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domingo, 6 de janeiro de 2008

Frutas!!! e o segredo da longevidade


http://www.carbonari.com.br/frutas.jpgThe image “http://www.cafenobre.com.br/CestaDeFrutas2.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.
A maçã (Pirus malus) já era conhecida e apreciada entre os povos cultos da Antiguidade. Encontramos o seu cultivo tanto entre os israelitas, gregos e romanos, como entre os nossos mais remotos antecessores. Da Idade Média temos numerosos testemunhos que nos informam sobre o alto nível do cultivo da maçã e mais especialmente acerca do cultivo da maçã silvestre. Em numerosos cruzamentos com tipos da Europa, e da Ásia, apareceram as variedades hoje conhecidas, que passam de 600.

Muitos milhões de maçãs proporcionam hoje não só um apetitoso alimento como também uma valiosa matéria-prima para numerosos ramos de indústria, como sejam os fábricos de geléias e de sucos.

Botanicamente, a maçã pertence à família das Rosáceas, que nos é de muita utilidade.

Composição - Embora a análise química nos dê uma imagem débil da eficácia da maçã no organismo vivo, contudo é bom conhecê-la para permitir uma comparação com outras espécies de frutas. Em média obtêm-se os seguintes valores na maçã crua:

Água.....................................83,9
Proteína................................. O ,4
Gordura............................... ---
Hidrato de Carbono.............13,3
Amidos de fruta .....................0,65
Minerais ................................0,6
Excesso de bases ..................1,7
Calorias ..............................59

Além do sódio, potássio, magnésio, fósforo, enxofre e cloro, provou-se a presença do ácido salicílico e de alumínio. A isto juntam-se as combinações dos ácidos da fruta que condicionam o seu grato perfume e a pectina, fécula que pode reter um grande volume de água. A maçã atingiu nos últimos tempos a sua plena consideração como meio insubstituível de cura, embora já fosse famosa em todos os tempos pelos seus efeitos curativos.

Efeitos e Emprego da Dieta de Maçã -- Hoje o regime na base de maçãs faz parte dos recursos dietéticos mais eficazes de qualquer médico. O processo aplica-se geralmente de modo que em casos de catarro gastrintestinal, disenteria ou paratifo, se rale de duas em duas horas, ou até oito vezes diariamente, uma maçã madura com a pele, no ralador, de vidro se for possível, dando-a a comer ao doente. Podem ingerir-se assim, de 1 a 1,350 kg, renunciando em absoluto a qualquer outro alimento ou medicamento. O inchaço coloidal ao reter a água produz a maravilhosa cura numa harmoniosa colaboração com as substâncias estéricas, os ácidos da fruta, o tanino e os minerais. A dieta de maçãs atua como uma esponja de grande capacidade de absorção. A maçã incha, absorvendo água e produtos intestinais tóxicos, evitando desta forma a sua rápida absorção através do intestino. O grande conteúdo em tanino da maçã atua como adstringente contra a inflamação.

O puericultor de Heidelberg, Prof. Moro, perante os êxitos de Heisler, dedicou-se à comprovação sistemática dos casos infantis de diarréia e disenteria. Administrou, em dois dias, doses de 200 a 300 g, cinco vezes diárias, de maçã ralada num ralador de vidro, descascada e sem as sementes. Este processo totalmente inócuo atuou de modo surpreendentemente rápido em diarréias de diferentes tipos, satisfazendo completamente as necessidades de alimento e líquidos. Mantendo constantemente o, consumo de maças, passa-se depois dos dois dias de dieta para a alimentação usual. Quando não se dispõe de maçãs frescas, pode estabelecer-se também esta dieta com um específico de xarope de maçãs.

0 descobrimento da pectina na casca da maçã, que introduzida na circulação sanguínea tem a propriedade de acelerar o processo de coagulação, transformou-a num remédio de assombrosa eficácia para a hemofilia. Geralmente nos hemofílicos, uma pequeníssima lesão pode provocar uma interminável hemorragia; consegue-se, porém, com preparados de pectina provocar a coagulação do sangue, ao cabo de poucos minutos. Por outro lado, a pectina, como substância amilácea, tem a maior importância na indústria de geléias e conservas,já que sem ela as geléias e gelatinas têm de cozer durante muitas horas, com grandes perdas de matérias ativas. Mas não é só neste ramo industrial, mas também na pastelaria, na confeitaria, indústrias lácteas e padaria, que a pectina desempenha um importante papel.

