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segunda-feira, 4 de junho de 2007

Estudos revelam a forma como o cérebro avalia os riscos

Já percorremos o nosso caminho habitual para casa mil vezes e duas vezes um gang de adolescentes olhou para nós ameaçadoramente. A maioria das pessoas veria a ameaça de ataque num dia qualquer da forma que é, mínima, mas alguns ficariam tão amedrontados que não voltariam a arriscar fazer o caminho sozinho novamente.

Essas pessoas excessivamente ansiosas tendem a interpretar uma situação potencialmente perigosa como intoleravelmente ameaçadora, mesmo quando o risco é mínimo. Os investigadores descobriram agora os circuitos neurais por trás deste comportamento inadequado, pelo em ratos.

Os humanos provavelmente têm um sistema semelhante, dizem os investigadores que fizeram a descoberta. Saber quais as células envolvidas numa manifestação de ansiedade pode ajudar os profissionais que desenvolvem novas terapias.

Se ratos normais receberem um choque eléctrico de cada vez que são expostos a um relâmpago de luz, rapidamente aprendem a ficar paralisados com o medo todas as vezes que a luz surge. Se receberem o choque apenas ocasionalmente, mostram-se menos amedrontados com a luz.

Mas ratinhos a quem falta um receptor em particular para o neurotransmissor serotonina, designado 5-Htr1a, mostram o mesmo nível de medo em ambas as situações. Esses ratinhos são ansiosos e não conseguem avaliar a verdadeira ameaça de uma situação ambigua.

Os ratos foram produzidos por uma equipa do European Molecular Biology Laboratory de Monterotondo, Itália, liderada pelo geneticista comportamental Cornelius Gross, que relata as suas descobertas na mais recente edição da revista Nature Neuroscience.

"Os ratinhos precisam deste receptor durante o seu desenvolvimento", diz Gross. "Se lá não estiver durante este período crucial, os seus cérebros não estabelecem as ligações adequadas, o que afecta a sua relação com a ansiedade para o resto da vida."

A serotonina é conhecida por ser um factor crucial na ansiedade. Antidepressivos como o Prozac funcionam precisamente por prolongar a sua acção sobre os neurónios.

Ao desligar um circuito particular no hipocampo, a zona do cérebro que processa as memórias, a equipa de Gross foi capaz de fazer os ratinhos geneticamente modificados responder de forma normal às ameaças ambíguas.

Os investigadores alcançaram este objectivo com uma droga que bloqueia o disparar dos neurónios conhecidos por células granulosas, que formam parte de um dos principais circuitos neurais do hipocampo.

Os resultados mostram que, tal como as células da memória, o hipocampo avalia os riscos.

Os humanos devem ter o mesmo circuito no seu hipocampo, diz Gross. O processamento cerebral de emoções básicas e essenciais como o medo, é geralmente conservado entre espécies. "O cérebro humano está configurado para avaliar as situações potencialmente perigosas da mesma forma que um rato."

Saber mais:

Cornelius Gross

Este boletim é mantido por simbiotica.org, a Rede Simbiótica de Biologia e Conservação da Natureza

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