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sábado, 10 de novembro de 2007

Sol dentro de portas (Solários)


Muitos são os portugueses que se preparam para receber o sol com um bronzeado de fazer inveja. Os solários estão cada vez mais na moda. Conheça os riscos para a saúde, as vantagens e a lei que regulamenta o sector.

“O solário vicia”. A afirmação é de Marta Viegas, 34 anos, que não dispensa um look bronzeado ao longo de todo o ano. “Dá-nos um ar saudável e aumenta a nossa auto-estima”, justifica ao Saúde Semanário. A farmacêutica é uma das muitas pessoas que não dispensam uma ida regular ao solário, faça chuva ou faça sol. Conhece os riscos? “Sim, mas quando as coisas são feitas com conta peso e medida não há problema”, remata.

Ana Maria Gonzalez, do Estúdio Solar, partilha da mesma opinião. “Existem regras e cumprimos a lei”, explica. E acrescenta: “há muita gente a dizer que os solários fazem mal, mas também temos cá pessoas a fazer programas estabelecidos por médicos e dermatologistas”.

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Há alguma diferença entre a exposição ao sol e nos solários?
Os solários emitem radiação ultravioleta (RUV) fundamentalmente nos UVA (responsáveis pelo envelhecimento da pele), mas incluem pequenas contaminações de UVB (responsáveis pelo cancro na pele). A motivação básica dos utentes dos solários é obter um “bronze natural”, alegado atributo de status social, de saúde e de beleza. O objectivo é induzir uma pigmentação “natural” com radiação “natural” “sem riscos”. Nada mais errado! A radiação dos solários é um agente carcinogénico completo, uma verdadeira “bomba com retardador” que induz cancros cutâneos, envelhecimento acentuado da pele e alterações na função imunológica.

Para todas as idades

São várias as pessoas que procuram este tipo de bronzeamento, avança a especialista. “Temos clientes dos 18 aos 60 anos, das mais diferentes áreas: médicos, comerciantes, empregados de escritório, estudante”, conta. Tal como Marta Viegas, a maioria dos clientes quer estar bronzeado o ano inteiro. “Muitos querem preparar a pele antes de ir de férias para os trópicos, para evitar escaldões, outros gostam de estar bronzeados o ano inteiro e procuram-nos durante o Inverno”, esclarece Ana Maria Gonzalez. A Estúdio Solar está no nosso país desde 1997 e segundo a gerente a procura tem aumentado de ano para ano. No entanto, a “crise económica que afecta o país também já chegou a esta área”, ressalva.

Actividade regulamentada

A actividade foi regulamentada em Novembro do ano passado, com a entrada em vigor do decreto-lei n.º 205/2005, que acolhe as recomendações da Organização Mundial de Saúde. Até aqui, qualquer ginásio ou gabinete de estética possuía uma máquina de bronzeamento e exercia o negócio sem qualquer tipo de controle. Segundo a legislação, os trabalhadores dos solários são obrigados a fazer cursos profissionais até Junho deste ano. A falta de qualificação implica uma coima entre 2490 e 3490 euros para as pessoas singulares e entre 24.940 e 44.890 para as pessoas colectivas. Além da formação dos funcionários, a legislação fixa as categorias dos aparelhos que devem ser utilizados, estipula os limites das radiações ultravioletas e obriga ao fornecimento de óculos de protecção. O consumidor deve ser amplamente informado das características das máquinas, as quais devem constar de um letreiro colocado em local bem acessível do solário. cada cliente deve ter uma ficha pessoal e consentir, por escrito, que pretende utilizar as máquinas. Estas devem ser fiscalizadas anualmente.

Portugueses contra a lei

A responsável do Estúdio Solar, que tem seis estabelecimentos no país, diz estar em fase de adaptação à lei. Ainda assim, sublinha que muitas da medidas contempladas na legislação já era práticas deste estabelecimento. “A diferença é que antes recomendávamos, agora impomos e é regra”, esclarece, frisando que “já costumávamos aconselhar o uso de batons e óculos”. Estar dentro da legalidade já trouxe até alguns dissabores para esta cadeia de solários. “Muitas pessoas ficam chateadas quando dizemos que não podem fazer mais do que uma vez por dia”, conta Ana Maria Gonzalez, acrescentando que “muitos dizem que vão embora para outros sítios e que o corpo é deles”.

Destaques:

“Muitos clientes recusam-se a usar protector genital e óculos”

Inquéritos realizados na União Europeia indicam que 16% das pessoas utilizam centros de bronzeamento artificiais, 30% dos quais são adolescentes e jovens residentes nas cidades.

Em Portugal, há uma média de 800 de novos casos de cancro da pele por ano, segundo o Registo Nacional Oncológico. Esta patologia tem uma taxa de cura de 90% quando é diagnosticada precocemente.

O que diz a lei?

• É obrigatório qualificação profissional

• É obrigatório existir livro de reclamações

• É obrigatório fornecer óculos e protector genital

• É proibido a grávidas

• É proibido a menores de 18 anos


Pergunta & Resposta
Dr. Rui Tavares Bello
Médico Dermatologista
Hospital Militar de Belém

Quais os perigos da ida aos solários?
Como qualquer agente tóxico, a radiação ultravioleta emitida pelos solários tem efeitos agudos queimaduras e securas da pele, prurido fototoxias, fotoalergia, irritação ocular e conjuntivites) e efeitos crónicos (envelhecimento da pele, cancro cutâneo, alterações oculares (cataratas) e imunosupressão. O principal problema é, de facto, o CANCRO CUTÂNEO, em particular o Melanoma Maligno. A evidência ligando a utilização dos solários ao desenvolvimento deste terrível tumor é sólida, assente em estudos epidemiológicos e biológicos.

Há alguns dados sobre o número de pessoas que têm problemas de pele devido à exposição aos solários?
Os dados provêm do Reino Unido, Canadá e EUA. Cerca de 8 a 10 % da população do RU recorre usualmente aos solários. A idade dos utentes está a diminuir, o que aumenta o risco de carcinogenicidade! O problema assume uma dimensão tão preocupante que alguns health officials de áreas do Reino Unido baniram mesmo o seu uso.

Associações como a Organização Mundial de Saúde, a American Joint Comittee on Cancer, a American Medical Association e a British Association of Dermatologists vêm juntando esforços no sentido de informar o público e as autoridades de saúde para limitar o uso destes sistemas, atendendo à sua periculosidade.

Médicos de Portugal

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