0 emprego médico da maçã não se limita apenas ao tratamento das doenças disentéricas e hemofílicas.

0 médico vienense Jagic conseguiu excelentes resultados com dois ou três dias de fruta em inflamações renais, hidropisia, doenças do coração e dos vasos. Fazia consumir 1,350 kg de maçãs em compota doce. Esta alimentação favorece os rins, o coração e o fígado. A pobreza da maçã em sal e em proteínas pode ser vantajosa para reforçar um regime de emagrecimento. Um regime de emagrecimento típico é o do pão escuro e da «compota laxante». Digno de citar é também o vantajoso emprego da maçã nos anêmicos e nos intelectuais, por causa do seu conteúdo de arsênico, ferro e fósforo. Também a criança que come com regularidade uma maçã por dia ficará notavelmente protegida contra as infecções.

0 suco de maçã é, como todos os sucos doces, uma bebida refrescante, que os intelectuais e os doentes deviam tomar, em lugar de café e bebidas alcoólicas, e também constitui, além disso, um remédio tônico e sedativo, pelo que o neurólogo Georg Reid (de Schuverin) resolveu empregar a sidra de maçã combinada com o seu consumo em cru para todas as enfermidades inflamatórias do sistema nervoso central. A perigosa prisão de ventre crônica pode ser tratada, praticamente com êxito, mediante o consumo, três vezes por dia, de meio frasco de sidra doce, antes de cada refeição, devendo-se seguramente a sua ação à influência que exerce sobre as colônias bactérianas do intestino.

A infusão de maçã exerce como bebida diária um efeito fortalecedor e tônico, que convém ser utilizado como reforço na gota, reumatismo, doenças de fígado e rins, hipertensão, transtornos cardíacos e erupção cutânea. Pelo seu conteúdo em fósforo constitui a infusão de maçã um alimento natural para o sistema nervoso, especialmente para as crianças.

Açaí
0 açaizeiro, do gênero E uterpe oleracea, é uma delicada palmeira de estipe elevado e esguio, terminado por uma coroa de folhas pinatissectas. Originária da região amazônica, é muito cultivada em virtude do sabor de 'seus frutos, dos quais se faz um macerado de cor vinhosa, com certa densidade, apresentando a consistência de borra. Esse prato, muito apreciado na região, é conhecido como açaí. A bebida é geralmente tomada com açúcar ou com farinha d'água ou farinha de tapioca.

0 açaizeiro forma majestosas touceiras. Produz também um saboroso palmito, que vem sendo industrializado nos últimos anos. Os estipes, por serem muito duros e resistentes, são usados como material de construção. Os frutos também servem para alimentar animais domésticos. Deve-se dizer, ainda, que o açaí é um alimento muito rico em ferro, constituindo-se num elemento precioso na alimentação dos habitantes da Amazônia. Os ribeirinhos, por exemplo, encontram nos frutos do açaizeiro um alimento graciosamente propiciado pela Natureza.

A propósito do açaí, fez-se uma quadrinha popular, muito conhecida em todo o Brasil:

"Chegou no Pará,
Parou ...
Bebeu açaí,
Ficou ..."


Ameixas
A ameixa considera-se oriunda das terras do baixo Danúbio, da Pérsia, da Armênia e do Cáucaso. As cultivações sírias, em volta de Damasco, alcançaram grande fama. Através dos gregos e dos romanos, também as ameixas chegaram até nós, embora os romanos só as cultivassem mais tarde. Segundo se diz na «Capitulare de Villís», Carlos Magno, em 812, mandou plantar ameixeiras, de diversas espécies, nas suas propriedades imperiais. Hoje, as ameixas desfrutam de uma popularidade geral.

A ameixa autêntica (Prunus domestica) tem diversos nomes, nas várias regiões. Pertence à família das Rosáceas.

0 abrunho (Prunus insititia), também chamado abrunho grande, abrunho de enxertar, é diferente botanicamente da ameixa autêntica. Difere sobretudo pelo fruto, esférico e de cor violeta escura, com o caroço chato, em vez de pontiagudo, como na verdadeira ameixa.

