pratos como pizza, tortas, doces como cocada, paçoca, canjica e etc. A proposta é utilizar materiais que se encontram prontos para o uso na natureza e disponibilizados pelos diferentes ecossistemas. "As culturas, as comidas, todos os sabores da nossa cultura são redesenhados", diz a professora.





A feira, que começou com uma barraquinha de sucos, agora tem 30 voluntários, formado por alunos e adeptos, que foram se chegando. As turmas estão sempre lotadas e cada vez mais há o interesse por uma alimentação saudável. “As pessoas vão se beneficiando, se curando, se regeneraram de doença, da falta de encantamento e de questões da vida. É a comida que cura e restaura”, define a idealizadora do projeto, que serve de referência para todo país. A cada ano o curso recebe cerca de 200 alunos.

A forma convencional é descontruída para dar lugar a uma versão in natura, que remete à gênesis da alimentação humana. Sem passar pelo fogo, conservantes ou qualquer interferência que possa descaracterizar sementes, raízes, verduras, frutas e ervas. Ana Branco revela com delicadeza e arte as informações inerentes a cada ingrediente, contidas numa espécie de chip ou DNA. Da mesma forma que os chips decomputadores são moléculas de água que contém silício, nas sementes há informações sobre vida na Terra.


”O que acontece é o seguinte. Uma semente seca fica ácida e se protege para chegar a hora de morrer. Mas quando a mergulhamos dentro da água e deixamos por oito horas de molho, ela acorda, rompe com a dormência e desencadeia o potencial de germinação. Com isso, amplia o valor nutritivo em 20 mil vezes”, explica a professora, de 62 anos, que diz não saber mais o que é doença, médico ou remédio, após ter optado por alimentos vivos. "Chego a sentir dor ao ver as pessoas comendo alimentos mortos", emenda.


Comida para transformar: o homem e a natureza

De acordo com Ana, trata-se de uma religação com o Céu e a Terra sem intermediários, assim como os animais são ligados por conta de uma alimentação gerada pela própria Terra. “Você aprende a agradecer à Terra e, com isso, fica em sintonia com a natureza, aprende o seu ritmo, assim como o Sol, os mares, as estações do ano. Então, começa a ser um filho da Terra e todos os seus valores mudam”, declara a professora.

Ana destaca que este tipo de alimentação não é nenhuma novidade, mas uma prática milenar utilizada por Hipócrates, Pai da Medicina e povos nômades, assim como a Bíblia está recheada de passagens que justificam a alimentação viva. Entretanto, contextualizar essa prática para a sociedade atual é um desafio, que pode ruir com o sistema de produção, provisão e consumo de mantimento.


A grande questão nas artes é recordar o processo criativo, o seu ser original. E para ser original, é preciso recordar seus fundamentos matrísticos, como aprendemos com Maturana, biólogo chileno que redefine a Lei de Darwin. Ele apresenta numa visão auto-poética, que este é o lugar onde o ser humano e todo ser vivo afeta e é afetado. E é a partir dessa relação de afeto que as transformações acontecem”, declara.



Comida para revolucionar

E como usar os conhecimentos de Hipórcrates e dos biólogos atuais com o pensamento sistêmico? "A gente pode fazer uma saladinha, mas também pode fazer um desenho com os pigmentos vivos. Você vai colorindo e as cores vão dando sabores, cores diferentes e texturas, que encantam. E você aprende a comer lentilha e amendoim germinados, ampliando em 20 mil vezes o valor nutritivo, que é aquele processo original”, afirma Ana.

Todo esse processo de conhecimento alimentar pode ser praticado em casa, pois essa é a proposta do Biochip. “Isso é para cada um poder se apropriar de si mesmo. Ser mestre de si mesmo. Poder se apropriar da própria vida, não é para ser vendido. É para a gente poder se regenerar. Então tudo aqui é muito simples de fazer, não precisa nem cozinhar, além de economizar energia e tempo”, incentiva. O grupo também ensina a produzir hortas urbanas orgânicas e demostram suas produções na Feira Orgância, que acontece junto com a do Desenho Vivo. Entre as receitas está o Suco de Luz do Sol, à base maçã, legumes e raízes. “É altamente nutritivo porque todos os alimentos são crus e ampliados. E como se estivesse tomando uma dose de Oxigênio líquido”, diz.


Para Ana - que por incrível que pareça era fã do cachorro-quente de lingüiça da Central do Brasil, popularmente conhecido como “podrão” - conta que esse tipo de alimentação não está alinhada com o agronegócio, que transformou os produtos orgânicos em estrelas lucrativas da produção alimentar. O Bio Chip representa uma ameaça para o setor alimentício, pois como a professora explicou, promove a independência da indústria, que aprisiona os consumidores com o rótulos "saudáveis" e rentáveis. De acordo com a especialista, os alimentos orgânicos, que são destinados para a elite, pelo alto custo, não representam o conceito de uma alimentação transformadora, mas que promove dependência financeira, social e psicológica. A fome, a obesidade e os transtornos alimentares diversos constituem o maior desafio da século XXI. “Nem bomba atômica, nem armas ou tecnologia, a maior ameaça é revolução que a comida pode provocar no indivíduo e no mundo”, conclui.






Equipe Malagueta:
Texto: Juliana Dias
Edição: Carolina Amorim
Estagiária: Roberta Lopes

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