As ameixas devem ser comidas cruas, em grande quantidade; são também um elemento culinário, para conserva, geléia e doce em pasta. Além deste interesse como alimento, têm um significado muito mais justificado como remédio dietético médico.

Composição e Propriedades -- Analisemos a composição química das ameixas tal como hoje a conhecemos: 100 gramas de ameixas contêm: 71 calorias, 75,6 g de água, 0,8 g de proteína, 0,9 g de ácido de fruta, 15,7 g de hidratos de carbono e 0,6 g de minerais. A combinação de minerais é semelhante à da pêra, com menos sal e quase com as mesmas quantidades de potássio e de fósforo. Isto significa que podemos usar ameixas em todos os regimes de doenças, nos quais a alimentação for pobre em calorias e sal, como nas doenças do aparelho circulatório, rins e fígado, na gota e no reumatismo, podendo consumir-se cruas ou cozidas, e sobretudo de combinação com alimentos farináceos. O conteúdo de vitaminas não é considerável. Segundo as análises mais recentes, encontraram-se em 100 g de polpa de ameixa: 0,08 mg de caroteno; 0,1 mg de vitamina B1, 0,043 mg de vitamina B2 e 5 mg de vitamina C. Para cobrir a necessidade diária de vitaminas não basta.

Emprego na Atonia Intestinal -- Através de inumeráveis gerações de médicos pode afirmar-se que as ameixas secas são um bom purgante, suave e inócuo, utilizado de formas diversas para a atonia digestiva e prisão de ventre. Umedecem-se, durante a noite, de cinco a dez ameixas secas, num pouco de água e comam se, na manhã seguinte, em jejum, com a água em que estiveram. O Prof. Heupke recomenda reforçar o efeito em casos difíceis, fazendo passar de quinze a vinte ameixas por uma peneira e acrescentando à pasta 15 g de sulfato de magnésio ou de sódio. Deste purê toma-se de meia em meia hora uma colher, das de café, cheia. A pasta pode ser também de duas partes de ameixa e de uma de figos secos.

A grande capacidade de absorção das matérias análogas à pectina que se encontram nas ameixas -- de que trataremos, quando nos ocuparmos da pêra -- facilitam a deposição; o considerável conteúdo em alimentos similares à celulose excita a mucosa intestinal de modo que se torna mais fácil a evacuação do intestino.

Deve-se ter em conta que as ameixas cruas, cozidas e secas são sempre um alimento são e que constituem para os transtornos do metabolismo um elemento dietético útil, servindo as ameixas secas umedecidas de purgante excelente e natural, sendo até inócuo para as crianças.


Ananás (Abacaxi)
Esta fruta de rara estrutura e de maravilhoso aroma procede da América tropical; mas cultiva-se também noutros países de clima tropical ou subtropical. A perene raiz do ananás (Ananas sativa) produz uma roseta que consta de um eixo central com numerosas florinhas isoladas, cujos frutos com as folhas de recobrimento convertidas em ponta e o mesmo eixo constituem a fruta amarela sem semente. Composição -- Pode ser considerada (como alimento e como remédio. Possui, além disso, uma característica de grande valor em medicina que a distingue das outras frutas.

Vejamos, em primeiro lugar, a simples análise química que nos orientará sobre as principais matérias que contém:

Proteínas.................... O ,5%
Gordura .............................--
Hidratos de carbono 13,9%
Água ..........................83,6%
Ácidos de fruta .........0,67%
Excesso de bases .....+5,4%
Calorias ........................62%

Disto mesmo podemos deduzir que com um grande conteúdo de água tem, contudo, um valor nutritivo muito baixo e, por conseguinte, o índice de calorias é muito reduzido. Entre os minerais conhecidos não se destaca nenhum em especial e é muito limitado o excesso de bases produzido pelos elementos constitutivos ácidos e básicos. Inclusive, o conteúdo de vitaminas conhecido até agora é mínimo.

Substituto do Suco Gástrico -- Os ananases distinguem-se das outras frutas porque possuem no seu suco e em quantidade abundante fermento albuminóide que tem a especialíssima propriedade de separar as proteínas dos alimentos facilitando-lhes a digestão, o que é motivo suficiente para lhes dispensarmos o nosso maior interesse. Podemos aproveitar a característica do ananás de digerir as proteínas, trabalho este reservado aos ácidos gástricos, para conseguir que as pessoas de estômago fraco ou doente, com suco gástrico pobre ou carente de ácidos, possam retirar das proteínas o seu valor alimentar, substi-tuindo o suco gástrico pelo suco de ananás. Mas há que ter sempre em conta que só o suco fresco do ananás é que possui essa característica, sendo portanto inúteis todas as conservas correntes de ananás. Qualquer emprego de calor destrói a força digestiva da proteína, pois está relacionada com os fermentos ou enzimas de grande sensibilidade. Além disso, diga-se a título complementar, que por si mesma a comida e a bebida muito quentes dificultam no seu trabalho os fermentos digestivos que se encontram na saliva e nos sucos gástricos ou intestinal, reduzindo-lhes a eficácia o que também acontece com muitos dos modernos remédios químicos. O cuidado a ter com respeito à destruição de fermentos pelo tratamento farmacêutico é provavelmente mais importante do que se supõe.

Em todas as fraquezas e doenças gástricas, relacionadas com a insuficiência de sucos ou ácidos gástricos, praticamente em todos os casos de inapetência, servimo-nos de suco de ananás fresco, que é ao mesmo tempo refresco e medicamento e pode substituir em todo o seu valor o suco gástrico; mediante uma melhor digestão e um melhor cuidado com a mucosa do estômago favorece-se o fortalecimento do enfermo e com isso também há de melhorar a sua saúde ou porventura poderá recuperá-la.

É curioso notar que nem na América, nem na Europa se emprega com freqüência o ananás na alimentação dos lactentes.

A minha opinião é que o suco de ananás fresco diluído, por causa da sua força para a digestão de proteínas, resulta num valioso auxiliar na alimentação do lactente, sobretudo se este sofrer de transtornos digestivos, podendo por isso recomendar-se à especial atenção dos puericultores.

Bananas

As bananas, que se tornaram tão populares entre nós, são o fruto da bananeira tropical (Musa paradisíaca) e da sua forma cultivada (Musa sapientium).
A banana é um alimento muito importante nos trópicos e um grande artigo de exportação. Infelizmente nem todos chegam a saborear o gosto das bananas amadurecidas em fresco e naturalmente. As de exportação são colhidas verdes, amadurecidas artificialmente nos portos importadores.

Mesmo assim, constituem tanto para as pessoas sãs como para as doentes um fruto de qualidade excepcional.

Composição -- Ao passo que o conteúdo em hidratos de carbono da batata consiste, exclusivamente, em amido, a banana madura apenas tem frutose e glicose (açúcar invertido) e nenhum amido.
Conteúdo por percentagem:


Proteínas Hidratos de carbono Gorduras Água Calorias
Batata com casca
Batata
Banana
1,3
1,9
1,8


22,8
16,4
18,6

--
0,2
0,2
73,8
79,1
66,5
100
76
86

Os Seus Efeitos, Especialmente na Alimentação Infantil -- Parece-nos que está claro o seu variadíssimo aproveitamento dietético, tanto mais quanto a sua digestibilidade é sempre magnífica. Em primeiro lugar, as bananas são um alimento muito apropriado para os meninos pequenos que as comem com gosto pelo seu sabor e perfume. É principalmente agradável pela facilidade em se descascar, oferecendo em condições higiênicas uma polpa sem sementes nem caroços. Além disso, pode esmagar-se facilmente, e também passar pela peneira, sei batida à mão ou em um liqüidificador. Deste modo, o purê de banana é para o lactente entre os sete e os oito meses, um alimento rico. Tal como a maçã crua ralada, também a banana, que possui grande eficácia antidiarréica, se se consumir' exclusivamente, pode empregar-se nas crianças pequenas para lhes curar transtornos agudos digestivos, inflamações do intestino grosso e até a celiaquia -- uma grave alteração intestinal e alimentar crônica. No espru, uma doença tropical, que ainda não está suficientemente esclarecida e que ocasionalmente se manifesta entre nós, o melhor e até mesmo o remédio mais seguro é a banana. Os doentes de espru ficam curados, quase por milagre, mediante um regime exclusivo de bananas. O quadro clínico da celiaquia infantil corresponde nas suas manifestações ao espru nos adultos.

0 regime de bananas modifica não só o desvio ácido do metabolismo, como também e sobretudo faz aumentar simultaneamente as reservas alcalinas necessárias no sangue, o que também se pode conhecer imediatamente da maneira mais simples na modificação da reação da urina.

Se antigamente era quase impossível salvar a vida a uma criança gravemente enferma de celiaquia, falecendo a maioria com uma complicação infecciosa geral, figura hoje a celiaquia entre as missões mais gratas da pediatria, já que desde o aparecimento do regime de bananas quase sempre se consegue restituir aos pequeninos a saúde e a alegria de viver. A boa digestibilidade, a fácil absorção da sacarose, o abundante conteúdo em vitamina C das bananas cruas e maduras, que facilitam, de combinação com o leite, as proteínas, a gordura, o cálcio e a lactose, transformam-nas num excelente alimento para doentes graves, febris e subalimentados, para as grávidas e lactantes, para os desportistas, operários braçais e para pessoas idosas com pouco apetite e formação insuficiente de suco gástrico.

Caju
0 cajueiro é planta brasileira da família das anacardiáceas (Anacardium occidentalis). O fruto, por seu alto valor medicinal e sua grande utilidade em vários aspectos, merece boa acolhida à mesa. De massa carnosa e esponjosa, branco-amarelada, do fruto se extrai saboroso suco branco, de efeito sudorífero, depurativo e anti-sifilítico, diurético, antidispeptico. Combate os catarros crônicos e a icterícia. Sua árvore é grande, atingindo até 10 metros de altura. O lenho, quando reduzido a cinzas, é aproveitado como dentifrício, em virtude de seu alto teor de potassa.

A casca é eficaz nas astenias, serve como estimulante dos centros medulares, sendo ainda excelente para a glicosúria e a poliúria. O suco dos brotos é antiscorbútico e recomendável nos casos de cólicas intestinais e nas aftas.

0 fruto é comestível depois de assado ou mesmo cru. Substitui a amêndoa. Possui matérias azotadas, amido, óleo amarelado. Contém cardol e ácido anacárdico. Daí ser antisséptico e vermífugo Presta-se ainda para cicatrizar verrugas, calos e úlceras.

Das frutas brasileiras, o caju constitui-se na maior fonte de vitamina C, deixando atrás o limão * a laranja.

Os cajueiros abundam em todo * Nordeste e Norte do Brasil, especialmente nos Estados do Ceará e Sergipe. E um detalhe: o caju amarelo é o mais rico de todos.


Cerejas
Não só as crianças e os pássaros consomem gostosamente as cerejas, mas também os adultos, por causa da sua polpa refrescante. A cereja (Prunus avium) é uma espécie cultivada da cereja silves-tre que uma vez ou outra é descoberta nos bosques e que antigamente se dava em quase toda a Europa, até na Noruega, com abundância. Parece que procede do Cáucaso, onde ainda existe no estado selvagem.

Propriedades e Emprego -- Examinemos as cerejas, quanto às propriedades que contêm e suas possibilidades de aproveitamento. Atuam, como a maior parte das rosáceas, nas vias gastrintestinais e nos seus órgãos anexos, a glândula hepática e o pâncreas.

Como os morangos, também as cerejas são ricas em glicose (12 %), o que lhes dá um bom índice de saciedade, A ginja tem o mesmo conteúdo de glicose, mas, além disso, também tem ácido orgânico (0,9%) que lhe condicionam o sabor. Estes ácidos vegetais atuam como depuradores no metabolismo e como elementos antibacterianos, desinfetantes e fomentadores das secreções e da digestão. Durante a época da sua colheita, comer um quilo de cerejas diariamente elimina bem depressa a atonia intestinal ou a prisão de ventre. O conteúdo elevado de minerais (0,7%) converte a cereja num meio dietético de primeira ordem. Consegue anular graves deficiências na nutrição pelo excessivo consumo de farinha branca, açúcar refinado, carne e especiarias. Os obesos que quiserem enjagrecer devem submeter-se a uma dieta total de cerejas, pois é perfeitamente suportável. Tem-se a sensação de haver comido abundantemente e contudo consegue-se uma notável redução de peso, já que faltam os autênticos portadores de energia, as gorduras e as proteínas, assim como também o sal.


Laranjas e Limões
Quando antigamente nas cidades sitiadas, nas grandes viagens por mar nas expedições polares, havia insuficiência de alimentos frescos, surgia nos habitantes ou nos viajantes uma doença que Cordus descreveu pela primeira vez, em 1534: o escorbuto. Bem depressa se compreendeu, também, que os vegetais verdes e as frutas podiam evitar e curar a doença. Sabemos hoje que tal doença é causada sobretudo pela falta de vitamina C, substância esta que em 1928 Szent Györgly conseguiu isolar como corpo químico puro e mais tarde se chamou ácido ascórbico.

Os marinheiros holandeses já haviam descoberto no século XVI, o efeito antiescorbútico dos limões (Citrus limonum) e das laranjas (Citrus aurantium) e realmente as frutas destas famílias apresentam um conteúdo extraordinariamente elevado de vitamina C. Hoje entre nós é raro o aparecimento de casos de escorbuto, mas a investigação dos efeitos da vitamina C levou a surpreendentes conhecimentos e comprovações.

O Seu Emprego na Avitaminose C -- A falta de vitamina C nota-se e sente-se em qualquer indivíduo que se observe. Muitos investigadores se têm ocupado com os sintomas desta insuficiência e verificaram que toda uma Série de desordens orgânicas têm como causa a falta de vitamina C. Entre elas pode contar-se a astema (cansaço da primavera), a inapetência, doenças reumáticas nos músculos, articulações e nervos, a tendência para a hemorragia da pele e das mucosas, a propensão para catarros nas vias respiratórias, digestivas e urinarias. Quando tais sintomas aparecem, é o momento de consumir diariamente limões e laranjas para evitar graves lesões orgânicas e recuperar a saúde, capacidade de rendimento e força de resistência.

Calcula-se hoje em 50 a 120 mg a necessidade média diária de vitamina C no homem sadio (segundo Step e Schroeder), isto é, a quantidade que se encontra em 100 a 200 g de suco de laranja ou de limão. Com relação a isto deve-se ter em conta que se produz uma necessidade de consumo muitíssimo maior na gravidez, na jactância, nas doenças infecciosas, no câncer, no diabetes, na doença de Basedow e nas intoxicações, assim como por ocasião de grandes esforços físicos (trabalho profissional, desporto e grandes caminhadas). O fato de um intenso trabalho físico impor um maior consumo de vitamina C deve ser tomado muito em conta pelos operários de trabalhos pesados e pelos desportistas, uma vez que a falta de vitamina C ocasiona uma diminuição na capacidade de rendimento.

É ainda maior a necessidade dessa vitamina durante a convalescença, depois de uma grave doença e durante a velhice, de modo que deve recomendar-se aos convalescentes e às pessoas idosas que consumam abundantemente limões e laranjas.

Outros Usos Destas Frutas -- Mas o valor das laranjas e dos limões não se reduz ao conteúdo em vitamina C ou ácido ascórbico. Também o ácido cítrico presente nas duas frutas, deve ser tomado em consideração. Produz-se normalmente no organismo (isto é, não tem de ser obtido do exterior) no metabolismo orgânico de homens e de animais e introduz-se no sistema ósseo. Novas investigações permitem ver que o ácido cítrico desempenha um importante papel químico no metabolismo orgânico. Quanto à nutrição dos lactentes, sabe-se que quando estes consomem leite ao qual se acrescenta ácido cítrico ficam com maior resistência ao raquitismo do que as outras crianças alimentadas sem ácido cítrico. Está demonstrado, além disso, que o ácido cítrico aumenta a absorção de cálcio pelo intestino. Por isso, o ácido cítrico é juntamente com a vitamina D um importante fator na prevenção e cura do raquitismo.

De grande importância prática é a observação, que eu próprio comprovei, de que um par de pinceladas na mucosa nasal e bucal com suco fresco de limão nos portadores de bacilos diftéricos leva rapidamente a libertarem-se deles. Ao que parece, intervém em tal desaparecimento o ácido cítrico. Observe-se a este respeito o efeito do mel sobre os bacilos diftéricos.


Maracujá

Planta trepadeira, o maracujazeiro é planta da família das Passifloráceas (Passiflora macrocarpa). Conhecem-se várias espécies no Brasil.

O fruto possui sais e vitaminas. Vários maracujás podem ser apreciados ao natural, como: o maracujá-cobra, o maracujá-da~serra, o maracujá-marmelo, o maracujá melão, o maracujá-peroba, etc.

Os que proporcionam melhores refrescos são: o maracujá-guaçu, maracujá~pedra, maracujá-mirim, maracujá-de-capoeira, etc. Para compotas e doces cristalizados, prefere-se o maracujá-mirim. os maracujás, de modo geral, são soníferos.

Peras

Quem quiser libertar-se de hidropisia ou das gorduras inúteis, deve substituir a sua alimentação corrente por pêras cruas ou cozidas, eventualmente em combinação com iogurte e pão integral.

A pêra de que hoje dispomos, de variadíssimo e seleto sabor, é também antiqüíssima na sua forma de cultivo.
Composição e Propriedades -- Sob o ponto de vista da fisiologia da nutrição, deve-se ter em conta que o conteúdo em substâncias calóricas é muito baixo, como em todas as frutas. 100 gramas produzem umas 50 calorias.

O conteúdo de ácidos da pêra é menor do que o da maçã, mas é maior o da quantidade de açúcar. Tem, segundo a classe e o estado de maturidade, de 6 a 13 %. Mais importante é o conteúdo em valiosas substâncias minerais básicas, excedendo nisto a maçã. Na pêra, além do cálcio e do magnésio, com falta de sódio e falta de cloro, apresenta-se, antes de mais, um excesso de potássio. Também é digno de consideração o conteúdo em ácidos fosfórico e silícico, em enxofre e em óxido de ferro.

0 conteúdo vitamínico das frutas frescas exagera-se com frequência, passando-se o mesmo com as pêras. Na realidade, é insignificante. Falta a vitamina A e o conteúdo em procaroteno é de 0,014 mg o de vitamina Bi é de 0,065 mg; o de vitamina B2 é de 0, 1 mg e o de vitamina C é de 3 mg por cada 100 gramas.

Se do que fica dito parece de-duzir-se que a importância da pera na fisiologia da nutrição se (leve sobretudo ao seu conteúdo em substâncias minerais, não devemos esquecer que a pêra, como a maioria das frutas cruas, contém numerosas substâncias em quantidades muito diversas que escapam por enquanto à análise química. Talvez sejam os elementos aromáticos, ou os oligoelementos, os fermentos (enzimas), os hormônios, ou outras substâncias energéticas, ou os compostos até hoje desconhecidos, as coisas que determinam o verdadeiro valor da fruta crua com respeito aos alimentos cozidos. Também se menospreza o efeito absorvente e antiinflamatório dos ácidos tânicos na mucosa da via digestiva. Além disso, começamos a conhecer agora a importância dos diversos hidratos de carbono, tão abundantes nas paredes celulares da pêra. Ultimamente conheceu-se melhor a pectina e os seus efeitos na absorção dos tóxicos intestinais (Stepp).

Modo de Ação e Emprego -- Com respeito ao significado médico da pêra, de acordo com as experiências e análises realizadas até agora, podemos acrescentar mais alguma coisa. Pelo elevado excesso de potássio e falta de sal, a pêra torna-se muito apropriada para eliminar os inchaços dematosos nos doentes do aparelho circulatório e rins. As mesmas propriedades, de combinação com a falta de proteínas e de gordura, fazem que a pêra se torne eficaz nos tratamentos de eliminação de gorduras. Para isso deve-se consumir pêras cruas e cozidas em vez dos alimentos habituais. Tratando-se de cruas mais ligeiras podem eventualmente ser consumidas de combinação com iogurte e pão integral.

Nas doenças das vias gastrintestinais diz a velha experiência médica que a pêra crua é pesada, ao passo que cozida se torna muito digerível, não causando flatulência.

Contudo, em cada caso importa ver se são melhores cruas ou cozidas, devendo porém as pessoas sãs preferir o consumo das pêras cruas.

Naturalmente, no caso de haver grande sensibilidade de estômago e intestino, deve-se empregar o suco de pêras cruas ou cozidas para conseguir a eliminação do sal e com ele a desidratação. Além disso, alternada e sucessivamente, pode, combinada com outros sucos de frutas e purês, servir de modo saliente numa cura de sucos de frutas.

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